Em Julho, a OCDE divulgou um relatório sobre a economia Portuguesa no qual afirma "que a diferença de nível de instrução é a principal causa das diferenças de produtividade da mão-de-obra" aludindo claramente à enorme desigualdade social e educativa que persiste em Portugal, apesar do grande investimento que o País tem vindo a fazer em educação. Para além de outras explicações, os peritos da OCDE justificam esta situação com as heranças do passado...
No artigo "Miséria e Ostentação no Ensino", o Professor Avelino de Jesus desmonta facilmente este argumento, afirmando que em 2009 apenas 48% dos jovens entre os 25 e os 34 anos possuíam o ensino secundário em Portugal (contra os 81% da média da UE), como se nos últimos 38 anos não tivesse sido possível garantir a conclusão deste grau de ensino às gerações que cresceram depois da revolução de 1974.
Apesar de tudo, não deixa de ser pesarosamente verdadeira uma parte deste argumento pois, como sabemos, o nosso modelo de educação pública assenta ainda em vários pressupostos herdados do Estado Novo: um ensino público com um fornecedor monopolista e seguindo um modelo único; um modelo orientado para um único fornecedor, dirigista e massificado para o aluno; um modelo, sem transparência, em que o Estado é simultaneamente fornecedor, gestor de escolas e aferidor da qualidade... Enfim, herdámos um sistema sem liberdade de aprender e de ensinar, não permitindo aos pais escolherem a escola dos seus filhos, excepto se a puderem pagar, não permitindo aos professores trabalharem em autonomia e impedindo-os de inovar e de criar novas escolas.
Em suma, a nossa escola pública, promovida como "universal" e "inclusiva", não oferece um caminho de sucesso aos jovens que dela mais necessitam, estando refém de uma política educativa centrada na manutenção do fornecedor do serviço público de educação e não nas necessidades efectivas dos alunos. A OCDE tem vindo, de forma reiterada, a alertar o País para esta situação, sugerindo que se passe a centrar a educação nos alunos e nas suas efectivas necessidades.
Esta é, sem sombra de dúvidas, uma das heranças que as actuais gerações políticas têm vindo a assumir, recusando-se a alterar o paradigma e a re-orientar a política pública de educação do fornecedor para o aluno... Será por essa razão que os peritos da OCDE sublinham a "singularidade da realidade Portuguesa", considerando-a difícil de explicar?...Fonte: Fle
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ResponderEliminarQuando li OCDE, pensei que ia falar disto: http://www.publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/previsoes-da-ocde-contrariam-nuno-crato--1562526
ResponderEliminarÉ verdade, o Sérgio tem razão.
ResponderEliminar"A percentagem de alunos entre os 15 e os 19 anos vai aumentar 10% ou mais por comparação com a última década. A previsão é da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e contraria as projecções apresentadas pelo ministro Nuno Crato nos últimos dias." (Público)
Para alimentar o debate e "contrariar" algumas das posições defendidas pelo editor deste blog, aqui fica mais uma opinião da OCDE: "OCDE defende que mais alunos por turma "piora" educação" (http://www.publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/ocde-defende-que-mais-alunos-por-turma-piora-educacao-1562543#)
ResponderEliminarO Prof. Ramiro Marques deve achar que OCDE significa:
ResponderEliminarOpiniões
Convenientes
Dadas à
Escolha.
"Prof. Ramiro Marques"?! Prof.?!
ResponderEliminarUm Professor é outra coisa. Quanto muito, o editor deste blogue tem uma qualificação que o habilita a lecionar no ensino politécnico. Sem se aperceber, também ele é um "candidato a Professor", cuja prova de ingresso deveria incidir nos domínios da honestidade, ética e honra. Duvido que passasse no teste sem cabular.
"OCDE defende que mais esquerda por turma "piora" educação"
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