16 Agosto, 2012

O problema não é a agenda reformista do MEC, é a falta dela noutros ministérios

PS, PCP, BE e sindicatos de professores criticam a agenda reformista do MEC, acusando Nuno Crato de criar obstáculos à qualidade do ensino com o aumento do número de alunos por turma, revisão curricular, supressão das áreas curriculares não disciplinares e agregação de agrupamentos.

A crítica é injusta: parte do princípio de que, antes das reformas de Nuno Crato, havia qualidade de ensino. Os resultados do PISA da última década mostram que ao aumento gradual da despesa pública com a Educação não aconteceu uma melhoria proporcional dos resultados. As melhorias foram muito ligeiras e não permitiram que o nosso país deixasse a metade inferior da tabela dos resultados do PISA.

Associar turmas pequenas com mais disciplina é ignorar o imenso regabofe indisciplinar que são a maioria das turmas CEF, muitas com menos de 15 alunos, algumas com menos de 10.

Associar o fim de alguns desdobramentos de turmas a menor qualidade de ensino é ignorar os péssimos resultados dos alunos nos exames nacionais de Biologia e Geologia e de Física e Química no ensino secundário.

É claro que a agenda reformista do atual MEC tem implicações no número de horários letivos disponíveis no sistema. Essas reformas provocaram uma acentuada redução que é expressa no aumento de horários zero e na redução de número de contratações. 

Em vez de acusar o MEC de estar a reduzir a despesa com os salários dos professores, gerindo melhor os que estão vinculados e cortando nos desperdícios, o PS devia estar calado porque foram os seus governos, na primeira década do século XXI, que inflacionarem o número de professores no sistema. Isso foi evidente sobretudo no 1º CEB: apesar da contínua e acentuada redução do número de alunos, os professores afetos a esse nível de ensino não cessaram de aumentar com muitos em atividades de apoio e destacamentos fora da sala de aula.

Errada não é a agenda reformista do MEC. O que é errado é que haja outros ministérios que fingem fazer reformas ou as adiam. E neste grupo cabem quase todos com exceção do ministério da economia e, em pequena parte, do ministério da saúde e do ministério da justiça. O resto é só fumaça e ver o tempo a passar.

6 comentários:

  1. O problema é a agenda ensebada do Ramiro. Temos homem... temos candidato a um lugarzito.... nem que seja o de 4º secretário... da formação profissional.

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  2. OS CEF e cursos profissionais na rede pública foi uma determinação do anterior governo. A indisciplina que levou à agressão de professores atingiu recorde no anterior governo. Os serviços noticiosos iam denunciando essas situações e a tutela remetia-se a um silêncio ensurdecedor. Jamais esquecerei a escola de Lurdes Rodrigues. Vê-la-ei sempre com muita mágoa. Foi o ensino da mentira. Foi o ensino para as estatísticas. Foi a educação da agressão a professores.
    Dá ideia que esse tempo ainda recente faz saudades a vários professores que se enfatuaram muito bem nesses tempos...
    Enfim. Vá lá a gente compreender o mundo. Faz-me lembrar a história do burro e do caminhante que se aprendia há muitos muitos anos.

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  3. Então e comentários à ultima do MEC? Parece que abriu na plataforma dos concursos um campo de preenchimento obrigatório para que os contratados possam depois vir a poder concorrer às ofertas de escola. Só que, espertos e matreiros como são, não deram qualquer aviso de que o iam fazer. De referir ainda que em nenhum manual de candidatura ou avisos de datas esta operação vinha referida. Só se começou a saber por boca a boca. E quem tiver o azar de deixar passar o período de registo, fica um ano arredado de concorrer às ofertas. Anda-se mesmo a brincar com a vida das pessoas...

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  4. Ahh, o dito período para preenchimento é de apenas 48 horas, ou seja, hoje e amanhã....

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  5. O Ramiro é uma "gordura" do estado porquê não se demite e pouparíamos alguns milhares por ano ou será que está à espera de um tacho?

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  6. Defender que não existe relação entre o número de alunos por turma e a indisciplina, hoje em dia, utilizando como comparação as turmas CEF, ou mostra, mais uma vez, o seu total distanciamento à realidade da escola, ou mostra apenas desonestidade intelectual.

    Como deve bem saber, você que estuda outros sistemas educativos, é que existe algo como verdadeiro apoio aos alunos com maiores dificuldades. E o que acontece por aqui? Por falta de professores (sim, falta, pois não dão horas para isso), há apoios quando há, e na maioria dos casos, com 5 ou 6 alunos, ou então, como já apanhei, com 12. Mas não se contratam professores para isso. O que interessa é apenas a aula. Pois bem, poupa-se dinheiro, mas depois vem falar de qualidade e dinheiro, como se não houvesse relação? Nunca se investiu a sério em Portugal na Educação.

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