18 Agosto, 2012

Na última década, as escolas básicas e secundárias perderam 500 mil alunos


Só nos últimos três anos, o sistema perdeu 200.000 alunos: menos 13,4%. Nos últimos dez anos, a redução foi de 26,9%. 


O ensino básico e secundário perdeu 91 723 alunos nos últimos 20 anos, enquanto o número de professores aumentou 24 784, revela a 102ª edição do Anuário Estatístico de Portugal, agora lançado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). No ano lectivo 1990/91, havia 1 832 167 alunos matriculados nos ensinos básico e secundário, enquanto o número de professores era de 136 792. Já em 2009/2010, o número de alunos desceu cinco por cento, para 1 740 444, ao passo que o de professores aumentou 18,1 por cento, para 161 576.
A explicação para esta aparente contradição está no facto de a maior redução de alunos se dar no 1º ciclo, onde a quebra foi de 28 por cento (de 669 525 para 479 519), enquanto no 3º ciclo e no secundário houve um aumento de 22 por cento (de 806 222 para 987 677). Já o 2º ciclo também desceu, de 356 420 para 273 248. Fonte: CM 
Na última década, as escolas perderam quase meio milhão de alunos, entre o Pré-escolar e o Ensino Básico e Secundário. A diferença entre o número de alunos nos anos lectivos 2002/03 (1 807 522) e 2011/12 (1 321 174) é de 486 348, o que representa uma redução de 26,9 por cento. Esta realidade não deve ser dissociada do decréscimo de nascimentos no País. Fonte: CM
Entre 1990 e 2010, houve um decréscimo acentuado do número de alunos a frequentar o ensino básico (1º, 2º e 3º CEB): em 1990, eram 1 531 114; em 2010, o número desceu para 1 256 462. Fonte: Pordata. No mesmo período de duas décadas deu-se um aumento elevado do número de professores do ensino básico e secundário (1º, 2º e 3º CEB mais secundário): em 1990, havia 134 370 professores; em 2010, havia 161 577 professores. Nota: não estão incluídos os educadores de infância. Fonte: Pordata. Não sendo possível desagregar o número de professores do 3º CEB e os do ensino secundário, visto que no mesmo horário dos docentes estarem atribuídas turmas do 3º CEB e do ensino secundário, torna-se difícil conhecer com exatidão a dimensão do problema da desproporção entre a redução do número de alunos no ensino básico (1º, 2º e 3º CEB) e o aumento do número de professores no sistema.

12 comentários:

  1. Que políticas de natalidade têm sido feitas? Como é que o patronato lida com a gravidez das trabalhadoras? Como é que o patronato foge às contribuições à Segurança Social? Como tem sido gerido os vários PDM, que atiram para as periferias milhares de novos habitantes? Como é gerido e alimentado o elitismo e "forçar" a contracção de sub-empréstimos para ensino cada vez mais baseado em exames, esse sim, desinvestindo na equidade de acesso e condições de frequência de etapas superiores da Educação e Formação? Como são formados os nossos empresários- muitos ainda com 9º ano e até o 4º ano???
    Quem mandou encerrar centros de saúde escolas no interior? Quem mandou extinguir a telescola? Quem mandou destruir as ferrovias no interior do país? Quem incentivou a milhares de jovens a uma nova emigração envergonhada?

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  2. Caro Ramiro,

    Sugiro-lhe que coloque um post com uma reflexão sobre ser hoje impossível uma manifestação de 100 mil professores como se verificou no tempo de Maria de Lurdes Rodrigues. A Fenprof já não mobiliza como mobilizava.

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  3. O difícil é mobilizar como só a Maria de Lurdes Rodrigues o sabia fazer.

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  4. Sim, a política de incentivo da natalidade é um estrondo (bum!)... porque acaba com ela (a natalidade!)! O patronato?? Numa empresa bem cotada onde trabalha uma familiar, dessas com bastante exportação, todas as grávidas (TODAS - cerca de 6 no último ano - desde a funcionária de linha à engenheira responsável por departamento)foram DESPEDIDAS!! E onde anda a fiscalização??? A ASAE vai fiscalizar pequenos comércios - COITADOS - como se eles já não tivessem problemas que cheguem... NOJO!!!! NOJO!!!

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  5. João Soares:

    "Que políticas de natalidade têm sido feitas?"

    As que resultam de quem elege. O resto são pancadas de luminária que acha que o estado deve condicionar a vida das pessoas e não o contrário.

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  6. Guerras de números...afinal, quem tem razão?

    http://profslusos.blogspot.pt/2012/08/a-natalidade-e-os-professores.html

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  7. PROFLUSOS:
    "Como já escrevi é possível vincular um número significativo de Professores Contratados com um peso residual no Orçamento de Estado. Muito dos comentários que surgem neste blog espantam-se com tal possibilidade, mas para isso bastaria (por exemplo):
    - Retomar a carga lectiva de 22 tempos dos professores.
    - Recuperar o anterior número de alunos por turma.
    - Continuação do Reforço do combate ao abandono escolar.
    - Escolarização até aos 18 anos feita na escola pública.
    - Possibilitar a reforma antecipada de professores (Existem excelentes professores com muita experiência mas sei que muito deles não perderiam uma boa oportunidade de saírem da profissão).
    Neste cenário se acontecesse a vinculação de 8 a 10 mil contratados, mesmo assim ficaríamos com o número mais baixo de efectivos das últimas décadas, e com um impacto residual na despesa pública.
    Não nos esqueçamos que a despesa pública em educação em percentagem do Produto Interno Bruto, prevista para 2012, será a mais baixa da união Europeia (3,8% contra a média de 5,5% da UE). Haja vontade política e um investimento um pouco mais equilibrado para uma Educação de qualidade e poderemos ter uma vinculação dos professores contratados que já possuem larga experiência no ensino público sem se cair em despesismo e assim rentabilizar estes recursos humanos.
    Tema(s): Vinculação dos Professores Contratados
    © Publicado por Álvaro Vasconcelos 8 Comentário(s)"

    Professor Ramiro,

    Gostaria de saber a sua verdadeira opinião sobre esta lúcida visão de Álvaro Vasconcelos acerca da vinculação de contratados (o colega também tem um primeiro post sobre o assunto no Proflusos, de inegável qualidade e conhecimento sobre o assunto).
    Assim alguém do MEC lesse os 2 posts do colega e refletisse bem, aconselhando o ministro Nuno Crato a proceder ao fim da terrível injustiça que se verifica. E ainda certos comentadores de bancada dizem: É bem feito! Não vincularam porque nunca concorreram para longe!
    Meu Deus, tanto disparate! Por ex, no último concurso nacional, concorri ao país todo e no meu grupo nem um desgraçado entrou para o quadro!
    Por estas e por outras, a visão/reflexão do colega Álvaro, é do melhor que li até agora. Falta-me conhecer também o que diz o professor, apesar de estar no ensino superior, mas sabe bem o que nos rodeia.
    Obrigada.

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  8. A minha mulher e uma amiga trablhavam em duas IPSS sem qualquer ligação entre elas. Coiciência, ou não, ficaram ambas grávidas na mesma altura, e coicidência ou não, foram ambas despedidas durante ou após a licensa de maternidade. É essa a política de natalidade deste país...

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  9. Os números não devem ser vistos a três anos! A análise deve ser bem mais ampla, envolvendo muitos mais anos, décadas mesmo! Só assim é possível perceberem-se as tendências de fundo e relacioná-las com a natalidade! Por outro lado, devem ser colocados entre parêntesis fatores meramente conjunturais como as Novas Oportunidades!


    O número total de alunos no ensino básico e secundário aumentou nos últimos 3 anos, com base nas estatísticas da pordata. O número de professores efectivos diminui de 118 mil para 103 mil entre 2008 e 2010, diz o autor.


    O autor, no professores lusos, não diz que, pegando no lapso temporal que aponta (três anos), houve um decréscimo do número de alunos nos últimos dois anos em todos os níveis de ensino e também no total!


    E o Mário Nogueira confirma decréscimo da população escolar:

    Em 05:36
    E de 06:05 a 06:10

    http://www.youtube.com/watch?v=iTE2seyemjo


    Aliás, eu acho imensa piada aos que atacam o MEC, acusando-o de manipulação, esquecendo-se eles de que o próprio camarada Nogueira CONFIRMOU o decréscimo de alunos! Mas também acho piada à pergunta do camarada Mário: se a população escolar diminuiu, porque motivo o MEC aumentou o número máximo de alunos por turma?

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  10. Nota: as minhas respostas dirigem-se ao André.

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  11. Profslusos
    Desde a última informação sobre o número de DACLS tem vindo a ser veiculado na opinião pública que uma das razões para o seu aumento é a diminuição da quantidade de alunos na escola pública. Como explicitado neste post, parece-me que se tem interpretado apenas parte das estatísticas. Se olhamos para os últimos 3 anos e comparamos o período entre 2008 e 2010 verifica-se um aumento de alunos matriculados no ensino básico e secundário (tendo o secundário um aumento à volta de 100 mil alunos).O número total de alunos no ensino básico e secundário aumentou nos últimos 3 anos, com base nas estatísticas da pordata. O número de professores efectivos diminui de 118 mil para 103 mil entre 2008 e 2010.


    Apesar da diminuição da natalidade nas últimas décadas, uma maior escolarização dos Portugueses equilibrou a quantidade de alunos nas escolas. Não vale a pena tapar o sol com a peneira, como exemplo entre outros, sabe-se que a medida de aumentar a carga lectiva dos professores de 22 tempos para 24 faz com que sejam necessários menos professores. Isto é por demais óbvio.
    Como já escrevi é possível vincular um número significativo de Professores Contratados com um peso residual no Orçamento de Estado. Muito dos comentários que surgem neste blog espantam-se com tal possibilidade, mas para isso bastaria (por exemplo):
    - Retomar a carga lectiva de 22 tempos dos professores.
    - Recuperar o anterior número de alunos por turma.
    - Continuação do Reforço do combate ao abandono escolar.
    - Escolarização até aos 18 anos feita na escola pública.
    - Possibilitar a reforma antecipada de professores (Existem excelentes professores com muita experiência mas sei que muito deles não perderiam uma boa oportunidade de saírem da profissão).
    Neste cenário se acontecesse a vinculação de 8 a 10 mil contratados, mesmo assim ficaríamos com o número mais baixo de efectivos das últimas décadas, e com um impacto residual na despesa pública.
    Não nos esqueçamos que a despesa pública em educação em percentagem do Produto Interno Bruto, prevista para 2012, será a mais baixa da união Europeia (3,8% contra a média de 5,5% da UE). Haja vontade política e um investimento um pouco mais equilibrado para uma Educação de qualidade e poderemos ter uma vinculação dos professores contratados que já possuem larga experiência no ensino público sem se cair em despesismo e assim rentabilizar estes recursos humanos.

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  12. É interessante ver-se a procura de excepções que contradigam o fundamental: nascendo menos gente haverá menos alunos.

    Só falta aparecer quem defenda que se chumbe não por não se saber mas para dar emprego a professores.

    Pretende manter-se artificialmente alunos na escola e depois há queixas de que eles não têm interesse em lá se manter.

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