21 Junho, 2012

Se a profissão docente é assim tão má por que razão tem tanta procura?


É mais um daqueles estudos que confirmam aquilo que já se sabe: há muitos professores com sintomas de stress, ansiedade, depressão e exaustão. As autoras do estudo, as professoras do ISPA, Ivone Padrão e Joana Rita, vão ao ponto de estimar em 30% os professores afetados por aqueles sintomas. Apetece perguntar: e nas outras profissões não existe também um número considerável de stressados e ansiosos? Se a profissão docente é assim tão má por que razão continua a ser tão procurada?
O facto de poucos professores recorrerem à ajuda de profissionais para combater o stress, a ansiedade e a depressão não contraria os resultados do estudo? Se os níveis de stress, ansiedade e depressão fossem graves não seria de supor que esses professores recorressem mais à ajuda de profissionais de saúde?
Trinta por cento dos professores enfrentam um esgotamento, associado a elevados níveis de ansiedade e depressão, mas são poucos os que recorrem a ajuda de profissionais de saúde mental, concluiu um estudo hoje divulgado. Segundo o estudo, desenvolvido por Ivone Patrão e Joana Santos Rita, investigadoras do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), são os docentes mais velhos, efetivos e com mais anos de experiência quem apresenta níveis superiores de esgotamento Os professores do ensino primário apresentam valores superiores nos níveis de stress, exaustão emocional e maior falta de reconhecimento profissional. Os valores mais elevados de esgotamento são apresentados pelos professores do sexo feminino. A investigação começou em 2009 e ainda decorre, mas já há dados de uma amostra de 800 professores do 1º até o 12º ano em todo o país. O estudo demonstra ainda que também os professores que têm alunos com necessidades educativas especiais apresentam valores mais elevados de ansiedade, esgotamento e preocupações profissionais. Já os professores com elevada autoeficácia apresentam baixos níveis de esgotamento. Os dados alertam para a influência dos professores que revelam elevados níveis de esgotamento como estímulo negativo para os pares, bem como para o facto de, geralmente, poucos professores recorrerem a ajuda de profissionais de saúde mental.Os professores com níveis elevados de esgotamento apresentam baixos níveis de satisfação no trabalho, nomeadamente em escolas públicas. Fonte: DN

6 comentários:

  1. "Se a profissão docente é assim tão má por que razão continua a ser tão procurada?"

    Essa é fácil. George Bernard Shaw resumiu-o numa pequena frase:
    "- He who can, does. He who cannot, teaches."

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  2. É fácil... a oferta foi em ESEs e escolas do género, por todo o lado surgiram escolas que se propunham formar professores. E quem não entrava para as faculdades podia ter essa alternativa. Conheci muita gente que como não entrava noutros cursos, experimentou estes.
    Depois também há a ideia de que ser professor é fácil, todos sabemos ensinar. E ainda, depois de se estar na carreira, apesar da desilusão e do cansaço...mudar de emprego? na crise actual?

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  3. Nas outras profissões também existem níveis altos de stress profissional. A questão é que a profissão docente é daquelas que, a nível internacional, apresentam maiores índices de stress profissional. Se não estou em erro, apenas os profissionais relacionados com a saúde apresentam níveis superiores. Em relação à escolha da profissão docente existem situações muito diferentes, mas os casos em que a docência foi a primeira escolha são em menor número. Nos colegas mais novos, os cursos de ensino quase nunca foram a 1ª opção no acesso ao ensino superior... depois, por uma questão de comodismo, foram ficando, e como a oferta de trabalho também é escassa, vão-se acomodando. No caso dos colegas com mais experiência também podem ter contribuído outros factores para a manutenção na profissão docente, como por exemplo: a flexibilidade de horário (muitos destes colegas só têm aulas de manhã, e um dia livre), o sistema de assistência social adse (mesmo assim não era mau...), a possibilidade de desempenhar outras funções fora da escola (grande parte destes colegas mais experientes têm formação inicial que não está relacionada com o ensino. Há muitos engenheiros, arquitectos, farmacêuticos, gestores...) etc. Parece-me que a escolha pela profissão docente não era, na maior parte dos casos, por vocação, mas sim pelas "facilidades" que proporcionava. Nos colegas mais novos, em muitos casos, parece-me que a opção pela docência está relacionada com a falta de outras oportunidades. Nas escolas por onde passei, e já foram algumas, em vários distritos do país, em cerca de 20 anos de desempenho, são poucos os docentes que se disponibilizam voluntariamente a estar na escola a tratar de assuntos relacionados com os alunos. Só mesmo quando são obrigados, e mesmo assim, na maior parte das reuniões de trabalho, nota-se perfeitamente que estão ali "contra-vontade". Aparecem sempre os comentários de ter de ir buscar a filha, ou até de ter de ir ao ginásio... por isso terá de sair mais cedo... ou teremos que acelerar a reunião... Infelizmente parece-me que estes casos ainda são muitos, e que o desempenho da profissão ainda não é levado a sério por muita gente.

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  4. Um dos factores de stress resulta da instabilidade profissional e do facto de muitos professores trabalharem longe da família sem o devido suporte familiar. Perdoe-me, professor, mas este seu comentário seria esperado nos lábios de um barbeiro ou taxista.

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  5. Acredito que os barbeiros ou taxistas não seriam tão indignos.

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