Quem segue o que publico aqui sabe que defendo uma reforma deste tipo há muito tempo. É preciso pôr fim à via única de ensino e aos remendos ineficazes dos percursos curriculares alternativos. Encaminhar alguns alunos para uma via prática, com um currículo orientado para a aprendizagem de um ofício, em articulação forte com empresas, é a melhor forma de responder às necessidades educativas e vocações de alunos que não querem nem estão preparados para frequentar a via liceal.
O Ministério da Educação e da Ciência quer criar uma nova oferta de estudos, com disciplinas mais práticas, logo a partir do 2º ciclo do ensino básico - ou seja do 5º ano de escolaridade.
O objetivo é assegurar que os alunos tenham acesso a diferentes alternativas, incluindo vias que "que preparem os jovens para a vida, dotando-os de ferramentas que lhes permitam enfrentar os desafios do mercado de trabalho". Estes novos "cursos de ensino vocacional" poderão ser frequentados por opção do aluno ou por sugestão da escola, mas sempre com o acordo dos pais. Fonte: Expresso
Os críticos das duas vias logo à saída do 2º CEB argumentam que viola o princípio da igualdade de oportunidades e reforça a seleção social. Errado. Não reforça a seleção social caso haja mecanismos que permitam a transição dos alunos entre as várias vias. Essa transição pode fazer-se mediante a aprovação em provas externas de verificação de conhecimentos.
O artigo do Expresso refere que o encaminhamento para a via prática se vai fazer logo no 5º ano. É capaz de ser cedo. O final do 2º CEB é a altura ideal para fazer o encaminhamento. Em casos excecionais, esse encaminhamento pode e deve ser feito mais cedo.
O principio é bom, veremos na prática.
ResponderEliminarUma verdadeira ruptura com o paradigma esquerdista vigente. Este sr. ministro tem-los no sítio.
ResponderEliminarAcho que implementar uma medida destas o 2.º Ciclo vai pecar por ser demasiado tardio. A ser feito como deve ser, elaboravam-se psicotécnicos para o feto realizar ainda dentro do útero da mãe, para que pudesse ser encaminhado logo para uma carpintaria ou serralharia logo que nascesse. Assim, só se perde tempo...
ResponderEliminarSubscrevo o princípio mas aguardo para ver a aplicação concreta. (O Crato tem sido “tolerante” demais com alguns fetiches eduqueses.
ResponderEliminarPrecário:
ResponderEliminarNão iria tão longe, porque custaria demasiado caro a um SNS em desmantelamento.
Mas porque não no Pré-Escolar?
As educadoras fariam isso de borla.
Quem gostasse de brincar com bonecas ia para costureira; com camionetas para mecânico; que tivesse propensão para apagar as luzes da sala para electricista; que gostasse muito de comer carne ao almoço para talhante; se o gosto recaísse no peixe para pescador; quem não sujasse muito os sapatos de terra no recreio iria para engraxador.
Como vê, era rápido, barato e eficaz fazer os testes.
Costuma dizer-se: «à primeira qualquer cai, à segunda cai quem quer, à terceira caem os tontos.»
Essa matéria teve ampla discussão no início do século XX; os anos 50 (com o ministro Leite Pinto) discutiu-se de novo intensamente as vantagens e os inconvenientes da separação profissionalizante tão cedo (havia o ciclo preparatório do ensino técnico e o 1.º ciclo dos liceus, optava-se aos 10/11 anos); agora, pela terceira vez, volta à ordem do dia para alguns…
Os ditados populares têm uma sabedoria filtrada pelos tempos. São imbatíveis.
Porque será que temos uma extrema dificuldade em estudar os problemas, encontrar as melhores soluções possíveis para cada momento, aplicá-las com perseverança e continuidade e avaliar os resultados para ir ajustando o percurso num contínuo sem fim?
Andamos sempre «a mudar os ovos de cesto», como se tivéssemos descoberto a cada momento e para cada problema o «ovo (cesto) de Colombo»?
Há quem teime em não perceber isso, mas penso que a razão nem sequer é de ordem cognitiva ou intelectual.
Subscrevo o seu texto na íntegra, professor Ramiro. Só quem nunca deu aulas ao Ensino Profissional ( alunos mal-educados,que não respeitam os professores e não querem estar na escola) é que pode discordar desta ideia. Há turmas de 12º ano no Ensino Profissional a funcionarem com 6 alunos!!!!Somos nós que pagamos...
ResponderEliminarConcordo com o princípio, mas parece-me que a opção deveria ser no 7.º ou 8.º.
ResponderEliminarQuanto ao Precário:
Os que pensam assim, também são geralmente adeptos do aborto livre. Assim, sendo, matavam antes de nascer todos os que na ecografia não tivessem propensão para engenheiro ou doutor. E assim, muito sabiamente, garantiam a igualdade: todos para a universidade!...
Mas andam todos loucos? Ensino prático no 5º ano? Acabou-se com o EVT, com o ET e agora querem a prática com alunos do 5º ano…
ResponderEliminarMas eu devo estar noutro planeta, não há já cursos CEF? Eu sei que são só a partir do 7º ano, mas prevê o ministro assim tantas retenções? Eu achava que o ensino básico era isso mesmo, básico, logo para todos. Agora querem que os alunos saiam do ensino corrente para melhorar as estatísticas? Querem o ensino até ao 12º para travarem logo uma série de jovens no 5º??? Sim, porque é sabido que os alunos com boas notas são os que vão seguir esses cursos não é (lol)??? Continuo a achar que o Ministro é incompetente, não sabe os resultados do que quer fazer ao ensino e anda às apalpadelas. É a política do "acho que deve ser assim".
Para um ministro que queria apaziguar as escolas, já estão todas em pé de guerra e à espera que saia rapidamente. Basta ver o medo em debater publicamente com o Prof. Santana Castilho, é porque sabe que ganha o debate (lol).
Digam lá o que disserem, toda esta política é um retrocesso e Nuno Crato foi o único ministro que aprovou um orçamento de estado tão magro para a educação.
PS – quero que conste que não morria de simpatias pelas duas antigas ministras da educação, mas já estou a ficar com um bocadinho de saudades de Isabel Alçada, parecia-me menos falsa e menos obtusa.