As críticas feitas hoje às Metas Curriculares pela Associação de Professores de Matemática (APM) e pela Associação de Professores de Português (APP) são um sinal de que a proposta divulgada ontem pelo MEC constitui uma rutura com o dirigismo pedagógico e o ensino centrado nas competências.
A APM acusa:
Elsa Barbosa, da Associação de Professores de Matemática, diz que "choca" o facto de a referência de base voltar a ser o ano e não o ciclo de escolaridade, o que aliás, vinca, contraria o programa em vigor. Neste estão definidos os conteúdos que devem ser trabalhados e adquiridos até ao final de cada ciclo. Mas nas novas metas as aprendizagens a adquirir estão identificadas ano a ano.
Fixar metas curriculares por ano e não por ciclo permite maior clareza e rigor na definição de objetivos. Fixar metas para um período de quatro anos dificulta a operacionalização do processo de ensino e aprendizagem.
A APP acusa:
"Existe um desfasamento em relação ao programa em vigor", avisa. O programa de Português do ensino básico, que foi apresentado como tendo sido o referencial para a elaboração das novas metas, está "estruturado com base em competências, mas este conceito desaparece agora". Fonte: Público
Fixar metas curriculares centradas em conteúdos e objetivos operacionais é um passo no sentido certo. Uma rutura com o ensino centrado nas competências. A opção pelos conteúdos e pelos objetivos operacionais permite clarificar aquilo que, nos programas, deve ser prioritário e os conhecimentos fundamentais a adquirir.
O documento está em debate público até ao dia 23 de julho. Espero que a equipa responsável pelas Metas Curriculares não vacile e vá em frente com a rutura anunciada. Ouvir os críticos sem cedências.
"Ouvir os críticos sem cedências."
ResponderEliminarÉ a Lei do quero, posso e mando. Foi lançada pelo PS enquanto esteve no poder, e volta agora a ser aplicada pelos senhores que lhe seguiram.
Ramiro, as suas aulas também são monólogos onde só a sua opinião é valida, ou já alguma vez ouviu a opinião de algum aluno e lhe deu razão?
Excelentes medidas. foram precisos quase 40 anos para ter de novo um ministro que sabe o que diz. As associações de professores são antros mafiosos e de ignorantes. Como aliás estão sistematicamente a provar. é óbvio que as aprendizagens se fazem ano a ano. Quem não sabe matemática no 7º ano nunca saberá no 9º ano. Só um não-professor pensa o contrário. Toca a trabalhar relaxados.
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ResponderEliminarLi e gostei das novas metas curriculares para a matemática. A linguagem é clara como água. Os professores ficam agora a saber o grau de profundidade com que têm de tratar as rubricas programáticas. A dificuldade para os alunos reside no facto, não negligenciável,de que não há no mercado manuais escolares à altura das metas em discussão. Cabe agora aos docentes fazer nas suas aulas o aprofundamento necessário. Cabe também às editoras o papel de fazer os reajustamentos necessários, digo eu.
ResponderEliminarÉ por isso que eu sou contra a adoção de manuais escolares.
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ResponderEliminarCaro Ramiro, cingir-me-ei simplesmente à matemática que é a minha área.
ResponderEliminarAfirma que "fixar metas curriculares por ano e não por ciclo permite maior clareza e rigor na definição de objetivos. Fixar metas para um período de quatro anos dificulta a operacionalização do processo de ensino e aprendizagem."~
Provavelmente não saberá, o que perdoo, mas no programa de matemática que está a ser atualmente implementado os objetivos estão fixados para cada um dos ciclos do ensino básico, mas cada escola, nomeadamente, cada grupo disciplinar de matemática de cada ciclo, terá de estabelecer os objetivos para cada um dos anos de escolaridade. Ou seja, os objetivos são fixados por ano em cada escola. Para além disso, os professores têm liberdade na sua fixação, tomando tais decisões em equipa e de acordo com as suas experiências profissionais.
Deste modo, não posso perdoar que afirme que a fixação das metas curriculares constitua “uma rutura com o dirigismo pedagógico e o ensino centrado nas competências”, primeiro porque, de acordo com o que afirmei anteriormente, os professores perdem autonomia pedagógica e, por outro lado, no programa de matemática estão estabelecidos objetivos e não competências.
Para evitar afirmações disparatadas dever-se-ia informar primeiro. Meia dúzia de chavões fundamentados no “achismo”, por muito que sejam repetidos, não se tornam em verdades.