O CCAP deve estar louco
| No Campus da Harvard University, 2010 |
O Conselho Científico para a Avaliação dos Professores fez prova de vida com um dos mais tresloucados documentos emanados de uma estrutura do ministério da educação: Orientações Sobre a Construção dos Instrumentos de Registo.
Uma pessoa lê o documento e fica pasmada como é que o CCAP sobreviveu aos cortes na despesa para 2011.
Diz o documento do CCAP que a elaboração dos instrumentos de registo devem ter em consideração os seguintes elementos de referência:
os padrões de desempenho; o projecto educativo da escola e os planos anual e plurianual de actividades; os objectivos individuais propostos pelo avaliado; os deveres profissionais fixados no ECD; o perfil de desempenho para docentes do básico e secundário fixados pelo decreto-lei 240/2001, bem como os perfis específicos de desempenho profissional para educadores de infância e docentes do 1º CEB fixados pelo decreto-lei 241/2001; os parâmetros classificativos da ficha de avaliação global e as regras e padrões de uniformização para elaboração do relatório de auto-avaliação.
Apetece dizer-lhes: deixem os professores fazerem aquilo que os senhores não querem que eles façam: ensinar!
Diz o documento do CCAP que a elaboração dos instrumentos de registo devem ter em consideração os seguintes elementos de referência:
os padrões de desempenho; o projecto educativo da escola e os planos anual e plurianual de actividades; os objectivos individuais propostos pelo avaliado; os deveres profissionais fixados no ECD; o perfil de desempenho para docentes do básico e secundário fixados pelo decreto-lei 240/2001, bem como os perfis específicos de desempenho profissional para educadores de infância e docentes do 1º CEB fixados pelo decreto-lei 241/2001; os parâmetros classificativos da ficha de avaliação global e as regras e padrões de uniformização para elaboração do relatório de auto-avaliação.
Apetece dizer-lhes: deixem os professores fazerem aquilo que os senhores não querem que eles façam: ensinar!
Vejam bem: o ME opta por extinguir o Gabinete de Avaliação Educacional - uma estrutura leve com alguma utilidade na elaboração de testes intermédios, provas de aferição e exames nacionais - e deixa incólume o CCAP, uma estrutura que exemplifica até à exaustão o modo como o eduquês cria obstáculos à qualidade de ensino.
Os elementos de referência e os critérios de construção de instrumentos de registo são uma atentado à inteligência dos professores. E os autores do documento ainda têm o desplante de dizerem que é importante conceber instrumentos simples, claros e eficazes. Andam a gozar com os professores.
O PSD, caso tenha pretensões a ganhar o voto dos professores, tem de dizer com clareza que o CCAP será uma das estruturas a extinguir logo que chegue ao poder e a legislação que suporta o actual modelo de avaliação de desempenho revogada.
Pouco a pouco, tijolo a tijolo, como se da construção de um grande muro de pedra se tratasse, estas estruturas do ME vão acabando com a Escola pública ou que dela resta, pela excessiva e a todos os títulos irracional burocratização com que a vida dos professores tem vindo a ser cada vez mais infernizada.
Ramiro, se não te incomoda, vou fazer um link para este post no meu Blogue.
Um bom domingo.
Lelé
O que dizes é uma evidência. Os autores são loucos e não conhecem o que é o trabalho dos professores.
O Gabinete de Avaliação Educacional, por comparação com o CCAP, é um elefante e o CCAP um mosquito. Basta ver a sua composição e estrutura. Mesmo que o CCAP fosse extinto o problema persistiria: como regular algo como a avaliação de desempenho docente que, tal como foi concebida e sucessivamente remendada, não serve nenhum propósito de melhoria do desempenho nem muito menos a justa avaliação de desempenho dos professores. Serve apenas para drenar esforços aos professores e às escolas.
Quanto GAVE os últimos anos demonstraram, sem margem para dúvidas, que se trata de uma estrutura permeável às influências políticas e, em muitos casos, incapaz de assumir erros que vai acumulando ano após ano. Neste caso sigo a opinião de Nuno Crato que propõe que a avaliação abandone o ME e seja entregue a uma entidade independente e idónea. Já me passou pela cabeça que a Fundação Calouste Gulbenkian (FGG) pudesse assumir esta tarefa, sendo paga para isso, naturalmente. Todo o processo logístico da avaliação continuaria a cargo do ME. À FCG incumbiria somente a selecção dos indivíduos que elaborariam os testes intermédios, provas de aferição e exames nacionais e os respectivos critérios de correcção. Penso que a avaliação dos nossos alunos muito ganharia se este cenário se concretizasse.
Estou no estrolabio.blogspot.com vou voltar, aqui.Há cada vez mais professores a encontrarem caminhos alternativos aos burocratas do ministério e dos sindicatos. Os professores são joguetes nas mãos desses burocratas que precisam de uns dos outros para mandarem onde devia mandar a escola e quem nela trabalha.
Discordo, não me parece que o CCAP esteja louco. Está a tornar exequivel o modelo de avaliação.
Diz-nos o senso comum que um mto bom ou exc não podem cair pela telha abaixo.
Jane?
Explica lá isso, por favor.
Explico sim senhor.
Este modelo é uma palhaçada, certo? (não vou entrar em pormenores que não interessam para agora)
Por saber isso não alinho nele.
No entanto, reconheço que para ter ALGUMA credibilidade deve ter como base critérios comuns a nível nacional, que deverão ser critérios exigentes, que justifiquem a atribuição de mto bom ou exc a determinado professor.
Para inquinar o processo já basta o factor subjectividade do relator/avaliador.
Mais uma vez a conversa sore a ADD.
Devido à natureza das condutas a observar, demasiadamente molar, qualquer instrumento de registo que se venha a aplicar ele nunca será robusto. Daí toda a injustiça do processo. Daí que a avaliação vai depender do avaliador e não do instrumento. E isto eu jamais aceitarei.
Estas recomendações (6/2010) têm 95% da redacção das recomendações n.º 1/CCAP/2008, com 5% de alterações mediante o novo diploma legal que rege a ADD.
Tal como no anterior, estas recomendações têm a virtude de escrever preto no branco os requisitos a preencger na elaboração dos instrumentos a utilizar, página 4, 3.2 Critérios de Construção, sito, "Assegurar a precisão, credibilidade e fiabilidade dos dados. Estes deverão ser rigorosos e válidos". A ADD MORRE AQUI. Onde estão as investigações que o mostram? Ou não existem ou as que se conhecem concluem no sentido contrário à sua utilização. Foi exactamente por isto que fiquei sem assunto para a minha tese de doutoramento. Nem precisei chegar à parte de investigação (construção do conhecimento). A revisão bibliográfica é imensa e aponta no sentido contrário daquele que o ME teima em levar.
Títulos bombásticos para dispersar ... afinal quem são os loucos?