O verdadeiro Trolaró. A resposta de Luís Costa
A propósito do meu artigo “A Véspera”, uma melga anónima pôs, no ProfBlog, em causa a minha condição docente. Lamento que estas coisas me aconteçam, impunemente, naquele sítio que me é tão caro. Alguém sem rosto e com um nome tão invulgar como “Ana”, perguntou na caixa de comentários se eu serei um “verdadeiro professor”, por ter confessado não amar esta escola pública que os socialistas nos estão impor. Na verdade, a minha falta de amor pela minha profissão ainda chega para ser respeitado na escola onde lecciono e por esse país fora, pelo trabalho que vou desenvolvendo — mesmo durante as minhas férias — em prol de todos os professores. Modéstia à parte, penso que a Educação não estaria muito mal servida, se todos os docentes não a amassem do mesmo modo como eu não a amo. Ninguém tem de amar a sua profissão em todas as circunstâncias. Só os idiotas e os hipócritas é que são capazes de andar sempre com um sorriso estampado na cara. O que se pode e deve exigir é apenas que sejamos verdadeiros profissionais.
O “verdadeiro professor”, na mente de alguns insectos estúpidos — e de outros mais demagogos — deve ser um trolaró canino, sempre cantando e rindo e amando, ainda que desrespeitado, enxovalhado… A esses, eu dedico esta linda peça, na qual se devem rever.
Luis
Li com atenção o artigo " A véspera" e "sugeri" a sua leitura a colegas, pois revejo-me no que disse. Sou professor há mais de 20 anos, passei por muitas "reformas"(?)e, indiscutivelmente, a forma de estar na escola, as relações, o amor pela educação, tal como está, desvaneceram. Quem não vê, não quer ver! Quem não quer ver, porventura tem tacho! Ora, a educação, a paideia e o ensino/formação exigem dedicação e esforço, de todos nós. E dos alunos (e não só) também! "Anas", etc., não são professores, certamente! E "quem não sente não é filho de boa gente". "Ana" não sentiu como "professora"(?), talvez seja, por isso, uma t+ecnica ao serviço do ME.
Carlos Gaspar
Deixo também aqui, o comentário que deixei no post que deu origem a este.
"Só hoje dediquei a minha atenção à leitura do post do Luís e dos respectivos comentários. Vou recomeçar e tentarei fazê-lo da melhor maneira possível, contudo, isso não me impede de ter consciência que a escola pública é neste momento um vazio sem nexo e sem rumo que a nenhum lado vai chegar. Tal aconteceu também e agravou-se ainda mais, porque quem ousou fazer alterações, piorou bastante, o que já caminhava mal... o que já estava em queda descendente.
Um professor que ama a sua escola, não pode estar feliz e contente, mesmo dando o seu melhor dentro do que as situações permitem, quando vê que a tão esperada e desejada reforma afinal não acontece e temos uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma, quando vê que o seu projecto pessoal e profissional enquanto professor, não tem espaço numa tutela que não faz ideia do que é ensinar, educar, ajudar a caminhar!
Tenho uma grande admiração pelo Luís Costa e do que dele conheço, só nesta perspectiva entendo este seu post, que, infelizmente, é partilhado por muitos colegas que amam muito a profissão. Não significa que os outros a amem menos, significa "apenas" que dentro do actual quadro educativo, este sentimento é legítimo, muito legítimo! É que, por muitos problemas que a classe tenha, e tem, não foi por acaso que primeiro 100 000 e depois 120 000 professores saíram às ruas... E não é por acaso que há assuntos que ainda não foram dados como encerrados depois de todo este tempo, ainda que o ME continue a fazer o que bem lhe apetece, ainda que o que lhe apetece corresponda a non-sense educativo!
Um grande abraço, Luís e obrigada por tão bem escrever o que vai na alma de tantos professores!"