Erros atrás de erros (post actualizado)

P5030185 A revolução educativa socratina está à beira do fim. Não só porque todas as sondagens dão cartão vermelho ao partido que a suporta mas também porque o dinheiro para alimentar o monstro está a acabar.

Nos últimos cinco anos foram cometidos erros atrás de erros. O centralismo, a burocratização, a complexidade e o controlismo tiveram como resultado o estado actual de quase falência do sistema educativo público.

Sem querer ser exaustivo, aponto alguns erros que tornaram o monstro ingovernável e financeiramente inviável:

As AEC e a escola a tempo inteiro: são caras e inúteis. Criaram uma legião de 10 mil tarefeiros e engordaram algumas empresas privadas amigas dos municípios. É preciso reduzir a despesa? Acabe-se com a escola a tempo inteiro!

O professor-bibliotecário: dantes as bibliotecas escolares eram coordenadas por professores que davam aulas; agora, são coordenadas por ex-professores que não dão aulas. São vários milhares. Custam dezenas de milhões de euros por ano. Querem reduzir a despesa? Acabem com isso e regressem ao modelo antigo. Entreguem a coordenação das bibliotecas escolares a professores que dêem aulas.

As Actividades Curriculares Não Disciplinares: são uma perda de tempo, não ensinam nada, potenciam a indisciplina e são extremamente caras. Chegámos ao ponto de a Área de Projecto ser leccionada por 2 docentes. Querem reduzir despesa? Acabem com as ACND!

Aulas de Biologia e Física e Química com turmas desdobradas. Na maior parte dos casos, são aulas teóricas. As escolas não dispõem de laboratórios suficientes para fazer aulas práticas. Querem reduzir despesa? Acabem com os desdobramentos das turmas.

Aulas de EVT com dois professores por sala. Querem reduzir despesa? Um professor por sala não chega?

CEF com menos de 15 alunos. Há milhares de turmas CEF com menos de 10 alunos. Querem reduzir despesa? Não autorizem o funcionamento de turmas CEF com menos de 15 alunos.

Prestação de contas: os directores estão submersos por pedidos constantes de prestação de contas. A maior parte do tempo das direcções executivas das escolas é consumido a enviar relatórios e estatísticas para as DRE e os departamentos centrais do ME. Querem reduzir despesa? Deixem as escolar respirar, acabem com a tortura da prestação de contas e permitam que os directores dediquem o seu tempo a gerir o dia-a-dia da escola. Regressem ao modelo de gestão escolar dos conselhos executivos eleitos e sem suplementos remuneratórios. Parem de interferir na vida das escolas. Mandem os burocratas das equipas de apoio às escolas de regresso à sala de aula!

Sistema de vigilância electrónica nas escolas: óptimo para criar oportunidades de negócio para as empresas amigas do PS mas péssimo para o país. Quanto custa o sistema? Qual é o preço da manutenção do sistema? Que utilidade tem? Querem reduzir despesa? Nem mais uma escola com sistema de vigilância electrónica!

Controlo automático de entradas e saídas da escola: outro excelente negócio para as empresas amigas do PS; péssimo para o país. Quanto custa a manutenção do sistema? Que utilidade tem? Querem reduzir despesa? Nem mais uma escola com controlo automático de entradas e saídas!

Quadros interactivos: há milhares de quadros interactivos nas escolas que nunca foram usados nem nunca serão. Querem reduzir despesa? Nem mais um quadro interactivo nas escolas!

Oferta de computadores portáteis às crianças da escola primária: enorme desperdício de dinheiros públicos sem qualquer utilidade pedagógica. Querem reduzir despesa? Nem mais um Magalhães!

Os planos tecnológicos das escolas: já fizeram as contas aos custos? E à quantidade de professores afectos à gestão e coordenação dos PTE? Querem reduzir despesa? Ponham um fim aos planos tecnológicos das escolas e coloquem os docentes afectos à gestão dos PTE a dar aulas.

Equipas de apoio às escolas: são uma prateleira dourada para professores socialistas. Passam o tempo a perturbar os directores em visitas inúteis às escolas para ditarem sentenças e controlarem o trabalho dos professores. Querem reduzir despesas? Mandem esses professores de regresso à sala de aula.

Directores de Centros de Formação: para além de não leccionarem ainda recebem suplemento remuneratório de montante idêntico aos directores das escolas. A formação contínua de professores parou. Não existe. Para que servem os directores dos CFAE? Querem reduzir despesa? Enviem-nos de regresso à sala de aula.

Contratos de associação com escolas privadas: regra geral não se justificam. Querem reduzir despesa? Acabem com os contratos de associação com escolas privadas.

As DRE são caixas de correio e paraísos para professores socialistas que não querem dar aulas. A sua única função é perturbar as escolas e dificultar o trabalho dos directores. Querem reduzir a despesa? Extingam as DRE e devolvam os docentes destacados e em comissão de serviço à sala de aula.

Uma DGIDC, para quê? As escolas não precisam de um departamento central que lhes dêem orientações pedagógicas.  O que as escolas precisam é de mais autonomia pedagógica para poderem ajustar as práticas aos contextos locais. Querem reduzir despesa? Fechem a DGIDC!

Cálculos muitos gerais, levam-me a concluir que, com estas medidas, seria possível reduzir a despesa pública em cerca de mil milhões de euros.

36 Response to "Erros atrás de erros (post actualizado)"

  1. NM says:

    Concordo e subscrevo. Basta de apresentar problemas, avancemos para as soluções possíveis, coerentes e evidentes.
    NM

    touaki says:

    Ramiro:
    Acrescenta aí:
    - Acabar com os contratos de Associação e similares a escolas privadas! Ficam apenas as que REALMENTE SE JUSTIFICAM!
    Teriam uma poupança na casa dos 380milhões de € (se não me falha a memória).
    - Acabar com os Observatórios que nada observam, institutos que nada fazem, Unidades de Missão (que só servem para sacar nota), Fundações que só afundam o país, etc...
    - Acabar com as DRE's caixas de correio do ME e pouco mais (além de prateleira dourada para muitos) e devolvam quem lá está às escolas.
    Há mais...
    Deixo para outros acrescentarem...

    -Acabar com na DGIDC, não serve para nada....
    - Onde é necessário 2 professores não é em AP, mas nas turmas que têm crianças com deficiência superior a 60%, mas isso o ME não autoriza!
    - Quando acabei de ler o post pensei: voltar 15 anos atrás no tempo... se calhar nem tanto...

    Já acrescentei.

    Olá Ramiro!
    Muito bom, só umas achegas:

    1. As AECs poderiam ter subjacente a ideia da importância do ensino artístico, ou das expressões e das línguas mas a base não é essa e por isso em muitas localidades por esse país fora, não funcionam. Quem quer realmente dar ênfase a estas áreas, operacionaliza de outra forma. E claro que o objectivo é a escola a tempo inteiro e o entreter dos meninos... Muito mau, claro está!

    2. Os professores bibliotecários - sem dúvida que é muito importante ter nas bibliotecas professores que dêem aulas porque a biblioteca escolar não é a mesma realidade que a biblioteca pública. Contudo, há também nas bibliotecas, excelentes professores que por motivo de doença grave têm redução total da componente lectiva. Desses professores importa ver quem tem condições para fazer bem o trabalho da biblioteca e quem não tem. E há depois a formação de professores nesta área.

    3. As aulas de EVT, essencialmente práticas, podem ser complicadas com a redução do número de professores. É preciso estudar bem essa questão.

    4. Contratos de associação - conheço colégios muito bons que têm contrato de associação. os alunos pagam até ao 1º ciclo e daí para a frente ninguém paga nada. Talvez se devessem extinguir os que não trazem resultados efectivos mas manter-se os que são casos de sucesso.

    Sou professor-bibliotecário e fiz uma pós-graduação para isso, paga pelo meu bolso e sem direito a estatuto de trabalhador estudante. No entanto, continuo, por opção minha, a ter a ter uma turma. Só que isso implica ter todas as tarefas inerentes a qualquer professor, Conselho Pedagógico e comissões, além da biblioteca, que seria a principal função, dar contas múltiplas à RBE, que já não financia mas manda (por vezes, em detrimento da escola, mas quer resultados etc., etc.
    Quanto à avaliação de professores bibliotecários que têm uma turma, já ninguém percebe nada, nem parece que haja entidades interessadas em esclarecer. E, agora, com os mega-agrupamentos, vamos ver que espaços e novas funções teremos. Será que vai ser só animação de crianças, adolescentes, jovens, adultos das novas oportunidades, tudo ao molho e a tempo inteiro, e os outros que querem ler e trabalhar um pouco, que esperem?

    jcerca says:

    Parabéns, Ramiro pela excelente análise a muitas das situações de sorvedouro de dinheiros públicos no nosso sistema de ensino, sem que se vejam quaisquer resultados pedagógicos palpáveis.
    Quanto às observações da Cristina atrevo-me a contestar uma delas, a que se refere às aulas de EVT e em que defende a permanência de dois professores nessa disciplina, por ser uma aula essencialmente prática. Tudo bem, agora pergunto eu que sou prof. de Português: que será mais difícil ensinar um aluno a desenhar um triangulo,a executar uma qualquer peça ou ensiná-lo a construir correctamente um texto em Lingua Portuguesa que para mim deveria funcionar como "Oficina da Lingua"? Por essa orden de ideias também aqui se deveria exigir a presença de dois professores, não achas?

    Obrigado, José Cerca. O desperdício é muito. E é por isso que o sistema é financeiramente inviável e impossível de governar. Mas ainda há mais do que aquilo que eu escrevi.

    Olá Ramiro
    Quanto aos professores bibliotecários, discordo. Uma biblioteca escolar não é um armário com livro, ou não devia ser, tem muitas funções exigentes, que requerem formação específica e gente paga para trabalhar na biblioteca, com toda a escola, todos os docentes e não docentes, e os alunos. Professores bibliotecários e bibliotecários escolares (bibliotecários com formação adicional para trabalhar em escolas) existem, nas escolas de nos sistemas educativos que valorizam a qualidades, a tempo inteiro ou, no máximo, com uma turma. Porque o seu trabalho é pedagógico, e essencial a boas aprendizagens. A medida de todas as coisas, em termos de rentabilidade financeira e de qualidade do trabalho, não pode ser "tem turma e dá aula, é bom investimento, não tem, é mau investimento" - isso é uma visão da escola que não é boa, do meu ponto de vista, e atrofia muito o crescimento de trabalho em equipa, e isto mesmo sem termos em conta a biblioteca: é cada um por si, medido o seu valor económico pelo numero de alunos e turmas que lecciona directamente...

    Sobre bibliotecas escolares e os eu papel na ecologia da aprendizaem, e a importância de serem consideradas um trabalho sério e não um biscate para madraços, há muita coisa escrta e muitas experiências válidas... não cabem neste post. Independentemente de os profissionais que nelas trabalham terem algum tempo lectivo de trabalho diecto com 1 turma, mas sempre valorizando a sua formação especializada (entre nós ainda insuficiente, concordo!), e a compreensão do papel da biblioteca como recurso útil para toda a escola, sobretudo para os alunos, na sala de aula ou fora dela (quando as bibliotecas funcionam bem, e para isso é preciso quem nelas trabalhe, e para elas trabalhe, professores E não professores). Manifestamente, esta compreensão ainda não é partilhada pelo Ramiro. Lamento.

    Boa tarde:
    Em primeiro lugar quero dizer que subscrevo totalmente o comentário de Maria José Vitorino. Para além disso, queria acrescentar que se há muito por onde poupar na educação, não concordo que o façam à custa das aulas desdobradas de Biologia e Geologia e de Física e Química. Neste caso, o que está mal é a inexistência, muitas vezes, de laboratórios e de equipamento adequado à realização de aulas práticas. Mude-se, então, o que está mal mas não se acabe com o que está bem.
    Saber planear, colocar hipóteses, trabalhar dados, pesquisar, resolver problemas e sobretudo desenvolver a curiosidade são aprendizagens/competências/ferramentas fundamentais não só para a obteção de resultados nessas disciplinas mas principalmente para o desenvolvimento pessoal de cada aluno, independentemente do seu percurso académico.
    Zélia Delgado

    Sugiro que o colega se inteire primeiro do trabalho desenvolvido pelas BIbliotecas Escolares e pelos seus professores e depois repense as soluções que apresenta... É bom falar com conhecimento de causa!

    Jacqueline Duarte

    (professora bibliotecária)

    Sugiro que o colega se inteire primeiro do trabalho dsenvolvido pelas Bibliotecas Escolares em portugal desde 1997 e pelos respectivos professores bibliotecários e depois repense, até por uma questão de respeito profissional, as soluções que apresenta... É um bom exemplo falar com conhecimento de causa!
    Jacqueline Duarte
    (professora bibliotecária)

    Já agora Ramirpo, a bem do rigos, os professores bibliotecários designados nos termos da portaria recente são 1600, o que dificilmente caberá na expressão " vários milhares", e entre estes há muitos como o João Simas que leccionam turmas. Apenas são ex-professores os que por algum motivo de saúde foram "retirados" desta carreira: os restantes mantêm-se na carreira docente, por isso são professores no activo.

    Caro Ramiro:

    No referente ao professor bibliotecário, aconselho a leitura atenta da Portaria n.º 756/2009
    de 14 de Julho

    no artº 3 terá a oportunidade de se informar sobre o conteúdo funcional do Professor Bibliotecário

    Penso que é muito redutor considerar a questão pelo lado do dá aulas/não dá aulas e ainda dá aulas - serve/ não dá aulas - é gasto

    Longe vão os tempos em que uma Biblioteca era um local dos livros em estantes fechadas

    Pode informar-se melhor sobre o programa da Rede de Bibliotecas Escolares em www.rbe.min-edu.pt

    Cumprimentos

    João Paulo Proença

    Caro Ramiro:
    Eu tenho uma solução , no mínimo tão "perspicaz" como a sua. Se fecharem todas as escolas ou se os alunos pagarem propinas, tal como no ensino superior, ainda se poupa mais dinheiro, já fez as contas??
    Combatem-se os critérios estritamente economicistas em educação, mas fazem-se pseudo-análises economicistas, reveladoras de que nem sabe do que está a falar, pelo menos no que diz respeito às bibliotecas escolares.
    Será que tem noção de que uma biblioteca é o verdadeiro centro de aprendizagens relevantes e autónomas, e não um espaço de divulgação de saberes livrescos e mortos?Portanto, em vez de mandar os Professores Bibliotecários para as salas de aulas, defenda é a criação de mecanismo para tirar de lá os alunos!
    Ilda Velez, professora bibliotecária

    Boa tarde:
    Subscrevo totalmente o que a Maria José e o João Proença escreveram a respeito do papel do professor bibliotecário. Afinal não somos todos professores? Eu sou também professora bibliotecária, e não me considero uma "mandriona" que gasta o dinheiro dos contribuintes, porque, tal como muitos professores neste país (a dar aulas ou não), dou no duro diariamente... e pelos visto o reconhecimento é este...

    Mafalda says:

    Obrigada, Ramiro!
    Se dúvidas tinha quanto a manter-me no cargo de prof. bib., elas dissiparam-se com a sua "acusação".
    Grata,
    Mafalda Santiago

    Umas das vantagens dos posts e deste tipo de post, é que podemos trocar opinões também em função das experiências que temos. É difícil "sentirmos" todo o universo das questões da escola com debate e troca de ideias, como estamos a fazer agora, podemos aprofundar questões como esta.

    É por isso que defendo que as políticas devem ser tomadas em conjunto com as classes em causa porque são as pessoas que estão no terreno e lidam de perto com a realidade do dia-a-dia - neste caso, escolar (embora mesmo assim precisemos todos de dar o nosso contributo para termos a ideia a nível nacional e não nos centrarmos na realidade da nossa escola ou da nossa zona)

    Olá José Cerca!
    Essa é uma questão que estou a amadurecer.

    É verdade que uma aula de Língua Portuguesa, se for Oficina, também deveria ter par pedagógico. Embora, pela minha percepção, não me pareça que seja isso que se faça - de qualquer modo, isso não justifica nada.

    Tal como é verdade, que há professores de EVT que preferiam dar aulas sozinhos e sentem que dessa forma a aula corre melhor - será porque certos pares pedagógicos não o são efectivamente? Ou porque realmente não sejam necessários dois professores?

    Da percepção que tenho, quando entro nas aulas de EVT, dos colegas de um lado para o outro a apoiarem os alunos, parece-me difícil que seja de outra maneira, mas quando disse que achava que era bom reflectir é porque sinto mesmo essa necessidade - de ponderar todos os argumentos.

    Obrigada
    Um abraço

    EUDORA says:

    Boa noite,

    Sou professora bibliotecária e exerço funções de coordenação há treze anos. Não poderia deixar de manifestar o meu total desacordo relativamente à análise que faz sobre os professores bibliotecários.Não me considero uma ex-professora, sou professora bibliotecária. Não tenho turma mas trabalho 35 horas por semana para todos os alunos desde o pré-escolar ao 9.º ano e professores do agrupamento e continuo tal como os outros professores a trabalhar muitas horas em casa! Subscrevo plenamente as palavras da Maria José Vitorino e do João Paulo Proença.
    É bom que se opine com conhecimento de causa.

    Realmente, somos um país com imensas cabeças 'bem pensantes', tal como o autor deste blogue...É constrangedor ver quais as soluções apontadas a bem da poupança e da qualidade do ensino!!! Zurze-se à direita e à esquerda, em jeito de conversa de café, num jeito 'achista' que caracteriza muitos 'analistas', elegem-se uns ódios de estimação e...voilá!...uma 'análise crítica' aprimorada. Em relação, em particular, aos professores bibliotecários, as afirmações que faz carecem, de tal forma, de fundamentação que só lhe recomendo a consulta da página da RBE, do Manifesto da UNESCO, das Directrizes da IFLA sobre Bibliotecas Escolares e procure informar-se através das centenas de blogues de bibliotecas escolares que se vão publicando, com muitos de assinalável qualidade.

    Subscrevo totalmente o que a Maria José Vitorino e o João Proença escreveram a respeito do papel do professor bibliotecário. Sou professora bibliotecária, e não me considero uma "mandriona" que gasta o dinheiro dos contribuintes, lecciono uma turma, por opção e trabalho mais 35 horas, como aqueles que não têm turma, além de todo o trabalho de casa que sempre levamos para fazer.
    Em vez de se atirar ideias sem conhecimento de causa, devia-se partilhar boas práticas docentes. É o que os Professores Bibliotecários fazem nos seus Blogues.
    Cumprimentos Literários, Cidália Teixeira

    Complemente o seu conhecimento sobre as atribuições do Professor Bibliotecário assistindo a este vídeo:

    http://linhadeleitura.wordpress.com/2010/06/21/o-papel-do-professor-bibliotecario/

    É este o nosso trabalho!

    Manuela Baptista
    (Professora Bibliotecária)

    Olá, Ramiro! Olá colegas professores bibliotecários!
    Senti-me corar por dentro quando li o post!
    Um professor bibliotecário é um gestor de informação, seja ela em que suporte for, mas também ou por isso mesmo, é sobretudo o PROFESSSOR que faz nascer pontes com os muitos outros professores da sua escola/agrupamento, colaborando no aperfeiçoamento das práticas pedagógicas, empenhando-se na contribuição para o sucesso dos alunos e na orientação de cidadãos autónomos, capazes de participar assertivamente no mundo em mudança, com um sentido crítico atento a um desenvolvimento sustentável, à justiça, aos direitos humanos... enfim cidadãos capazes de pensar. Só quem não conhece o tipo de trabalho que um professor bib. é chamado a desenvolver, hoje em dia, pode falar assim... Acredite é um "cargo" que já não corresponde ao perfil do professor a quem, por doença, foi retirada toda a componente lectiva. É precisa muita energia!
    Precisamente, fruto do trabalho sério e empenhado destes bibliotecários que são professores, felizmente, há cada vez mais colegas professores das turmas a aceitar projectos colaborativos e de parceria com a biblioteca.
    Mesmo assim, alguns de nós... eu incluída, pelo sim pelo não (não vá o diabo tecê-las)peço para ter uma turma. Imaginemos que o Ramiro tinha poder para pôr em prática o que defende/sugere... não posso correr o risco de ir para o desemprego, ou para a mobilidade ao fim de 27 anos de serviço.
    Se um professor que se preze tem que ter turmas e alunos... eu tenho uma turma com cerca de 1400 alunos, chega?

    Com todo o respeito pela diversidade de opiniões,
    Abraço amigo,
    Elsa Maria Oliveira: professora bibliotecária do Agrupamento de Escolas de Vizela

    Finalmente encontrei a solução para os problemas que, de momento, tanto me preocupam, "a crise económica" em que nos encontramos, um homem que saiba tomar as decisões certas. Espero que se candidate a 1º ministro, pois é a solução para todos os males do País. Com a aplicação de medidas que apresenta, certamente isto irá melhorar.
    Lamento imenso que, tenha a frontalidade de tecer tais comentários, não só sobre PB's mas também sobre o ensino em geral.
    Considero as Bibliotecas como motores impulsionadores de todos os processos de formação e educação dos nossos alunos.
    Por tudo isto, recomendo que reflita bem e faça a leitura de tudo que lhe tem sido recomendado, nos comentários.

    Finalmente encontrei a solução para os problemas que, de momento, tanto me preocupam, "a crise económica" em que nos encontramos, um homem que saiba tomar as decisões certas. Espero que se candidate a 1º ministro, pois é a solução para todos os males do País. Com a aplicação de medidas que apresenta, certamente isto irá melhorar.
    Lamento imenso que, tenha a frontalidade de tecer tais comentários, não só sobre PB's mas também sobre o ensino em geral.
    Considero as Bibliotecas como motores impulsionadores de todos os processos de formação e educação dos nossos alunos.
    Por tudo isto, recomendo que reflita bem e faça a leitura de tudo que lhe tem sido recomendado, nos comentários.

    teresacb says:

    Colega Ramiro

    Após a leitura das suas considerações para superar a crise económica, fiquei deveras surpreendida quando afirma, entre outras coisas, que um bibliotecário deveria dar aulas como antigamente, classificando-nos, ainda, e a si próprio, como "ex-professores".
    Em primeiro lugar, sou bibliotecária escolar, por formação e devoção, e nunca me identificarei como ex-professora, pois a minha formação pedagógica e experiência no ensino, 29 anos de carreira, muito têm contribuído para o meu desempenho profissional na BE.
    Caso não se tenha apercebido ainda, pretende-se que a BE tenha um papel fulcral nas escolas, na construção do conhecimento e no sucesso escolar dos alunos. Para que tal seja conseguido o caminho é árduo e exigente. Nada melhor do que um trabalho consistente, empenhado e a tempo inteiro (e às vezes os dias parecem curtos demais para as necessidades). Também só aceitou o cargo quem quis. Ainda vai a tempo para repensar a sua situação. talvez aulas a tempo inteiro esteja mais de acordo com a sua definição do que é um professor. Pense nisso... O estado agradece.

    Olá Ramiro,

    Espero que faça algumas correcções à sua reflexão em abono da honestidade intelectual:
    1º deve ler a portaria que criou o conteúdo funcional do professor bibliotecário;
    2º Há muitos PB que têm turma;
    3º O nº de PB não chega aos dois milhares;
    4º Desses muitos acumulam as funções na Biblioteca com as de professor de turma. E o PB é um professor, um gestor de informação que articula a sua actividade com o currículo e as aprendizagens e proporciona num país com gritantes desigualdades, alguma equidade no acesso à informação para todos;
    5º Penso que o seu excesso em relação aos PB se deve ao efeito mediático das nuvens da crise que não fomos nós professores, bibliotecários, das AEC, de NEE que as criámos;
    5º Só deixarei de comentar o seu post se introduzir algumas correcções que são apenas de honestidade intelectual.
    Fico a aguardar. Abraço. E com saudade de alguns textos que escreveu sobre educação nos idos de 80/90. O que mudou em SI?
    Domingos Boieiro
    Professor sempre...

    Boa tarde,
    Começo a ficar um pouco cansada com os comentários como os que fez em relação aos professores bibliotecários. Estou a coordenar duas bibliotecas, sem turma, mas já tive turmas, coordenei uma biblioteca e fui coordenadora de departamento, em simultâneo. Será que desse modo o meu trabalho era rentabilizado? Não me parece! Tal como eu muitos professores têm vindo a realizar inúmeras horas de formação em bibliotecas, não por haver decretos que assim o determinavam, mas se sentir que a mesma era fundamental e necessária. Tem sido um longo percurso, feito com muitos sacrifícios pessoais e profissionais que, no final, quando se cria a carreira de professor bibliotecário, é resumida de forma atabalhoada, superficial e reveladora de desconhecimento da realidade. Julgo que um blogue sobre educação não deveria emitir opiniões desprovidas de informação
    fundamentada.
    A professora (bibliotecária),
    Graça Figueiredo

    teresacb says:

    Fiquei surpreendida com as suas considerações e soluções para a crise económica que estamos a atravessar.
    Com que facilidade resolveria a questão.
    No entanto, acho estranho que essas afirmações partam de um bibliotecário escolar. Tem a certeza que sabe quais os objectivos da BE?
    Uma BE deve ser o coração da escola, o local fulcral onde se desenvolve a construção do conhecimento e o sucesso escolar. Sou bibliotecária escolar por opção e formação e considero, como muitos outros, que o tempo se faz pouco para a consecução de objectivos e actividades a que a BE se propõe.
    Nunca me considerarei uma ex-professora, pois ao fim de 29 anos de carreira docente, a minha actividade como bibliotecária muito deve à minha experiência pedagógica para motivar e ajudar os alunos na sua aprendizagem e aquisição de conhecimento.
    Talvez seja altura de repensar o seu futuro na escola.
    Talvez a actividade lectiva a tempo inteiro seja mais a sua vocação.
    Pense nisso e deixe trabalhar os professores bibliotecários que se dedicam a essa missão.
    O estado agradecer-lhe-á certamente...

    Caro Ramiro Marques:
    Faço questão de transcrever para aqui o que enviei para o Fórum RBE...
    Continuação de BOM TRABALHO, em favor da escola pública de qualidade e dos professores.

    SABEM QUEM É O RAMIRO MARQUES???
    Os disparates que se têm escrito aqui revelam que, afinal, não estamos (nós, os professores bibliotecários) assim tão atarefados com a finalização do Relatório e com TODAS as tarefas a que estamos vinculados!!! ESTE FÓRUM DESTINA-SE A OUTRAS ACTIVIDADES MAIS ELEVADAS (digo eu)...
    O Ramiro Marques merece a maior vénia pela CORAGEM e VERDADE com que participou na luta contra a pouca vergonha (toda a gente sabe do que estou a falar) e contra a falta de carácter com que trataram (e tratam) os professores.
    Repito: sabem o percurso do Ramiro Marques, no contexto da EDUCAÇÃO???
    Se querem fazer eco das palavras dele, falem com ele directamente (a net serve para isso) e ilucidem-no!!!

    E bom trabalho!

    Fernando Braga (a quem também, afinal, apeteceu usar este fórum para uma coisa indevida)

    Kriz cruz says:

    Caro Ramiro:
    devemos poupar sim em acusações desnudadas de conteúdo...sou prof.Bib. e não aceito que professores com tantos anos de carreira ainda não tenham percebido a missão e a importância da BECRE,...essa é a grande dificuldade do profbib...é promover a leitura nas suas mais variadas vertentes, na comunidade escolar. Nem sempre se consegue, pois os mediadores deste processo são técnicos muito bem pagos que continuam a dar aulas pelo manual...e apesar dos esforços para a mudança de paradigma efectuados por muitos professores e técnicos, onde se incluem os profbibliotecários!

    A primeira estratégia de todos os sistemas para se perpetuar é distinguir uns contra os outros.
    O próprio Ramiro afirmou algo semelhante (era o tempo da divisão dos titulares e dos professores). Agora aplica o mesmo princípio: existem uns que trabalham e existem os outros, esses malandros. E afinal professores a sério são os que dão aulas. Onde é que eu já ouvi isto?!

    Ramiro: até acho que a sua intenção seja honesta e que seja resultado de revoltas internas contra cenários desagradáveis.
    É um facto que existem muitas áreas em que a educação se deixou resvalar para o despesismo, mas agora elencar umas 10 ou 20 desta forma é por si mesmo pedante.
    Poderia mesmo resumir este artigo numa frase: "os outros não trabalham, é só benesses e eu e os outros como eu é que trabalhamos e vamos pagar a crise"

    Depois um conjunto pega em armas e expulsa os vendilhões do templo pensando terem atingido o paraíso. Só mais tarde verificam que os Romanos lhes retiram a licença para orarem no templo. Nessa altura é tarde para pedir ajuda aos colegas que vendiam no templo e que podiam ter simplesmente alterado o número e local das tendas.

    Ramiro: releia o texto e pense como seria diferente um discurso em que tivesse elencado um conjunto de áreas em que era preciso cortar despesa (podem ser estas mesmas) e definir as prioritárias e as não prioritárias. Depois poderia concluir o mesmo até, dizendo que não temos recursos para fazer isto ou aquilo e que para salvar o princípio da escola teríamos de "perder anéis"
    Agora já deve ter visto que a sua opção foi atacar os malandros dos professores que, X, Y e Z!

    Solução simples, simplista ou demagógica.. ou tudo isto junto?
    No fundo é mais uma solução economicista que tanto se critica e mais uma vez uma falta de respeito por quem trabalha (acredite ou não há muita gente a trabalhar para que os alunos sejam melhores e não só os que dão aulas!). Diferenças com as atitudes de alguém num passado quase remoto? Como se costuma dizer... já vi coisas começarem por menos!

    Todos temos dias para disparatar, hoje foi o seu! Amanhã será melhor e voltará a defender a escola, pois não é assim que se defende essa nobre missão de educar.

    Penso que o colega Ramiro se precipitou quando falou dos profs bibliotecários, o que revela pouca atenção sobre a acção destes professores. Convido-o a visitar o blog da biblioteca onde trabalho, que é quase uma diário de há 3 anos a esta parte.
    Claro que se pensarmos só em cifrões ainda teremos muito mais onde cortar, não me puxem pela imaginação!
    Mas se calhar até tem razão! Que se fechem as bibliotecas pois a ignorância convém cada vez a uma sociedade que se pretende manipulável. :-(
    http://culturalmentemja.blogspot.com/

    Caro "colega", caros colegas que vão dando a sua opinião,
    cheguei a pensar se valeria a pena responder a certas coisas que o colega Ramiro escreve... optei por o fazer pois concordo com algumas delas. No entanto, no que respeita aos professores bibliotecários (que eu, por exemplo, sou porque a lei assim o obriga, pois por mim estaria no regime anterior, e por isso mesmo exijo ter turma - apesar de isso representar uma sobrecarga de trabalho e reuniões - pois foi para dar aulas que me formei) não posso de chamar ao comentário que faz, uma única coisa: Pura e absurda IGNORÂNCIA. E mais não digo, que não merece a pena.
    Eunice Neves, Coordenadora da BE da EBSO - Sede de um Agrupamento com cerca de 2000 alunos, todos os ciclos de ensino, 60 escolas e jardins e dois singelos PB para tudo isto.

    kimper says:

    Um professor apenas em Educação Visual e Tecnológica ??????
    Escrevo por extenso porque parece que EVT para muitos é uma espécie de OTL. Conhecem o programa da disciplina? Sabem qual a metodologia aplicada. Conhecem os riscos de aulas de carácter laboratorial, experimental e oficinal, ????.Querem um professor a trabalhar com qualidade e segurança em Educação Visual e Tecnológica? Seja.... Subdividam a turma como nas Ciências e...... dupliquem as salas e o equipamento. Tudo o resto é apenas pura demagogia, ignorância e economicismo. Mais tarde todos pagaremos com alunos sem qualquer preparação técnica e artística nem pré-requisitos para todas as profissões que distinguem os países entre avançados e subdesenvolvidos.