É bullying? Não, é violência consentida

Proteja seu filho do bullying O recente caso trágico de Leandro é de extrema gravidade e constitui um claro exemplo da violência escolar, que teima em persistir nas escolas com a impunidade de todos.

O encobrimento deste fenómeno começa, desde logo, com a sua própria designação: “bullyng”. Este desnecessário estrangeirismo, substituto da palavra bem portuguesa “violência”, configura um eufemismo, figura de retórica que consiste em dizer de forma suave o que é desagradável, disfarçando perversamente um problema tão preocupante.

Na verdade, à violência estão associados numerosos factores; a confusão, a indisciplina e a falta de respeito grassam nas escolas de maneira desenfreada e ultrapassam as convivências conflituosas entre alunos. Nem as principais figuras da educação conseguem escapar a este fenómeno: a recepção, com vaias e ovos, da ex-ministra Lurdes Rodrigues, numa escola de Fafe, foi um testemunho mediático de relevo. Não é, pois, por acaso que os ministros preferem visitar escolas ao fim-de-semana ou em períodos de férias.

A difícil questão educativa enunciada, como se sabe, leva os docentes a esconder casos delicados, uma vez que os professores que denunciam situações anómalas ao funcionamento das aulas são marginalizados pelos seus colegas e pela restante comunidade escolar, considerando que os culpados são os próprios por não se darem ao respeito…

A maioria dos directores, investidos de um poder imensurável pela legislação vigente, pouco ou nada fazem para prevenir ou resolver a violência escolar. A sua preocupação, num gesto politicamente correcto, parece que apenas reside em agradar aos pais e na avaliação docente, o que explica o ensurdecedor silêncio do Director da Escola EB 2/3 Luciano Cordeiro, em Mirandela, perante tão funesta ocorrência verificada com o Leandro.

A resolução deste difícil problema passa pela responsabilização dos alunos e pais, pelo aumento de pessoal auxiliar, assim como por uma efectiva autoridade (não confundir com autoritarismo) dos professores perante alarmantes situações de indisciplina, que coloca indubitavelmente em risco a qualidade do ensino.

Deste modo, é imperioso tomar medidas realistas e eficazes na eliminação desta alarmante barbárie com o fito de promover escolas seguras, onde todos os alunos se sintam bem, se respeitem, aprendam, bem como possam ter, de facto, a tão propalada igualdade de oportunidades.

Afonso de Albuquerque