Há uma pedagogia apropriada para a infância e outra para a adolescência. Não se trata de dizer que uma é melhor do que a outra. É bom que sejam diferentes: dirigem-se a públicos diversos. Apesar de Jean Piaget ter mostrado, há mais de meio século, que os alunos passam por diferentes estádios de desenvolvimento, ainda há quem teime em pensar que aquilo que é bom para as crianças também é bom para os jovens.
A pedagogia centrada no aluno e com o recurso privilegiado a estratégias lúdicas é adequada para as primeiras idades. Deixa de ser quando aplicada a adolescentes. É errada a generalização que, por vezes, se faz das pedagogias lúdicas e da descoberta. As crianças aprendem através do jogo, da brincadeira e de actividades de descoberta orientada. O uso da memória no ensino das primeiras idades deve ser feito sem exageros.
O caso muda de figura quando os alunos chegam ao 3º CEB e ao ensino secundário. A aplicação a esses níveis das pedagogias e das didácticas apropriadas para a infância é factor de imbecilização.
À medida que o aluno avança nos níveis de ensino é preciso ir passando das transversalidades para as disciplinas e da pedagogia lúdica para a pedagogia do esforço. No pré-escolar e nos dois primeiros ciclos do ensino básico, é apropriada a ênfase num ensino centrado no aluno. A partir do 7º ano de escolaridade, essa ênfase deve dar progressivamente lugar a um ensino centrado nos conteúdos.
Na infância, a criança é rei. Na adolescência, o conteúdo é rei. Quem não percebe isto, não entende nada de Pedagogia.
O ensino centrado nos conteúdos não é sinónimo de ensino centrado no professor. É apenas a constatação de que o aluno deve passar cada vez mais tempo a estudar os manuais escolares e outras fontes de conhecimento estruturado em disciplinas.
Do professor generalista, próprio do ensino nas primeiras idades, passa-se gradualmente ao professor especializado num ou em duas disciplinas. Assim tem de ser porque o conhecimento cada vez mais especializado exige professores especializados num determinado ramo do conhecimento.
É por tudo isto que discordo da ideia de aumentar os espaços curriculares transversais no 3º CEB. Do meu ponto de vista, a revisão curricular do 3º CEB precisa apenas de um ligeiro acerto: abolição das áreas curriculares não disciplinares e regresso às aulas de 50 minutos.
Foi um disparate pedagógico a aprovação das aulas de 90 minutos. As aulas de 90 minutos geram indisciplina e cansaço intelectual.
Para saber mais
Os meus powerpoints de Pedagogia
Os meus powerpoints de Pedagogia
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