Os termos do acordo eram irrecusáveis
Sei que este post vai suscitar reacções inflamadas. Mas violava a minha consciência se não publicasse este texto. É um texto que tenta mostrar que os docentes que não entregaram a ficha de auto-avaliação e/ou relatório crítico não podem exigir que os restantes 99% fiquem reféns de uma atitude, ainda que nobre, que foi objecto de livre escolha racional dos que a tomaram. O texto procura mostrar que os termos do acordo eram irrecusáveis.
Um acordo implica cedências mútuas. Há quem ganhe mais e quem ganhe menos. E pode haver até quem perca alguma coisa. É provável que os docentes posicionados no escalão 4º sejam os que perdem alguma coisa. Mas ganham a médio prazo porque lhes basta ter Bom para poderem alcançar o topo da grelha salarial ainda que sejam obrigados a esperar mais 6 anos do que os outros. Se cada um olhar para o seu umbigo, encontrará sempre aspectos maus no acordo. Se cada um comparar o acordo com o que havia em 2005, é claro que só verá nele aspectos maus. Mas a comparação tem de ser feita com aquilo que ainda está em vigor.
Há algumas centenas de professores que se sentem muito penalizados. E esses são os que se recusaram a entregar a auto-avaliação e/ou relatório crítico. Os efeitos são penalizadores. O tempo de serviço desses docentes não conta para a progressão. Mas acham que os 99% dos professores que entregaram auto-avaliação devem ficar reféns das centenas que não entregaram? Além do mais, os docentes que não entregaram auto-avaliação podiam tê-lo feito até Dezembro. Foi-lhes dada essa oportunidade. Os que a recusaram tinham consciência dos efeitos penalizadores. Não podem vitimizar-se.
Vamos imaginar que os sindicatos não assinavam o acordo. Em que situação ficavam os professores contratados? Apesar de terem sido avaliados com Bom tinham de se sujeitar a uma prova de ingresso. E em que situação ficavam os docentes do 2º, do 4º e do 6º escalões? Muitos ficavam encalhados. Convém lembrar que, na sequência do acordo, o ME garantiu a abertura de novo concurso nacional, em 2011, a que poderão concorrer dezenas de milhares de contratados. Muitos obterão por essa via aquilo que os professores do quadro alcançaram: a nomeação definitiva. Existe algum bem superior a isso?
Seria justo os sindicatos recusarem o acordo em solidariedade com as escassas centenas de docentes que recusaram entregar a ficha de auto-avaliação? O que diriam os professores contratados? Ficariam sujeitos a um aprova de ingresso e não teriam oportunidade de efectivar já em 2011.
Volto a repetir: o acordo não foi óptimo mas foi muito razoável. Os termos do acordo eram irrecusáveis. Por favor, deixem de olhar para o umbigo e tentem alcançar um pouco mais longe. O egoísmo levado ao exagero é um vício. A vitimização também.