Os dez pecados mortais do eduquês. Como uma falsa ideologia pedagógica está a comprometer o futuro das nossas crianças
2. Desenvolvimentalismo romântico: "aprendizagem ao ritmo dos alunos", "escola centrada na criança", "diferenças individuais dos alunos", "estilos individuais de aprendizagem", "ensinar a criança e não os conteúdos".
3. Pedagogia naturalista: "construtivismo", "aprendizagem por descoberta", "aprendizagem holística", "método de projecto", "aprendizagem temática".
4. Antipatia pelo ensino de conteúdos: "os factos não contam tanto como a compreensão", "os factos ficam desactualizados", "menos é mais", "aprendizagem para a compreensão".
5. A desvalorização dos padrões culturais tidos como relativos e subjectivos, portanto irrelevantes.
6. Crítica do uso da memória e recusa das actividades de repetição, tidas como não significativas, portanto inúteis.
7. Defesa da ideia falsa de que as crianças só compreendem o que lhes está próximo e o que é concreto e manipulável.
8. Primazia à componente lúdica e recreativa por oposição à valorização do esforço na aprendizagem.
9. Redução da aprendizagem a um processo construtivista que diminui a função de transmissão dos conteúdos.
10. Visão anti-intelectualista da cultura e da educação.
Para saber mais
O maior erro dos eduqueses e dos educondes é não seguirem bastante mais vezes na sua cartilha, os 2 seguintes famosos provérbios anglo-saxónicos:
"Use the KISS principle: kit it simple, stupid"
"You may love chocolate cake, but that doesn't mean that you'll have to eat it every day"
Jasl
De acordo. Viciam-se na complexidade e na burocracia.
Eduquês… mas o que é isso?
Sei de uma escola cujo lema é: “Se não sei onde quero chegar, qualquer caminho é um caminho válido”.
É uma escola com história, devidamente institucionalizada, com uma identidade muito forte. Não, não tem projecto educativo. Ali vigora uma Compromisso Educativo onde se evidencia claramente a sua Missão, Visão, Princípios e os Valores.
O sentido de pertença de cada membro conduz à naturalização do conceito de comunidade educativa e à celebração de rituais e cerimónias que reflectem os valores próprios da organização.
A “prestação de contas” está sempre presente e o grau de satisfação do cliente é medido com regularidade.
É uma escola que tenta promover o progresso de todos os alunos em todos os aspectos do seu rendimento e aproveitamento mas que reconhece que o sucesso ou insucesso das aprendizagens depende em larga escala do domínio da língua materna e das competências comunicativas.
É uma escola onde os professores procuram ensinar e os alunos tentam aprender. Os alunos compreendem, memorizam, relacionam e aplicam factos e conhecimentos na resolução de problemas.
É uma escola onde os alunos são obrigados a pensar antes de agir! Aprendem a aprender mas aprendendo sempre alguma coisa!
Equipas pedagógicas acompanham e monitorizam a evolução dos alunos e promovem mecanismos conducentes a graus crescentes de autonomia perante o estudo e perante a vida.
A liderança está perfeitamente legitimada. E porque tem uma visão sistémica da realidade, o director aproveita as pequenas margens de uma autonomia ministerial para inovar, fugindo à submissão de decisões centralistas absurdas.
Sim, sim… os resultados são bons.
Eduquês… não sei o que isso é!
Fernando Cardoso
Recebi o seu texto sobre a Epis. Faz uma defesa cerrada da prestação de contas. Tudo bem. Mas a burocracia associada à prestação de contas permanente exige a entrega dessas tarefas a empresas de fora. Com certeza não são os docentes a fazer isso. É preciso recorrer ao outsourcing.
Publico o seu texto ainda hoje.
O eduquês é um jargão profissional que podemos definir como instância de discurso verbal, oral ou escrito, respeitante ao domínio da Educação e constituído por palavras, construções sintácticas ou idiomas próprios desse domínio.
É um dos muitos registos linguísticos que instrumentalizam a língua, pondo-a ao serviço de um mundo determinado pela tecnologia. O Ramiro Marques ilustrou-o nos pontos 1-4 da sua mensagem de hoje.
Este jargão, filiado no tentacular economês, é, "paradoxalmente", obscuro e enigmático para os próprios membros da comunidade que utilitariamente o criou e para a qual foi utilitariamente criado; no seu uso esbate-se uma das características fundamentais da linguagem humana, a de estabelecer uma relação de significação entre os nomes e as coisas.
O eduquês português apresenta, ainda, uma infelicidade acrescida, que resulta da abundante tradução, não raro canhestra, dos complexos e multivariados compostos do eduquês inglês.
O desenvolvimento e a propagação deste jargão nas últimas décadas suscita meditação: que fins serve? Por outras palavras, o eduquês é meio para que fins?