O debate sobre a empresarialização das escolas e o papel da EPIS na reconfiguração da profissão docente

O tema da empresarialização das escolas é da maior importância, porque a dita EPIS é, actualmente, um dos cavalos-de-Tróia visando conquistar por dentro a "indústria educativa estatal" e transformá-la numa "indústria educativa competitiva", para usar a expressão usada por um dos principais defensores do capitalismo educacional (recentemente falecido), Milton Friedman.

A EPIS, Empresários pela Inclusão Social,  deve, em meu entender, ser encarada como uma empresa privada, com a qual o Ministério da Educação e os novos "ministeriozinhos da educação" representados pelos departamentos educativos das Câmaras Municipais, fizeram um contrato que permite a essa empresa assenhorear-se progressivamente do controlo de um certo número de escolas e, mais tarde, talvez vir a formalizar com aquelas entidades um contrato formal para a sua gestão global.

Se for esta a evolução, é possível que a mesma EPIS se constitua como um braço de poderosos grupos capitalistas já existentes noutros países, designadamente nos EUA, mas não só.  Veja-se o caso do Projecto Edison Schools. Este caso da EPIS - que é muito importante ter sido trazido, através deste blogue, para o debate público - revela que existem em Portugal diversas estratégias convergentes para um mesmo projecto de "empresarialização" das escolas e do sistema educativo, as quais têm de ser vistas e consideradas no seu todo, quando se trata de combater e procurar alternativas a um tal projecto.

As políticas do ME para destruir a profissão docente tal como ela é hoje e para igualmente destruir tudo o que ainda existe de democracia no espaço escolar, são outras das peças de que se compõe o dito projecto, assim como o são outras iniciativas, como o projecto e-Skool, da Intel, as Novas Oportunidades, etc.

Mais importante do que um "post" sobre estes temas, que teria de ser demasiado longo, é a existência de debates deste tipo sobre os mesmos. Considero, além disso, muito importante que se realizem estudos aprofundados sobre estes mesmos temas, os quais exigem, no meu entender, que seja questionada a forma algo primária com que é desvalorizada em bloco (inclusive neste próprio blogue) a investigação que é relizada nas chamadas "ciências da educação".
Optimista
Foto: Sony Center, Berlim 2009
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1 Response to "O debate sobre a empresarialização das escolas e o papel da EPIS na reconfiguração da profissão docente"

  1. Não conheço uma boa parte do que se faz na EPIS por esse país fora mas, do que conheço, o funcionamento não é esse. Estão ligados às oportunidades que pretendem dar a jovens cuja história escolar não é "famosa", como forma real, de os ajudar a integrar na sociedade e de os motivar para a aprendizagem, através de trabalhos que gostam de fazer ou que, pelo menos inicialmente, pensam que gostam. Por outro lado, tem estado associado também e na sequ~encia do que disse anteriormente, à descoberta da vocação, da profissão que gostavam de exercer mais tarde porque a experiência diz que em alguns casos, quando começam a fazer determinados trabalhos, percebem que, afinal, não é aquele com que se identificam.

    Embora a minha experiência seja globalmente positiva e eu admita conhecer apenas uma pequena parte, penso que é de todo importante estar atento para que uma realidade à partida bastante positiva, não se transforme em um recurso educativo a menos...