Isabel Alçada, esta tarde: «A solução que nós tivermos tem de necessariamente ser uma solução que não crie turbulência»,
1. Isabel Alçada abriu hoje o jogo e não podia ser mais clara, tendo em conta o cargo que ocupa: «Para já vamos ouvir, vamos conversar, dialogar e a decisão será uma decisão que tome em conta todos os factores, tanto na avaliação como na carreira docente».2. E acrescentou: "a solução que nós tivermos tem de necessariamente ser uma solução que não crie turbulência".
3. E revelou que vai receber os sindicatos de professores para a semana. "É tempo de diálogo para encontrar uma solução para a avaliação de professores e para o estatuto da carreira docente".
4. Em declarações transmitidas esta tarde pela Rádio Renascença defendeu uma solução integrada para os porblemas da avaliação de desempenho e para o estatuto da carreira docente.
5. O que é que estas declarações querem dizer? Apenas isto: a ministra da educação está disponível para aceitar o fim da divisão da carreira em troca de os sindicatos "engolirem" os efeitos do primeiro ciclo de avaliação docente.
7. Será esta uma solução adequada e justa? A minha resposta é afirmativa. Os professores ficam com o mais importante: a abolição da divisão da carreira. O Governo pode dizer que conseguiu evitar a suspensão da avaliação de desempenho.
Ramiro
Não acredito! A Ministra fala... mas não diz nada. Não irá ser assim. Se isso fosse verdade era a derrota total do PM. Isto é para jornalista e para atirar areia para os olhos do pessoal.
"Será esta uma solução adequada e justa? A minha resposta é afirmativa."
Discordo, Ramiro. Não me agrada uma solução que legitima qualquer forma de Chico-espertismo.
Concordo inteiramente com o Miguel. Alterar o modelo e aceitar os efeitos do anterior, nomeadamente penalizar os professores que não entregaram OI's, é de uma baixeza sem palavras.
Mas desta gente já espero tudo...
Recupero o que disse há uns dias: apesar dos tiques prepotentes e arrogantes Sócrates não é estúpido. Não quer aparecer como derrotado em relação à educação mas sabe também que não pode continuar com o confronto sem saída. Dizia, na altura, que a oposição lhe faria o favor de votar a suspensão da ADD e da chamada "divisão da carreira" (para quem tem acompanhado a minha participação no profavaliação sabe ao que me refiro).
Nesta altura, com a clara tomada de posições e demarcação de poderes começo a convencer-me de que o parlamento não votará a suspensão e que a corda vai ser esticada até ao limite e este é a afirmação do poder do parlamento e a acusação por parte do governo de boicote governativo por parte da oposição, que acusará o governo de incapacidade governativa e de vitimização e lhe resusará fazer o favor de suspender a ADD.
As alternativas serão:
1. Os sindicatos da educação negoceiam e aceitam deixar cair alguns pontos que alimentaram no ano anterior a luta dos professores (p. ex. manter a divisão da carreira, ou manter a ADD em moldes próximos do actual modelo, isto é, que "premeie o mérito" e que "tenha consequências na carreira".
2. Para os sindicatos não serem uma vez mais ultrapassados pelos "movimentos independentes" recusam cedências, os professores regressam à rua, a oposição amplifica a oposição e aprova a suspenção, o governo vitimiza-se e... eleições.
Terei razão? Não sei.
O tempo nos mostrará as surpresas que haverá.
Em todo o caso, o que aqui está em jogo não é o desejo mas a análise, a reflexão.