Fne e Fenprof recebidas amanhã por Isabel Alçada
Há sintonia entre a Fenprof e a Fne quanto ao elenco das reivindicações a apresentar. No centro do processo negocial estão a abolição da divisão da carreira e a substituição do actual modelo de avaliação de desempenho por outro que seja menos burocrático, menos arbitrário e mais justo.
As duas confederações sindicais querem que as menções de mérito do primeiro ciclo de avaliação não tenham consequências na progressão na carreira e nos concursos uma vez que todo o processo foi contaminado por injustiças, confusão e parcialidade.
Aquilo que vai separar a ministra da educação dos sindicatos será apenas isto: suspensão dos efeitos que decorreriam da atribuição de Muito Bom e Excelente no 1.º ciclo avaliativo; No primeiro ciclo avaliativo, serem avaliados todos os docentes, independentemente de terem ou não apresentado proposta de objectivos de avaliação, como, aliás, está a acontecer na grande maioria das escolas e agrupamentos.
Flores do Sri Lanka
Para saber mais
Espero que, amanhã, ambas as partes tenham a lucidez necessária para desmoronarem parte do muro que nos envolve.
Que não se esqueçam também, que nós cá estaremos para julgar a sua actuação.
Annya
Tem de haver cedências das duas partes. O mais importante é pôr fim à divisão da carreira e ao actual modelo de ADD. O resto pode ficar para mais tarde.
Ramiro
Daí, eu ter referido "parte do muro".
Eu só ouço falar na negociação do ECD e da AD. E contudo,este ano lectivo tenho 8 turmas e uma DT. Estas semanas de Intercalares, tenho tido o horário normal lectivo, acrescido de 8 reuniões de 90 minutos, a maioria entre as 18h30 e as 20h00(que muitas vezes se prolongam, mais a DT, que dá o trabalho que todos (todos?) sabemos que dá.Cheguei a ter 5 blocos de 90 min de trabalho diário na escola Tenho uma colega que tem 10 (DEZ!) turmas e que, durante duas semanas seguidas teve reuniões TODAS das 18h30 às 20h00. Estou completamente de rastos e estamos apenas em Novembro. Gostaria que a luta também fosse por um horário de trabalho digno,mas suponho que este problemas é só de alguns... Acresce que tenho uma filha de 5 anos. Nestes dias, vejo-a à noite quando lhe dou um beijo de boas noites.
Desculpem o desabafo... não estou a acusar-vos de nada, claro... sei bem de quem é a responsabilidade. Tb é nossa.
Ana Cláudia,
Estou consigo. Passa-se o mesmo na minha escola. As reuniões a esta hora são, para nós, um tormento. Sou mais uma exausta.
A Síndrome de Burnout em Professores
A burnout de professores é conhecida como uma exaustão física e emocional que começa com um sentimento de desconforto e pouco a pouco aumenta à medida que a vontade de lecionar gradualmente diminui. Sintomaticamente, a burnout geralmente se reconhece pela ausência de alguns fatores motivacionais: energia, alegria, entusiasmo, satisfação, interesse, vontade, sonhos para a vida, idéias, concentração, autoconfiança e humor.
Um estudo feito entre professores que decidiram não retomar os postos nas salas de aula no início do ano escolar na Virgínia, Estados Unidos, revelou que entre as grandes causas de estresse estava a falta de recursos, a falta de tempo, reuniões em excesso, número muito grande de alunos por sala de aula, falta de assistência, falta de apoio e pais hostis. Em uma outra pesquisa, 244 professores de alunos com comportamento irregular ou indisciplinado foram instanciados a determinar como o estresse no trabalho afetava as suas vidas. Estas são, em ordem decrescente, as causas de estresses nesses professores:
Políticas inadequadas da escola para casos de indisciplina;
Atitude e comportamento dos administradores;
Avaliação dos administradores e supervisores;
Atitude e comportamento de outros professores e profissionais;
Carga de trabalho excessiva;
Oportunidades de carreira pouco interessantes;
Baixo status da profissão de professor;
Falta de reconhecimento por uma boa aula ou por estar ensinando bem;
Alunos barulhentos;
Lidar com os pais.
Os efeitos do estresse são identificados, na pesquisa, como:
Sentimento de exaustão;
Sentimento de frustração;
Sentimento de incapacidade;
Carregar o estresse para casa;
Sentir-se culpado por não fazer o bastante;
Irritabilidade.
Celeste e Ana Cláudia
O ProfAvaliação já publicou vários posts sobre a questão dos horários de professores ilegais e voltarei a publicar.
Obrigado pelos testemunhos.
Ramiro
eu é q agradeço o facto de podermos estar nesta sala de profs.
Olá Ramiro!
Eu acho que tenho um horário muito longo. Há dias pedi para me dizer se 1 tempo lecto corresponde a 1 hora. É que eu tenho no meu horário, na totalidade, 30 tempos, dos quais 14 são lectivos. Ora como tenho mais de 100 alunos suponho que devia ter de componente individual pelo menos 10horas, só que a directora da escola não concorda.
Ao fim de quase 30 anos de ensino, tenho 6 turmas, 3 níveis de ensino e duas disciplinas, e claro reuniões de avaliação depois das aulas. Sou mais uma exausta...
Agradeço um exclarecimento por favor.
Um abraço,
Safira
Quero dizer 37 tempos marcados no horário, 14 dos quais são lectivos + 8 horas de aulas de substituição. Isto é um inferno! Quando será que a escola volta à normalidade? Aguardemos...
Safira
Apesar do Despacho n.o 17 860/2007 dizer no ponto 5.º
"Componente não lectiva de trabalho individual
A componente não lectiva individual compreende a realização do
trabalho de preparação e avaliação das actividades educativas realizadas
pelo docente, bem como a elaboração de estudos e de trabalhos
de investigação de natureza pedagógica ou científico-pedagógica."
e de o ECD rectificado, Decreto-Lei n.º 270/2009, de 30 de Setembro dizer a mesma coisa (Artigo 82.º
Componente não lectiva), o que estava em vigor no início do ano lectivo, dizia:
DESPACHO Organização do Ano Lectivo 2008/09
É republicado em anexo, fazendo parte integrante deste acto, o despacho n.º 13599/2006, de 28 de Junho, alterado pelo despacho n.º 17860/2007, de 13 de Agosto, com a nova redacção resultante do presente despacho.
5.º Componente não lectiva de trabalho individual
1 - A componente não lectiva individual compreende a realização do trabalho de preparação e avaliação das actividades educativas realizadas pelo docente, bem como a elaboração de estudos e de trabalhos de investigação de natureza pedagógica ou científico-pedagógica.
2 - Na determinação do número de horas destinado a trabalho individual e à participação nas reuniões a que se refere o nº 2 do artigo 2º, deve ser tido em conta o número de alunos, turmas e níveis atribuídos ao docente, não podendo ser inferior a 8 horas para os docentes da educação pré-escolar e 1.º ciclo do ensino básico e para os outros ciclos do ensino básico e ensino secundário, 10 horas para os docentes com menos de 100 alunos e 11 horas para os docentes com 100 ou mais alunos.
Safira
Quanto à horas semanais e a que constam no horário:
do ECD
Duração de trabalho
Artigo 76.º
Duração semanal
1 — O pessoal docente em exercício de funções é obrigado
à prestação de 35 horas semanais de serviço.
2 — O horário semanal dos docentes integra uma componente
lectiva e uma componente não lectiva e desenvolve-
-se em cinco dias de trabalho.
3 — No horário de trabalho do docente é obrigatoriamente
registada a totalidade das horas correspondentes à
duração da respectiva prestação semanal de trabalho, com
excepção da componente não lectiva destinada a trabalho
individual e da participação em reuniões de natureza pedagógica,
convocadas nos termos legais, que decorram de
necessidades ocasionais e que não possam ser realizadas
nos termos da alínea c) do n.º 3 do artigo 82.º
Olá Ramiro!
Procurei lá em baixo o blog do José Sarmento mas não o encontrei.
No sábado passei por lá e não consegui escrever nada de tão perturbante que achei a sua escrita.
Gostava de lá voltar, assim facilmente, com um clic.
Jane
Viste mal.O blogue do Sarmento está no lista de blogues no fundo da página.
Ana Cláudia
Tem toda a razão em pensar, que há mais lutas para além da ADD, porque realmente o horário de trabalho é excedido de forma arbitrária (veja-se o que a Safira disse), rondando quase o abuso e o excesso permitido.
Haja esperança, que nas negociações, sendo esse um dos pontos da agenda dos sindicatos, tal se venha a definir com rigor e com respeito pelos direitos. Entretanto, é trabalhar de borla e à noite, com a fama de não se trabalhar o suficiente.
Não, não está Ramiro.
Celeste
Amanhã sai um post sobre o síndrome de Burnout.
Obrigado pela dica.
As minhas expectativas são baixas, apenas no que concerne a uma solução imediata do problema. Continuo a acreditar que ainda estamos longe de uma solução aceitável pela maioria e que será necessário continuar mobilizado para a luta.
http://fjsantos.wordpress.com/2009/11/09/reunioes-me-vs-sindicatos-que-expectativas/
Jane
Clica em "As Minhas Leituras". É esse o blogue do José Luiz Sarmento.
Miguel
Vou lê-lo com atenção mas acho que, muitos de nós, já padecemos desse síndrome.