Escolas baralhadas com falta de regulamentação da Lei da Educação Sexual em Meio escolar

1. Era previsível: a Lei da Educação Sexual em Meio Escolar - Lei 60/2009 -  define prazos demasiado apertados para a regulamentação da nova disciplina e o efeito está à vista. As escolas não sabem o que hão-de fazer nem como deverão fazer. A regulamentação da Lei deveria ter saído no início de Outubro. Estamos no final do mês e nada. Com Maria de Lurdes Rodrigues de saída do ME, a máquina parou. Está tudo à espera do novo ministro da educação.

2. O mentor da Lei da Educação Sexual em Meio escolar, o psiquiatra Daniel Sampaio, veio dizer que foi feita muita formação de professores e que as escolas podem avançar. Daniel Sampaio acaba de publicar um novo livro com materiais sobre a nova disciplina. O livro chama-se "Jovens Com Saúde: Diálogo com uma Geração".


3. Mas as escolas queixam-se. Umas não sabem o que fazer, outras ressuscitaram projectos antigos e outras ainda estão na fase final de preparação dos projecto curricular de educação sexual. Segue-se a apresentação do projecto aos encarregados de educação e a aprovação em conselho pedagógico.

4. Entretanto, confirma-se o que eu disse há tempos: apesar de a lei não estar regulamentada, já contribuiu para mais umas dezenas de reuniões de professores:  grupos de trabalho para a elaboração do projecto curricular, conselhos de turma, reuniões com pais e conselhos pedagógicos. O eduquês é como as bonecas russas: acrescenta camadas sobre camadas que é como quem diz reuniões sobre reuniões, relatórios e mais relatórios. E o essencial é esmagado pelo acessório. A verdadeira essência do eduquês é essa: o essencial esmagado pelo acessório. O eduquês é um negócio. Ajuda a vender livros, DVDs e acções de formação e destrói a criatividade, o entusiasmo e a energia dos professores. Onde toca, tudo seca.
A história
Educação sexual: escolas sem saber como aplicar a lei
Para saber mais
Lei da educação sexual em meio escolar

6 Response to "Escolas baralhadas com falta de regulamentação da Lei da Educação Sexual em Meio escolar"

  1. O blogue sofreu uns retoques no lay out.
    Os posts surgem divididos ao meio, com a funcionalidade "Ler Mais". Objectivo: não esconder os posts anteriores.
    Quando se clica em "Ler Mais" vai-se para nova página onde está o texto todo e a barra lateral com as diversas caixas.
    Desta forma, a front page do blogue está mais limpa, clara, legível e rápida.
    Gostava de ter feedback dos colegas.

    Boa aposta nos Mangas japoneses :-)

    Elenáro says:

    O problema aqui não me parece ser a Lei, que de facto precisa de ser mais regulamentada. Parece-me mesmo o problema ser dos professores que, tão sábios que são, aparentemente não sabem falar de algo que é natural a todas as formas de vida: sexualidade.

    "As escolas não sabem o que hão-de fazer nem como deverão fazer." - Ramiro Marques

    O problema se calhar está aqui e não na Lei. O problema, se calhar, está em não se querer falar em vez de não se saber.

    Desculpem a provocação mas já estou cansado desta luta "anti-educação sexual". Salazar e Igreja Católica de facto fizeram um excelente trabalho na educação das pessoas. Ainda hoje vemos os seus efeitos com isto. Pena é que, por trás das portas, hajam as maiores perversidades na sociedade portuguesas e Igreja Católica.

    Pena é que os professores nela alinhem.

    Elenáro
    Não sejas radical e não generalizes. Não é por morrer uma andorinha que acaba a Primavera. A Igreja Católica gere escolas há dois mil anos. Cometeu erros? Sem dúvida. Mas esses erros não retiram validade ao trabalho desenvolvido no campo educativo. Grandes cientistas, artistas e escritores saíram das escolas dos jesuítas. A pedagogia dos jesuitas foi, para a época, muito progressiva.

    Lelé
    Acho esta manga japonesa uma delícia. Rica em beleza, jovialidade, rebeldia e sensualidade. Está fantástica. Uma verdadeira obra de arte.

    Elenáro says:

    "A pedagogia dos jesuitas foi, para a época, muito progressiva."

    Acabaste por me dar razão Ramiro. Foi de facto progressiva para a época. O problema é que o "progressivo da época" de então permaneceu a regra até aos dias de hoje. Conclusão, o que era progressivo na altura é hoje retrógrada pois gere-se pelos menos padrões desde há séculos ignorando uma realidade social mundial radicalmente diferente e em constante mutação.

    Se calhar tu não lidas com casos de ISTs e coisas afins de perto. Eu lido. Sei o que levou a elas e sei o que pode ser feito para as prevenir. Ignorar os assuntos e ter a atitude da Igreja Católica é exactamente o que leva ao problema. Não é em vão que Portugal é o país com mais infecções por habitante de HIV/Sida.

    Queres outro exemplo? África do Sul onde o antigo presidente fez o que se sugere agora em Portugal. Não informar e mesmo desinformar como a Igreja Católica o faz. Conclusão, o número de infecções por HIV/Sida disparou sendo hoje o problema em ter dinheiro para acudir tantos casos. O que era uma situação grave antes mas controlável passou a uma situação incontrolável e sem solução à vista.

    E não se julgue que isto afecta só um grupo de pessoas (homossexuais). A maior parte dos infectados por HIV/Sida são heterossexuais, quer em Portugal, quer na África do Sul. Em Portugal, curiosamente, para além de heterossexuais são os mais velhos os principais responsáveis pelo aumento da infecção. Os mesmo que dizem que não é preciso informar.

    É este o futuro que se defende quando se luta contra a Educação Sexual. E isto não é nada de outro mundo.

    Dizer a um adolescente "olha protege-te, usa o preservativo!" parece ser algo muito dificil de pronunciar por muito boa gente.

    Dizer a uma adolescente "olha protege-te, toma a pilula/não faças sexo sem o teu parceiro usar preservativo" parece ser ainda mais difícil.

    Lamento se me consideras radical Ramiro, mas o que tu defendes só trará maus resultados, muitos dos quais já há vista de quem os quer ver e não enfia a cabeça na areia que nem uma avestruz à espera que o perigo passe! E digo desde já que esse perigo não só não passará como um dia ainda bate à porta dos mais cristãos... Depois nem a ajuda divina trará salvação.