As crianças passam demasiado tempo na escola

1. Incomoda o silêncio da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação e de muitos pedagogos e pedopsiquiatras face ao conceito de escola a tempo inteiro.

2. O lançamento do livro "Crianças Ocupadas: Como Algumas Opções Erradas Estão a Prejudicar os Nossos Filhos", da autoria de Maria José Araújo, rompe o silêncio cúmplice de tantos.

3. A bandeira da escola a tempo inteiro está cada vez mais rota. Em breve ficará a meia haste. Não é saudável que as crianças dos 6 aos 12 anos passem 45 horas semanais em actividades escolares formais que configuram tempo de trabalho. As crianças dessa faixa etária precisam de contacto com a natureza, brincadeiras ao ar livre e interacções mais prolongadas com os pais.
A história

28 Response to "As crianças passam demasiado tempo na escola"

  1. Elenáro says:

    Volto a repetir o que já disse aqui uma vez: a escola a tempo inteiro só serve para desresponsabilizar os pais da educação dos filhos.

    Ser pai hoje é mais fácil do que se julga. A escola trata dos filhos durante o dia todo. À noite as crianças estão ocupadas ou a fazer trabalhos de casa ou a ver Morangos com Açucar ou outra papa qualquer para a cabeça... Ou então estão em ATLs. Aos fins de semana, se calhar vão para os avós.

    Resumindo, os pais servem para pagar contas e é o único dever que se lhes impõe... Em alguns casos, nem esse.

    Sim exagerei e passei tudo a pente 0. Mas é um exagero que descreve bem o ponto a que chegamos na desresponsabilização da educação dos filhos pelos pais.

    Ramiro
    Foi transmissão de pensamento.

    Miguel
    Nunca é de mais alertar para isto.

    Esta é uma questão central.
    Isto é que é colocar a criança ou o jovem no centro da educação.

    Que a criança ou o jovem sejam o centro não significa desresponsabilizar, ou super-proteger, ou isentar de dificuldades ou frustrações, significa antes proporcionar-lhes um ambiente para que possam crescer de forma sadia!

    Em@ says:

    Ontem estive com este livro na mão e só não o comprei porque espero fazê-lo num 'sítio' onde haja desconto sobre o preço do editor...

    E só não vê esta 'bomba relógio' quem quer ser cego. 1º tivemos crianças e adolescentes de chave de casa e frigorífico disponíveis, com tv e jogos electrónicos a fazerem de babysitters.O resultado está à vista...
    Seguem-se os da 'escola a tempo inteiro'. Que raio de Futuro estamos nós à espera?

    As crianças precisam de brincar!De esgotar as suas energias brincando. É a brincar que elas aprendem e socializam.

    Elenáro:
    Concordo com muito daquilo que escreveste. Infelizmente!Não por ser a tua opinião, como é bem de ver, mas porque é a triste realidade.

    Wegie says:

    A Escola tempo inteiro é um sintoma da desagregação do modelo de família nuclear ocidental vigente desde o século XVI. Esse modelo familiar era a instância primeira de socialização e aculturação dos indivíduos.
    Mas ao capitalismo global não interessa outra instância de aculturação que não seja controlada por si. Interessa a produção em série de clones servos produtores/consumidores. Estes afundados na espiral salário/consumo/crédito/consumo já são incapazes de oferecer resistencia através da recriação de novas formas grupais. Entregam a prole ao Estado.Este disciplina através da Escola.
    Parece-me que o único elemento de resistência neste processo são os professores.

    Não é apenas o capitalismo, pelos vistos o socialismo também gosta de criar dependentes! Até penso que o problema não é nem o capitalismo nem o socialismo mas a forma como certas pessoas, sem valores e sem escrúpulos, vivem! E a forma desrespeitosa com que tratam os outros. Os sistemas em si não são bons ou maus em si mesmos, as pessoas é que podem ser...

    Wegie says:

    Desculpa Cristina. Reconheço que fui um pouco panfletário mas prefiro uma abordagem sistémica.
    O socialismo como deves saber não existe e nunca existiu. Quanto ao capitalismo esse existe e há muito tempo e em toda a parte.

    Amigos
    Hoje, estou pouco activo por aqui porque ando a criar um google site - ramirodotcom - onde coloco todos os meus textos de média e grande dimensão sobre educação (mais de duas páginas). Vou colocar lá também os melhores trabalhos dos meus alunos. Comecei hoje a criar o site - não é um blogue - e quem quiser enviar-me textos para publicar, já sabe como fazer. Os textos serão publicados no website e assinados pelos autores.
    O site "ramirodotcom" fica alojado nos Google Sites, uma ferramenta que o Google criou recentemente só para websites. Permite criar dezenas de páginas e subpáginas diferentes. É espectacular. Ainda estou a aprender. Logo que o site esteja apresentável, divulgo-o aqui.

    Olha que boa ideia, Ramiro!
    Aguardo pelas novidades!
    O Mozilla tem favoritos? Não consigo encontrar, só os marcadores.

    Wegie says:

    os marcadores são os favoritos no firefox.

    Essa deu vontade de rir.

    Obrigada, Wegie!

    Wegie says:

    Se quiseres por em barra lateral clicas em Ver/Barra Lateral.

    Há já uns tempos que não tentava encontrar os favoritos no Mozilla. Sempre que tentei, o que acontecia (talvez por burrice minha) é que quando clicava nos marcadores, o site aparecia em cima a verde, mas na barra, e eu não conseguia encontrar a lista. Agora depois de dizeres isso, consegui pela primeira vez, ver a dita lista. Obrigada, Wegie!

    Obrigada!

    Wegie says:

    Ao teu dispor Cristina.

    uma vez mais, obrigada Wegie!

    Wegie says:

    É o que se chama na pedagogia das competencias resolver uma situação-problema....

    Wegie says:

    Se eu fosse adepto da treta elaborava um diagnóstico da situação de 50 paginas, preenchia um formulário com estratégias e sugeria que reiniciasses o computador.

    Como não sou optei pela instrução directa.

    A instrução directa é sempre o melhor método

    É mesmo!
    Olha que eu sou de andar aqui a ver, a procurar até encontrar e há alturas em que "perco" muito tempo. Essa foi uma das vezes em que isso aconteceu e fiz algumas experiências mas aparecia sempre na barra uma bolinha verde que linkava para o site e eu não conseguia ir além disto.

    Nunca mais tentei mas agora que o Ramiro falou no novo site, resolvi colocar a "situação-problema" e fiz bem.

    Presumo que deva ter havido actualização do mozilla e que o site agora possa estar diferente do que estava neste aspecto, mas claro que isto não invalida a minha nabice tecnológica, que andou também, com certeza, misturada!

    Quanto à instrução directa, teve 100% de eficácia! Talvez eu possa fazer um relatório sobre isso...

    Bem, mas até acho que as competências podem ser muito importantes, embora nunca devam estar ao serviço da ignorância... e do trabalho desnecessário...

    Wegie says:

    Cristina:

    Lê O Admiravel Mundo Novo do Aldous Huxley e verás ao serviço do que está a pedagogia das competências. E foi escrito muito antes do surgimento deste desastre pedagógico.

    Vou ler.
    Mas sinto que muitas vezes a escola é demasiado teórica, no sentido que as crianças e os jovens não sabem aplicar o que aprendem, não percebem que as aprendizagens também são instrumentos. É um bocado o aprender "solto". Por outro lado, a aprendizagem por competências pode ter a vantagem de fasear o processo. será que o problema é o risco de redução das competências às instrumentais? Isso sim, parece-me um risco enorme também de discriminação.

    Concordo que estamos numa fase de desastre pedagógico

    De qualquer modo penso que seria necessário avaliar de facto o processo. Não com avaliações em que o árbitro é comprado e se sabe à partida o resultado, mas avaliações efectivas.