As crianças passam demasiado tempo na escola
1. Incomoda o silêncio da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação e de muitos pedagogos e pedopsiquiatras face ao conceito de escola a tempo inteiro.2. O lançamento do livro "Crianças Ocupadas: Como Algumas Opções Erradas Estão a Prejudicar os Nossos Filhos", da autoria de Maria José Araújo, rompe o silêncio cúmplice de tantos.
3. A bandeira da escola a tempo inteiro está cada vez mais rota. Em breve ficará a meia haste. Não é saudável que as crianças dos 6 aos 12 anos passem 45 horas semanais em actividades escolares formais que configuram tempo de trabalho. As crianças dessa faixa etária precisam de contacto com a natureza, brincadeiras ao ar livre e interacções mais prolongadas com os pais.
A história
Volto a repetir o que já disse aqui uma vez: a escola a tempo inteiro só serve para desresponsabilizar os pais da educação dos filhos.
Ser pai hoje é mais fácil do que se julga. A escola trata dos filhos durante o dia todo. À noite as crianças estão ocupadas ou a fazer trabalhos de casa ou a ver Morangos com Açucar ou outra papa qualquer para a cabeça... Ou então estão em ATLs. Aos fins de semana, se calhar vão para os avós.
Resumindo, os pais servem para pagar contas e é o único dever que se lhes impõe... Em alguns casos, nem esse.
Sim exagerei e passei tudo a pente 0. Mas é um exagero que descreve bem o ponto a que chegamos na desresponsabilização da educação dos filhos pelos pais.
Ramiro
Foi transmissão de pensamento.
Miguel
Nunca é de mais alertar para isto.
Esta é uma questão central.
Isto é que é colocar a criança ou o jovem no centro da educação.
Que a criança ou o jovem sejam o centro não significa desresponsabilizar, ou super-proteger, ou isentar de dificuldades ou frustrações, significa antes proporcionar-lhes um ambiente para que possam crescer de forma sadia!
Ontem estive com este livro na mão e só não o comprei porque espero fazê-lo num 'sítio' onde haja desconto sobre o preço do editor...
E só não vê esta 'bomba relógio' quem quer ser cego. 1º tivemos crianças e adolescentes de chave de casa e frigorífico disponíveis, com tv e jogos electrónicos a fazerem de babysitters.O resultado está à vista...
Seguem-se os da 'escola a tempo inteiro'. Que raio de Futuro estamos nós à espera?
As crianças precisam de brincar!De esgotar as suas energias brincando. É a brincar que elas aprendem e socializam.
Elenáro:
Concordo com muito daquilo que escreveste. Infelizmente!Não por ser a tua opinião, como é bem de ver, mas porque é a triste realidade.
A Escola tempo inteiro é um sintoma da desagregação do modelo de família nuclear ocidental vigente desde o século XVI. Esse modelo familiar era a instância primeira de socialização e aculturação dos indivíduos.
Mas ao capitalismo global não interessa outra instância de aculturação que não seja controlada por si. Interessa a produção em série de clones servos produtores/consumidores. Estes afundados na espiral salário/consumo/crédito/consumo já são incapazes de oferecer resistencia através da recriação de novas formas grupais. Entregam a prole ao Estado.Este disciplina através da Escola.
Parece-me que o único elemento de resistência neste processo são os professores.
Não é apenas o capitalismo, pelos vistos o socialismo também gosta de criar dependentes! Até penso que o problema não é nem o capitalismo nem o socialismo mas a forma como certas pessoas, sem valores e sem escrúpulos, vivem! E a forma desrespeitosa com que tratam os outros. Os sistemas em si não são bons ou maus em si mesmos, as pessoas é que podem ser...
Desculpa Cristina. Reconheço que fui um pouco panfletário mas prefiro uma abordagem sistémica.
O socialismo como deves saber não existe e nunca existiu. Quanto ao capitalismo esse existe e há muito tempo e em toda a parte.
Amigos
Hoje, estou pouco activo por aqui porque ando a criar um google site - ramirodotcom - onde coloco todos os meus textos de média e grande dimensão sobre educação (mais de duas páginas). Vou colocar lá também os melhores trabalhos dos meus alunos. Comecei hoje a criar o site - não é um blogue - e quem quiser enviar-me textos para publicar, já sabe como fazer. Os textos serão publicados no website e assinados pelos autores.
O site "ramirodotcom" fica alojado nos Google Sites, uma ferramenta que o Google criou recentemente só para websites. Permite criar dezenas de páginas e subpáginas diferentes. É espectacular. Ainda estou a aprender. Logo que o site esteja apresentável, divulgo-o aqui.
Olha que boa ideia, Ramiro!
Aguardo pelas novidades!
O Mozilla tem favoritos? Não consigo encontrar, só os marcadores.
os marcadores são os favoritos no firefox.
Essa deu vontade de rir.
Obrigada, Wegie!
Se quiseres por em barra lateral clicas em Ver/Barra Lateral.
Há já uns tempos que não tentava encontrar os favoritos no Mozilla. Sempre que tentei, o que acontecia (talvez por burrice minha) é que quando clicava nos marcadores, o site aparecia em cima a verde, mas na barra, e eu não conseguia encontrar a lista. Agora depois de dizeres isso, consegui pela primeira vez, ver a dita lista. Obrigada, Wegie!
Obrigada!
Ao teu dispor Cristina.
uma vez mais, obrigada Wegie!
É o que se chama na pedagogia das competencias resolver uma situação-problema....
Se eu fosse adepto da treta elaborava um diagnóstico da situação de 50 paginas, preenchia um formulário com estratégias e sugeria que reiniciasses o computador.
Como não sou optei pela instrução directa.
A instrução directa é sempre o melhor método
É mesmo!
Olha que eu sou de andar aqui a ver, a procurar até encontrar e há alturas em que "perco" muito tempo. Essa foi uma das vezes em que isso aconteceu e fiz algumas experiências mas aparecia sempre na barra uma bolinha verde que linkava para o site e eu não conseguia ir além disto.
Nunca mais tentei mas agora que o Ramiro falou no novo site, resolvi colocar a "situação-problema" e fiz bem.
Presumo que deva ter havido actualização do mozilla e que o site agora possa estar diferente do que estava neste aspecto, mas claro que isto não invalida a minha nabice tecnológica, que andou também, com certeza, misturada!
Quanto à instrução directa, teve 100% de eficácia! Talvez eu possa fazer um relatório sobre isso...
Bem, mas até acho que as competências podem ser muito importantes, embora nunca devam estar ao serviço da ignorância... e do trabalho desnecessário...
Cristina:
Lê O Admiravel Mundo Novo do Aldous Huxley e verás ao serviço do que está a pedagogia das competências. E foi escrito muito antes do surgimento deste desastre pedagógico.
Vou ler.
Mas sinto que muitas vezes a escola é demasiado teórica, no sentido que as crianças e os jovens não sabem aplicar o que aprendem, não percebem que as aprendizagens também são instrumentos. É um bocado o aprender "solto". Por outro lado, a aprendizagem por competências pode ter a vantagem de fasear o processo. será que o problema é o risco de redução das competências às instrumentais? Isso sim, parece-me um risco enorme também de discriminação.
Concordo que estamos numa fase de desastre pedagógico
De qualquer modo penso que seria necessário avaliar de facto o processo. Não com avaliações em que o árbitro é comprado e se sabe à partida o resultado, mas avaliações efectivas.