5 de Outubro - Dia Mundial do Professor

Ser professor nunca foi fácil. Durante séculos exigiu-se que o professor fosse um modelo de virtudes, e mais recentemente que desempenhasse as funções de um técnico, capaz de mudar os comportamentos e atitudes de todo o tipo de alunos. Uma profissão impossível, como afirmava Freud?
Conceito de Profissão
Numa perspectiva sociológica o conceito de Profissão constitui o que podemos designar por um "constructo", dada a dificuldade em detalhar os seus atributos. Na língua portuguesa, o termo adquiriu um sentido muito amplo de "ocupação" ou "emprego". Nos países anglo-saxónicos, pelo contrário, o termo é aplicado para as designar profissões liberais como "médico", "advogado" ou "engenheiro". Os atributos destas profissões, transformaram-se em requisitos para todas as actividades profissionais que tenham como objectivo constituírem-se numa profissão, tendo para o efeito que possuir:
- Um saber especializado, aliado a práticas específicas que o profissional necessita de dominar, adquiridas através de uma formação profissional estruturada;
- Uma orientação de serviço. O profissional afirma-se perante outros que exerce a sua actividade por motivos altruísticos, não se pautando por interesses particulares.
- Um código deontológico que determina e regula o conjunto de deveres, obrigações, práticas e responsabilidades que surgem no exercício da profissão.
- Uma associação profissional, cujo objectivo seria, entre outros, o de manter e velar pela ocupação dos padrões estabelecidos entre os seus membros.
Muitos autores têm reagido contra esta tipificação, tomada de empréstimo às profissões liberais, por a mesma ser demasiado estática, esquecendo-se as transformações que nas mesmas ocorreram, nomeadamente a sua integração em organizações burocráticas, nas quais os profissionais perderam grande parte da sua autonomia.
Especificidades
Como todas as profissões, a de professor possui algumas especificidades.
· É ponto assente que a mesma requer dois tipos de qualificações:
- As "académicas" (os saberes e saberes-fazer que serão objecto de uma transmissão ou transferência);
- As "pedagógicas" (as metodologias e técnicas que utiliza para o exercício da sua actividade profissional).
Apenas as últimas qualificações são teoricamente exclusivas do professor. A forma como as adquiriu e a importância que lhes concede varia consoante o nível de ensino:
No ensino primário, como refere Philippe Perrenoud, as qualificações pedagógicas tendem a ser sobrevalorizadas em detrimento das qualificações académicas. No ensino secundário, pelo contrário as qualificações académicas tendem a ser proclamadas como nucleares, já que é nelas que os professores deste nível de ensino baseiam o seu prestígio e afirmação da sua autonomia. No ensino superior, as qualificações pedagógicas são desprezadas. Em resumo, quanto mais nos aproximamos dos níveis elevados do percurso escolar, mais são valorizadas as competências académicas em detrimento das competências pedagógicas.
· A Educação para Freud faz parte do grupo das profissões impossíveis. O fim último da educação é ensinar a criança a dominar os seus impulsos, e por isso, o professor tem que inibir, proibir e reprimir. Porém, esta repressão traz consigo o perigo da doença neurótica. O professor vê-se assim perante um dilema insolúvel: escolher entre a repressão e a permissão, sabendo que em ambos os casos, afectará negativamente a criança. A única alternativa que lhe resta é tentar ajudar o aluno a sublimar o maior número possível dos seus desejos e a satisfazer apenas alguns, mas não todos. Mas a prática docente esbarra com outras graves limitações ao seu exercício. O professor está permanentemente a ser confrontado com a questão dos limites da sua influência sobre os alunos. A reacção destes está longe de ser controlada em todos os seus aspectos, sendo todavia esta em grande parte determinante para o seu êxito profissional. Neste aspecto uma formação profissional adequada não é só por si garantia sucesso profissional. O fracasso, como diz Philippe Perrenoud é constitutivo da profissão docente, mas o fracasso dos alunos é também o dos professores e do sistema educativo. Numa profissão técnica, a competência não exclui, nem o erro, nem o sucesso, mas um e outro são excepcionais. Nas profissões que trabalham com pessoas é preciso aceitar, como uma "inevitabilidade", os semifracassos ou mesmo os fracassos graves.
Funções
Até meados dos anos sessenta, como escreveu Giles Ferry, a actividade do professor tinha como referência o modelo do "Bom Professor". Este exercia uma função social transcendente, era um verdadeiro modelo moral e político, não apenas porque era tomado como um cidadão exemplar, mas também porque era visto como um sacerdote ao serviço do saber. A sua vida confundia-se com a sua missão. Ser professor era a manifestação de uma vocação ou missão transcendente, não o exercício de uma profissão.
Esta imagem foi destruída, não apenas pela massificação do ensino, mas também pelos estudos sociológicos que surgiram no final da década, primeiro em França, e na década seguinte na Inglaterra e nos EUA. Estes revelaram que os professores estavam profundamente envolvidos em estratégias de poder, em geral, ao serviço das classes dominantes. Havia uma contradição insanável entre as suas práticas e os discursos que eram construídos sobre os professores. Ao serviço do poder dominante funcionavam como "ideólogos profissionais" (Althusser), "agentes de reprodução cultural" (Bourdieu & Passeron), ou "agentes de controlo simbólico" (Bernstein). A sua acção estendia-se contudo para além da esfera ideológica, exercia-se também no terreno da selecção social, onde escudando-se em critérios "neutrais", faziam uma sistemática eliminação dos alunos oriundos das classes populares, sobretudo à medida que os mesmos frequentavam os níveis de ensino que se afastavam da escolaridade obrigatória. O professorado sentiu-se, então mais do que nunca descontente, percebeu que havia perdido o seu estatuto social de excepção, que o havia colocado acima dos conflitos mundanos. Explorando as contradições sociais que percorrem as escolas, Stanley Aronowitz e Henry Giroux, vieram a público sustentar a vocação intelectual dos professores, mostrando que nem todos eram conservadores, muitos pelo contrário, estavam empenhados na transformação da sociedade.
O certo é que a imagem do professor em princípios dos anos oitenta, era tudo menos altruísta, ou descomprometida com estratégias de poder. Pelo contrário, os professores respiravam envolvimento político por todos os poros, isso mesmo o revelou António Teodoro. As Ciências da Educação não tardaram em descobrir as lutas internas que percorriam as escolas, onde os ganhos de uns significam perda para outros. As relações de poder são sempre assimétricas.
É neste contexto turbulento que emerge um novo discurso sobre os professores, onde estes são encarados acima de tudo como profissionais empenhados na defesa do profissionalismo da sua classe. O profissionalismo passa a ser a nova varinha de condão com a qual se irá resolver a questão do insucesso escolar, mas para isso, haverá que dar aos professores novos direitos e oportunidades para decidirem sobre o que melhor convém aos seus alunos.
Profissionalismo
O discurso do profissionalismo está hoje largamente difundido, sendo cada vez mais evidente que é sobre ele que se irá construir o novo ideal para a profissão docente. Mais profissionalismo significa no novo discurso, maior sucesso das escolas, o que se traduzirá em maior desenvolvimento social e económico. O profissionalismo, esconde para muitos analistas, a nova estratégia de mobilidade social ascendente dos professores, com a qual pretendem alcançar um melhor status e mais poder. A consequência deste movimento tem sido o seu progressivo afastamento das lutas sindicais, a deslocação dos seus conflitos laborais para o domínio do exercício profissional, assim como a crescente exigência duma autonomia completa face ao Estado e aos seus mecanismo de controlo, em nome duma melhor eficiência do sistema. Philippe Perrenoud mostrou todavia que não havia qualquer contradição de interesses a respeito do profissionalismo entre o Estado e os professores. É de mútuo interesse que este se desenvolva. A crescente complexidade e diversidade das actuais sociedades exige da parte dos professores uma mais ampla preparação profissional e maior autonomia para enfrentarem gravíssimos problemas tais como:
- A concentração de populações de alto risco nas zonas mais desfavorecidas, os quais se tornam em zonas de educação prioritárias;
- A diversificação cultural e étnica do público escolar, que põe em questão as didácticas e os métodos tradicionais de ensino;
- A heterogeneidade dos saberes escolares, com uma enorme diversidade de exigências nos diferentes cursos;
- A indefinição na divisão do trabalho educativo, nomeadamente entre os professores e as famílias. À medida que se assiste à demissão das famílias da educação, crescem as exigências dos pais junto das escolas para que estas os substituam nas suas funções tradicionais;
- A inflação e renovação rápida dos saberes, não apenas desorganiza os conteúdos dos cursos, mas também exige uma formação permanente dos professores;.
- O desenvolvimento de "escolas paralelas" (comunicação social e informática) invadiu a sociedade não apenas com imagens, mas também com informação e formação, concorrendo directamente com os saberes mais sistematizados e menos apelativos difundidos pelas escolas;
- A perspectiva de desemprego, crise de valores, sociedade dual, que favorecem a degradação do trabalho escolar;
- O alargamento da base de recrutamento social dos alunos para cursos mais exigentes, o que impõe metodologias de aprendizagem mais diversificadas, mas também professores mais aptos para lidarem grupos de alunos de proveniências e formações muito heterogéneas.
A diversidade destas situações e a sua premência social exigem não apenas um sistema de ensino muito descentralizado, mas também uma grande autonomia dos seus agentes.
A abordagem das culturas das escolas por Andy Hargreaves, revelou contudo que a questão da autonomia não é pacífica, dado que esta desencadeia, muitas vezes, efeitos perversos. A maior autonomia das escolas, não significa necessariamente maior autonomia dos professores. A autonomia é reduzida frequentemente a uma era questão de reforço do poder interno dos órgãos dirigentes das escolas. Esta posição tem tido apenas como consequência imediata a criação de novos mecanismos de controlo dos professores. O único objectivo destes órgãos, devido a uma lógica de afirmação interna e externa, tem consistido na ocupação e rentabilização de todo o tempo disponível dos professores, impondo-lhes unilateralmente mecanismos artificiais de colaboração e cooperação. O resultado final tem sido uma drástica redução do tempo que os professores dispõem para estarem com os seus alunos ou desenvolverem actividades inovadoras. Desta forma, algo perversa, o aumento da autonomia das escolas acaba por produzir um maior isolamento dos professores e por gerar o aparecimento de exigências impossíveis de poderem ser cumpridas (reforçando os seus sentimentos de culpa), piorando deste modo a desmotivação dos professores e as disfunções das escolas. É bom recordar, como escreveu Rui Canário, que a acção dos professores só em parte é determinada por factores individuais e macro-sociais. Na verdade ela é fundamentalmente mediatizada pelas organizações escolares onde estes estão inseridos. Estas desempenham o papel de filtros que deixam passar certas iniciativas e certas acções, mas não outras, segundo critérios que radicam nas suas lógicas de poder internas.
Conclusão
Utilizando os conceitos de Edgar Morin, podemos classificar a profissão de professor como uma profissão complexa, onde a incerteza, a ambiguidade das funções são o seu melhor traço definidor.
Para fazer face a esta dura realidade, o professor conta acima de tudo consigo próprio, ele é, não apenas observador, como o actor insubstituível da relação pedagógica. Contra a incerteza e as suas próprias carências, o conhecimento das "boas práticas" é neste aspecto importante como referência teórica, mas é preciso dizê-lo que estas raramente são transferíveis para outros contextos e outros actores.
É neste panorama complexo que hoje emerge o modelo dos "professores como práticos reflexivos", os quais envolvidos num processo de construção e desconstrução de saberes vão elaborando a sua própria concepção de profissão e das boas práticas. O assunto merece um outro desenvolvimento. Voltaremos em breve ao tema.

Texto completo do responsável pela rede Filorbis em Portugal
Carlos Fontes
Filorbis - Rede de sites temáticos. Uma das primeiras a nível mundial.

28 Response to "5 de Outubro - Dia Mundial do Professor"

  1. Miguel,
    Parabéns pelo post.
    Gostaria da permissão para postar no meu blog Filosofar é preciso, esse seu post sobre Dia Mundial do professor.
    Aqui no Brasil o dia do professor é comemorando no dia 15 de outubro.
    Aguardo um retorno pelo e-mail:
    marise.hublard@gmail.com.br

    Agradeço pela atenção,
    Marise.

    Marise
    Já foi a "autorização" e agradeço a visita, que já retribuí.
    Já agora comente:
    http://www.profblog.org/2009/10/brasilizacao-da-escola-publica.html

    Miguel
    Estás a ver que o ProfAvaliação também chega e muito ao Brasil?

    Isso é que nos traz responsabilidade e a ter cuidado com as asneiras.

    E gente boa!

    Marise
    O "Chefe" do ProfAvaliação, Professor Ramiro Marques, já colocou a referência de um texto do teu blogue.

    E já linkei o blogue dela no bloroll do ProfAvaliação. Aliás, os dois blogues dela.

    Miguel
    Puxei o post para o topo do blogue e a letra ficou minúscula. Se conseguires reformatar, seria bom.

    Já está.

    Contumaz says:

    Ramiro
    Queria dar-lhe os parabéns.
    Está muito bem na fotografia, ficou muito parecido.

    Mais uma contribuição de elevado valor do boy Contumaz, igual a si próprio e a quem o apascenta.

    Contumaz says:

    "Chefe"
    Não quis ofender. O tratar por Ramiro foi apenas uma brincadeira.
    Nos próximos comentários já vou usar a designação de "Chefe", em tão boa hora explicitada pelo peão de brega ML.
    Ficou-me só uma dúvida:
    Chefe=Fuhrer?

    É o que se chama uma fotografia contumaz, ou se recuarmos no tempo e compararmos, é a fotografia "comThomaz"! Bem observado, porque quem escolheu e publicou a foto, fui eu. Bem observado!

    Contumaz says:

    Arriaga
    Dois peões de brega no mesmo post é demais.
    Espalhem-se, organizem-se!

    Deixem-no estar. Não é grave. E não é professor. Não é o dia dele, com certeza; mas é o nosso.
    Apenas uma pontita de inveja. "Mas como é que eles escrevem e publicam tanto?", pensa ele. Nós respondemos: "porque gostamos".

    Contumaz
    Daqui a pouco digo o teu nome e depois fica chateado e desmente ofendido!

    Sobre o texto, muito bem condensado, podias dizer alguma coisa, mas a base de dados, provavelmente não funciona aqui?

    Wegie says:

    Para o Dia Mundial do Professor:

    "Os professores persistem em assacar a responsabilidade pelo insucesso aos alunos e às suas famílias. Como se o desejo de instrução fosse pensado como já existindo, como se a tarefa do professor consistisse ainda e sempre em transmitir saberes a alunos perfeitamente dispostos a assimilá-los, com excepção de alguns momentos de turbulência ou de fadiga. Dizer " Dêem-me alunos que queiram aprender, gostem de aprender, dominem a linguagem escolar e todos os códigos, beneficiem de todos os apoios familiares e eu comprometo-me a eliminar o insucesso escolar ", é dizer de facto : " Tragam-me um problema resolvido e eu comprometo-me a resolvê-lo num instante ". Os alunos " são o que são ", a única competência profissional válida é fazer alguma coisa com eles. Desperdiça-se no sistema educativo uma energia desproporcionada a procurar culpados, quando o que há são problemas que não podem resolver-se a não ser considerando-os normais e enfrentando-os com método. Ninguém poderá acusar um problema por não estar resolvido ! É aquele que o enfrenta que faz a diferença, ao encontrar, ou não, uma solução."

    in Os sistemas educativos face às desigualdades e ao insucesso escolar : uma incapacidade mesclada de cansaço

    Philippe Perrenoud

    Wegie says:

    "Somos tentados a concluir que se os insucessos escolares, os abandonos a meio dos estudos e as desigualdades subsistem, se " a realidade resiste " (Hutmacher, 1993), temos de nos render à evidência : chegámos ao limite dos nossos meios. Esta sensação de impotência poderia apossar-se de nós tão mais facilmente quanto é certo que as finanças públicas estão no vermelho e a desaceleração do crescimento económico permanece, se bem que a fuga para a frente para novas reformas choca com interesses mais terra-a-terra : manter o emprego e as condições de trabalho, fazer funcionar a escola num mundo em crise, onde a intenção de instruir já não é um dado adquirido. A violência e a falta de civismo parecem, preocupar mais os sistemas educativos do que o insucesso escolar. Como se se tratasse de outro problema."

    Olá!
    Tenho andado atarefada por aqui mas não podia deixar de vir ao blogue num dia como o de hoje!

    Ramiro!
    Em primeiro lugar não posso deixar de te agradecer o ProfAvaliação e toda a dedicação, trabalho e tempo, que o fazem ainda existir, e a tua disponibilidade para que seja sempre mais e melhor, para benefício do SER PROFESSOR!

    Não posso também neste dia, deixar de agradecer a todos os editores de blogues sobre educação, que têm como objectivo, construir a EDUCAÇÃO!

    Mas os agradecimentos não podem ficar por aqui, porque um blogue é uma comunidade ainda que possa ser "anónima" e "silenciosa" - um blogue é constituído pelos leitores e pelos comentadores e por isso, hoje também quero agradecer a todos quantos participam, no ProfAvaliação ou não, e que, com o seu contributo sadio, questionam, partilham, enriquecem, ajudam a pensar, debatem...

    Ser Professor é muito bom e é nesta dinâmica de equipa que temos a oportunidade de sermos cada vez mais, professores!

    Obrigada a todos quantos me ajudam a ser melhor professora, obrigada por tudo quanto aprendo e hei-de aprender!

    Ser Professor é partilhar e é aprender e é dessa forma que pretendo continuar a ser PROFESSORA!

    Wegie says:
    Esta mensagem foi removida pelo autor.
    Wegie says:

    Sobre o professor como prático reflexivo tem de ser um ser virado para o exterior, tem que ser um ser capaz de fazer análise social que não se debruce apenas sobre as consequências sociais e políticas do seu trabalho, mas simplesmente que incluam estas considerações no seu pensamento, e ser detentor de um projecto de intervenção que sustente o crescimento.
    O movimento da prática reflexiva pretende, que os professores sejam tidos em conta nas reformas a realizar e que as reformas surjam de dentro e para dentro das instituições de ensino, logo os professores têm que assumir um papel determinante no comando destas mesmas reformas. O desafio é deixado aos formadores dos professores durante a formação inicial, estes devem ter a capacidade de estudarem a maneira como ensinam e de a melhorar com o tempo, responsabilizando-se pelo seu próprio desenvolvimento profissional.

    "Ser professor nunca foi fácil. Durante séculos exigiu-se que o professor fosse um modelo de virtudes, e mais recentemente que desempenhasse as funções de um técnico, capaz de mudar os comportamentos e atitudes de todo o tipo de alunos. Uma profissão impossível, como afirmava Freud?"

    Uma das questões que quanto a mim se coloca no Ser Professor, é que ele é também educador e não apenas instrutor!

    Nesse aspecto, o ser um modelo de virtudes, faz sentido porque "ser exemplo é a única forma de educar". Mas convém não esquecer que o professor não é super-homem e não é perfeito e o próprio processo de busca da perfeição, traz consigo implícito o erro!
    Apraz-me pensar que estamos sempre a caminho de sermos professores!

    Por outro lado, a relação pedagógica implica que o professor compreenda a pessoa que tem à frente e que tente ensinar da melhor forma. Cada criança e cada jovem não deve ser alvo do processo de alunização mas antes continuar a ser criança e jovem, que aprende!

    Tal não deve nem pode, contudo, dar aso a confusão entre ser professor e ser técnico de comportamento ou de acção social! Tal já será desvirtuar a profissão professor!

    Mas pode o professor ter alguma acção sobre a mudança de comportamentos, sim, há muitos professores que têm na sua história profissional essa realidade! Mas quando há fracasso, pode não haver negligência porque nem tudo depende de nós e porque, naturalmente, nem sempre "acertamos"

    Mas há ainda outro aspecto sobre o Ser Professor, que é o das equipas!

    Não acredito que se possa ser professor sozinho. Por um lado, muito do que sabemos chegou-nos através de outros, por outro, é na equipa do conselho de turma, e na capacidade de se ser equipa, que está muitas vezes o sucesso das turmas.

    Mas será que esta é a única equipa que existe, ou há mais? Ou será apenas um grupo dentro de uma grande equipa?!...

    Parece-me que é mais isso!
    O Conselho de Turma, ou em alguns casos, a equipa técnico-pedagógica, deve estar integrada na grande equipa que devem ser os profesosres, os pais e encarregados de educação, os alunos, a comunidade e, claro, o ME!

    Parece-me que muitos dos problemas que se colocam em relação ao Ser Professor, advêm deste sentido de grande equipa que urge reconstituir!

    Se assim for, a profissão professor nunca será uma missão impossível, mesmo contando com os naturais "fracassos"!

    Um grande abraço para todos os professores!

    Se para se ser professor fosse preciso reflectir tanto, decorar tantas teorias (agora gravadas em pastas no computador), conhecer minuciosamente a história da Educação, da Filosofia, da Pedagogia, da Didáctica, os professores nem tinham tempo de ensinar.
    Como é bom saber o bastante e praticar o máximo, com a experiência e a intuição que vamos ganhando, sem nos preocuparmos muito com o conhecimento do nosso genoma e ir respirando à procura do bem-estar, o nosso e o dos outros.

    Wegie says:

    Bem...isto também prenuncia a queima de livros...

    Talvez de computadores...

    Ramiro e Miguel,

    Agradeço pela gentileza e pela amável recpeção.
    Agradeço por linkar os meus blog no profAvaliação e no Google Reader.
    Já acompanho o trabalho de vocês a algum tempo, também conheço o trabalho do filósofo Prof. Carlos Fontes, que foi de grande valia para minhas aulas de Filosofia.
    Parabéns pelo trabalho de vocês, são uma inspiração para nós professores.
    Acompanho muitos blogs de professores portugueses.
    Um grande abraço a todos,
    Marise.