Novo livro de Santana Castilho, "Os Bonzos da Estatística: Ideias Falsas Que Travaram a Educação", será apresentado, em Lisboa, no dia 17 de Setembro. A introdução está aqui
A quem não se aliste num partido sobram poucas variantes de intervenção política. A escrita é uma delas. Ao “Público”, meu jornal diário desde que nasceu, devo o privilégio de poder sujeitar ao juízo exigente dos seus leitores artigos de análise de política de Educação.
Há oito anos que escrevo no “Público”, de forma sistemática, mesmo sem interrupção durante as férias. Ora estava eu justamente posto em sossego, durante férias que não quis, quando a “Pedago” me manifestou interesse em dar forma de livro às minhas crónicas.
Fará sentido verter para papel de livro o que se escreveu em papel de jornal?
Uma crónica de jornal reflecte o espírito dum tempo e o modo como o autor o leu. Sucumbe com o jornal, sarcófago das emoções do cronista, na voracidade do dia seguinte. O livro perdura, vence o tempo e permite uma leitura conjunta do que foi atirado ao vento. Penso que há tempos que, para não serem esquecidos, porque não devem ser esquecidos, justificam que se fixe em livro o que se escreveu para jornal. O leitor desta colectânea dirá se tenho razão.
O tempo a que me referi foi o critério que delimitou o período para colectar as crónicas: são as escritas durante a vida do actual Governo. O seu conjunto tem um fio condutor e uma unidade de pensamento: a minha oposição, desde o primeiro momento, às políticas de José Sócrates, para a Educação, e não só. Muitas das razões estão bem expressas nos próprios textos. Outras poderão, um dia, vir a lume.
Os textos aparecem sob a versão original, apenas poupados a uma ou outra gralha que, desta feita, não escaparam, e estão organizados segundo a cronologia da publicação. Pensei contextualizar, em notas de rodapé, referências implícitas a factos políticos da altura em que foram escritos e que hoje podem prejudicar a percepção de algumas significâncias por parte dos menos atentos á política. Mas acabei desistindo porque me pareceu serem interrupções de leitura, indesejáveis em textos curtos.
Para além de apresentar o volume, esta introdução quer exprimir agradecimentos. Ao Nuno Pacheco, um grande jornalista. Aos leitores, particularmente aos que me escreveram. De entre estes, àqueles que, sendo professores, me disseram coisas que guardo no coração.
Santana Castilho
Logo vi que o moço da educação física andava mortinho por sacar algum.
Tem vergonha Martins!
Já te disse W.....C que não tenho pachorra para te aturar.
Fica lá com a treta do passado, porque do futuro ainda sabes menos que as cartas do tarot e a bola da Maya.
Martins!
Tem lá calma. Argumenta que tu és bom a argumentar.
Por onde andaste?
Este livro,apenas servirá para o autor arranjar verbas para então publicar as imensas medidas que tomou enquanto governante na área da educação, as quais darão para 4 ou 5 volumes bem generosos, sempre com um prefácio a fazer a exaltação dos amigos gregos
Wegie!
Estou a preparar uma entrevista ao Santana Castilho sobre o livro. Queres ajudar-me? Podias fazer-lhe duas perguntas. Pode ser?
A ideia é publicar as respostas dele amanhã
Amanhã, o ProfAvaliação tenciona publicar sínteses objectivas dos programas dos pequenos partidos. Ando a fazer pesquisa e não tem sido fácil encontrar material.
O Miguel está a fazer o mesmo.
Eu limito-me aos programas do MRPP (se encontrar!) e ao PH.
Vamos voltar a apresentar os programas do BE e do PCP um pouco mais detalhados. As versões já apresentadas são demasiado sintéticas.
Ramiro:
1-Gostaria de saber qual a opinião dele sobre o futuro da formação e qualificação dos professores. Estou a referir-me somente ao acesso à carreira.
2- Gostaria que desenvolvesse a ideia de extinção das DRE's e consequente autonomia das escolas sem as entregar aos feudos municipais.
Obviamente não tenho jeito nenhum para entrevistas e coloco estas questões (provavelmente irrelevantes) porque me suscitam interesse.
Ramiro, desculpa interferir, mas eu também considero importante uma questão relativa a alterações aos programas e currículos...
Essa questão que o Wegie coloca sobre a formação e qualificação dos professores, tem piada, porque faz-me lembrar aquela questão de os contribuintes pagarem para o Estado fazer auto-estradas e depois serem obrigados a pagar para as utilizar. Então as pessoas formam-se em escolas especializadas, fazem estágios e depois têm que voltar a dar garantias de que estão preparados para a profissão? Não é um atestado de incompetência às escolas e formadores?
Miguel:Estás a deitar ectoplasma pela boca fora...deve ser do espiritismo!
Como devias saber não existe um modelo único de formação de professores em Portugal.Existe um molho de bróculos adstrito a escolas de ensino superior mas sem unidade. Não te vou explicar isto porque se não sabes,não sabes.
Em última análise compete sempre ao Estado reconhecer as competências docentes, já que muitos são oriundos do ensino superior privado ou de cursos como Arquitectura ou Engenharia Civil que não tem ramo educacional.
Nos países de gente grande existem instituições específicas para esta formação.
Com a adopção do processo de Bolonha como fica isto tudo é a minha questão.
Vai lá ver o futebol.
Obrigado, Wegie e AB. Boas questões.
Martins,
Vai um "Eno" para a azia? ;)
Ramiro,
Já agora gostava de saber o que pensa o nosso colega Santana acerca dos meandros da blogosfera docente como possível fonte de mudança: influência, credibilidade e contributos.
Ok, Dr Shue
Boa pergunta.
Miguel disse:
"Então as pessoas formam-se em escolas especializadas, fazem estágios e depois têm que voltar a dar garantias de que estão preparados para a profissão? Não é um atestado de incompetência às escolas e formadores?"
Claro que é. Só ainda nao percebi o silêncio do superior. Já ouvi a colegas na universidade que o futuro do estágio será o de trocar para um ano de preparação para o tal teste. Vocês acreditam nisto?