“Meeting Point” – um espaço para conversa afiada… Competência ou saber e saber-fazer?
Nos últimos anos, o termo competência, entrou na agenda das discussões académicas e empresariais, associado a diferentes instâncias de compreensão: ao nível da pessoa (a competência do indivíduo), das organizações (as core competences) e dos países (os sistemas educativos e a formação de competências).
E por ser um conceito que preenche todas as grelhas na área docente, porque não aprofundá-lo ou pelo menos aflorá-lo?
O que se entende por competência?
“É a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações, etc.) para solucionar com pertinência e eficácia uma série de situações.” Perrenoud, 2000, Setembro, Construindo competências. Nova Escola, pp. 19-31
“Uma competência implica um conjunto integrado e complexo de saberes e saber-fazer, a capacidade de mobilizar saberes específicos para conseguir gerir a adaptação à mudança de contextos e situações.” Le Boterf, G, 1997, De la compétence à la navigation professionnelle. Paris: Les Éditions d'Organisation
Citações (para desviar a conversa…)
“Todos os homens são bons, mas não para todas as coisas.” Victor Hugo
“A competência sem autoridade é tão importante como a autoridade sem competência.” Gustave Le Bon
“ Se queres provar-nos que és competente em agricultura, não o proves semeando urtigas.” Georg Lichtenberg

A inteligência sempre determina a competência?
AB
Quando se fala de inteligência, hoje em dia temos que a separar em duas, a "tradicional" e a emocional. A 1ª serve para se saber e poder saber-fazer, ou não. A inteligência emocional, é mais amiga do sucesso no que respeita ao saber fazer que se sabe-fazer.
Excelente escolha, Miguel!
Infelizmente a retórica das competências tem conduzido os conteúdos e os saberes disciplinares para a periferia do currículo.
Ora, o que é necessário é ancorar as competências nos conteúdos de forma a que o aluno saiba mobilizar os saberes disciplinares para fazer.
Ou seja para realizar alguma coisa.
Miguel já passaste os olhos na La fabrication de l'excellence scolaire?
Ou não sabes o que é?
Boa noite:
"O mais competente não discute, domina a sua ciência e cala-se ."
Voltaire
Wegie
Sei o que é a excelência escolar e profissional e a performance, mas não conheço nenhuma fábrica que a produza, a não ser no âmago de cada individuo. Saber muito, é muito fácil, saber (muito ou pouco) aplicar os conhecimentos é que é complicado.
A minha experiência como árbitro (internacional) de natação provou-me nitidamente essa dificuldade, às vezes impossibilidade de conciliação.
Em@: Eu diria mais "cú que se cala é cú sem opinião."
Pobre Miguel, nunca pôs a vista em cima da tese de doutoramento do Perrenoud! Só conhece os textinhos da Ed.Asa...
Isto é o resultado da perda de tempo com Prof.Karamba...
Wegie:
Pode ser ou não...
Pode é não estar virado para aí, porque é dia não.
Wegie! Desculpa lá, se conhecesses pessoalmente o Miguel Loureiro não dirias isso.
Wegie
Para quê brincar comigo?
Afinal para que te serviu ler a tese de doutoramento do Perrenoud? Para dizeres que "cú que se cala é cú sem opinião."? Ainda bem que não li!
Ramiro: Mas não conheço. Só conheço o que vejo aqui e só sobre isso me pronuncio.
O título do Meeting Point diz tudo: saber e saber-fazer. São duas vertentes que devem estar presentes para que a educação seja integral.
A vertente das Artes de Sobrevivência, que estão ligadas a destrezas motoras é fundamental para que o indivíduo ganhe autonomia.
Não me revejo na tese da antinomia processos/produto ou competências/conteúdos.
O que é pior: um competente ignorante ou um ignorante competente? São ambos maus.
Miguel: Como Ramiro te poderá explicar é uma pena que não tenhas lido. Estarias muito mais habulitado para compreenderes a tua profissão.
Quanto au "cu..." é uma citação de um grande poeta português Nicolau Tolentino, que não deves conhecer.
Wegie
Ainda só não te pronunciaste sobre o que vês aqui. Mas se quiseres deixar o Perrenoud de lado e virar para a peixeirada, como descendente de poveiros, vamos lá. Não que me apeteça, porque já dei ao pedal que chegasse. Só não queria quebrar as normas editoriais.
Wegie:
Deixa lá o Miguel!Ele não precisa de provar nada, pois não?
Vamos centrar as nossas forças no nosso imigo comum! Dia 27 está quase aí!
*inimigo*
Wegie
Quando li o Nicolau Tolentino, não sei se eras nascido, mas não costumo guardar resíduos sólidos na mente.
Não estou para aí virado Miguel. Mas sempre à disposição.
Mesmo assim acho que estou melhor preparado porque sou descendente de poveiros e nascido em Espinho ptt peixeirada é comigo.
A idéia de trabalhar competências transversais teve uma grande repercussão no Brasil, aonde chegou graças à influência de pedagogos espanhóis. Essa idéia também é importante em países como a Suíça ou a França?
Algumas competências transversais figuram no currículo na Bélgica e no Quebec mais do que na França e na Suíça. Mas esse conceito não conta com aprovação unânime. Vários pesquisadores (entre eles, eu) duvidam da existência de competências transversais. Ninguém pode, por exemplo, observar ou analisar “qualquer coisa”. O analista do mercado de ações pode não entender nada de um jogo de futebol, de uma radiografia ou de uma obra literária. Para observar e analisar objetos específicos, é preciso dispor de conceitos, conhecimentos e métodos também específicos. A transversalidade é, em larga medida, um mito, ou, então, uma forma de denominar a inteligência, a lógica natural e a capacidade de raciocinar e comparar.
Hoje em dia, abusa-se do conceito vago de inteligências múltiplas. Faríamos melhor se pensássemos em competências múltiplas, que se distinguem pelas categorias de situações que elas permitem dominar mais do que por pertencerem a uma ou outra disciplina escolar fechada sobre si mesma.
As competências que chamamos de transversais são, na realidade, multidisciplinares. Mas isso não significa que não existam competências disciplinares. O importante é relacionar as competências às práticas e identificar os recursos necessários para agir, ao mesmo tempo, ética e eficientemente.
Entrevista a Perrenoud. Fonte:
http://www.educacional.com.br/entrevistas/entrevista0108.asp
Oiçam o que diz a Em@, sempre sábia.
O senhor acredita na eficiência do sistema de ciclos no combate ao fracasso escolar em um país como o Brasil?
Evidentemente, essa não é a única solução. Os ciclos não resolvem o problema da escolarização para todos nem o da qualificação dos professores ou ainda o das infra-estruturas. Todavia, nas regiões em que os alunos são escolarizados em boas condições, os ciclos oferecem uma organização do trabalho propícia a uma pedagogia diferenciada e, portanto, à luta contra o fracasso escolar. Mas é preciso que os ciclos sejam concebidos com esse fim. Para mim, sua única justificativa é criar melhores condições e espaços e tempos de formação favoráveis a uma pedagogia diferenciada, a uma individualização dos percursos e a um ensino estratégico.
Os ciclos não constituirão um progresso e podem até mesmo agravar as desigualdades se não forem pensados desde o início como dispositivos de luta contra o fracasso escolar. É sua única razão de ser. Não se deve introduzir os ciclos porque isso é moderno, mas porque é eficaz. Ora, nenhuma estrutura é eficiente por si só. O essencial está na forma como ela é “habitada”.
Portanto, eu não vejo razão para o Brasil deixar de desenvolver os ciclos. Talvez porque diversos estados os introduziram e, por vezes, abandonaram, existe no país uma decepção, um certo ceticismo. A esse respeito, eu indico a leitura do artigo de Elba Siqueira de Sá Barreto e Eleny Mitrulis intitulado “Trajetória e Desafios dos Ciclos Escolares no Brasil”, que faz parte do meu livro (Os ciclos de aprendizagem: um caminho para combater o fracasso escolar. Porto Alegre: Artmed, 2004). Nesse texto, as autoras mostram que o Brasil vêm experimentando os ciclos há muito tempo, mas com resultados discretos.
A questão é saber se, na utilização dos ciclos, existia a coerência necessária para que houvesse mais chances de sucesso. Suprimir a repetição sem fazer nada a mais não representa a chance de engendrar um milagre. Os ciclos são válidos somente pela organização do trabalho e pela diferenciação que eles tornam possíveis.
Fonte: http://www.educacional.com.br/entrevistas/entrevista0108.asp
"Saber de cor não é saber: é conservar aquilo que se deu a guardar à memória."
Montaigne , Michel de
OK! Ramiro que achas da analise de Nico Hirtt sobre o assunto?
Isto é da avaliação por grelhas de competências?
Como penso que é um autor incontornável na matéria gostaria de saber a vossa opinião.
Se fosse de todo viável poder-se-ia criar o "Boxing Ring"...
Ramiro
O Benfica está 8 a 0, até assusta os outros clubes mais fraquinhos. Tomou conta da noite.
Dr.Shue: Esse novo visual é ofuscante!
Eu vi logo que a competência fica mesmo pelo futebol...
Wegie
Por coincidência também tinhas 8 comentários. Agora marcaste mais 2, mas estás a jogar sozinho. É o mal dos génios.
Wegie:
Fala-me lá do Nico Hirtt, pf.
Wegie,
Não é "novo". É o logótipo do meu blogue somente...
Esqueci-me de usar a OpenID. :P
Wegie
Finalmente conseguiste o que querias. Parabéns. O mundo é teu e há muitas estratégias para o dominar, basta conhecer a tese de doutoramento de Maquiavel.
Ema
Espera um bocadinho que ele vai pesquisar e já te responde com a Mariana Alcoforado (também a li).
E boa noite.
Amanhã não estou.
Em@: Se fizeres uma busca no google encontras imensos textos dele. Ou no site da aped.be que tem recursos muito bons para a educação.
Miguel: A solidão é boa companheira no mundo actual. Lembra-te dos estilitas no séc.IV.
Wegie,
Não tenho competências na área da massagem, nem do relax, mas deixo-te algumas das minhas penas para te escovar o pêlo e amansares...
Oxalá não sejas alérgico e nã te causem espirros!
Até amanhã!
Fóoooooooonix!
Miguel! Não te vás embora!
Então. Falemos de competências, de saber fazer, saber ser, saber estar, enfim...saber!
Hoje acabei uns desenhos. Vou mandar-tos para opinares.
Até fiz um em Paris apensr no Wegie:Les Chats de Paris.Sério. Não estou a gozar.
Eu conheço-o da Escola Democrática.Mas gosto de aprender.
Já disse aqui e repito, não gosto de ler no pc. Faz-me mal aos olhos e para além do mais, eu não consigo concentrar-me.E para imprimir, prefiro comprar livros.
D+a-me pf alguns títulos.
Professor Ramiro,
Parece-me que o PH e o MPT estão coligados, na Frente Ecologia e Humanismo, mas não confirmei.
Um xi para todos (roubei a despedida ao Rui...)
Para desanuviar: vejam as 10 fotos que eu acabei de publicar na caixa do Friendfeed, ao fundo do blogue ou aqui:
http://friendfeed.com/ramiromarques
Deolinda:
Estás zangda comigo?
* L'école sacrifiée, la démocratisation de l'enseignement à l'épreuve de la crise du capitalisme, éditions EPO, Bruxelles, 1996
* Tableau Noir, résister à la privatisation de l'enseignement, éditions EPO, Bruxelles, 1998 (avec G. de Selys)
* Les nouveaux maîtres de l'École, l'enseignement européen sous la coupe des marchés, éditions EPO (Bruxelles) et VO-Editions (Paris), 2000
* L’École prostituée, l’offensive des entreprises sur l’enseignement, éditions LABOR, Collection « Espaces de Liberté » (Bruxelles), 2001
* L'école de l'inégalité, éditions LABOR, Collection "Espaces de Liberté", Bruxelles, 2004
* Les nouveaux maîtres de l'école : L'enseignement européen sous la coupe des marchés, Aden, Collection "La Petite Bibliothèque d'Aden", Bruxelles, 2005
* Déchiffrer le monde : Contre-manuel des statistiques pour citoyens militants, Aden, Collection "La Petite Bibliothèque d'Aden", Bruxelles, 2007
* L'école et la peste publicitaire (avec Bernard Legros), Aden, Collection "La Petite Bibliothèque d'Aden", Bruxelles, 2007
* "Je veux une bonne école pour mon enfant", Aden, Bruxelles, 2009
Tive oportunidade de trabalhar Perrenoud e Le Boterf. Gosto muito mais do segundo. Acho Perrenoud um pouco sensacionalista, com escrita de consumo.
O que me marcou principalmente em Le Boterf foi a forma como ele clarificou o processo da metacognição, associada ao "aprender a aprender".
Permitam-me imiscuir: Miguel e Wegie, vocês são dois queridos, cada um à sua maneira. Não fiquem zangados por embirrancia.
Abraços aos dois
Fico por aqui, o meu ritmo não me permite mais do que um comentário por noite.
Obrigado, Deolinda.
Tenho feito pesquisas sobre os pequenos partidos mas não está fácil.
Parece-me que não sabem aproveitar-se da Web.
Em@: Esse teu desenho dos gatos podia ser publicado com um extracto do poema de Baudelaire.
OLá, Jane!
Hoje foste muito querida. Subscrevo as tuas palavras.
AB!
Que achas das minhas fotos de Aveiro?
Quinta-feira, vou a Viana do Castelo fotografar a cidade.
Eu também. Mas não fui eu que comecei.
Vai ver as fotos de Aveiro no Friendfeed
wegie:
1º deixa ver se acham que o desenho 'presta'. Arranja lá o extracto do poema e põe-no aqui, please.
Clica em cima das fotos e aprecia a beleza de Aveiro.
Oh Ramiro! Farto daquela cloaca da Ria ando eu.
Lembro-me há muitos anos de passar as noites a caminhar na Av.Lourenço Peixinho.
Estava então colocado na José Estevão e tinha aulas até as 23.00h. Depois não tinha carro nem meio de transporte para ir para casa.
Bed time cá para mim. Hoje tive dia cansativo. Muita escrita e reuniões.
Ando a ler uma tese sobre o Moodle que me tira a energia toda.
Continuem na conversa mas não se zanguem.
Les Chats
Les amoureux fervents et les savants austères
Aiment également, dans leur mûre saison,
Les chats puissants et doux, orgueil de la maison,
Qui comme eux sont frileux et comme eux sédentaires.
Amis de la science et de la volupté
Ils cherchent le silence et l'horreur des ténèbres;
L'Erèbe les eût pris pour ses coursiers funèbres,
S'ils pouvaient au servage incliner leur fierté.
Ils prennent en songeant les nobles attitudes
Des grands sphinx allongés au fond des solitudes,
Qui semblent s'endormir dans un rêve sans fin;
Leurs reins féconds sont pleins d'étincelles magiques,
Et des parcelles d'or, ainsi qu'un sable fin,
Etoilent vaguement leurs prunelles mystiques.
— Charles Baudelaire
Andei 10 anos a caminhar para a Universidade de Aveiro (entre 1985 e 1995). Foram os melhores anos da minha vida. Nessa altura, tinha pouco mais de 30 anos, era pobre e andava cheio de energia e de entusiasmo pela vida e pelas pessoas.
Excelente poema, Wegie.
Tambem existe uma análise de Roman Jackobson e outra de Levi-Strauss sobre este poema.
Estou de saída, mas:
_Em@, o xi foi para todos, querida...
-Professor Ramiro, sugiro-lhe que contacte o blogger de "A voz das retretes". Ele dar-lhe-á pistas, sobre os pequenos partidos, caso as haja.
-Miguel, podes voltar.
A sensiblidade e simpatia do ser génial triunfam sempre, podes crer!
Fui lá abaixo espreitar e havia 53 pessoas online. O pessoal comenta pouco mas gosta dos comentadores
Ramiro já vi e comentei as fotos.
Belo, como sempre!
Aprendi isto com a "tese de doutoramento" do Maquiavel...
Wegie
Esmagas o comum dos mortais com tanta erudição. O blogue agradece. Mas olha que o Miguel não se fica atrás de ti. Para além de ser um reputado arquitecto e grande conhecedor da legislação escolar tem uma excelente cultura literária. E desdobra-se em competências noutras áreas: natação, voluntariado social, etc.
AB
Também gosto muito das fotos que tens na tua página do Friendfeed:
http://friendfeed.com/aidab
Vale a pena espreitarem.
Agora é que vou deitar-me.
Boa noite.
Amanhã publico a entrevista ao Santana Castilho. Obrigado pelas questões, Wegie, Aida e Dr Shue.
Ramiro: Acredito. Mas como sou uma criança mimada e birrenta fiquei zangado e exijo amanhã publiquem os desenhos da Em@ com o poema.
Helloooooooooo
Anybody at home?
Estive a digitalizar os desenhos e já se foram todos embora?
Wegie:
Hoje portaste-te mal com o Miguel...não havia nexexidade.
Obrigada pela bibliografia e por teres posto aqui o poema.
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