Torna-se difícil dar credibilidade aos exames
Está visto que os exames nacionais perderam credibilidade de tanto serem usados politicamente. Hoje, a ministra da educação afundou um pouco mais a já escassa credibilidade dos exames ao pronunciar-se mais uma vez sobre os resultados dos exames de Matemática e de Português do 9º ano. Setenta por cento dos alunos do 9º ano obtiveram positiva no exame de Português. A par de uma pequena descida a Português, registou-se uma subida a Matemática.
Este debate está viciado não só pela politização que foi feita dos exames como pelo facto de os enunciados e tabelas de correcção não serem elaborados por uma entidade independente do Governo. Acredito que o GAVE não recebe directivas do Governo sobre cada exame em particular mas as oscilações no grau de dificuldade e o aproveitamento político que a Ministra da Educação faz dos resultados retiram-lhe credibilidade.
E há ainda uma questão de fundo. Por que razão se dá tanta importância aos resultados a Matemática e Português e tão pouco às outras áreas curriculares e disciplinares?
Por que razão não se fala das Artes? Nem da História? Nem da Filosofia?
Esta hierarquia das disciplinas, com a Matemática e o Português a ocuparem todo o espaço mediático, mostra bem a desvalorização a que foram votadas as aprendizagens nas Artes e nas Humanidades.
E sobre a questão dos exames nacionais muita coisa haveria a dizer. Embora lhes reconheça alguns benefícios, não deixo de os associar ao decréscimo da criatividade e do espírito crítico por efeito de um ensino formatado em função dos exames.
A história
Para saber mais
Como se justifica que a prova de Português da minha filha , me seja entregue para possível reapreciação , com duas classificações diferentes , uma de dezassete valores e depois outra com quinze valores , com as respectivas cotações em todas as questões ; um segundo corrector alterou o valor da cotação do primeiro, em diversas perguntas , prevalecendo a opinião do segundo em todas as questões , descendo portanto a classificação . Será que pelo menos , não deveria ser a média ponderada das cotações dadas pelos dois correctores ?
E mais estranho é que nem todas as provas foram sujeitas a esta dupla correcção . Parece que tudo isto é uma sorte , pois se a minha educanda estivesse noutra sala , ou as provas fossem noutro envelope , possívelmente ficava com a primeira avaliação . Penso que isto é não ter consideração nenhuma pelo esforço e empenho de alguns dos nossos alunos.
É uma vergonha ter um governo destes que não é isento, que toda a gente percebe que não é isento e que continua sem moralidade, a actuar como se nada fosse! Isso sim, isso é grave! É por isso que se torna difícil dar credibilidade aos exames, a credibilidade que precisam ter, é difícil que cumpram a função para que foram criados de aferir a qualidade dos sistemas educativos! Mas tudo é subvertido com este governo, tudo! Isto só significa que não pode haver tréguas, que a luta tem que continuar e ser clara e que os professores, que amam a educação, não podem desistir custe o que custar!
Jorfil:
Sabes que +? Não te cales. Interpõe recurso, vai até às últimas consequências e publicita isso. Vais ver que a tua filha vê a situação revertida.
Do que esta genter precisa é de quem lhes faça frente!
A situação da minha educanda , foi a seguinte , estava numa sala de exame onde estavam presentes alguns alunos com CIF elevado na generalidade das disciplinas ; o exame é visto por um corrector e regista classificações elevadas , acima de um padrão que está pré definido ; chama-se outro corrector, torna a ver a prova, e baixa-se as cotações cerca de dois valores nas provas , fazendo tábua rasa da primeira correcção , passando um atestado de incompetência ao primeiro corrector ; azar da minha filha estar naquela sala , pois se estivesse noutra de alunos mais fracos , como aconteceu com outros ,a primeira nota tinha prevalecido , pois não foram sujeitos a uma segunda correcção. Assim há alunos da mesma turma , e de igual CIF , que o mantiveram , pois só tiveram uma correcção , outros tiveram a «vantagem» de lhes serem feitas duas correcções , para lhes descerem a classificação original .E com sinceridade , numa altura em que alguns destes alunos se estão a preparar para exames da 2ª fase , era preferível não se ter conhecimento desta situação , e aparecer só a 2ª classificação , do que aparecerem as provas com as duas correcções, em que o aluno depara que inicialmente havia sido classificado com uma nota mais elevada .E mais não comento .Entretanto pedi reapreciação da prova , aconselhado por dois colegas que viram a prova.