Quem tem pressa? Deixem Maria de Lurdes Rodrigues afundar ainda mais o PS

O PSD não tem pressa nenhuma. E faz bem em não ter pressa em apresentar o Programa de Governo. A imprensa é adversa ao PSD. Os comentadores que monopolizam o espaço mediático tradicional estão ansiosos para lhe cair em cima. Quanto mais tarde o PSD apresentar o programa de Governo, pior para o PS. E aquilo que é mau para o PS é bom para o País. O que é bom para o País é bom para os professores.
Amanhã, 2 de Julho, os dirigentes do PSD, que têm em mãos a elaboração do Programa de Governo, vão ouvir mais personalidades independentes da área da Educação. Na quinta-feira, é a vez de Santana Castilho ser ouvido. Ainda é cedo para avançar com nomes ministeriáveis. Uma coisa é certa: se o PSD quiser ganhar as eleições legislativas tem de conquistar a confiança dos professores. Não chegam afirmações generalistas do tipo "vamos rasgar as políticas educativas de Sócrates!" Os professores querem saber mais. Por exemplo: vai o PSD acabar com a categoria de professor titular? Vai o PSD acabar com o Estatuto do Aluno e dar autoridade aos directores e aos professores para imporem, nas escolas, códigos de conduta e regime sancionatório? Vai o PSD revogar o decreto regulamentar 2/2008? O que vai fazer com o decreto-lei 75/2008? Mantém o modelo de gestão escolar ou vai corrigi-lo? Não acredito que o PSD seja capaz de dar respostas concretas a estas perguntas. E, se assim for, é pena. Os professores foram enganados em 2005. Estão desconfiados. Só voltarão a acreditar em quem lhes dê respostas concretas e sem ambiguidades. Se Aguiar Branco, um dos responsáveis pela elaboração do Programa de Governo, ouvir Santana Castilho e Manuel Patrício, talvez as minhas dúvidas se dissipem. Mas não basta ouvir. É preciso colocar no Programa de Governo para a Educação as propostas que Santana Castilho e Manuel Patrício têm feito.
Não há pressa. Em Setembro, é a altura certa para respostas concretas. Antes de Setembro é prematuro. É preciso deixar que MLR afunde um pouco mais o Governo e o PS. Se a oposição tiver paciência e humildade, é possível ver o PS cair para menos de 25%. Esse resultado histórico pode acontecer caso o PCP, o BE, o CDS e o PSD subam mais um pouco em relação às eleições do passado 7 de Junho. Isso é possível porque, cada dia que passa, Sócrates, MLR e a restante equipa afundam um pouco mais o País. Tenho uma garrafa de champanhe guardada para o dia 27 de Setembro à noite.

20 Response to "Quem tem pressa? Deixem Maria de Lurdes Rodrigues afundar ainda mais o PS"

  1. AB says:

    Concordo plenamente. Agora é o tempo de arrumar a casa, de preparar estratégias que se possam tornar eficazes, que transportem em si mesmas a esperança e o conteúdo consubstanciado para a mudança de que este país tanto precisa.
    A fórmula do PS já está desgastada e descredibilizada. Necessita agora o meio político de alternativas concretizáveis com respostas palpáveis, exequíveis, onde os cidadãos se revejam e encontrem respostas para as suas ansiedades e angústias. Vamos aguardar serenamente mas também de uma forma atenta os próximos desenvolvimentos.
    Acredito que é possível mudar!

    Esta mensagem foi removida pelo autor.

    Acompanho-te no champanhe, na revogação do DR 2/2008, na necessidade de reconquistar a confiança dos professores, na revogação da categoria profissional de prof. titluar, na necessidade de se rasgar, literalmente, o estatuto do aluno... No resto nem tanto.
    Colocar num programa de governo as propostas do Castilho e do Patrício? Hum? Não achas exagerado?
    Olha lá, já agora quais são essas propostas exactamente?
    Reitor

    Reitor!
    As propostas do Justino é que não!

    As propostas do Manuel Patrício estão aqui:
    www.aepec.org

    Viva Ramiro.

    Quem a cerca de oito semanas das eleições não tem resposta para estas questões não merece a confiança dos professores, tens toda a razão.

    Já se sabe que as legislativas decorreriam nesta altura há tempo suficiente. Também se sabe que a agenda do PSD não difere muito da do actual governo - tenho ideia que na Educação ainda consegue fazer pior, é mesmo thatcheriana meio envergonhada e não terceira via entusiasmada, duas faces da mesma moeda, como se sabe - e por isso não a pode divulgar com tempo.

    Valha-nos deus e eu que sou um ateu convicto.

    Abraço.

    Maio says:

    Ramiro
    Desculpe-me a franqueza mas a sua crónica mais parece um documento de táctica eleitoral do PSD!
    Depois de tudo o que se tem passado, não apenas com o desastre da governação Sócrates, mas também com a ruinosa "alternância" governativa PSD-PS, onde se inclui Ferreira Leite, que não deixou propriamente boas recordações nem enquanto Ministra das Finanças nem da Educação, os professores e a população em geral têm razões de sobra para estarem muito mais do que desconfiados
    As alternativas somos nós que as criamos. Enquanto professor e cidadão tudo farei para varrer esta gente do poder. Chega! 30 anos é tempo demais!…

    Ramiro
    Você neste post parece o jornal Povo Livre, órgão oficial do PSD.
    Um pouco mais de discrição não lhe ficava mal.
    Eu sei que o ódio é muito, mas as mensagens mais subtis produzem melhores efeitos, a não ser que ponha em dúvida que os destinatários as entendam.
    Olhe que nenhum governo de direita, em país nenhum, deu alguma coisa aos professores.
    Pense BE ou PCP, mas PSD não!
    Esta foi pouco subtil, com o objectivo de você entender...

    O Ramiro anda desorientado, o ódio cega-o, só pode ser.

    Tem graça! Tem dias em que dizem que o Ramiro é comunista, em dias em que dizem que o Ramiro é anti-sindicalista, tem dias em que dizem que o Ramiro é Laranja...
    Ou é o Ramiro que muda ou são os comentadores que vêem com os óculos que cada um usa.
    Realmente assim é preciso "peões de brega" para levar o touro ao sítio.

    Diz-nos a realidade recente, que ou é o PS ou o PSD que têm maioria (relativa ou absoluta) e seguramente que não vai haver uma inversão de 180º. O que sobra como arma é a votação no contra-poder e esse é que tem que crescer, sem pensarmos que vai vestir a camisola amarela.
    Realismo!

    Orquidea says:

    Concordo com o post do Ramiro. O meu principal objectivo é tirar os socialistas e MLR do poder.

    Nunca NINGUÉM (nem MFL enquanto Ministra da Educação) fez tão mal aos Professores e aos alunos.

    Votarei PSD (embora não concorde com algumas das suas políticas) porque será a única maneira de mandar esta corja embora.

    também não concordo com certas políticas de facilitismo, pouca exigência e demasiados direitos aos alunos, com a consequente perda de autoridade dos professores, defendidas pelos partidos de esquerda.

    Mas respeito quem tiver outra opinião.

    Só não respeito quem é Professor e vote PS!

    Maio says:

    Não vim aqui acusar pessoalmente ninguém (nem mesmo o Ramiro…) do que quer que seja. Apenas PS e PSD de há trinta anos andarem a gozar connosco.
    Mas, pelos vistos, há quem goste ( ou, pelo menos, continue a alimentar ilusões na alternância)!…
    De resto, se não pudermos vir aqui expor livremente o que pensamos, avisem!…

    Cruzeiro says:

    Miguel
    Para depois termos uma Velha Tonta à frente do Governo, conservadora, reaccionária e com péssimas provas dadas na Educação e nas Finanças?
    Ou não se lembram?
    Acho que é de votar nos partidos que, sendo necessários para fazer uma maioria, obrigarão a alterar efectivamente as políticas da educação.
    Quanto ao Ramiro parecer isto ou aquilo, nem me pronuncio, os escritos dele dizem tudo.
    Como disse o Aguilar, não nos podemos deixar cegar pelo ódio. Temos que pensar e agir racionalmente.

    Já estou habituado a que me acusem de tudo: comunista, BE e agora PSD. Interessante! É o preço a pagar por pensar apenas pela minha própria cabeça. A independência tem custos. Nunca ouviram dizer que o inimigo do meu inimigo meu amigo é? De todas as acusações, apenas uma cola: sou radicalmente contra este PS. E empenharei o meu engenho, saber e energia a derrotá-lo. E sabem porquê? Porque amo o meu país. O PS governou o país 11 anos dos últimos 14 anos. A herança é conhecida: 20% de taxa de desemprego entre os jovens. Quanto ao PSD: nunca gostei desse partido. Não simpatizo. Mas também não simpatizo com o BE com o PCP e com o CDS. Eu costumo dizer: não tenho partido; sou inteiro. Mas não sou parvo. Tudo farei para que todos os partidos da oposição subam. E isso implica que o PS desça. Pois se eu não sei exactamente qual é a minha ideologia política, como podereis saber vós?

    Quando acerto no alvo, a caixa de comentários é invadida por professores (?) do PS, ansiosos com a possibilidade de perderem os cargos. E a única maneira que têm de me atacar é procurarem encostar-me ao PSD ou ao PCP ou a BE. O que lhes custa mais é verem que eu aponto ao alvo. E apontar ao alvo é escrever com o objectivo de contribuir para que todos os partidos da oposição subam e o PS desça. Claro que não há outra forma de acabar com estas políticas educativas que fizeram dos professores sacos de boxe e paus para toda a obra. Se houver outra forma, digam-me por favor.

    Diz-se, à boca cheia, que Ferreira Leite vai optar por uma avaliação externa, feita por empresas onde estarão boys do PSD...

    Alguém tem mais dados? Se assim fosse, quem estaria de acordo? Opinem.

    Maio e Cruzeiro

    Por podermos vir aqui expor livremente o que pensamos, é que temos que dar o direito a todos de dizerem o que dizem, mas sobre si ou sobre o tema em análise.

    Eu nem sugeri nenhuma opção pessoal, nem vou confessar (o voto é secreto), embora possa dizer que acabar com este tormento na educação, só tem uma solução e nem a digo, porque todos adivinham... e o Ramiro já disse.

    Por um lado insurgi-me contra os rótulos gratuitos e incoerentes que colam ao Ramiro, porque como ele também me julgo inteiro e sem partido e até costumo dizer que sou "sociologista".

    Por outro lado, fiz uma "análise" à realidade eleitoral do passado, para não se pensar que vai haver uma revolução e que os resultados vão ser só ditados pelos professores. Nós professores é que não nos podemos enganar...

    No essencial estaremos de acordo!
    Outra política educativa.
    Respeito pela docência.
    Dignidade para os professores.

    Ao contrário do Miguel Loureiro, que não quer fazer nenhuma sugestão, eu ouso fazê-la:
    - Colegas Professores: ninguem atá hoje fez tanto mal a esta classe profissional como este governo.
    Desde a divisão da Carreira em duas, até um processo de avaliação absolutamente ridículo e injusto, passando por todo o autoritarismo, arrogância e até injúrias, tudo nos fizeram. Trataram-noa abaixo de cão. Roubaram-nos tempo de serviço, congelaram-nos a progressão, cortaram-nos as pernas, permitiram ultrapassagens absolutamente indevidas, promoveram a corrida aos cargos, em nome de uma meritocracia que é falsa e de uma valiação que é uma farsa. Acabaram-nos com a carreira. Isto transformou-se em nada. O que é hoje a nossa carreira? É coisa nenhuma!
    Mais iniquiades destas, não, por favor!
    Votam em quem quiserem, à esquerda, ou à direita, neste momento pouco importa, desde que não seja nesta maioria absoluta vergonhosa que nos tem vindo a dar cabo da vida.

    Lelé Batita
    A sua sugestão foi a sugestão que eu dei.