Políticas educativas e excesso de regulamentação matam a criatividade e o pensamento crítico nas escolas
Estudo realizado no Reino Unido mostra que dois terços dos académicos consideram que as escolas básicas e secundárias estão cada vez a ensinar menos os jovens a pensarem de forma autónoma e crítica. O excesso de regulamentos e a inflexibilidade curricular, a pressão para a prestação de contas e o "ensinar para o exame" contribuiram para a morte da criatividade nas escolas.
O caso português é paradigmático: o que interessa é ensinar para as estatísticas. O ME, as DREs e a IGE exrcem uma pressão desmedida sobre os professores, impondo a formatação das mentes e das práticas, em função da fabricação estatísticas de resultados escolares que possam levar o Governo a anunciar, propagandisticamente, que, graças às iniciativas governamentais, se assistiu a melhorias nos resultados escolares.
Os professores são desincentivados a serem criativos e o ensino das Artes e das Expressões menorizado em favor de uma falsa superioridade da Matemática e das Ciências. As constantes intromissões do ME, através de sucessivas portarias e despachos, e das DREs e Equipas de Apoio às Escolas, através de visitas regulares e de pedidos de informação sob a forma de grelhas, questionários e relatórios, impedem os professores de inovar, de trabalhar colegialmente, de partilhar materiais e de fazer uso da criatividade.
Foto: Ontem, no Rio Tejo, em Constância, depois do almoço/passeio do ProfAvaliação
A história
Palavras e considerações ABSOLUTAMENTE certeiras e que descrevem na perfeição a situação que se vive hoje nas escolas. A 100% na "mouche"! E as coisas ainda não estão piores porque no 3º ciclo só há exames nacionais a Português e a Matemática. Quando se estenderem a todas as disciplinas (como parece ser cada vez mais inevitável) será a loucura total. Com esta cultura classificativa, normativa, redutora e burocrática, muitos professores não verão outro caminho que não seja passar o ano a preparar o exame final dos alunos, para não ficarem mal na fotografia. O que se lamenta mas, tal como estão as coisas, acaba por se compreender. Está na altura de se perceber que Escola Pública queremos: uma escola inclusiva e cultural,com autonomia e margem de manobra local a nível dos currículos e das práticas pedagógicas, orientada para o desenvolvimento das capacidades e competências dos alunos, ou uma escola certificadora e produtora de mentes formatadas a nível central, orientada para a mestria. O que não se pode é dizer que se respeita a autonomia e se promove a inclusão e se exigem pedagogias diferenciadas na sala de aula e se promove uma avaliação com diversos itens, da escrita à oralidade, do cumprimento de trabalhos de casa à atitude e assiduidade, para depois se sufocar todo o sistema com um exame normalizado aplicado a nível nacional, que confronta cegamente a avaliação interna com a externa, com o remate final da exigência, nos relatórios de avaliação externa das escolas, da aproximação dos resultados entre uma e outra.
Quanto à questão do espírito crítico e da criatividade, é bom recordar que em certos regimes do século XX tb se afirmava, alto e bom som, que não se pretendia uma educação intelectual, pois ela poderia "corromper" a juventude. Enfim...
O mais complicado é que a maioria das pessoas gosta de ser formatada, adora obedecer à norma. A marafada tese do "saber estar" que torna qualquer vida medíocre mas fácil. Alunos não formatados, com sentido crítico, tantas vezes tão criativos, são tidos por chatos, indisciplinados, arrogantes (as classificações variam) e atirados para a margem. E o mesmo acontece com os profes. Vão para a margem se não "souberem estar", se não caminharem a passo com o rebanho. A cadeia de grelhados é imensa e sai não apenas das cabeças iluminadas dos organismos centrais e regionais mas também das próprias escolas. Basta ver o que aconteceu com as grelhas avaliadoras. E com tanto impresso de duplicação e triplicação controleira que é dada à luz na própria escola e que as pessoas serviçalmente preenchem. Grrrrr
Oh zeze. Tu não devias andar nos jogos virtuais online?
A Setora acerta em cheio...
Todos nós passamos pela universidade mas são muito poucos os que entenderam aquilo que realmente importa, a universalidade do saber. Façam um exercício simples. Procurem a fundamentação de algo que tem vindo a ser ditado pelo ME e verão. A todas as ideias desfezadas da realidade e do próprio saber se dá o nome de Eduquês. Actuem baseados na liberdade intelectual. Exijam a fundamentação pelo saber. Rejeitem o seguidismo. Afinal somos nós os professores.
Setora,
Nem mais, tens absoluta razão! Escrevi há dias, a rematar um dos pontos do relatório crítico da direcção de turma, o seguinte:
"Depois admirem-se quando refiro que estes relatórios contêm aspectos hiper-burocráticos, redundantes e totalmente despropositados e que as direcções executivas são muitas vezes mais “papistas que o Papa”.
zedezede,
Escuso-me sequer a comentar afirmações de quem, manifestamente, não sabe ler e interpretar, correctamente, um comentário. E recuso-me, liminarmente, a polemizar com quem já revelou, num outro post que envolve comentadores habituais do blog, um nível moral e de educação absolutamente rasteiro.
Ramiro,
Vê o mail, pf
Abraço