A pior herança: a partidarização das escolas. Municipalização, partidarização e interesses particulares

Uma das piores heranças de Maria de Lurdes Rodrigues é a partidarização das escolas. Os autarcas do PS e os dirigentes partidários locais olham para as escolas públicas como território de caça. Outrora, um território a salvo do compadrio, das ingerências partidárias e dos interesses particulares, as escolas públicas - cada vez menos escolas e mais unidades de gestão - tornaram-se espaços onde desaguam as lutas partidárias locais com o objectivo da distribuição do poder, dos lugares e dos empregos.
No centro desta disputa, que vai ulcerando as escolas, está o processo em curso de municipalização das escolas com a prometida entrega às autarquias do recrutamento e gestão de muitas dezenas de milhares de professores e outros tantos técnicos de educação, de psicologia, de apoio administrativo e de acção educativa.
Quem dominar os territórios é dono dos lugares, dos recursos e dos empregos. E nós sabemos como é que os autarcas do PS - sobretudo eles, embora também os outros, ainda que com mais decoro e reserva - se relacionam com a sociedade civil e com as estruturas locais da administração pública. A forma indecorosa como alguns autarcas do PS e do PSD (estes, apesar de tudo, em menor quantidade) agiram dentro dos conselhos gerais, procurando impor à força os candidatos a directores próximos do Partido leva-me a concluir duas coisas:
1. A municipalização das escolas está em marcha acelerada e vai aprofundar-se caso o PS ganhe as eleições legislativas.
2. Grande parte das escolas estão infectadas com o vírus da partidarização e os directores são marionetas às ordens das DREs e dos autarcas locais.
3. Os professores não perderam apenas o pouco poder que tinham dentro das escolas. Correm o risco de serem manietados pelos políticos locais que, como é sabido, se lançaram à conquista das direcções das Associações de Pais, tendo em vista o controlo político e partidário não apenas das AECs mas também da gestão dos recursos dos agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas.
Foto: Mercado de fruta em Barcelona
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3 Response to "A pior herança: a partidarização das escolas. Municipalização, partidarização e interesses particulares"

  1. Deolinda says:

    La Boqueria!...Que saudades!...

    Não se esqueçam que as frutas, essenciais para a saúde do coração, devem ser ingeridas com o estômago vazio e não à sobremesa.
    Porquê? Porque sim, confiem!

    Sobre o texto, que equaciona bem o sarilho em que nos meteram, gostava só de lembrar, lamentando, que foi o PS (um partido supostamente de esquerda) que acabou com a gestão democrática, nas escolas!...

    As fotos do passeio : muito bonitas:..

    A Boquería: ainda há pouco lá estive a almoçar...

    Como percebeu, Ramiro, deixo os comentários sobre os assuntos sérios que vos apoquentam ainda aos outros visitantes; hoje prefiro sair assim de mansinho só com a beleza das fotos ...

    Caro Ramiro, essa dos autarcas do PSD em menor quantidade...deixa-me dúvidas...1º em relação ao cálculo estatístico e depois porque a maioria das autarquias deste país são PSD...e o PS quando acordar...vai ver o monstro que pariu e quem é o partido que controla as escolas...por isso a MFL está tão caladinha em relação à gestão....