Novas Oportunidades - A ignorância certificada

O país encontra-se com uma taxa muito baixa de escolaridade em relação aos países da UE (União Europeia). Logo há necessidade de colmatar esta situação e, para isso foram criadas “As Novas Oportunidades”, uns cursinhos intensivos de três meses, no fim dos quais os “estudantes” (agora com o nome pomposo de formandos) obtêm o certificado de equivalência ao 9º ou 12º anos. Fantástico, se os cursinhos fossem a sério!...

Perante a publicidade aos referidos cursos, aqueles que abandonaram a escola ou, por qualquer razão não concluíram um dos ciclos de escolaridade, esfregaram as mãos de contentes, uma vez que agora se lhes oferece a oportunidade de obterem um certificado de habilitações que lhes poderá vir a ser útil. E como diz o ditado “mais vale tarde do que nunca”, eles lá se inscreveram. Por outro lado, três meses das 7.00 as 10.00 horas, horário pós-laboral, uma vez por semana, era coisa fácil de realizar. Coitados daqueles que andam 3 anos (7º, 8º e 9º anos) para concluírem o 3º ciclo!!! Isso é que é difícil!

Na rua, no café, nos locais públicos em geral ouve-se: “Ah! Agora, ando a estudar! Ando a fazer o 9º ou 12º ano! “Aquilo é porreiro, pá!”

Entretanto, há pessoas com quem contactamos no dia-adia, mais próximos de nós, o cabeleireiro, o sapateiro, a empregada doméstica, etc. que também nos confidenciam com ar feliz: “Agora, com esta idade, ando a estudar! Ando a fazer o 9º!” E nós, simpaticamente, sorrimos, abanamos a cabeça e dizemos que fazem bem, sempre é uma mais-valia… contudo, numa dessas conversas, tentei descobrir que disciplinas constavam do curso, ficando a saber que eram Português, Matemática, Informática e Cidadania para o 9º ano; e indaguei ainda como eram as aulas e a avaliação final.

E fiquei atónita. Em Português o formando teria que escrever a história da sua vida e a razão por que se inscreveu no curso, sendo o texto corrigido aula a aula pela respectiva formadora; Matemática consistia em efectuar cálculos básicos e apresentar, por exemplo, a receita de um bolo e duplicá-la; para Informática apercebi-me que seria a apresentação do trabalho escrito e, posteriormente, quem quisesse apresentá-loia em “PowerPoint”; em cidadania, os formandos apresentavam os diferentes resíduos e diziam em que contentores os deveriam colocar. A nível de Português ainda foi pedida a leitura de um livro e seu comentário, sendo a selecção ao critério do formando o que deu origem a autores “light”, nada de autores portugueses de renome; a acrescer a este comentário teriam também de fazer a apresentação critica a um filme e a uma reportagem. Todos estes elementos seriam entregues num dossier, cuja capa ficaria ao critério de cada formando.

Três meses passaram num abrir e fechar de olhos, por isso um destes dias, enquanto aguardava a minha vez para ser atendida no consultório médico, fui brindada com o dossier do curso da recepcionista e respectivo certificado de 9º ano. Engoli em seco aquelas páginas recheadas de erros ortográficos e de construção frásica, desencadeamento de ideias e falta de coesão, (…), entremeados por bonitas fotografias; na II parte, umas contitas simples e duas tábuas de multiplicação; e em Cidadania, os contentores do lixo coloridos com a indicação dos resíduos que se põem lá dentro.

Em seguida, com um sorriso muito branco (nem o amarelo consegui!) e, como bem-educada que sou, felicitei a dona do dossier cuja capa estava realmente bonita, original, revelando bastante criatividade e ouvi-a alegre dizer: “A formadora disse-me que tinha hipóteses de fazer o 12º ano. Logo que possa, vou fazer a minha inscrição!”

Fiquei estarrecida, sem palavras para lhe dizer o que quer que fosse. “As Novas Oportunidades” são isto? Está a gastar-se tanto dinheiro para passar certificados de ignorância? Será que todos os formadores serão iguais a estes? E o 9º ano é escrever umas tretas e ler um Nicholas Sparks e um artigo da revista “Simplesmente Maria”? E o 12º ano será a mesma coisa (queria dizer chachada) acrescida de uma língua?

Continuando assim o país a tapar o sol com a peneira, teremos em poucos anos a ignorância certificada!

Marta Oliveira Santos, in “Correio da Educação”

Nota – Por muito que se fale e explique o que é “Novas Oportunidades”, é difícil compreender e por isso se justifica a insistência, meramente como serviço público.

Foto de autor desconhecido: “O mundo ao alcance da tua mão”

19 Response to "Novas Oportunidades - A ignorância certificada"

  1. Martins says:

    Nada como ter logo uma reacção:

    http://aeiou.expresso.pt/joviana-benedito=s23519

    Martins
    Pareço bruxo, mas tu não perde uma pesquisa.

    Quando Joviana Benedito diz: "Todos os utilizadores destes regimes especiais mereciam ou merecem novas oportunidades? Claro que sim. Ninguém deve ser condenado a morrer analfabeto ou impedido de progredir na aquisição de conhecimentos", ninguém contesta.

    Só que, como dizia o Solnado: "O submarino é amarelo e é lindo, mas não flutua..." ou seja, o direito a não se morrer analfabeto ou a não ser impedido de progredir na aquisição de conhecimentos, não se traduz desta forma, antes pelo contrário! E aí é que está o busílis.

    Natália says:

    Extraído da crónica de Alberto Gonçalves, no DN do último domingo de Julho:

    "O caso de um aluno que passou de ano (o 8.º) com nove negativas despertou por aí certos queixumes. É vontade de dizer mal.
    Antes de mais, o aluno em causa não é uma excepção, é um exemplo: pelos vistos, "transitar" criancinhas com sete, oito, nove ou dez negativas já se tornou prática relativamente comum nas escolas nacionais. E o hábito não é tão negativo quanto aparenta. Muito pelo contrário, e por quatro razões.
    Em primeiro lugar, acaba com a discriminação entre disciplinas. Até agora, inúmeros alunos saltitavam de ano em ano sem saberem nada de matemática. Agora, são livres de saltitar sem saberem nada de coisa nenhuma. Um ponto a favor da "interdisciplinaridade".

    Em segundo lugar, acaba com a discriminação entre os diferentes tipos de ensino. Se os frequentadores das Novas Oportunidades obtêm um diploma do 9º ou do 12º mediante a mera elaboração de uma redacção, num dialecto vagamente evocativo do português, sobre "O Mel" ou "As Minhas Férias" ou "O Magalhães", não há motivo para submeter os restantes usufrutuários do sistema educativo a exigências desumanas. Um ponto a favor da sistematização das "valências".

    Em terceiro lugar, acaba com os traumas escusadamente infligidos às crianças. Por regra, os meninos e meninas corridos a nove negativas são criaturas sensíveis, que sofrem imenso com as sanções e que, frustradas, dedicam em consequência a vida à birra, à droga e ao pequeno crime. Um ponto a favor da segurança.

    A quarta, e primordial, razão é que o fim das "retenções" acaba com alguns traumas no Orçamento de Estado. Há tempos, a sra. ministra explicou: cada aluno custa ao erário público 3 mil euros por ano, logo um aluno reprovado fica por 6 mil. Em 2007, os "chumbos" no ensino básico e secundário pesaram 600 milhões na despesa, uma enormidade que poderá perfeitamente ser aplicada no aprimoramento tecnológico da rede escolar, de modo a que os alunos que "transitam" na maior ignorância o façam nas melhores condições. Um ponto a favor do avanço em geral."

    Elenáro says:

    O problema das Novas Oportunidades é mesmo o seu carácter leviano. No entanto, penso que seria pior as pessoas não terem nada. Assim ao menos têm alguma coisa. Melhor seria se tivessem formação em algo mais directamente ligado à sua área de actividade. Não tornava as NO menos atraentes e tornava-as bem mais dignas.

    Mas não podemos acusar as Novas Oportunidades de "levianismo" educativo sem acusar também o ensino básico, secundário e superior do mesmo. O que se passa nas NO passa-se no resto também. Como a Natália referiu, alunos passarem com reprovações a nove disciplinas é sinal do mesmo. No superior, especialmente no privado onde impera o saldo financeiro ao final de cada mês, acontecem casos iguais. Gente que só passa porque "paga" (nem que seja com o corpo e já soube de algumas senhoras e senhores a usar este método).

    Em relação aos comentários da ministra que a Natália referiu, parece-me que esse tipo de pressões só resulta se houver aceitação por quem está a ser pressionado. Penso que, da mesma maneira que os professores se uniram para protestarem contra o plano de avaliação, também se poderiam ter unido para, em conjunto, ou protestarem ou então simplesmente continuarem a reprovar quem merece ser reprovado. Legalmente, penso que não haveria nada a fazer por parte do ME. Corrijam-me se estiver errado.

    Rui V says:

    "José Sócrates falava numa sessão que assinalou a entrega do computador número um milhão a um formando do programa Novas Oportunidades, cerimónia que teve a presença do ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, e dos secretários de Estado Idália Moniz, Paulo Campos e Valter Lemos. "Este programa [de distribuição de computadores por formandos, professores e alunos] significou que em muitas casas o computador entrou dez anos antes do que entraria se o Estado não se tivesse envolvido", salientou Sócrates."

    Já percebi qual a razão de tantos inscritos neste Programa de Sucesso:
    Ter um computador portátil, por "tuta e meia"!
    Qual autoestima! Qual valorização!
    Podem dizer o que quiserem, podem pintar o quadro da cor que quiserem, podem dizer bem, podem até pagar-me para aceitar, mas continuo a dizer NÃO! NÃO!

    Se este Senhor tinha tanta vontade em proclamar que entregou um milhão de computadores, era muito fácil e menos custoso fazer o seguinte: DAVA-OS!
    Arrumava o assunto!

    Estudei 16 anos, dei cabo da minha rica cabecinha, perdi noites infindáveis, fiz exames (9) para acesso ao Ciclo Preparatório, fiz exames para acesso ao Secundário (9), fiz exames para acesso à Escola do Magistério, com orais (4), fiz estágios, fiz exame para acesso à licenciatura, fiz tese final e sou obrigado a aceitar ISTO?
    NÃO!

    Chamem-me racista, elitista, demagogo. Chamem-me o que quiserem.
    Direi sempre NÃO, enquanto me lembrar o que eu, os meus filhos e todos os outros que chegaram onde cheguei (ou não puderam chegar, mas queriam!) e mais alto, muito mais alto conseguiram chegaram.

    NÃO!

    Elenáro
    Quando diz que "Melhor seria se tivessem formação em algo mais directamente ligado à sua área de actividade.", tal significa que só poderia ensinar a trabalhar, quem trabalha na área. Tirando alguns cursos que permitem dupla profissão, a maioria dos professores das NO, por acaso trabalha? Esse é o problema do neo "objectivo do ensino", que o querem endereçar para a formação para o trabalho, sem que os professores sejam os melhores formadores.

    E Bolonha sofre do mesmo mal. Já viu que um dos objectivos de Bolonha, é formar para o trabalho e as empresas? Com os professores a darem os cursos? Já diz o Daniel Goldman, o da Inteligência Emocional, que o que os alunos aprendem é a ser professores, porque passam a vida com professores como exemplo de trabalho.
    Está tudo ao contrário.

    Sobre o Ensino Privado, a qualquer nível, toda a gente sabe coisas, mas ninguém diz, parece o BPN. Era bom que quem trabalhou ou trabalha e conhece as tácticas do sucesso as pusesse cá fora. Assim não andávamos aqui a discutir, teoricamente, se o Privado é melhor, ou pior que o Público.

    Elenáro says:

    Rui V

    É difícil argumentar contra o que diz porque, de facto, é injusto andarmos nós a estudar durante anos e anos e outros em meros meses, com um facilitismo reprovável, conseguirem parte disso.

    Mas penso que toda a gente tem direito a segundas oportunidades. Creio que se as NO fossem mais exigentes (bem mais) seria uma boa maneira de dar esta segunda oportunidade a quem na altura não quis ou não pode. Pelo menos até ao 9º ano. Não lhe parece?

    Por acaso tenho imensas dúvidas quanto as NO para o secundário pois creio que há imensos cursos profissionais que dão já essas equivalências e são bem mais justos que um programa tipo NO.

    Martins says:

    O Mundo é injusto, e muitas vezes as injustiças acumulam-se durante várias gerações.

    Quando alguns argumentam que tiveram muito trabalho para tirar uma licenciatura, não podem esquecer aqueles que sem culpa nenhuma já chegam a este mundo com um grande handicap em relação aos restantes e que portanto não estão em condições de competir em igualdede de circunstâncias por um futuro melhor.
    Argumentação do tipo fundamentalista só fará sentido quando atingirmos a equidade total.
    Como isso é muito difícil, para não dizer, utópico, teremos que continuar a levar coms estes fundamentalistas de grande umbgigo e visão curta

    Elenáro says:

    Miguel Loureiro

    Concordo com o que diz no primeiro paragrafo. Mas penso que não é contrário ao que eu disse antes. É uma questão de reformular o sistema de funcionamento das NO. Digo eu vá. Posso estar a ser irrealista.

    Quanto a Bolonha, o que se passou foi uma palhaçada pois ficou tudo na mesma. O que diz quanto à relação entre quem ensina e a sua prática profissional nas NO é extensível ao superior. Os professores são na sua maioria académicos que, por muito bons académicos que sejam, o seu conhecimento do mundo do trabalho da área que leccionam é reduzido senão nulo. Isto cria uma clivagem sobre o ensino teórico das universidades e o mundo real do trabalho. Não é algo novo. Bolonha apenas vem trazer à luz do dia o que se passava já antes.

    Em todo o caso Bolonha foi uma grande oportunidade perdida. Para ficar como ficou mais valia estar quieto.

    Quanto ao por para fora, pela minha parte penso que sempre fiz isso. Só não posso acusar quando não tenho provas. Infelizmente a palavra de alguém por si só (a não ser que tenha algum padrinho em algum lado - factor C) não vale de muito, para não dizer que não vale de nada, em tribunal.

    Elenáro says:

    Esqueci-me de dizer uma coisa ao Martins no comentário anterior.

    Penso que dizer que é injusto dizer que alguém é fundamentalista apenas por achar que as NO é gozar um pouco com a cara de quem anda a estudar durante anos para o mesmo. Elitista, sim certamente. Mas as elites até podem ser benéficas desde que sejam competentes o que em Portugal não acontece. Olhe-se para o caso do Japão. Mais elitismo do que lá há penso que não existe e eles não são pobres nem estúpidos. A questão está mais uma vez na competência de cada um.

    Rui V says:

    Por favor!
    "Papa Maizena" a estas horas, não!
    Estou farto de "conversa da treta" e da "teoria do coitadinho", blá, blá, blá ...!
    Por favor!
    Estou farto de ver desculpabilizar o indisculpável, mais de 35 anos após a ... onde pára ela (?) ... a Revolução dos Cravos.
    Não me apetece "abrir o livro", porque estou mesmo em férias e não me perdoava (!), ter que me chatear ou andar a chatear os outros.
    Sou um pessimista da "porra" e não penso que este País vá a lado algum!
    O maior cego é o que não quer ver!
    E já escrevi demais!

    Elenáro says:

    Vejo que a sua memória é curta. Para quem me atacou por causa de usar o argumento de a revolução não ter trazido assim tanta mudança é estranho vê-lo agora a dizer exactamente isso.

    E "papa maizena" pelos vistos precisa você. Quer insultar ao desbarato insulte. Mas faça-o sozinho ou para quem tenha interesse em ouvi-lo, neste caso, lê-lo. E pelo menos, seja coerente.

    Elenáro says:

    Errata:

    "Para quem me atacou por causa de usar o argumento da revolução não ter trazido assim tanta mudança é estranho vê-lo agora a dizer exactamente isso."

    Rui V says:

    Pronto! Lá se vai a minha coerência.
    Raios partam a coerência ...
    Deve sonhar com a dita!
    Até as letras deve soletrar para ver onde pára a coerência!
    MORRI! Pumba!

    Elenáro e Rui V

    Ainda não viram que estão de acordo?

    Lembrem-se daquela música:

    São os loucos de Lisboa,
    Que nos fazem recordar,
    A Terra gira ao contrário
    E os rios correm para o mar.

    Elenáro says:

    Depois diz que não faz ataques pessoais. Você atira pedras e queixa-se que nem um pirralho que lhe atiraram de volta.

    E não morra. Ninguém lhe garante que vai ter alguma recompensa ou que estará melhor morto que vivo.

    Elenáro says:

    Miguel. Eu até já reparei. Mas continuo a ser denegrido sem perceber bem a razão. Deve ser claramente da idade. Ainda não envelheci o suficiente para perceber o Rui e os porquês do tipo de ataques que me lança...

    Rui V says:

    Qual acordo qual ...
    Nem que venha a Cristina, coitada, andou hoje aflita ... dizer que devemos ser irmãos ... Peace ...
    Aqui não há Peace, nem Acordo, nem coisa nenhuma!
    Tenho aqui o puto do foguete para o dia 27/09 à noite ...
    Se não estoirar no ar, vai estoirar nas mãos ... O resto é treta!
    Chiça! ... Meto-me por cada atalho!

    Já disse uma vez e volto a repetir:
    Precisam de estudar o seguinte Blog: http://portugaldospequeninos.blogspot.com
    Ler bem o que lá é escrito. Não é para todos, claro ...
    O Senhor Sócrates não deve ter convidado este "blogger" hoje, pois não?
    Estava bem tramado ...

    Martins says:

    Rui V

    Por acaso até convidou e o João Gonçalves até participou.

    O mesmo editor, do seu querido portugal dos pequeninos até escreveu isto, respondendo a comentários menos abonatórios em relação à iniciativa.

    "Como calculam - e como de costume - estou-me nas tintas para os comentários sobre isto. Se não percebem que é possível falar como pessoas civilizadas independentemente do contexto, metam explicador. Nem Sócrates mete medo a ninguém nem ninguém esteve ali a beijar a mão a ninguém. Eu, pelo menos, não estive. Ponto final."

    Imagine que o Tiago Moreira Ramalho do "jamais" até escreveu isto:

    "Bom, independentemente de tudo, a iniciativa por si foi bastante positiva e se calhar vai sendo tempo de os líderes dos outros partidos começarem a pensar em aderir a este tipo de evento. Confesso que teria imenso prazer em fazer umas perguntinhas a mais umas pessoas."


    O amigo anda desesperadamente a precisar de passar uma temporada no divã, ou deva antes dizer "chaise longue"


    por último aconselho este site para descomprimir

    http://www.detentionslip.org/