Estudo encomendado pelo ME a Roberto Carneiro conclui que os 900 mil diplomados afirmam gostar do INO. Ora, não haviam de dizer que gostam?

Há coisas surpreendentes. A ministra da educação encomendou um estudo sobre a Iniciativa Novas Oportunidades a uma equipa da Universidade Católica, liderada por Roberto Carneiro. E o que é que a equipa fez? Perguntou aos felizardos que conseguiram, em poucos meses, um certificado do 9º ano ou do 12º ano, recorrendo a meia dúzia de entrevistas com psicólogos e técnicos de educação em Centros Novas Oportunidades, (que ensinaram a redigir um curriculum vitae e um portfólio), se gostaram do Programa. E o que é que os felizardos responderam? Adivinhou! Mas não era preciso ser bruxo para acertar: 80% afirmaram que o "ensino" nos Centros de Novas Oportunidades é igual ou melhor do que o ensino regular. Pudera! Não hão-de dizer que é melhor! E vai daí, a equipa adianta que o impacto no mercado de trabalho é pequeno (ou é nulo?) mas que houve enormes ganhos na auto-estima dos felizardos e, além disso, aprenderam novas tecnologias. My God! Novas tecnologias? O que é isso? Novas? Caro Engº Roberto Carneiro, essas "novas" tecnologias ja têm décadas! E o que é que os felizardos aprenderam de "novas" tecnologias? Abrir um computador? Entrar na caixa de correio electrónico? Enviar um email? Trabalhar com o Word? E é preciso dar certificados do 9º ano a quem sabe fazer isso? Seria o mesmo que, há quarenta anos, dar diplomas da 4ª classe a quem soubesse o "a,e,i,o,u". Os estragos que esta ideologia, este discurso e estas práticas fazem ao País são incomensuráveis. Quem vier a seguir, tem de apanhar os cacos.
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18 Response to "Estudo encomendado pelo ME a Roberto Carneiro conclui que os 900 mil diplomados afirmam gostar do INO. Ora, não haviam de dizer que gostam?"

  1. Martins says:

    Caro Ramiro,

    Nesta história, tu pareces aqueles meninos bem que estavam acostumados a levar o portátil para escola como meio de difeenciação social e que agora estão zangados porque qualquer um pode ter um.

    Não tarda muito vamos ter a rábula do "o meu canudo é maior que o teu"

    Também não é para qualquer um andar na net antes mesmo, dela existir, não é ??

    Martins! Essa foi maldosa.
    Como sabes, já havia Internet nos finais da década de 80. A minha Página Web - não me refiro ao blogue! - foi criada há mais de 15 anos. É óbvio que já existia Internet.

    Dr. Shue says:

    Uma pequena correcção, Ramiro.
    A Internet, ou Wordl Wide Web só foi lançada a acesso em massa, através de "nódulos" em rede, em inícios dos anos 90. Nos anos 80, existiam sim, e desde finais dos anos 70, as BBS (Bulletin Board System), muito diferentes, mais lentas, mais elitistas.

    Acho que me desviei um pouco. Seja copmo for, é obvio, é tpipicamente lusitano adorar laxismos e facilitismos. Até acho que deve existir uma legião portuguesa de fãs dos laxantes, só para não terem muito trabalhinho nas horas de maior inspiração!

    Temos que nos centrar no centro das questões e a questão que se coloca é sobre a utilidade das novas oportunidades. Está fora de questão que se faça chegar a escolaridade a todos. Claro que é uma medida bastante positiva, mas o que perguntamos é se essa escolaridade é real ou fictícia e se estamos a usar as pessoas, muitas delas com bastantes capacidades, inviabilizadas por um meio social castrador, para fins políticos e para fazermos demagogia. Esta é a questão central. Se não estamos a ser "bonzinhos" para algumas famílias, dando-lhes a oportunidade de fazer o novas oportunidades ou um CEF ou um PIEF ou um currículo alternativo, quando na realidade o que houve na vida destas crianças e destes adolescentes foi um completo desinvestimento nos seus problemas sociais que levou a uma situação escolar tão má que não resta outra alternativa senão um destes cursos. não tenho nada contra estes cursos, porque os acho muito necessários mas estas crianças e estes jovens estão a ser discriminados porque quando chegam a esta altura já não conseguem fazer uma universidade... E vai-se baixando, baixando, baixando o nível para que consigam ser certificados mas na realidade, o que se acrescentou à vida escolar de cada um deles? Que mais oportunidades se lhe deu? Que mais inteligência sedesenvolveu? Que maior cultura se lhes proporcionou? que maior capacidade de pensar se os ajudou a desenvolver? Pensar nos outros é ajudá-los de facto, a ir mais além, e isto de dar o que as pessoas querem é muitas vezes usá-las... e uma grande indignidade e uma grande falta de respeito para com o seu percurso... Não digo dificultar a sua vida mas digo ajudar de facto!!! Parece que a educação vive uma mentira neste momento! Como se faz uma relatório para perguntar se as pessoas gostam? Todos aqueles alunos com quem falo dizem que é mais fácil, como não haviam de gostar?!... Percebem é que podem estar a ser usados?!...

    Levy says:

    Ramiro foi certeiro :) Acabei de o linkar.

    Gostava de saber quanto foi gasto, por este governo, em estudos encomendados...para propaganda ou por motivos inconfessáveis...

    Em relação ao das NO, "ratifico" as conclusões, pois, invariavelmente:

    -Não acha que vale a pena, professora? Onde é que arranjávamos um computador só por 150 euros? Nem o telemóvel xxxx custa isso...
    -Pois! Têm razão...Aproveitem!

    Olá Deolinda!
    Deve ser deprimente fazer as contas...

    Um beijinho para todos.
    Amanhã vamos ter-vos presentes e ter pena que não estejam connosco, pelo menos fisicamente porque de outra forma não se safam, não prescindimos de todos vós!
    Até amanhã
    Um abraço

    Amanhã, o almoço é na Golegã: Restaurante Café Central. Quem vier de comboio até ao Entroncamento, vai comigo de carro para a Golegã.

    Dr. Shue!
    Não sei com rigor quando comecei a usar a Internet. Terá sido então no início dos anos 90.

    Quem diria...

    MLR revela vantagenes da iniciativa com base num inquérito, leia-se, sistema de avaliação do grau de satisfação do participante, nível 1 (em 4), proposto por Kirk Patrick (1998). É surreal tanta incompetência.

    José says:

    Só ainda não percebi porque é que se encomendam tantos estudos. Será para dar emprego aos amigos? Será para tentar fazer com que se acredite naquilo em que ninguém crê? Será porque se duvida das medidas que se tomam, da sua eficácia? Será para tentar transformar uma mentira numa falsa verdade? Será por tudo isto e por mais alguma coisa?...
    Pensando bem, não me lembro de estudos encomendados para tentar provar a existência de Deus e muita gente acredita; não vi nenhum estudo a tentar demonstrar que os pasteis de Belém são óptimos e vendem-se até mais não. Ainda não me apercebi que alguém tenha pago a outro alguém para tentar provar que os portugueses adoram ir à praia, mas a verdade é que, mal vem um calorzinho, estas ficam logo inundadas de gente. Porque será que é necessário pagar para isto? Por este andar, ainda alguém vai tentar provar que, no Inverno, às vezes chove, enquanto que, no Verão, há dias de calor...Será que há aqui algum "rato" escondido com o rabo de fora? Será que alguém vai pagar a alguém para tentar provar, por exemplo, o sucesso desta equipa ministerial? É que como ela foi um fiasco…

    JM

    José says:

    Cristina,

    Lamentamos, mas desta vez não dá mesmo.

    Ficará para uma próxima.

    Obrigado pela simpatia e pelo afecto.

    Um abraço amigo para cada um de vocês.

    JM

    Tiago says:

    Uma autêntica vergonha, caro Ramiro, tem toda a razão!

    É surpreendente (AINDA!) a falta de descaramento e vergonha de quem encomenda estes estudos tão carecidos de honestidade intelectual. Que nojo.

    Conheço alguns colegas que dão "aulas" nas Novas Oportunidades e todos eles dizem que é uma treta! A coisa está pensada para não haver nem ensino nem aprendizagem.

    "Estudo encomendado pelo ME a Roberto Carneiro conclui que os 900 mil diplomados afirmam gostar do INO. Ora, não haviam de dizer que gostam?"

    Quanto pagámos?

    Já agora, se me é permitido:

    http://primeirofax.wordpress.com/2009/07/10/novas-oportunidades/

    O divertimento também faz alma. Acho eu, sei lá. Ou cá.

    touaki says:

    Dizia a TVI, ontem, que tal estudo lapalisseano tinha custado a módica quantia de 300 000 euros! Para que serve?
    Para justificar:
    1 - As novas oportunidades;
    2 - A comissão de acompanha as NO;
    3 - Os subsídios aos autores do estudo;
    4 - A publicidade;
    5 - Os tachos em redor delas (NO)
    6 - O trabalho da ANQ neste capítulo.

    Nem mais, Touaki.