Contra o professor-faz-tudo. Por que razão os professores devem rejeitar a assunção de novos papéis?

As conclusões do inquérito realizado a 1154 escolas revelam que a grande maioria das escolas (95%) integra a Educação para a Saúde, mas mais de metade não dispõe de gabinetes de apoio (que prestam aconselhamento aos alunos). A alimentação, a sexualidade e as infecções sexualmente transmissíveis são os principais conteúdos do programa e ministrados principalmente nas disciplinas de Ciências Físicas e Naturais e Biologia (95%) e Educação Física (85%). Fonte: iOnline de 11/7/09
Comentário
Os professores queixam-se de que não estão preparados para desenvolver com os alunos todos os temas do programa de educação para a saúde. Há um equívoco neste tipo de programas. Os políticos e a sociedade exigem da escola e dos professores intervenções em todas as áreas onde se registam défices de informação e de formação. A primeira consequência é, regra geral, a falta de formação para lidar com questões complexas mas laterais ao currículo e às áreas de formação dos professores. A segunda consequência é a falta de tempo e a sobrecarga de trabalho dos professores. Cada nova exigência que os políticos fazem à escola acarreta novas funções para os professores. E cada nova função acrescenta carga lectiva semanal ao horário de trabalho dos professores. Infelizmente, há professores que não entendem isto e que se colocam em bicos de pés para aceitar todo o tipo de novos programas e de funções sem se darem conta de que estão a comprar corda para se enforcarem. A César o que é de César e ao professor o que é do professor. Se os políticos querem fazer da escola uma agência de prestação de serviços e cuidados sociais, têm de contratar técnicos de saúde, de animação, de psicologia e de apoio social. Os professores devem dedicar-se apenas ao que sabem fazer e ao que é suposto um professor fazer: ensinar. Tudo resto é tralha que dificulta o ensino e a aprendizagem. A educação sexual, a educação para a saúde, a educação rodoviária, a animação social, a prestação de cuidados sociais e de apoio à família devem ser realizados por técnicos especializados e não por professores sob pena de descaracterização da profissão e de aceitação da concepção do professor-faz-tudo.

2 Response to "Contra o professor-faz-tudo. Por que razão os professores devem rejeitar a assunção de novos papéis?"

  1. Tiago says:

    Subscrevo inteiramente.

    M P P says:

    E eu também subscrevo. Inteiramente.