Adriano Teixeira de Sousa: a homenagem de Maria João Marques


Foi na vida real como nos sonhos:
nunca pisei um chão com segurança.
Procuro na lembrança
um sólido caminho percorrido,
e vejo sempre um barco sacudido
pelas ondas raivosas do destino:
Um barco inconsciente de menino,
um barco temerário de rapaz,
e um barco de homem, que já não domino
entre os rochedos onde se desfaz.

Mas o céu era belo
quando à noite o seu dono o acendia;
e era belo o sorriso da poesia,
e belo o amor, dragão insatisfeito.
E era belo não ter dentro do peito
nem medo, nem remorsos, nem vaidade.

Por isso digo que valeu a pena
a dura realidade
desta viagem trágico-terrena
sempre batida pela tempestade.

Miguel Torga
No Blogue Arrumadores de Palavras o ProfAvaliação encontrou a homenagem prestada por Maria João Marques a Adriano Teixeira de Sousa e quis a ela associar-se, apresentando as sentidas condolências a toda a família e amigos e ao SPN e Fenprof. Que o Adriano fique na nossa memória e sobretudo nos nossos corações, como exemplo e motivação para sermos fiéis à nossa consciência e termos capacidade para lutarmos pelos valores em que acreditamos!

Para saber mais

8 Response to "Adriano Teixeira de Sousa: a homenagem de Maria João Marques"

  1. Excelente, Cristina. Muito a propósito. Junto-me na homenagem.

    AB says:

    Quero e devo juntar-me nesta homenagem a Adriano Teixeira de Sousa apresentando as minhas sinceras condolências à família e amigos.
    Obrigada a tudo o que nos deu e deixou e que a sua alma repouse em paz!

    Aida Beirão

    BC says:

    Também eu quero juntar-me nesta homenagem a Adriano Teixeira de Sousa e agradecer-lhe o seu empenho na luta dos professores.
    Repouse em paz.

    Em@ says:

    Eu também digo presente!
    R.I.P

    A foto, o poema do Torga, a sinceridade da Cristina, pedem-nos a todos que pensemos na nesta viagem trágico-terrena, mesmo quando batida por qualquer tempestade, porque é belo não ter dentro do peito, nem medos, nem remorsos, nem vaidade...

    Wegie says:

    Lembro o Adriano nos idos de 1977, nas lutas estudantis, na FLUP, a par de outros que o tempo engoliu como o Augusto Santos Silva, o Jorge Fiel e o Carlos Fugas. O tempo não engoliu o Adriano. O seu percurso límpido libertou-o da lei da morte.

    Rui V says:

    Cristina!

    "Aproximo-me suavemente do momento em que os filósofos e os imbecis têm o mesmo destino."
    Voltaire

    Pena, que os Homens bons resistam menos que os imbecis!

    Deus não gosta de imbecis e parvos à Sua beira!

    Por isso é que vês pessoas que consideras boas, honestas, ternurentas a irem ter com Ele primeiro! Bem cedo!

    Não duvides! Os maus da fita ficam cá em baixo a tratar de infernizar a vida aos bons. Deve ser isso que Deus quer!

    O problema, é que os outros bons que por cá ficam (e não me incluo nesses - lá está a autoestima ...) têm de suportar a miserável vida de os ter que aturar! Todos os dias!

    A Morte não me assusta! Eu sei, que para lá da cortina, estão lá os bons, os dóceis, os que eu amo e que tanta falta me fazem!

    Tenho de sobra é a não-coragem dos imbecis e a malvadez dos parvos! Ignorantes. Terão o mesmo fim! Mas com o requinte da mão de Deus! Implacável!

    Olha à volta ... que vês?
    Olha!

    Repouse em Paz!

    Paula says:

    Acompanhei, ontem, o Adriano, na sua última jornada. Junto-me na homenagem de tantos amigos e colegas ao Homem que conheci: Forte, Combativo, Leal, Solidário.
    Obrigada Adriano...até sempre.