Pais dos alunos do Leste dão importância extrema à educação e valorizam os professores. FNE apresenta estudos sobre minorias étnicas na escola


"A Escola e a escolarização em Portugal: representações dos imigrantes da Europa de Leste" é a tese de mestrado do professor António Sota Martins, feita em 2006 e publicada este ano em livro pelo Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural. António Sota Martins é também dirigente da Federação Nacional dos Sindicatos de Educação e o seu estudo é o primeiro de uma série sobre minorias, que serão apresentados pela FNE, a partir de Junho. O próximo será a escolarização na etnia cigana e outro sobre o "stress docente".
António Sota Martins inquiriu 153 alunos do 1º ciclo ao Secundário. Para a maioria deles (57%) o pior da escola é "o comportamento dos alunos portugueses". De acordo com o docente, os alunos manifestaram não compreender "a indisciplina e os níveis de insucesso" dos seus colegas.
"Alguns chegam a ter melhor aproveitamento a Língua Portuguesa do que alunos portugueses", comenta, alegando também ser uma "questão de sobrevivência social": a língua é o maior obstáculo que têm de ultrapassar e é indispensável para a integração. "A esmagadora maioria quer concluir os estudos em Portugal. Quase todos desejam tirar um curso superior". Mas o mais importante, sublinha, é a noção de os diplomas portugueses serem reconhecidos pela União Europeia.
A escolarização dos filhos "faz parte do projecto de vida familiar". Maus resultados são encarados "como uma vergonha para o aluno e para a família". Há que ter em conta que a maioria dos pais dos alunos inquiridos têm cursos superiores e "essa experiência é determinante", insiste o professor, relembrando a diferença de contextos culturais.
Comentário
Estas conclusões são suficientes para desmontar o erro de associar o desempenho escolar dos alunos à avaliação dos docentes. O eduquês e o sociologuês - dois venenos que estão a destruir a independência de espírito e a capacidade crítica dos professores - bem querem provar o contrário. Mas a realidade é mais forte do que a ideologia. Infelizmente, mais de uma década de forte influência de ambos nas estruturas do ME e nos departamentos de formação de professores fez estragos tremendos na cultura profissional dos professores. E há muitos docentes que já venderam a alma ao eduquês. Sabem que estão a mentir mas enchem os relatórios, as actas e os discursos de siglas, argumentos, conceitos e teses do eduquês. É uma estratégia saloia de sobrevivência. Mas vende bem e dá frutos. O pessoal da IGE adora ler relatórios e actas repletos de eduquês. Os directores e os professores sabem que sim. E é por isso que vendem a alma ao Diabo.
Foto: Luís Moura. Serra da Estrela.
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4 Response to "Pais dos alunos do Leste dão importância extrema à educação e valorizam os professores. FNE apresenta estudos sobre minorias étnicas na escola"

  1. Confirmo tudo.Pediram-me que ajudasse a preparar uma aluna ucraniana para exame do 12º, visto que o pai está desempregado e a mãe ganha 250euros e não lhe fazem descontos.Fiquei pasmada com o interesse e a educação.O sonho dela era entrar em enfermagem, mas infelizmente não tem possibilidades de freenquentar uma escola particular onde facilmente arranjaria média para entrar.Não dá erros, faz os deveres todos, tira significados,questiona permanentemente.Dá gosto estar com ela.Fica espantada por não haver regras de disciplina rigorosas na escola e diz que na Ucrânia era impensável que os alunos se comportassem como a maioria dos alunos portugueses.

    Deolinda says:

    Eu também testemunho o empenho e a dedicação destes alunos, bem como a postura dos seus encaregados de educação.
    Como seria bom se a maioria dos nossos seguisse este exemplo!

    Mas o ME cala essa realidade.

    Os pais destes alunos são muito rigorosos com eles! Um dos EE quando soube que o seu filho tinha atirado papelinhos na aula, uma vez, à frente de todos os outros encarregados de educação, pediu desculpa à directora de turma e disse: dou-lhe a minha palavra de honra que o meu filho não volta a fazer uma coisa dessas e ficou de castigo! Não foi para casa falar falar com ele e dizer que isso não se fazia e que para próxima não voltava a fazer! E mais, eles não colocam a hipótese da reprovação. Perguntam-se é o que é que têm que fazer para que os seus filhos passem. tira-se a televisão, tira-se o computador, o que for preciso mas eles estudam mesmo, não fingem que estudam. E quando as famílias são grandes, colaboram também na vida familiar, que muitas vezes é entendido como o tempo de descanso do estudo.

    Outra mentalidade.
    Os direitos da criança não são confundidos nem com proteccionismo nem com deseducação que me parece que é por vezes isso que se passa!