Página Web do ME divulga finalmente o Relatório da Deloitte e destaca o que lhe convém

Num post publicado ontem, estranhei o facto de o ME não ter ainda colocado um link para o Relatório da Deloitte, "Benchmark da Avaliação de Desempenho". Uma pesquisa no Google permitiu concluir que o Relatório ainda não estava, ontem, online. Coincidência ou não, o webmaster da Página Web do ME colocou esta manhã um link para o Relatório da Deloitte. O Portal da Educação destaca apenas uma das conclusões do Relatório e ignora as restantes. Fiel à sua matriz, o ME filtra as conclusões e ignora as que não lhe agradam. A conclusão destacada é a que evidencia que foi apenas gasto 70% do tempo da redução da componente lectiva que é concedida aos avaliadores da componente científico-pedagógica (uma hora por semana por cada três avaliados). E vai daí o ME conclui que o Relatório desmente a acusações do excesso de burocracia. Os 100 mil professores que se manifestaram por duas vezes em Lisboa estão enganados. O trabalho burocrático que os avaliados têm de realizar (planificações diárias, portfólios e dossiés com registo de evidências) é ignorado quer pelo Relatório da Deloitte quer pelo ME. A ministra da educação persiste no erro até ao fim. Atitudes dessas reduziram a zero a confiança que os professores nela depositam.
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1 Response to "Página Web do ME divulga finalmente o Relatório da Deloitte e destaca o que lhe convém"

  1. Maio says:

    Avaliação terceiro-mundista

    Um estudo comparativo dos modelos de avaliação dos docentes em Portugal, França, Inglaterra, Holanda e Polónia, encomendado pelo Ministério da Trapalhada Educação à consultora Deloitte, revela algumas conclusões particularmente interessantes:

    * O modelo português é o único que estabelece a existência de quotas que restringem a atribuição das menções mais elevadas.
    * Enquanto nos países do centro, norte e leste europeu, a avaliação é maioritariamente feita ao nível das escolas, o modelo imposto por cá incide na avaliação individual do desempenho docente.

    Deste modo, se dúvidas houvesse, comprova-se agora que a sanha avaliadora do governo Sócrates não visa uma verdadeira melhoria das práticas docentes mas antes um corte drástico nos gastos com o pessoal docente, tratando-se, portanto, de um modelo economicista.
    Com o mesmo objectivo, ao contrário das boas práticas dos países mais desenvolvidos, é um modelo persecutório e discriminatório, que promove o divisionismo e a competição cega em detrimento da cooperação e da dinâmica grupal.
    É um modelo terceiro-mundista, decalcado do modelo chileno, há muito o sabíamos.

    A questão que agora se coloca é a seguinte: que vai Lurdes Rodrigues fazer com este estudo, que arrasa por completo a monstruosidade que ela urdiu para avaliar os professores? Não sei, mas, com as eleições a proximarem-se, admito que esta gente é capaz de qualquer operação de cosmética…
    Quanto a mim, sei bem o que vou fazer em 27 de Setembro: chumbar a pior equipa que alguma vez passou pelo Ministério da Educação!…

    cantigas do maio