O Grande Educador insiste: a culpa é dos professores porque ensinam todos da mesma forma

Albino Almeida da Confap (Confederação das Associações de Pais) aponta o dedo ao sistema de ensino. "A escola ensina todos da mesma maneira e esquece-se que todos aprendem de forma diferente". Por isso, os pais que têm dinheiro têm de se socorrer das explicações para ajudar os filhos a ter boas notas, critica. Fonte: DN de 11/6/09
Comentário
Sempre a velha e desgastada cassete do eduquês a atribuir aos professores as culpas que lhes são alheias. Helena Damião, num post publicado no blogue DeRerumNatura, faz a crítica da retórica eduquesa de que o que é preciso é aumentar a carga de trabalho dos professores. É um discurso perigosamente anti-professores que tem de ser denunciado. E os autores da retórica eduquesa têm de ser vistos como aquilo que realmente são: inimigos dos professores. No fundo, partilham a mesma falta de consideração e de respeito pelos professores que levou os camaradas Khmers Vermelhos a matá-los à bala e à fome. Não vão tão longe. Limitam-se a criar as condições para os matar com excesso de trabalho e de burocracia.
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6 Response to "O Grande Educador insiste: a culpa é dos professores porque ensinam todos da mesma forma"

  1. Presumo que o Grande Educador esteja muito bem informado para proferir afirmações desta natureza ou que tenha feito uma sólida investigação para ter tanta segurança nos comentários que publicamente não se coíbe de fazer, supostamente ao serviço da educação...

    Helena Damião toca num ponto que o ProfAvaliação e a luta dos professores tem vindo a reclamar: DEIXEM-NOS SER PROFESSORES!

    Há que dedicar espaço às questões pedagógicas e há que deixar os professores ensinar! Burilar estratégias, construir materiais, imaginar actividades, enfim, dedicar-se ao processo de ensino-aprendizagem e na realidade, o professor perde-se em inúmeras funções que o distraem da sua função!

    Por outro lado, há muitos problemas exteriores à escola que interferem com a escola e aos quais o professor não pode dar resposta embora muitas vezes queira, mas está fora da sua competência!

    Quanto ao facto de não aprenderem todos da mesma forma, já o Miguel Loureiro chamou a atenção aqui no blogue para as Inteligências Múltiplas, respostas que não se querem ouvir mas tal não invalida a falta de interesse de muitos alunos, de hábitos de trabalho e de estudo e o querer muito com pouco esforço, além do que já foi dito anteriormente. Mas assobiar para o lado e culpar o professor será sempre a melhor estratégia, a mais fácil, mas não nos enganemos porque o que queremos são soluções e essas só com a coragem de beber na origem do problema!

    Há tempo meti-me pelo site da CONFAP e tive uma guerrinha engraçada com o editor, que é anónimo.

    Fiquei surpreendido com o apoio institucional que têm com Augusto Cury e mais surpreendido fico com as medidas propostas recentemente e com conclusões como a deste post, porque são contrárias às teorias do psicólogo brasileiro.

    Miguel!

    Se se ouvisse Augusto Cury muita coisa mudaria!

    Como ensinam todas da mesma maneira? basta as pessoas serem todas diferentes para que a mensagem ( mesmo que fosse igualinha igualinha) passasse de maneira diferente. Por ex. o Carlos Queiroz , a falar, convence alguém? olha se eu falasse assim para os ( que foram) meus alunos...não tardava , estava tudo a dormir... agora eu gostava daquelas aulas em que os alunos dizam " estamos cansados, como é que consegue ter tanta energia ao fim de 90 m" ... isto é que dava/deu gozo...alguém ensinava como eu? não, eu era melhor que os outros, também não... agora , o resto só balelas... o que há são alunos sempre sedentos , curiosos, e outros que não estão para se ralar, mas isto também é normal: os trabalhadores são todos iguais? não são? uns são melhores que outros, nem sempre, uns têm umas capacidades, ineligências, sei lá, outros têm outras...atirar a culpa para os profs sempre e a qualquer preço é andar de olhos enevoados...
    Bom feriado a todos.

    Levy says:

    Uma vez escrevi sobre este senhor Albino o seguinte:

    "Algo de sinistro se passa nesta associação de pais: estão sempre contra os professores e sempre a favor do ministério. Será pelo facto de serem financiados pelo orçamento do ME?
    E já agora quantos filhos tem o sr Albino Almeida na escola? Convém esclarecer isso, pois este senhor há anos que faz carreira nesta associação, sem se perceber muito bem os interesses que anda a defender, se os dos seus filhos, se os do Ministério da Educação."

    Julgo que se aplica também a esta situação que o Ramiro escreve.

    José says:

    Neste país, parece que a carreira mais estável que existe é a de Presidente da CONFAP.
    Dizer banalidades à mistura com asneiras está mesmo a dar.
    Quem nesta país sabe fazer alguma coisa de útil já deveria ter ridicularizado os pressupostos repugnantes do eduquês.
    Quando eu frequentar alguma acção de formação, vou passar a exigir que me expliquem os conteúdos de forma diferente da dos outros colegas. E vou escrever para a auto-europa para que, quando lá chegarem os alunos eduqueses e albineses, lhes dêem formação individual com palavras adequadas a cada um (e mesmo que os deixem apertar os parafusos à moda de cada um).
    Na realidade, a única classe que procura que todos aprendam, modificando e adaptando estratégias e/ou materiais, são os professores. Pelos vistos teremos de ir mais longe: por exemplo, perguntando e assinalando que palavras cada aluno conhece, descendo depois o discurso ao nível mais baixo possível para que não seja necessário nenhum esforço da sua parte.
    Nunca quis esse tipo de educação para os meus, mas esta gente perdeu completamente a vergonha.