O conto do vigário do parecer nº 5/recomendações do CCAP. A única recomendação válida é a que não está lá: suspensão imediata do DR 2/2008 e do DR 1-A/2009
O Parecer nº 5 do CCAP, aprovado por unanimidade no dia 8 de Junho, é um conto do vigário. É certo que tem duas recomendações sensatas: a exigência de testagem prévia do modelo e o alargamento dos ciclos de avaliação. Só um cego, surdo e mudo, incapaz de escrever, as não faria. São evidentes. Que o CCAP tenha reparado nelas apenas agora é que é algo de surpreendente. O Parecer está cheio de recomendações inaceitáveis. Estão, neste caso, coisas como estas:
1. Que o ME promova a elaboração de padrões profissionais para a docência que caracterizem a natureza, saberes e requisitos da profissão docente (ponto 3.4, pág. 3).
2. A qualidade das aprendizagens dos alunos, incluindo a que é medida através resultados escolares, constitua um foco central da análise reflexiva entre avaliadores e avaliados (ponto 3.2, pág. 3).
3. A política de avaliação docente e respectivos instrumentos normativos nacionais adoptem uma matriz descentralizadora, atribuindo às escolas a responsabilidade pela formatação dos seus dispositivos e instrumentos de avaliação de desempenho (ponto 2.1, pág. 2).
4. A avaliação do desempenho docente, a avaliação dos alunos, a avaliação interna da escola, a avaliação externa da escola e a avaliação de projectos e programas se desenvolvam de forma articulada no sistema educativo e na escola (ponto 1.5, pág. 2).
Vamos lá descodificar isto:
Ponto 1: Mais padrões profissionais, para quê? Não chegam os que o INAFOP criou? E os que foram publicados pelo Decreto-Lei 241/2001? O CCAP e os actuais dirigentes do ME comungam da mesma obsessão padronizadora. Falam em autonomia e diversidade mas exigem padronização, uniformização, quantificação e parametrização. Sob a retórica da prestação de contas, uns e outros querem amarrar os professores, retirar-lhes a liberdade de expressão e sufocá-los com o eduquês e a novilíngua do pedagogicamente correcto.
Ponto 2: O CCAP continua a insistir naquilo que os professores mais rejeitam: associar a avaliação de desempenho aos resultados escolares dos alunos.
Ponto 3: Atribuir às escolas a formatação dos seus dispositivos e instrumentos de avaliação dos professores é aumentar a carga burocrática inerente à máquina da avaliação e é abrir as portas a mais desigualdade, injustiça e divisões entre os professores. Imaginem a vida infernal que os professores das escolas comandadas por directores "mais papistas que o Papa" e desejosos de mostrar serviço aos políticos teriam caso os directores tivessem carta branca para criarem os dispositivos e instrumentos de avaliação de desempenho dos professores.
Ponto 4: A obsessão avaliadora das pessoas que integram o CCAP só tem paralelo na ideia fixa do ME, das DREs e da IGE de avaliarem tudo e de, para tudo, exigirem relatórios enfeitados da retórica eduquesa e polvilhados das siglas e termos da novilingua do pedagogicamente correcto. Se a obsessão avaliadora for para a frente, os professores passarão grande parte do seu tempo a redigir relatórios sobre tudo o que acontece na escola, desperdiçando o tempo e a energia em tarefas inúteis.
É preciso dizer ao CCAP que a monstruosidade criada pelo decreto-lei 15/2007 e pelo decreto regulamentar 2/2008 só pode ter um destino: o caixote do lixo. Nada daquilo se aproveita. A solução consiste em montar um sistema de avaliação formativa que identifique dificuldades e necessidades de formação acompanhado de dispositivos de correcção e de superação das deficiências. E dissociar a avaliação de desempenho da progressão na carreira. A avaliação de desempenho deve fazer-se para ajudar a melhorar as práticas dos professores e não para lhes oferecer prémios pecuniários.
"Fala-se que sim por causa do ano de eleições."
http://www.youtube.com/watch?v=ZLNxTEqcTk0
O INAFOP não é aquela bosta dinamizada pelo Paulo Pedroso e afins e que confere uns CAP's eternos a quem tem licenciaturas em ciências da educação, mas não tem habilitações para a docência?
Só vejo vigarices por cima de vigarices...
É bom que continuem a insistir nas bondades deste modelo de avaliação. Em consequência, continuaremos a insistir nas suas maldades...
E como "eles" não vão correr com os docentes, já que não há eleições para tal desiderato, vamos nós ter a oportunidade de correr com eles... o que será óptimo!...
Força e coragem senhora ministra e senhores secretários de estado! Mantenham-se iguais a si próprios, coerentes e intransigentes. Quando estiverem para cair no precipício, estaremos lá para ver...e festejar!...
Bem hajam!..
JM
JM, é o "outro" José?
Deixei um comentário no post sobre o Valter lemos dizendo que vou inscrevê-lo no almoço e mais próximo da data, confirma se vai ou não, pode ser?
Relanço o convite para o almoço, na Golegã, no dia 11 de Julho com visita à região, para todos quantos queiram estar presentes. Tem bons acessos, tanto de carro como de comboio.
Anabela Magalhães vai confirmar, tal como o José (o outro José).
Confirmadas - Flor, Em@, Deolinda, José, Ramiro, Henriqueta, Turisticna, Miguel, João Alfaro, Luís Moura, Companheira, Wegie, Lelé Batita, Companheiro, AB e eu.
Tenho pena de não poder estar presente, mas desejo a todos um bom almoço.
Obrigada, Safira!
Estará presente através de nós!
Um beijinho
Há semanas que já aqui foi dito, que a Sra. Ministra tinha declarado a intenção (antes da manif e das eleições) de prolongar o Simplex 2 por mais um ciclo, numa reunião de PCEs (agora Directores).
A questão agora levantada, mais não é do que a "proposta" de continuidade pré-anunciada.
A grande diferença, hoje, independentemente de se saber a razão que lhe deu origem, é o tornar pública (promulgação ad hoc) tal intenção e estratégia, com um pormenor, da maior importância.
Vejamos.
Basicamente, todas as medidas tomadas pelo ME, sendo de sua autoria e logicamente de sua responsabilidade, todas tiveram um destinatário para transferir as responsabilidades que eram e terão que continuar a ser, exclusivamente da tutela.
Este anúncio, dúbio, de pedir um parecer ao CCAP, sobre a ADD, é mais um sacudir a água do capote do ME, para outro capote do CCAP, com uma aparente candura, mas que atirará para cima do capote do CCAP, a responsabilidade da decisão no mesmo, assente num "rigor científico", que não pode ser contestado.
Para já, está a dar efeito a estratégia, porque está toda a gente a dar porrada no CCAP (até acho que merece), mas estão-se a esquecer dos verdadeiro responsáveis, pelo processo, pelas "correcções", pela insistência, pelas armadilhas, pelo afrontamento, pela menorização das pessoas, que é única e simplesmente o ME.
E é por isso, que nunca entendi a autonomia e a descentralização, porque é só da responsabilidade e dos dos instrumentos punitivos, processuais ou humanos.
Vamos voltar as miras?
O que eu disse acima, não é contra a análise do Ramiro, com que estou basicamente de acordo, mas depois insistirei em alguns dos pontos.
Cristina
O José (JM) é o que já está inscrito…
Não me dá muito jeito almoçar dois almoços (passe a redundância) …
JM
Obrigada José!
Mas penso que no outro post o "outro José" disse que talvez fosse embora não soubesse não foi?
Obrigada e um beijinho para si e outro para a Deolinda! Bom resto de Domingo!