Ministra da Educação recua no sistema de avaliação de desempenho? Será desorientação ou a percepção de que a realidade chumbou o modelo que ela criou e quis impor?
O Gabinete da Ministra da Educação acaba de divulgar um despacho onde se refere a possibilidade de alargar o modelo simplificado, imposto pelo decreto regulamentar 1-A/2009, por mais um ciclo avaliativo ou, em alternativa, proceder à reformulação do modelo complex, criado pelo decreto regulamentar 2/2008, acompanhado do alargamento do ciclo de dois para três ou quatro anos, como propõe o parecer de Junho do CCAP. O despacho da ministra enviado ao CCAP vem na sequência de dois factos importantes: a entrevista de José Sócrates à SIC, onde admitiu que a avaliação de desempenho dos professores é demasiado burocrática e exigente, e o parecer do Conselho Científico para a Avaliação de Professores, que coloca reservas a vários aspectos do modelo de avaliação de desempenho, nomeadamente os efeitos das quotas de mérito, o ciclo de 2 anos de avaliação de desempenho e a falta de preparação dos professores para o pôr em prática. De notar que o parecer do CCAP, emitido em Junho, recomenda que as medidas que se venham a tomar no domínio da avaliação de desempenho sejam testadas e avaliadas antes da sua generalização, "de modo a garantir a sua qualidade, compreensão e apropriação". E agora, em que ficamos? Isto parece a quadratura do círculo e a prova completa de que a ministra da educação esteve sempre errada no que diz respeito ao sistema de avaliação de desempenho dos professores.
A história
- Ministra admite manter a avaliação simplificada no próximo ano
- Parecer de Junho do CCAP/Recomendações nº 5
Para saber mais (Actualização às 19:45)
- Excerto do Despacho da Ministra da Educação para o CCAP
- Peritos recomendam ao ME que teste e avalie as medidas de avaliação de desempenho
- A demolição mal disfarçada do modelo de avaliação
- Não fica pedra sobre pedra
- C - A alínea que falta ao Despacho da Ministra
- Simplex? Complex? Simplex?
É muita lentidão!
É tão fácil perceber que a coisa não tem pernas para andar, que quanto mais se empurrar, mais depressa a coisa cai.
O CCAP aconselha que “as medidas que se venham a tomar no quadro da avaliação de desempenho docente, quer ao nível do sistema educativo quer ao nível de cada escola, sejam testadas e avaliada antes da sua generalização de modo a garantir a sua qualidade, compreensão e apropriação”.
E é preciso ser o CCAP a dizer isto? Então o método científico que se ensina aos nossos alunos não foi "inventado" há muito?
Ao longo da noite, irei fazendo actualizações ao post. Há muito mais a dizer sobre o que está em preparação.
O post já foi actualizado. É preciso ler o parecer/recomendações nº 5 do CCAP, aprovado em Junho. Cliquem no link ao fundo do post.
Acabei de actualizar o post e de juntar mais links para se compreender melhor toda a história.
Não tenho agora muito tempo, nem li ainda o parecer mas para já há duas questões que se me colocam:
Há mudança, de facto, de acordo com as necessidades da escola e adaptadas à realidade, ou é tudo ficção?
Se as mudanças forem efectivas, porque é que de repente tudo muda? O que é que se está aqui a passar? Muda de facto?!...
O simplex não serve de maneira nenhuma!
É o desnorte de uma equpa desqualificada que se sente completamente pressionada a fazer cedências. E não são as cedências fruto das pressões da rua. O problema são as pressões que surgiram mesmo no centro do partido a que esta gente pertence.
Estou farta desta brincadeira de mau gosto.
É tudo uma questão de política. O que eles querem é ganhar as legislativas. Querem lá saber dos professores!
Continuo a não votar PS!
Podem montar as operações de charme que quiserem ou conseguirem que não me demovem.
Não têm qualquer credibilidade. Aliás quanto mais mexerem mais eu desconfio.
O que irão inventar a seguir?
Estou farta desta fantochada (com o devido respeito para os fantoches e marionetas verdadeiros).
"O despacho da ministra enviado ao CCAP vem na sequência de dois factos importantes: a entrevista de José Sócrates à SIC, onde admitiu que a avaliação de desempenho dos professores é demasiado burocrática e exigente, e o parecer do Conselho Científico para a Avaliação de Professores"
Não concordo, Ramiro. O despacho da ministra vem na sequência do resultado eleitoral de 7 de Junho.
Se o lobo quiser assumir a aparência de um cordeiro e começar a colar alguns tufos de lã aqui e ali, a tentar enganar alguns mais incautos (ou com défice cognitivo...) o que obtemos ? Um lobo ridículo ? Ou uma Ministra da (des)Educação ?
Colegas : não nos deixemos enganar por falsos favores, por aparência de cedências. Só querem os nossos votos.
Eles são sacanas mas não são totalmente estúpidos: perceberam que foram os professores ( e as suas famílias e os seus amigos) que os derrotaram nas Europeias. Não podemos ceder; pelo contrário: temos de intensificar a nossa luta, temos de conquistar cada voto, um por um, porta a porta, amigo a amigo, tia por tia, avô por avó, TODOS temos de votar contra esta gentinha, os professores só poderão voltar descansados a fazer aquilo para que lhes pagam (ensinar, não é ? Às vezes quase me ia esquecendo disso, no meio de tanta confusão, quase...) só podemos voltar a ensinar os nossos alunos quando reenviarmos esta gentinha para o chiqueiro de onde nunca deveriam ter tido a ousadia de levantar os seus focinhos; eles que continuem a chafurdar uns com os outros que nós temos pela frente o trabalho mais nobre de todos (ensinar os cidadãos do futuro) e já não há pachorra para aturar estes socretinos. Gaita !!!
Ouvi há pouco na TVI a notícia e as declarações. Não quis acreditar no que ouvi e no que lhe está subjacente.
Nunca me "ouviram" aqui falar no nome de ninguém, procurando apenas discutir ideias, quando muito factos. Mas a coisa agora passa os limites do mínimo da dignidade, não da "classe", mas de cada um dos professores que exerce esta profissão, como modo de vida. A confirmarem-se as medidas de cosmética e de camuflagem, a coisa torna-se no direito à legítima defesa, da dignidade e do bom nome de cada um de nós.
Amanhã não andarei por aqui e hoje não vou defender-me a quente, por isso por aqui me fico.
Boa noite.
É verdade. A derrota nas eleições europeias está o obrigar o PS a fingir que mudou. É tudo manobra para voltar a enganar os incautos.
Tens toda a razão Anabela.São muitas as vozes dentro do PS que argumentam a favor de uma mudança de rumo. À alteração da atitude perante o descontentamento. Mas não nos iludamos...e é importante que estejamos conscientes de que no fundo, no fundo, nada muda.
Safira e Ramiro têm razão. Trata-se de uma cosmética como tantas outras. Nas legislativas, as contas serão acertadas, tanto nesta área como noutras.
A Sra Ministra da educação já revelou há muito, muito tempo a sua enorme incompetência!! Torna-se
deprimente ter que estar ainda a comentar as (in)decisões dela!!!!
Eu, sinceramente, não tenho nenhuma consideração por ela, nem a levo a sério!!!
Só lamento que tenha prejudicado aluinos, professores, enfim, o ensino em geral de uma forma que levará muitos anos a reparar!!!!
E fizeram-no de uma forma leviana, em nome de Estatísticas!!!! O que prova que esta gente que tem gerido este Ministério ESTÁ-SE COMPLETAMENTE NAS TINTAS PARA A QUALIDADE DO ENSINO DESTE PAÍS!!!!
A hiprocrisia do Sr Ministro, com a sua metamorfose, é tanta que só dá pena!!! Até às eleições, vai tentar comprar o povo com bonbons e uns pratinho de lentilhas!!!!
Paz às suas almas!!!
JMatias
Não é só uma operação de cosmética. É a constatação, cada vez mais evidente, do "falhanço" total e da impossibilidade de aplicar um modelo de avaliação que é absolutamente inexequível!
Grotesco.
Chegámos à fase dos adiamentos.
É o desespero e o desvario de um governo de incompetentes que imaginou que se perpetuaria no poder, e que vê o céu a cair-lhe na cabeça.
Ninguém acredita nesta súbita e caricata mudança de personalidade do PM.
Não acredito que estes adiamentos sejam o reconhecimento sincero de que as políticas foram erradas.
São medidas oportunistas de governantes com pouco carácter e para quem a política é o " vale tudo".
Enganam-se redondamente se imaginam que desta forma conseguirão algum ganho em termos eleitorais.
Pelo contrário.
Quanto ao resto,continuaremos a lutar por um novo ECD, pelo fim da divisão artificial da carreira, por um modelo de avaliação justo e exequível.
José Matias! Bem-vindo ao blogue. Há um tempo que não o lia.
É cosmética, no seguimento da falsa humildade de José Sócrates.
Isto são manobras de cosmética.Ouviram o Pulido Valente? Estas medidas são para fazer recuar os professores, mas se voltarem a ganhar, põem tudo de novo em prática.E acrescentou: mas quem é que eles pensam que vão enganar? Os professores conhecem-nos bem e não vão votar neles.
Outra questão que se coloca é a da atribuição de excelentes e de muito bom aos coordenadores que nem sequer tiveram aulas assistidas.Na minha escola a directora diz que vai atribuí-los já que os tem para distribuir.Até parece que é o mesmo que dar presentes de natal aos meninos bem-comportados.Os sindicatos precisam de agir rapidamente.E nós também.
Marcação de uma nova manisfestação de professores. 2.ª semana de Setembro? 3.ª semana de Setembro?
Força, vamos a eles novamente!!!
Recua o ME e o Zé muda de estilo.
Só aquele ar seráfico, todo cordato, a repetir a palavra "humildade" em tudo quanto é declaração aos media... Até provoca azia.
Ainda bem que, pelo menos os professores demonstraram que não têm memória curta. Aqui se fazem, aqui se pagam.
VOTAR NO ZÉ? JAMÉ!
Que "humilde" é a Sr Ministra!
Tanto tempo perdido e tantas energias mal gastas com um modelo de avaliação que não serve em nada para a mudança das atitudes dos docentes!
É urgente rever-se o ECD, contém aspectos que considero inconstitucionais.