ME recua na prova de acesso à profissão. Professores com Bom dispensados da prova
O ME recua na prova de acesso à profissão docente. A última proposta conhecida, apresentada ontem aos sindicatos, alarga substancialmente o número de candidatos isentos da prova. Se a proposta for aprovada, ficam isentos da prova os docentes que, embora com menos de 4 anos de serviço, tenham obtido Bom na avaliação de desempenho deste ano. Estão também em condições de dispensa os docentes com quatro anos de serviço e que tenham trabalhado no último ano. A Fenprof reagiu com um não. Mário Nogueira diz que a “prova não faz sentido”. “Se o Governo alarga os critérios de dispensa da prova, significa que esta não faz falta”, referiu. Disse não fazer sentido “um professor fazer um curso de habilitação científica e outro curso de formação profissional, ser sujeito a um período experimental de contratação e depois fazer uma prova de ingresso, que dura duas horas, e que vai determinar a sua vida profissional.”
Foto: Luís Moura. Painel de Azulejos em Sintra
A história
Para saber mais
A prova, para mim, só faz sentido se for aplicado a TODOS os docentes, incluindo os que já estão no quadro.
Acho legítimo o ME certificar-se de que os professores dominem a sua área, e até me parece algo lógico a prova ser regular, tipo de 5 em 5 anos ou coisa do género. Muitos professores tiram o curso e parece que estagnam. Falo, inclusive, de colegas meus que se licenciaram há 5 anos e não aprenderam mais nada desde então, apesar da constante evolução da ciência. Isto já para não falar em professores que leccionam há 20 ou mais anos sem se actualizarem...
Tenho a certeza de que, pelo menos no meu grupo, abririam mais algumas vagas para contratados...
Pai!
É uma opinião respeitável. O problema é sempre a questão da fiabilidade da prova. Mede o quê?
Pai,
Concordo consigo, quando diz:
"A prova só faz sentido se for aplicado a TODOS os docentes, incluindo os que já estão no quadro."
Ou há moralidade, ou...
Os jovens profissionalizados têm provas dadas, num passado recente.
Que arranjam outra maneira de disfarçar o número de desempregados ou de dar a vida a ganhar à empresa australiana que iria fazer os exames.
Haja transparência nos objectivos em relação às decisões políticas tomadas!
Em relação ao post, estou em crer que as omissões na informação, não se destinaram a encobrir o espírito pérfido e vingativo desta equipa ministerial...
Lê-se no JN, online:
"o ME aceitou, ontem, também dispensar da prova os contratados que tenham tido Bom mas pedido o modelo completo.
De fora ficam os que optaram pelo modelo simplificado."
Mãe (muito de acordo com o não da FENPROF)
(Qual é o "Rendeiro" que também precisa de ganhar dinheiro?)
Estes três do ME têm de ser corridos do governo...
O chefe que lhes dá cobertura, tem de ser posto fora...
Os do PS que lhes servem de apoio têm de ser castigados pelo voto...
Não têm emenda! Não aprenderam nada!
Fora com eles!
Todas as vezes que tomam medidas pôem o meu coração aos pulos de revolta...
Gente mesquinha!
Como é que os sindicatos ainda têm paciência para os ouvir?!...
Caro Pai! e cara Maria!:
Com o devido respeito, lutem a sério pelo que devem lutar! E já fazem muito!
Acham-me com cara de fazer algum exame (ou o raio que o parta) depois dos 50 anos? Nem a MLR se lembrou dessa e vêm vocês com lembranças tristes ...
Por favor ... Deixem-me em paz! Com falta de sossego, já ando há quase TRINTA ANOS. A aturar "filósofos" e "pedagodos" que nada percebem!!!
E já falei demais, porque prometi que me ia calar uns tempos ...
Que mania, estragar o dia às pessoas!
Caro *****,
Dei razão ao "Pai" para, pelo ABSURDO, se ver que os jovens que fizeram estágio com aulas assistidas, não precisam de nova barreira...
E então esta de deixarem os contratados optarem pelo simplex e agora virem dizer que, por terem feito isso, vão a exame...
Não foi bem assim a argumentação deles...mas vai dar ao mesmo...
Como diz alguém que eu muito prezo, "Com esta gente só à bofetada, já que não entendem outra linguagem."...
Que posso fazer colega, para ficar bem disposto?
Então, não era interessante que toda a gente voltasse a fazer todos os exames que já fez?
Os do Ensino Superior ou Magistério, os do Liceu ou Escola Técnica, os da quarta classe e admissão...todos...Ponha-se tudo em causa!
Esta cambada que dá pelo nome de professores, que é muito má e que não entende a bondade deste governo, deveria inscrever-se nas Novas Oportunidades!...
É por isso que eu apoio todas as medidas desta equipa ministerial...
É uma garantia que lá para Outubro vão fazer outros servicinhos...
E a democracia vai agradecer...
@Ramiro
A elaboração da prova também me suscita algumas reservas, não vejo muitas entidades capazes de serem independentes e rigorosos e até capazes de o fazerem competentemente.
Quanto ao que se medirá, terá de incluir os conteúdos inerentes ao respectivo grupo e o uso correcto da Língua Portuguesa. As pedagogias e afins, acho muito difícil avaliá-las, até porque há diferentes escolas e pontos de vista e não vejo utilidade em uniformizá-las mas sim aproveitar as diferenças.
Professores de EF que não sabem as regras do basquetebol, professores de francês que não sabem conjugar um verbo, professores de inglês que dão mais do que um erro por linha de texto escrito, professores de ciências que não percebem nada da geologia, isto são apenas alguns exemplos que conheci pessoalmente (entre muitos outros a quem não tenho nada a apontar, antes pelo contrário). A avaliação actual não consegue detectar estes aspectos (nem nenhum outro, mas pronto...)
No entanto, estou aberto a outras soluções. Como propõe detectar e resolver estes casos? A grande maioria dos professores que tenho encontrado merecem-me o maior respeito e confiança, mas os casos que citei são reais e julgo que serão em número ainda considerável.
@*****
Se a colega domina os conteúdos que lecciona, qual é o problema de fazer a prova? ;)
A prova não tem de ser vista como apenas um obstáculo ao ensino mas sim uma oportunidade para se mostrar que nem todos conseguem ser professores.
A nossa classe PRECISA de ser avaliada. Há professores que não o deviam ser, como deve saber pela experiência que tem. Como propõe que sejam expostos? Não será com base num relatório de reflexão crítica que ninguém lê, nem com o modelo chileno do Ministério.
Não sou agarrado à ideia da prova, longe disso, preferia que a avaliação fosse em exercício mas por quem? Os colegas titulares assumem que não têm conhecimentos nem competências para tal.
Acha que se deva deixar leccionar um professor incompetente até à reforma? Acha que depois de se entrar no quadro um professor tem direito a encostar-se até à reforma?
Não pretendo magoar nem desestabilizar ninguém, apenas levantar algumas questões incómodas que me apoquentam!
Sem querer ofender (e às vezes apetece-me), aqui vai o meu "mais que último" comentário sobre este assunto! Encerrado ...
Quantos anos tem de "tarimba", caro amigo "Pai"?
Vou dar-lhe 3 opções:
a) Se tem poucos, ainda está cheio de teias psico-pedagógicas e depois não se queixe (daqui por mais alguns anos) do que vai atirando ao "ar" ... Está perdoado!
b) Se anda lá pelo meio, tipo 10/12/14 anos, podia ter aprendido alguma coisa sobre o funcionamento da sociedade e da educação. Como parece ter andado distraído ou nada aprendeu, só por isso, está reprovado!
c) Se já é "entradote" tipo 25/30 ou mais anos de serviço, não vai aguentar. Peça a Reforma!
Não tenho mais "pachorra"!!!
Desculpa lá Ramiro. Podes tirar o comentário, mas é demais para a minha "camioneta". Livra ...
@*****
Só queria debater, não vou entrar em discussões fúteis. Teria gostado que respondesse ou que defendesse a sua posição mas pronto.
Acredite que não lhe quero nenhum mal.
Bom fim de semana e boas férias que estão quase aí!
Desculpem a intromissão...
Não estou de acordo com algumas considerações aqui feitas ... É salutar haver divergências de opiniões...
Não concordo com a prova de ingresso docente pelo princípio de que, à partida, todos os professores na sua formação académica, pedagógica conseguiram mostrar competência e capacidade para o grau de ensino a que se profissionalizaram... Se não conseguiram, penso que o problema residirá, então, na formação ministrada pelas universidades e com a conivência dos nossos governantes e ministérios a que lhe dizem respeito. É lamentável pôr-se em causa o profissionalismo, apetência para o ensino dos mais novos. Muitos de nós, porventura, se esqueceram da capacidade que os professores recém-formados, ou menos experientes têm para se entregar à profissão. Aliás encaram a função docente com muita dignidade e preocupação, pois querem estar à altura dos novos desafios. Vou mais longe: sabemos, vemos... Colegas mais novos com vontade, sede de saber, de mudar, de inovar, de aprender mais, a fim de melhorar a sua performance profissional. Também sabemos que esses professores estão cheios de sonhos, de utopias, têm uma visão duma educação renovada, dinamizante... e quiça utópica é certo!
Penso que nos deveremos respeitar, mutuamente: é falta de humildade pensar-se que somos mais inteligentes, mais profissionais que A e B... Todos poderemos aprender uns com os outros: temos coisas boas e más; ninguém é perfeito. O pior que poderá acontecer é considerarmo-nos intocáveis, e pensarmos que somos donos do saber...que nunca erramos e jamais seremos postos em causa...
Já agora, desde quando é que uma prova "comprova" a competência científica, pedagógica, humana para ensinar? Conhecemos muitas pessoas cujo conhecimento, sabedoria são atributos indiscutíveis, mas como professores na sua qualidade relacional, pedagógica não são tão exímios quanto isso...
Far-me-á, melhor ou pior profissional na minha prática como professora, se porventura, não obtiver "aprovado" na dita? O que é que a tão famigerada prova, "comprova"? Duas horas de prova, reflectirão o profissionalismo, competência científica, pedagógica para a docência?
Desculpem lá a minha ignorância... é que eu não consigo obter as respostas às perguntas.
Esta prova é um autêntico embuste: qual é a lógica de submeter os colegas a fazê-la que tenham menos de 4 anos de serviço? Ou aqueles que tenham muito bom na avaliação? O que é que isso prova? Não consigo perceber a lógica dos 4 anos... Porquê 4 e não 5, 6 , 10 todos, nenhuns?
Isto não é legislar de forma equitativa, que preze o valor da justiça, da igualdade... É legislar em benefício de alguns e em detrimento de outros...
Não vejo coerência nos pressupostos apresentados por esta equipa ministerial...
Haja seriedade...
Desculpem lá qualquer coisinha.
G.P.
Gostei de ler o comentário da colega G.P. e penso que deveria ser mostrado à equipa ministerial. Só com má-fé eles contra-argumentariam.
Com boa-fé, admitiriam querer disfarçar o número de professores desempregados e ganhar com a criação de empresas para exames a professores.
Lamento a publicidade enganosa ao ME que aqui se fez, até se ler o Ricardo, e que não se tenha dado credibilidade aos alertas que postei.
Obrigada Maria... É degradante!
E tal como a Colega, eu até já alcancei qual o acance desta política educativa...
Infelizmente, somos os mais vulneráveis, somos os "ratos experimentais" deste tipo de avaliação. E digo mais: julgo sermos a arma de arremesso para este governo, já que a resistência por parte dos nossos colegas mais experientes tem surtido dentro do governo instabilidade política, pois não conseguem levar com unanimismo a sua avante - a máxima da avaliação-, estão-nos a manipular, a "usar" de forma indecente, promiscua e prepotente...
"Somos carne para canhão"...
No entanto, caros colegas, não poderemos baixar os braços... Temos que nos manifestar de forma mais criativa e incisiva... Não nos esqueçamos que o ME também precisa de nós, até pelo conveniente orçamental - custamos menos ao estado... O ME está-se a esquecer dum pequeno pormenor: não tardará, garanto-vos, haverá falta de professores: a profissão é cada vez menos procurada pelos factores que todos conhecemos; se repararmos nas universidade há cursos via-ensino que têm poucos alunos e noutras já nem existem; o fluxo migratório, também é uma variante importante a ter em conta...
Gostava de colocar a seguinte questão, se me puderem esclarecer agradecia: do ponto de vista legal, jurídico, como é possível o ME, pensar sequer em isentar os colegas professores da famigerada prova de ingresso, se os pressupostos de referência constantes no ECD, Decreto-Regulamentar, outrora eram outros? Aliás em parte alguma mencionam a necessidade, exigência de que os profes contratados se tenham de submeter ao processo de avaliação o complex(sejam obrigados sob pena de...). Dá-se o dito pelo não dito? Parece-me que se trata duma inconstitucionalidade que põe em causa os direitos e garantias de todos... Há dois pesos e duas medidas?
Daqui alguns anos, os nossos netos, bisnetos terão, porventura, "vergonha" das políticas encabeçadas por este governo: país do terceiro mundo!
Desolador e desanimador este cenário!
Deve ler-se: "eu até já imagino, qual o acance desta política educativa..."
Obrigada
G.P