Mais um Relatório da OCDE: três quartos dos professores europeus estão desmotivados. 3 em cada 5 escolas têm graves problemas de indisciplina

Não li ainda na totalidade este Relatório da OCDE.  Há duas conclusões principais: três quartos dos professores europeus estão desmotivados; em três em cada cinco escolas, os problemas de indisciplina dos alunos impedem os professores de ensinar convenientemente. Essa desmotivação tem que ver com excesso de trabalho e de burocracia, indisciplina e violência e escassez de incentivos. Logo Jorge Pedreira, interrogado pela Antena 1 sobre as conclusões, veio dizer que incentivos é o que o Governo criou com a avaliação de desempenho e o novo estatuto da carreira docente. Sobre a indisciplina, nada disse. Não tem emenda. Ao longo da última década, quase todos os governos europeus têm seguido uma política educativa que apertou o controlo administrativo sobre os professores e aumentou o peso das funções burocráticas que lhes são exigidas. É precisamente do excesso de burocracia, indisciplina dos alunos e de falta de liberdade e autonomia pedagógica que se queixam os professores. As funções directamente ligadas com o ensino - que são efectivamente aquelas para que os professores foram preparados e têm vocação - têm sido menosprezadas a favor das funções administrativas, burocráticas, de animação e de guarda dos alunos. A famigerada escola a tempo inteiro, a desresponsabilização dos alunos e a teoria e a prática da diferenciação estão a criar um clima de mal-estar nas escolas que é de todo incompatível com a motivação e o empenhamento dos professores. E quem fica a perder são os alunos.
Foto: Comi estes figos hoje ao almoço. Dignos dos deuses!
A história

6 Response to "Mais um Relatório da OCDE: três quartos dos professores europeus estão desmotivados. 3 em cada 5 escolas têm graves problemas de indisciplina"

  1. Em@ says:

    Oh Ramiro, mas eles (os responsáveis dos governos) não são "todos" daquele clube? O Bildberg - acho que é assim que se escreve? Logo...

    Há dias, perguntávamo-nos por aqui o que era feito da FNE.
    Olhem:

    "Prova de ingresso
    Face à intransigência do ME em não abdicar da realização de uma prova de avaliação de competências e conhecimentos para todos os que pretendem candidatar-se ao exercício de funções docentes, a FNE tudo tem feito, nas mesas negociais, para que todos os docentes contratados, que têm servido o sistema, sejam dispensados da realização da prova. Continuando a discordar da realização desta prova, a FNE colocou ao ME a situação dos docentes contratados, avaliados com a menção qualitativa de Bom e portanto, em condições de fazerem novo contrato com o ME, serem obrigados a realizarem a prova, após terem sido considerados competentes e com boa prestação de serviço. A FNE considera que o ME comete injustiça total com esta exigência aos professores contratados, embora avaliados de acordo com um modelo imposto e do qual discordamos totalmente.
    Neste sentido, a FNE propôs que todos os docentes avaliados, com a menção mínima de Bom, sejam dispensados da realização de prova independentemente do tempo de serviço que possuem.
    O ME contrapôs, apresentando uma proposta que prevê que os docentes contratados, com avaliação de Muito Bom ou Excelente, sejam dispensados da realização da prova, independentemente do tempo de serviço que possuem. A FNE entende que esta não é uma solução aceitável atendendo a que, nem todos os docentes contratados que se candidatarem para a obtenção destas menções as obtiveram, em virtude das quotas estabelecidas e impostas pelo ME.
    É injustiça sobre injustiça.
    Continuaremos, em mesa negocial, a tudo fazer para que a obtenção de BOM no processo de avaliação seja a condição de dispensa da realização da prova.
    O facto de discordarmos totalmente com o actual modelo de avaliação e da realização da prova não nos levará a abdicar de tudo fazermos para que os professores contratados sejam respeitados e não vejam o seu trabalho futuro ser posto em causa."

    Como sou adepta "do seguro morreu de velho", o melhor é continuarmos com a nossa luta em todas as frentes.

    Nada de baixar os braços, isto porque de palavras estamos nós fartos.

    Em@ says:

    E outra:

    FNE QUER ESGOTAR TODAS AS VIAS DE NEGOCIAÇÃO, PARA UM MELHOR ESTATUTO DE CARREIRA
    Depois da greve de 26 de Maio e da manifestação nacional de professores de 30 de Maio, o Ministério da Educação retomou as reuniões com a FNE, no passado dia 12 de Junho, a propósito de várias matérias, nomeadamente a revisão do Estatuto da Carreira Docente.
    Ora, a primeira nota negativa vai desde logo para uma confusão que o Ministério da Educação está a proporcionar, porque, num mesmo processo negocial, quer discutir apressadamente o ECD, a revisão do regime da formação contínua, o regime do ensino especializado da dança e da música, e eventualmente o que entretanto for ocorrendo, para preencher o que legalmente está estabelecido em matéria de negociação.
    Depois, é notório que o Ministério da Educação já devia ter percebido há muito tempo que este ECD está ferido de morte, porque ele é profundamente negativo, já que:
    Divide, sem justificação, os docentes portugueses, em duas categorias;
    Limita-lhes o acesso aos patamares remuneratórios mais elevados por meros mecanismos administrativos, e sem ter em linha de conta a qualidade do desempenho profissional;
    Introduz uma prova de ingresso na carreira sem qualquer nível de rigor;
    Aumenta genericamente o horário de trabalho, sem contrapartidas;
    Impõe uma avaliação de desempenho que secundariza a qualidade da relação pedagógica para privilegiar meros aspectos administrativos da actividade docente.
    Este ECD, mais tarde ou mais cedo, vai ser revisto e nessa altura não poderá deixar de ser um instrumento de valorização e de reconhecimento da actividade docente, para uma escola de qualidade.
    A FNE não desiste de participar em todas as reuniões negociais que vierem a ser marcadas, quer para obter soluções menos gravosas para os docentes, quer para continuar a demonstrar a inutilidade e a ineficácia de medidas que foram tomadas por este Governo, denunciando mesmo os efeitos negativos que elas promovem nas escolas.
    Na primeira destas reuniões, o Ministério da Educação voltou à questão da prova de ingresso, ou aquilo a que agora insistentemente quer designar como prova de avaliação de conhecimentos e competências para se aceder a um qualquer concurso de docentes.
    A FNE manifestou, de novo, a sua total rejeição de um tal mecanismo e apresentou as soluções que considera adequadas para que se possa garantir que quem queira vir a trabalhar com as crianças e os jovens nas nossas escolas domina conhecimentos científicos e técnicas pedagógicas essenciais. O Ministério da Educação discordou das propostas da FNE.

    Ficamos informados.

    Martins says:

    Ramiro, primeiro, a Matemática ou o Inglês.

    16/06/09 - Three out of four teachers feel they lack incentives to improve the quality of their teaching,

    logo, não são dois terços, mas três quartos.

    Agora, o que me espanta é isto:

    Launching the report, OECD Secretary-General Angel Gurría insisted on the need to push for better teacher performance. “High-quality teachers are key to the successful implementation of education policies,” he said. “The bottom line is that the quality of an education system cannot exceed the quality of its teachers and their work.”

    O que não espanta é que logo a seguir lá veio a ladaínha, no sentido de matar o mensageiro que trás a missiva de que não gostamos.

    mas posso estar enganado

    Martins! Obrigado pela correcção. Já emendei. A Web tem destas coisas: muitos a construírem, criam melhor.

    q says:

    São figos pingo de mel?

    É uma percentagem altíssima a que urge dar resposta! E se existe uma percentagem tão grande de desmotivação, é porque há problemas de fundo. Há que resolver.

    Não há dúvida que a burocracia distrai e tira tempo do que é essencial e do trabalho pedagógico. Era bom que se aprendesse com a experiência e se refizessem caminhos. Penso não ser difícil a este nível.

    Com a indisciplina a questão é mais complexa embora não seja de todo impossível. A indisciplina em sala de aula, tem que ver com múltiplos problemas de carácter social, que muitas vezes se acumulam ao longo dos anos da vida da criança e que são detectados bastante cedo mas que quando se tornam mais visíveis em termos das suas consequências, já pouco se pode fazer! Há que actuar a este nível!

    Uma das políticas mais importantes que o ministério da educação devia promover era a articulação dos vários ministérios, desde cedo, para que fosse possível dar resposta. Muitas vezes estes problemas são detectados pelo médico de família antes da idade escolar. há também que fazer um forte investimento nos primeiros anos de escolaridade.

    Sabemos que uma turma de sucesso, normalmente envolve uma conselho de turma de sucesso, quero dizer, um CT que trabalha em equipa, forte, coeso. Como é que JP refere a ADD e o ECD como incentivos aos professores, se estimulam a má competitividade e sufocam o trabalho de equipa?

    Incentivos aos professores não é denegrir a sua imagem, mas antes elogiar e valorizar o que está bem feito, e construtivamente assinalar o que deve ser melhorado, isso sim, isso é um incentivo!