Luís Costa explica as razões por que não entrega a ficha de auto-avaliação
Este sistema de avaliação, que serve muitos interesses, mas não aqueles que proclama, é um corpo estranho no sistema de ensino: subalterniza e instrumentaliza os professores; divide e desprestigia a classe docente; tem implicações muito negativas em toda a dinâmica escolar, pela subversão de todas as relações interpessoais e pela cultura do aparato, que vem como oferta; empobrece a essência do acto educativo e enriquece a aparência da escola, que, subitamente, passa a ostentar um sucesso que não tem. Já nem sequer comento a complexidade de todo o processo, a problemática das aulas assistidas, as competências de quem avalia, a impertinência de alguns parâmetros, como o dos resultados dos alunos… Todos nós sabemos que este sistema está muito mal vestido, dos pés à cabeça: não tem ponta por onde se lhe pegue. E quando assim é…
Para mim, não entregar a ficha de auto-avaliação é, em primeiro lugar, uma questão de princípio: como professor, recuso assinar por baixo, subscrever uma armadilha destas, uma iniquidade desta envergadura, um atestado de ignorância e de subserviência passado a toda uma classe profissional. Em segundo lugar, é uma questão de coerência com tudo o que tenho dito aos meus colegas, através do Dardomeu e do ProfAvaliação: nesse sentido, o meu carácter não me deixa alternativa. Em terceiro lugar, porque na 5 de Outubro há alguém que desespera, à espera do seu prémio de consolação, do seu golo de honra: aproveitar uma vez mais as estatísticas para dizer que os professores acabaram por aceitar. A recusa tem consequências? Claro que tem, e o aborto de todo o sistema é uma delas. Boas ou más, estou pronto… e até desejo provar esse licor!
Este sistema, tão orwelliano, não precisa do nosso acto de contrição, pois o Big Brother está sempre a ver-nos.
Eu "sabia" que não ias, agora, para intervalo!...
Parabéns!
Um abraço.
Viva Ramiro.
Isto é um teste.
Obrigado.
Abraço.
Luís!
Obrigada pelo seu texto!
Muito bom, como é habitual. Sublinho a sua coragem e, como diz, a sua coerência com tudo o que tem dito até aqui.
Esta representa a vontade que tenho e o que sinto que quero realmente fazer, embora eu ainda não tenha decidido. Não sei se devo, também por motivos que não se prendem com a luta!
Uma vez mais, obrigada!
Relanço o convite para o almoço, na Golegã, no dia 11 de Julho com visita à região, para todos quantos queiram estar presentes. Tem bons acessos, tanto de carro como de comboio.
Anabela Magalhães vai confirmar, tal como o José (o outro José).
Confirmadas - Flor, Em@, Deolinda, José, Ramiro, Henriqueta, Turisticna, Miguel, João Alfaro, Luís Moura, Companheira, Wegie, Lelé Batita, Companheiro, AB e eu.
"A recusa tem consequências? Claro que tem,..."
Tem porque nos dividimos...
Maria Lisboa!
Isso é verdade, embora como forma de luta a não entrega da FAA estivesse limitada à partida. Com os objectivos individuais foi o que sabemos, embora eu pense que, apesar de não se ter conseguido fazer implodir este modelo, foi um bom número. Mas houve colegas que não entregaram os OI a pensar que o PCE os definiria por eles. Outros, não entregando OI, pensaram desde logo entregar a FAA no fim por ter carácter obrigatório, o que penso ter feito descer bastante o número dos que pudessem continuar a lutar dessa forma.
No entanto, a dimensão das consequências desta forma luta é desconhecida. E nunca se sabe se, como diz o Luís Costa, uma delas não poderá ser o aborto de todo o sistema!