Lápide das Rosas Tristes. Um Poema da Isabel Fidalgo
Caem podres as rosas
Despeitadas
Parcas mãos as colhem
Os espinhos ferem-nas por dentro
E morrem lentamente
Sem saber que morrem
E morrem lentamente
Sem saber que morrem
Cheias de tristeza
Sem a alvura do linho
No cristal sobre a mesa
Sem a alvura do linho
No cristal sobre a mesa
Onde o odor limpo
Do vinho tinto do povo
Se derrama em chama
E riem sem saber
Que é torpe essa morte.
Que é torpe essa morte.
Isabel Fidalgo
Mais um excelente poema da nossa querida Ibel!
Um beijinho e um bom sábado, Ibel!
As rosas sempre hão-de florir mas estas "rosas", vão cair mais, sim!
É a primeira vez que vou dizer algo sobre poesia, que é uma das áreas da literatura que mais devoro, desde a adolescência, o que me torna muito exigente.
Claro que depois de descobrir, há muito tempo o Pessoa, quase desisti de ler outra poesia, porque sim.
Há dois poetas que publicam aqui de quando em vez, a Ibel e o Luís, que merecem o feed back de quem os lê.
Comum aos dois, é a musicalidade e o ritmo, que eu acho essencial num poema, para além da rima.
Sobre a Ibel, para além da música, a ternura com que diz as coisas, lembra-me sempre o Miguel Torga, com mais açúcar e mais espuma. Nesta Rosa, a simbologia e a síntese são a sua força.
O Luís, para além do ritmo, a crítica azeda lembra-me o Ary dos Santos, mas mais o construtor de letras para canções, do que o poeta de intervenção, puro e duro, mas essa é a diferença, como convém.
E gosto de ambos, porque os acho belos, porque como diz o Alberto Caeiro:
"A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão."
Por mim, continuem, porque eu continuarei a ler, com prazer, quase sempre em silêncio.
Simplesmente belo.
Vamos ter a oportunidade de conhecer e conversar com a Ibel no almoço de 11 de Julho.
Ramiro, parece que afinal não!
A Ibel tem um compromisso nesse dia... Pena! gostaríamos muito que estivesse connosco!
A minha alma saciou-se com a beleza magoada deste poema.
Que pena a Ibel não poder ir ao almoço! Queria tanto conhecê-la!
Deolinda!
Gosto muito dos seus comentários à poesia! É de uma grande sensibilidade! E revela todo o seu "bonito"!