Ana Maria Bettencourt defende que os professores têm de ser psicólogos, assistentes sociais e terapeutas
Público - Os professores queixam-se por acumular muitas competências como ser psicólogo, assistente social, terapeuta...
Ana Maria Bettencourt - Mas, os professores têm que ser um bocadinho disso tudo. Há três componentes na missão do professor. Uma é mudar o paradigma do trabalho dentro da sala de aula: mais trabalho e mais acompanhamento aos alunos. A segunda é que o professor tem que ter função de tutoria, de enquadramento e apoio ao aluno; ajudar um aluno com crise pessoal ou que não consegue aprender. A terceira componente é o trabalho em equipa.
Comentário
E à pergunta da jornalista sobre o que pensa da avaliação de desempenho dos professores, a nova Presidente do Conselho Nacional da Educação não tem uma palavra de compreensão pela luta dos professores, nem uma frase de crítica ao excesso de burocracia, discricionariedade e parcialidade no modelo de avaliação de desempenho. Limita-se a dizer que o CNE tem outro tempo. Pois tem, mas os professores não têm. É agora que estão a ser esmagados e sufocados por um modelo burocrático de avaliação de desempenho que divide e que cria desconfiança entre os professores. Ana Maria Bettencourt mostra nesta entrevista aquilo que já sabíamos: é uma autoridade no eduquês com a agravante de ter trocado, durante muitos anos, a sala de aula pelos gabinetes da Assembleia da República e da Presidência da República. Está fora do espaço e do tempo onde ocorre o acto educativo.
A história
Para saber mais

Por favor, ponham essa senhora uma semana dentro de uma escola com alunos que não sabem nada.
Vá lá,SENHORES GOVERNANTES,façam isso.Ensinem apenas os alunos a saber conjugar o verbo estar.TOU certa que a experiência os vai querer ser professores a tempo inteiro
Nós não temos que ser...temos sido isso tudo, e mais alguma coisa. O pior, é mesmo desempenhando tantos papéis ao mesmo tempo,o governo ainda acha que é pouco. Vai daí esmaga-nos com a burocracia deste "paradigma sinistro" . Ou melhor, enterra-nos até ao pescoço!
Eu tenho a certeza, que se esta gente, estivesse na escola a tempo inteiro, não tinha vontade de verbalizar estas "coisas"! Ou melhor, nem vontade, nem voz.
O professor acaba por ser de tudo um pouco porque é humano e porque não consegue ficar indiferente e porque humanamente nunca ficamos alheios aos dramas humanos, porque muitas vezes é disso que se trata, mas para sermos honestos com os alunos, que são crianças e jovens, que são pessoas e que precisam de ajuda, bem sabemos que é de ajuda especializada que necessitam!
Como se pode esperar e achar normal, que seja o professor a dar resposta à uma eventual crise pessoal do aluno? Claro que a escola tem que olhar para a pessoa do aluno, não pode ser de outra maneira, mas esperar que seja o professor a dar a resposta é subverter a questão e é enganarmo-nos!
Até agora têm ficado de fora os problemas dos alunos. Ana Bettencourt aborda e muito bem essa questão. É pertinente mas tem que ter a resposta que necessita!
Cristina:
Eu também acho que não devemos olhar para o lado perante uma "crise pessoal" de um aluno. Devemos encaminhá-lo para quem tem formação para o ajudar a sair, o menos magoado possível, dessa crise. Podemos sempre actuar de forma a que o aluno não fique esquecido nas listas enormes que a psicóloga da escola tem para atender...Mas fazermos de psicólogos (sem termos formação para isso) pode ser pior a ememnda que o soneto...e depois, com é?
...emenda...
...como é...
Coitadinha da Aninhas...um dia alguem a obrigou a ler umas merdas do Bourdieu e outras piores do Bernstein. Daqui nasceram as Actividades Curriculares Não Disciplinares e a peregrina ideia de que ninguém chumba até ao 12º ano.
"os professores têm que ter espírito de missão"...
já ela. AM Bettencourt, apenas tem que ter um belíssimo salário... porreiro pá!
fongsoi:
"Poizé", mal feito!
Ela pode começar a dar o exemplo, trabalhar muito e ganhar à nossa medida.
Domingo, como é? Estamos lá?
Wegie
Vamos lá a discordar.
Ou eu leio ao contrário, ou se a senhora tivesse lido as "merdas do Bourdieu", que eu recomendo insistentemente, não como pedagogo, mas na fase final da sua vida, como sociólogo, não diria o que disse, nem pensaria fazer o que diz. Pela simples razão de Bourdieu ter previsto o que está a acontecer no mundo globalizado, há mais de 10 anos e ter combatido exactamente o que se está a tentar concretizar, não só na educação, mas em todos os sectores da actividade humana.
Quer dizer-me onde me enganei?
Há quantos anos não lecciona esta senhora?
Que eu saiba, muiiiiiiiiiitos.