60 mil professores recusaram entregar os objectivos individuais
A ministra da educação acaba de anunciar que a reforma da avaliação dos professores foi ganha. E justifica: entregaram os objectivos individuais 70 mil professores. E dos que entregaram os objectivos individuais, 30% pediram aulas assistidas, candidatando-se, dessa forma, às menções de Excelente e Muito Bom. Vamos lá fazer contas! Há 140 mil professores. Se descontarmos os que estão prestes a reformar-se e, por esse motivo, estão isentos do processo de avaliação de desempenho, houve mais de 60 mil resistentes. É obra! Um pouco mais do que eu julgava. Apesar das ameaças, dos telefonemas, dos emails e das perseguições, ainda houve 60 mil que disseram que não. Continuo a não perceber por que razão a Plataforma Sindical optou por formas de luta tão tímidas. E sobretudo não entendo por que razão andou quase todo o 2º trimestre a dormir. Será que a unidade da Plataforma Sindical justifica a timidez das formas de luta? Apesar disso, considero que uma grande manifestação nacional, no dia 30 de Maio, é uma forma de desgastar um pouco mais o PS. Um PS que está isolado muito por efeito do Compromisso Educação que os movimentos independentes de professores, APEDE, MUP e PROmova, estão a construir com todos os partidos da oposição. Só em Outubro se saberá quem vai ganhar: se Sócrates ou os professores. Se o PS sair derrotado em Outubro, tal significará uma enorme vitória dos professores e o fim do pesadelo imposto pela divisão da carreira em duas categorias e um sistema de avaliação de desempenho injusto, burocrático e inútil. E já agora: talvez valha a pena pensar na possibilidade de apelar aos 60 mil resistentes que entreguem apenas um relatório crítico idêntico ao que se faz há muitos anos.
A história
Para saber mais
Não é mania dos números, nem sou de matemática, mas uma outra perspectiva, que permite uma visão diferente.
Ao ler o post, perguntei-me quantos docentes havia ao certo e fui ao site do ME. Deparei com os números de 2006/07 e não entendi tal atraso, mas pronto! Éramos nesse ano 140.647 no público, 109.601 mulheres e 31.046 homens.
Se por acerto, formos ainda 140.000, significa que 57,1% entregaram os OIs e 42,9% não entregaram.
Os que entregaram os OIs e se candidataram às menções de mérito, foram 17,1%.
A questão que todos começamos a colocar é mesmo a inoportunidade de acções imediatas, quando havia 83% na última manifestação.
Feitas as contas, só sobra o palpite para os manifestantes do dia 30, que andarão nos 20.000 (?).
Das declarações da ME, quando fala "num marasmo de mais de 30 anos de total indiferenciação e pseudo igualitarismo", só não entendi o pseudo igualitarismo, porque sendo pseudo, havia diferenciações. Agora é que haverá igualitarismo para todos os Bons (antes Satisfaz) e pseudo diferenciação para os de mérito.
Significa que 17,1% dos professores concordam ou se subjugaram a estas regras. Esses dificilmente comparecerão di 30. Os outros têm a obrigação moral, profissional, civil, patriótica e democrática de se juntar e aí teremos novamente os tais 83%. Agora, realmente começa a fartar este conformismo depressivo de quem espera que as coisas lhe aparecem de mão beijada. Acaso estarão à espera, novamente, que outros lutem por eles?
O estalinista que desenhou esta estratégia sabe bem o que faz e é diabolicamente eficaz. 4 anos a bradar aos 4 ventos que os professores trabalham 3 horas por semana, têm 6 alunos cada um, que ganham 350 contos por mês em início de carreira, que não ensinam os alunos, que faltam todos os dias e fazem greves todas as semanas, intoxicou a opinião pública contra nós. Numa altura em que as pessoas se vêem à rasca para pagar as contas, uns bodes expiatórios vinham a calhar, e o Camarada Vital tem conduzido a coisa com mão de mestre, em espúritas associações com a Imprensa popularucha. O povo está danado, e entre o sangue de quem lhe vende magalhões a fingir que dá, e o sangue de professores (símbolos eternos de autoridade), o povão quer sangue dos segundos.
No dia da 1ª marcha em Lisboa, um empregado de um café junto ao Marquês, vociferava entre dentes:
- Comecei a trabalhar com 12 anos...
Eu por acaso comecei antes, e muito batalhei para ter uma profissão que me agradasse, mas o povo quer é sangue. Sempre.
Daqui a uns anos virá o refluxo da onda.
João, há várias escolas onde o processo arrancou cedo e em Outubro já estava tudo a entregar Objectivos. Esses professores, onde me incluo, estiveram em todas as manifestações e continuarão a estar, apesar de terem entregue os Objectivos no início do ano.
Mais do que isso, creio firmemente que muitas das pessoas que pediram aulas assistidas, já tiveram oportunidade de perceber melhor como é que o processo funciona. Entre esses colegas está muita gente que pode atestar a degradação das relações profissionais, o aumento da competição e da falta de colaboração. Há muita gente que, hoje, agiria de outra forma.
Por fim, alguns titulares já experimentaram na pele a "maravilha" que é fazer todo o trabalho habitual e ainda ter de avaliar os colegas.
Seremos muitos, dia 30! Muitos, mesmo.
Vamos correr com esses porcos. VAMOS!!!
Não entreguei os OIs. Não participei nos actos eleitorais, quer do conselho geral transitório quer do Conselho Geral, cujas eleições serão para a semana. Dia 30 lá estarei com muitos dos meus colegas. Vamos encher de novo a Avenida da liberdade!
Tudo isto é interessante de comentar e é importante falar deste tema, pois difícilmente se esgota.
No entanto não registo em qualquer espaço de blogs ( pelo menos alguns dos mais conhecidos) o que se passa todos os anos com as correcções das provas de aferição.
Penso que o facto se deve, a haver nestes espaços colegas de outros níveis de ensino em muito maior número, que não vivendo esta situação neste momento do ano, tb não sentem necessidade de a comentar trazendo-a para o debate.
Devo ser a única criatura deste país que estou indignada de mais uma vez ser convocada para ser correctora de provas.
Acho normal que sejam corrigidas, já que as fizeram. Agora eu ter que aguentar como burra de carga os dias inteiros de aulas até às 17h sempre seguido. Mais a distância 108 Km ida e volta, mais as formações e portefólios, reuniões ordinárias, extraordinárias e ainda ser convocada para no final do meu dia de trabalho numa sexta feira ir para uma reunião de aferição digerir mais 3h e 30 de reunião para me falarem dos critérios de avaliação da chachada das provas, não acho normal, muito menos justo na medida em que a maioria dos colegas já estão de fim de semana e eu não, saindo com um pacote de trabalho adicional e não remunerado.
Acho humilhante a forma como me tratam e me desprezam como professora. Sinto-me um ser insignificante, uma marioneta usada como e quando querem.
Porque não me podem dispensar das aulas,para estas reuniões se eu ainda este ano lectivo fui convocada pela manhã, de urgência para enviar os meninos para casa para ir receber formação dos Senhores da Intel sobre os magalhães?..
Só porque estavam a filmar para a propaganda?
Acho indecente tudo isto, assim como acho estranho nenhum professor reinvindicar condições e formas das fichas serem corrigidas, dentro de um quadro de normalidade e sem esta sob carga
de trabalho.
Muito estranho também é ser feita a nomeação informáticamente e calhar sempre aos mesmos.
Tudo isto para dizer que temos muito que reinvindicar, e teremos que o saber fazer transversalmente, não focalizando sempre no mesmo tipo de descurso.
A não ser que isto não tenha qualquer importância para a maioria dos professores.
Estou quase a apostar que sim, pelo silêncio à volta do tema...
Então assim sendo, terei que ser eu a reflectir e a reencontrar a razão da coisa..
Números baralhados? Aqui dizem oitenta mil: http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/9698316.html
Olha! E se a plataforma apelasse à não entrega de relatório algum? Pelos menos por parte dos professores que já não podem progredir porque estão no escalão 10. Quantos por cento é que daria? Seria buédafixe lançar mais ingredientes para a caldeirada que tem sido o processo da avaliação de desempenho. Eu alinho.
Acredito que alguns, talvez muitos, já estejam arrependidos de solicitar a avaliação. Todos somos precisos, todos temos o dever de participar e, acima de tudo, mostrar verticalidade e não responder a ataques mesquinhos. Aproveito para endereçar um cumprimento solidário para a colega Liliana, é uma autentica Exploração. Algo que de nada serve consome tantos recursos apenas para apresentar estatísticas a quem nada percebe e fica completamente alucinado. Sou de matemática, mas às vezes fico irritado com tantos números, bem, com os números não, com eles....
João!
Concordo inteiramente que temos que continuar a lutar e que não podemos estar à espera que outros lutem por nós! Temos que ser nós a garantir o que queremos! E todos somos precisos! Subscrevo inteiramente!
Quanto às provas de aferição, é realmente vergonhoso o que se está a passar e é bom que se saibam situações como esta da Liliana! As provas fazem-se, o sistema de ensino não melhora, as ilações que se tiram não são nenhumas e ainda se faz tudo isto ás pessoas!!! É demais!!! Razões para lutar crescem a cada dia que passa!
É verdade João, mesmo só estatística da mais reles.
No entanto muitos ainda andarão enganados. O Senhor Albino deve ficar todo feliz e achar o máximo os resultados quando sairem..
..A escola a tempo inteiro só pode dar bons resultados.. (na óptica albinense e não só..)