Ministra quer anúncios e telenovelas a desnaturalizar a Matemática! Seja lá o que isso for!
"Este processo de desnaturalização dos maus resultados (na Matemática) tem de envolver todos, até os meios de comunicação, até as telenovelas, até os anúncios. Devíamos ter uma espécie de campanha que chamasse a atenção para várias coisas", defendeu a ministra da educação, hoje, em Caparide, Cascais. E acrescentou: "naturalizamos demais as incapacidades dos nossos alunos em matérias como a Matemática".
Comentário
Estas afirmações são gravíssimas porque são o prenúncio de mais uma manobra de construção estatística de resultados escolares numa disciplina em que o trabalho, a dedicação, esforço e a continuidade são essenciais. Todos os sinais no sentido de que a Matemática é uma disciplina fácil, que se aprende a brincar e sem esforço, contribuem para agravar as dificuldades dos nossos alunos nesta disciplina. Toda a gente sabe que não é possível aprender Matemática sem esforço, atenção, dedicação e muita repetição de tarefas. Não é com campanhas de propaganda que se aprende Matemática. O que este discurso exotérico pretende, ao associar as telenovelas e os anúncios à desnaturalização da Matemática, é lançar pressão sobre os professores de Matemática para baixarem o nível de exigência. Em breve assistiremos à presença de alunos em cursos de Engenharia Civil, Mecânica, Electrónica e Informática com um nível a Matemática que não ultrapassa o 9º ano de escolaridade. O que é que deu à ministra da educação para vir agora com um discurso obtuso, tipicamente eduquês, da desnaturalização da Matemática?
A História
A História
houve ou ouve?
Os professores de Matemática podem pronunciar-se melhor do que ninguém e podem e devem ser ouvidos. Todos os outros professores, que não estão alheados do problema, que estão inseridos nos conselhos de turma, que são directores de turma, que dão formação a outros professores, também sentem e vivem o problema!
Entende-se, pelo menos eu entendo, que haja algum preocupação com o dresdamatizar a matemática, porque é verdade que alguns alunos, à partida, pensam que é difícil que não conseguem!
Se alguns deles o sentem porque são alunos com dificuldades, muitos outros o dizem porque não estão habituados a trabalhar, porque querem que os resultados "caiam do céu", porque empenho e esforço fazem pouco parte do seu vocabulário, porque imediato é o seu adjectivo preferido, porque acompanhamento nos estudos muitas vezes não existe, porque não sabem o que é preservar nem vencer uma dificuldade.
Mas pergunto-me!
Mesmo que haja uma campanha publicitária a dizer que a matemática é fácil, como vai a criança e o jovem interiorizar isso sem passar pela experiência, sem o viver?!... E só será fácil se trabalhar!!!
E vai achar que a matemática é fácil a ver telenovelas, que na maior parte dos casos, são deseducativas?!... Eu não acredito nisto!!!
Uma ministra da educação comete dois erros de uma só vez:
1º Em vez de vir a público apresentar medidas educativas para naturalizar a aprendizagem da matemática, associa a solução do problema a novelas e aunúncios...
2º Uma dessas medidas tem tendência a ser deseducativa! Não só pela forma como os temas são abordados como pelo estímulo de as crianças e os jovens passarem muito tempo à frente de um ercâ quando já se concluiu que o tempo é "bastante demasiado"! Seria necessário exactamente o contrário!
E que nível cultural estimulamos nas nossas crianças e jovens quando estimulamos as telenovelas?
Para quando a valorização da ESCOLA, Sra. Ministra?!...
"Este processo de desnaturalização dos maus resultados tem de envolver todos, até os meios de comunicação, até as telenovelas, até os anúncios.#
1- Mas o que é a "desnaturalização dos maus resultados"?
2- Envolver "até as telenovelas, até os anúncios"?
desnaturalizar in http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx
v. tr.
1. Privar da nacionalidade; riscar do rol dos cidadãos (de um Estado).
v. pron.
2. Perder a sua nacionalidade (naturalizando-se cidadão de outro Estado).
Como uma ministra destas que tem vontade de se desnaturalizar sou eu.
Porque razão não ouvem Howard Gardner?
E se alguém se lembrasse de que todas as pessoas teriam que desenhar bem?
Ia ser bonito, porque não haveria Pisa que chegasse para matar a fome...
Miguel,
É verdade que nem todos têm que ser bons a matemática mas também me parece que é verdade que há muito insucesso por falta de trabalho e por falta de outras coisas! por falta das respostas que a educação precisa!
Boa noite (por aqui chove bem e faz muito frio)!
Passado o preâmbulo, resta-me constatar que todos os dias brota um disparate do ME. Mas que raio se passa na cabeça daquele pessoal?Será fuga para frente ou mesmo apetência para o disparate? Ele são os alunos que não passam fome, porque as escolas não reportam à senhora ministra essas situações...é a desnaturalização da matemática, mais os erros do magalhães, mais os disparates todos a que nos vamos habituando!
Só me paetece que seja já o dia seguinte das eleições!
Post Scriptum: Claro que o Ramiro quis escrever "ouve"!
"Apetece" em vez de "paetece" - até que é uma palavra gira!
Cristina
Se realmente tens a Inteligência Musical mais desenvolvida, como eu tenho a Espacial, sabes muito bem que ter jeito para a música ou para o desenho, DÁ MUITO TRABALHO! O que as Inteligências Múltiplas dizem é que ter jeito para a Matemática, é tão fácil ou tão difícil como ter para a Música, ou para...
E é por não ser natural termos todos a Inteligência Lógico-Matemática desenvolvida, que uns têm mais dificuldades do que outros.
A outra questão é dizerem-me qual é a Inteligência mais importante para a vida pessoal, profissional ou social.
Obrigado! Já está emendado. Com a idade a avançar, a vista trai-me cada vez mais, sobretudo no computador. São muitos textos escritos à pressão; por vezes, no intervalo das aulas.
Olha Miguel é precisamente a Inteligência Lógico-Matemática que tenho menos desenvolvida. Foi por causa disso que não fui para medicina...
E nem a propósito estou a reler um livrinho da Asa, "As inteligências múltiplas e os seus estímulos", do Celso Antunes, "colecção em foco".
Miguel,
É bem verdade o que estás a dizer e inteligência musical não dispensa umas boas horas de estudo diário de instrumento ou de voz...
(ainda há bem pouco tempo o post da Alena, a aluna russa falava das 3 a 5 horas diárias de estudo de piano e ninguém duvida da sua inteligência musical)
Tal como nas outras!
Mas o que eu queria dizer e penso que entendeste também é que há dificuldades a matemática porque não há trabalho, exactamente pelo que disseste, porque a inteligência não é mágica!
Agora o que disseste e eu concordo, e convém distinguir, até para que não se peça o que é impossível, a professores e alunos, é que não podemos querer que todos "cheguem ao mesmo ponto" porque há diversas formas de inteligência e cada um tem a sua e nenhuma é mais importante que outra, são apenas diferentes e devem ser exploradas devidamente. E as múltiplas inteligências dizem-nos isso! Foi um debate que quando foi lançado pelo Ramiro, foi pouco explorado, mas valia a pena e era necessário! Eu também queria saber mais!
Penso que também há diferentes formas de chegar ao mesmo lugar, diferentes formas de aprender! Aprender matemática através da música por exemplo! (Embora convenha não fazer associações lineares)
Aceitar isto é também aceitar rever a EDUCAÇÃO! Todo o sistema!
Ema
E a felicidade e a realização pessoal, profissional ou social ficou cerceada na tua vida? Não tens outras Inteligências mais desenvolvidas do que os da Matemática? E se os craques na Inteligência Lógico-Matemática não tiverem a Linguística, como vão comunicar os seus conhecimentos?
É complicado desnaturalizar o que é natural...
Cristina
Chegaste lá.
E se não leste muito sobre o assunto, acertaste na mouche, quando dizes que é possível desenvolver a Inteligência Lógico-Matemática através da Música. Claro! Todas as Inteligências são e devem ser tratadas (abordadas) e desenvolvidas em qualquer disciplina.
Tenho um texto em francês, que em tempos mandei para o Ramiro, em que são sugeridas as abordagens que devem ser feitas em cada disciplina, com esse intuito, incluindo a Musical.
Vou mandar novamente para o Ramiro e peço-lhe o favor de te reenviar. Vais ver como a coisa é LÓGICA.
Se a "desnaturalizamos" deixa de ser nossa, logo, não temos que nos preocupar com ela!!!
Boa, Laranjalima!
É necessário desmontar o sociologuês e o eduquês.
Miguel! Envie que eu publico de novo.
Como tive maus professores de matemática, nunca cheguei a ser bom na disciplina. Fez-me muita falta para estudar Estatística e Investigação Educacional. Vi-me aflito para fazer essas disciplinas por falta de conhecimentos matemáticos. Mas também concordo que a Matemática não tem de ser mais necessária do que as restantes disciplinas. Tudo depende da vocação do aluno e do futuro profissional que ele pretende seguir. Para um aluno que quer seguir uma carreira científica, engenharias, gestão, contabilidade e economia é indispensável. Para os outros, não é.
Eu gostava de "desnaturalizar" a própria ministra!
Miguel,
A Música tem uma característica, pela sua própria natureza, que é interdisciplinar com muitas áreas, como referi num post que foi publicado, mas sabes isso melhor do que eu. A Matemática é uma delas.
É um trabalho muito interessante, a abordagem das diversas inteligências a partir de diferentes disciplinas!
Obrigada, vou gostar de ler e de aprender mais sobre o tema!
Luís,
Este é um dos motivos porque gosto do que escreve! Não precisa escrever muito para escrever bem a ainda por cima me diverte!!!
Apoiado Luís Costa! Apenas um senão, é que a Ministra já é anti-natural, ou seja é uma ABERRAÇÃO...
Não há pachorra para tanta burrice de uma só vez, safa!
Miguel:
Claro que não.Nem sequer me sinto minimamente mal com isso.
Não tirei o curso de medicina (por acaso até acho que daria uma óptima médica), mas tirei o curso de 1ºs socorros aos 14 anos (e continuo a fazer constantes reciclagens) e sou voluntária em alguns serviços hospitalares.
E é esta postura que tento transmitir aos meus alunos. :)Não podemos ser bons em tudo! Exploremos os campos em que somos melhores, mas não menosprezemos aqueles em que não somos tão bons.
Tal como o Ramiro, também tive dificuldade na Estatística e Investigação Educacional , mas tive ajudas preciosas e aprendi a desenvencilhar-me.
Uma noite descansada!
O que acho ainda mais grave é esta coisa da "naturalização" e da respectiva "desnaturalização", vinda da boca da inquilina da 5 de Outubro