Ministra diz que número de docentes é suficiente para suportar mais 30 mil alunos
"A capacidade das escolas, o número de professores e o equipamento são suficientes" para suportar o crescimento do número de alunos no secundário, afirmou a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, em conferência de imprensa, em Lisboa.
Comentário
Está explicado. A promessa do alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos - uma promessa que já foi anunciada 5 vezes pelo actual primeiro-ministro - não é mais do que a materialização do sonho da escola-armazém. Um sonho realizado à custa dos professores que verão, por esta via, degradar profundamente as suas condições de trabalho, aumentar as cargas horárias semanais e o inferno burocrático dos planos, relatórios, provas de recuperação, reuniões disto e reuniões daquilo. Se esta promessa for cumprida, assistiremos à medida mais desestruturante de que há memória no ensino secundário. Com ela, virá a hecatombe do eduquês. E muitas escolas secundárias serão fustigadas por ondas de violência escolar. E porque o eduquês dá de comer a muita gente, já há quem esfregue as mãos de contente e se prepare para dar as boas vindas ao inferno que se avizinha.
Foto: Pintura de Diego Rivera
A história
Para saber mais
Eu bem que dizia, há apenas alguns dias atrás, nos comentários deste blog.
Eles não vão contratar mais ninguem, prevejo que na próxima ronda negocial do ECD, uma proposta seja o aumento da carga lectiva.
Depois, quando um dia não tiverem professores suficientes(isso irá acontecer a médio prazo), vamos vê-los a pagar balurdios a ineptos com licenciatura bolonhesas de 3 anos, a tapar buracos.
Não custa acreditar nisso que a Ministra da Educação diz.
Os professores, nas escolas, nem os buracos favoráveis que a legislação em vigor nos dá aproveitam.
Vão a visitas de estudo e dão as aulas a que faltam mais tarde (não falo dos CEF nem dos cursos profissionais); deixam plano de aula, quando faltam por estarem dispensados do serviço, quando vão visitas de estudo; elaboram materiais de disciplinas para salas de estudo; aceitam transformar horas da componente não lectiva em aulas (em regime de permanência - não invento!); autotransformaram o regime de faltas dos alunos e suas consequências num martírio quase diário...
Já viram a siobrecarga de trabalhos com os exames a nível de escola?
Não se diz que não pelos alunos, para não ter chatices, para não serem acusados na avalição, por desconhecimento dos normativos legais...
Quem é que leva a sério a imposição legal de que o professor substituo deve ser avisado, pela Administração, com a antecedência de 24 horas sobre a aula que vai substituir?
E, por falçar de CEF e Curos Profissionais, quem é que disse, em letra de lei, que o professor deve compensar as horas em que fez greve ou em que os alunos não compareceram ou as aulas em que foi substituído tendo deixado plano de trabalho? Mas faz-se isto! fazem-se visitas d eestudo de longo curso e os professores vão e não sumariam.
Esses curso geridos por horas são-no em regime de trabalho. Se faltar o chefe de secção ou de sector, já faltam todos os trabalhadores?
Andamos na rua a bradar contra o estatuto e contra a Ministra e a fazer na escola mais do que ela manda!
jasl,
quando li este post lembrei-me de si e do comentário que escrevi, de que não era preciso dar ideias... Tinha toda a razão! Aumento da carga lectiva para o secundário!
Por também tudo isto, não podemos ser uma classe desmobilizada!