ME demite Conselho Executivo do Agrupamento de Santo Onofre
A demissão imposta pelo Ministério da Educação ao Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas de Santo Onofre, em Caldas da Rainha, tem um primeiro significado: para este Ministério da Educação o que menos importa é a qualidade das escolas e o bom ambiente de trabalho indispensável ao sucesso das aprendizagens. O Agrupamento de Santo Onofre colocou o interesse dos alunos acima da “guerra da avaliação de desempenho” e, por isso mesmo, rejeitou integralmente o modelo do ME, um modelo que substitui a cooperação pela concorrência e o trabalho colectivo pelo individualismo. Numa visão muito “especial” de autonomia, o Ministério da Educação quer impor às escolas deste agrupamento um modelo de gestão e um modelo de avaliação que a escola de facto rejeita. Que a escola /agrupamento funcione bem, que os alunos tenham sucesso real (e não apenas estatístico…) que os professores se sintam unidos na construção de um projecto inovador e criativo, que a ligação com a comunidade seja exemplar, nada disso interessa aos que têm a arrogância do poder como único argumento. Como também não lhes interessa os vários prémios que o agrupamento tem recebido do jornal “O Público” na promoção dos jornais escolares, como não lhes interessa o terem sido pioneiros na informatização da escola e no cartão electrónico, como não lhes interessa o trabalho desenvolvido que a fez passar de TEIP a escola onde todos queriam matricular os filhos, como não lhes interessa os resultados escolares dos alunos, como não lhes interessa todos os projectos que ao longo dos anos tem desenvolvido com sucesso. Ao que se sabe, o Ministério da Educação, do alto do seu despotismo nada iluminado, terá já nomeado três docentes para substituir – com que legalidade? - o Conselho Executivo legitimamente eleito. Um vindo de Peniche, outra de uma biblioteca e um outro não se sabe ainda donde …
Foto: Pintura de Chagall
Foto: Pintura de Chagall
Fonte: comunicado do SPGL
Para saber mais
É nestas alturas que temos que mostrar que somos uma classe e que somos cidadãos que lutamos pela EDUCAÇÃO, pela DEMOCRACIA e por isso mesmo, contra políticos arrogantes e autoritários que de educação nada entendem nem querem entender, mas apenas de impôr a sua autoridade a qualquer preço, depois de terem percebido que há quem lhes faça frente perante medidas educativas de perfeito non-sense!
Mas estas atitudes não são próprias de quem quer servir o país! Não podemos ficar parados a ver "a banda passar"! Ainda que tal demissão aconteça, próxima da interrupção lectiva da Páscoa!
Que esta interrupção nos renove o ãnimo e que este Conselho Executivo e todo o Agrupamento de Santo Onofre não lute sozinho!
Estes colegas tiveram a coragem de dar a cara numa luta que é de todos nós! Tiveram a coragem de enfrentar o Ministério! Não critico quem não o fez, digo apenas que quem escolheu esta forma de luta, merece o nosso apoio!
Em vez de nos amedrontarmos com as ameaças e prepotência do Ministério que se recusa a perceber os motivos dos professores, ganhemos força na coragem dos nossos colegas! Unamo-nos! Redobremos a luta! Façamos frente a esta indigna tutela! Não em nosso nome mas em nome das crianças e dos jovens que o país nos confiou! Em nome da educação! Em nome do futuro que se constrói hoje! Em nome da dignidade! Em nome de quem não tem quem os defenda! Os políticos vão e vêm, mas nós professores, somos o passado, o presente e o futuro da educação. É nas nossas mãos que estão as decisões!!! Convençamo-nos disso!
Cristina
As suas palavras são muito bonitas, mas depois de as ler ficou-me um vazio enorme.
Concretamente, o que propõe, para além do palavreado oco de acções no terreno?
Lamentavelmente não sei o que aconteceu. Foram demitidos com base em quê? O que é que aconteceu de facto?
Benilde e Ramiro, vamos esperar pela notificação da demissão. Isto ainda não é oficial.
Obrigada, estou curiosa, seria inédito, tristemente inédito.
Motivo:
Escola sem CGT constituído.
Oficialmente ou não, é um caso exemplar. Outros se seguirão. Depois da Páscoa temos aí uma montanha de directores candidatos e directores directores. Por isso é "lá dentro" que teremos de ser capazes de construir um ar respirável. Lá nas escolas, nos agrupamentos.
Que os pára-quedistas não tenham uma vida fácil. É o meu desejo. Nós também ajudamos a dobrar o pára-quedas.