Para uma definição do eduquês. Como desmontar as vacuidades que tombaram sobre o currículo e as escolas e infernizam a vida dos professores
O termo eduquês foi criado pelo ex-ministro da educação, Marçal Grilo, para se referir ao uso de uma linguagem hermética que descreve os fenómenos da educação de forma confusa e incapaz de retratar a realidade. É uma espécie de dialecto que visa mascarar a realidade e justificar o processo de burocratização das funções docentes, a asfixia das funções lectivas e a desresponsabilização dos alunos pelos desempenhos escolares. Foi o eduquês que criou o ambiente cultural propício à aceitação acrítica dos disparates pseudopedagógicos que têm vindo a infernizar a vida nas escolas e o trabalho dos professores. O que é simples, o eduquês complica. Sendo uma roupagem que pretende esconder o vazio e a ignorância, o eduquês é também uma ideologia que abre o caminho à expulsão da dimensão cultural do currículo. Essa expulsão da dimensão cultural faz-se através da crítica sistemática ao ensino dos conteúdos, opondo-lhe um putativo ensino de competências. A guerra cultural aos conteúdos tem por objectivo a promoção da ignorância colectiva e, em consequência, a aceitação passiva, conformista e acrítica do status quo. Com o eduquês, o currículo tende a ser um somatório de vacuidades embelezadas com a retórica, quase sempre vazia, da transdisciplinaridade, áreas curriculares não disciplinares, aprender a aprender e outros disparates do mesmo tipo.
Para saber mais
Bom dia. Depois de ler alguns dos artigos (e comentários) aqui apresentados, concluo (?!) que o sistema educativo da Finlândia e do Canadá (dois dos que conheço razoavelmente; outros haverá) assentam nos principais pressupostos da "escola pedagógica", aqui designada por eduquês!
Questão: sendo esta conclusão válida (?!), como é que se explicam os resultados obtidos, pelos jovens destes dois países, no PISA?
A definição de eduquês que eu conhecia e aplicava, era exactamente esta que vem neste post e com a qual concordo, por coincidência de conceitos.
E ainda a propósito do Dr. José Pacheco da UM, cujas palavras foram ontem postadas aqui, quero dizer que no curso que fiz na mesma UM, sobre Desenvolvimento Curricular, as informações que nos deram, ao contrário do que diz o anónimo de cima, diziam que nos países onde a didáctica imperava, os resultados eram melhores do que nos países em que p currículo prevalecia.
Estatísticas, que nos PISAm.
Este texto está soberbo! Retrata com toda a clareza o que é o eduquês.
Para o Anónimo do costume, vou explicar-lhe uma coisa:
Portugal é o país nº1 da Europa em acidentes rodoviários.
Conclusão: as escolas de condução e os instrutores são maus.
Portugal é o país nº1 da Europa em acidentes de trabalho.
Conclusão: as instruções para o uso de protecções e normas de segurança vêm mal escritas.
Portugal é o país nº1 da Europa em alcoolismo.
Conclusão: o nosso vinho embebeda mais que o dos outros países.
Portugal é o país nº1 da Europa em fome.
Conclusão: os portugueses têm muito apetite.
Portugal é o país nº1 da Europa em toxicodependência.
Conclusão: o nosso "cavalo" corre mais.
Vá repetindo para todos os recordes negativos que detemos (basicamente todos) e talvez conclua que a culpa é dos professores, que não ensinam os meninos na escola como deve ser.
Jorge! Boa argumentação. Obrigado pelo tiro certeiro.
Miguel! Obrigado pelo esclarecimento.
Ainda bem que foi possível abrir aqui um debate sobre o eduquês.
Só podia estar enganado! Ainda bem que a argumentação utilizada, por tão doutos comentadores, me elucidou. Penitencio-me perante vós, ilustres!
Informo, tão doutos comentadores, que é a 2.ª vez que faço aqui comentários, mas, a sua douta intuição permitiu-lhes advinhar logo que eu sou o "anónimo do costume". Custa conviver com o pensamento divergente neste país (diria antes, um belo lugar para se instalar um país). Passem bem! Cada vez percebo melhor o nosso atraso!
E a pitonisa... agradeceu a investida dos peões de brega!
Um debate?! Qual debate?! Será debate o que se passa aqui?!
Agora já é o anónimo do costume! Entrei de serviço às 11:00 horas. O "pilim" já começou a cair!
Uma das razões que me trouxe a este blog, para além do "porque sim", foi exactamente a da linguagem oficial, que é o protuguês, enquanto noutros blogs (não sou viciado) o eduquês é-me repelente. Às vezes em português é difícil falar-se ou ler-se sobre educação, quanto mais numa língua morta.
Eu poderia acrescentar algo sobre o eduquês e sobre a pessoa acima referida, mas não o faço, por delicadeza e respeito. Não é a discordância que me traz inimigos ou adversários, antes pelo contrário.
O eduquês é uma das doenças do ensino actual mormente naquela abarração que são as ACND que não servem para nada a não ser entreter e fazer que se faz.No entanto, creio que a sua implantação total ainda demorará, e creio que pode ser revertida, pois o tal professor generalista do 1º e 2ºciclos ainda não tem pernas para andar já que há poucos cursos do género. Será a infantilização total do ensino, uma pseudo-cultura onde grassará a ignareza.
A questão coloca-se na forma como o próprio sistema educativo integra os seus temas. As competências instrumentais, por exemplo, claro que são muito importantes, mas quando aparecem como protagnistas, desvirtuam o processo de aprendizagem.
O mesmo se diz do ritmo de aprendizagem dos alunos, que é uma questão muito perigosa e que pode até ser discriminatória - o que está por detrás daquela criança ou daquele jovem para que não consiga aprender como os outros?!
Embora saibamos que há diferentes ritmos de aprendizagem e que o professor deve considerar essa realidade nas suas estratégias, o rimto de aprendizagem não pode ser o condutor do processo...
Aquilo que pode parecer respeito pelo outro pode ser, na verdade, uma forma de ignorar os seus problemas e deixar a resposta por dar!
A criança ou jovem vai aprender menos e portanto, ser discriminado...
Quis dizer aberração e não abarração.
Eu diria que aquilo a que erradamente se chama eduquês é o PCT.
Estou a falar em níveis básicos!