Lições da Moldávia

Fui, esta tarde, à reprografia da escola e encontrei uma funcionária nova. 
Perguntei: "É brasileira?" 
Ela respondeu: "sou moldava". 
"E onde é que aprendeu a falar tão bem o português?" 
Ela: "Eu? Sozinha!" 
"Tem filhos?"
"Dois. Estão na escola".
"Gosta da escola portuguesa?", perguntei.
"Muito diferente da Moldávia. Em Portugal não há respeito pelos professores e a escola ensina pouco. Nada exigente", respondeu.
"Por que razão os alunos do Leste têm tão bons resultados?", perguntei.
"Muito trabalho em casa. Duas horas por dia de estudo. É pena aqui os professores não passarem trabalhos para casa. Alunos portugueses não respeitam os professores. Os nossos respeitam. Damos valor à escola", acrescentou.
Foto: Pintura de Salvador Dali

35 Response to "Lições da Moldávia"

  1. Fernanda says:

    E está tudo dito.

    Muitos alunos de leste são melhores a português do que os nossos alunos, melhores do que africanos que nasceram em Portugal...

    Lições que devíamos aprender...

    Safira says:

    É tudo uma questão de cultura e de educação.

    Apache says:

    Tenho uma miúda na minha direcção de turma originária da Moldávia. Estas podiam muito bem ser as palavras da mãe dela. A senhora já foi 3 vezes à escola para receber informações sobre a filha, alguns encarregados de educação dos portugueses tenho que ser eu a telefonar ou a escrever para dar notícias.

    Anónimo says:

    Se calhar na Moldavia tb há desses tipo de pais, deixem-se de historias.

    Anónimo says:

    Tb existem muitos pais portugueses que vão á escola com frequência não me venham agora dizer que estes sao melhores.

    Luz says:

    Estes pais, em princípio, são os excluídos, nos países deles (como os nossos emigrantes, nos anos sessenta, já o foram). Se agem assim, em relação à educação dos filhos, imaginemos como serão os pais que lá estão integrados, no sistema...
    Todas as crianças vindas de leste, que passaram pela minha escola, foram, igualmente, excelentes.
    Tiveram sucesso escolar e educativo.

    zezeg3 says:

    Agora percebi que este BLOG tem um moderador para além do RAMIRO.
    Fui esta tarde à escola...
    Percebe-se agora as "bocas" que são lançadas ao Ministério e os beiginhos e abraços à FENPROF!
    Já estava há muito tempo a achar muita fruta por parte do RAMIRO!!!

    Em cima deles, EU VOU VOTAR BLOKO!!!

    Safira,
    eu também ía a fazer esse comentário, que era uma questão de cultura mas depois voltei atrás, porque as questões culturais são entendidas apenas como diferenças - uns fazem de uma maneira, outros de outra!

    Em Portugal é mesmo falta de vontade para que se criem políticas que dêem resposta a certos problemas...

    Anónimo says:

    Há uns dias falei com um jovem que veio da Moldávia há 4 meses. Aprendeu a falar português, quase correctamente, sozinho. Disse-me que os professores em Portugal são muito melhores - um professor na Moldávia dá as suas aulas e não explica se um aluno tiver dúvidas.
    A colega que estava perto de si, tb moldava, confirmou-me tudo.

    Anónimo says:

    Viram a lista de transferência de titulares??????

    Há colegas com 50 pontos TITULARES!!!!

    Tenho uma colega que teve 130 pontos e não teve vaga para titular!!!!! Denunciemos a vergonha!!!

    http://www.dgrhe.min-edu.pt/Portal/WebForms/Docentes/PDF/Listas/PT/ListaDocentesTransferidos.pdf

    Anónimo says:

    171840 Agrupamento de Escolas Vasco Santana 171177
    Agrupamento de Escolas Professor Lindley
    Cintra
    1º Ciclo do Ensino Básico 110 - 1º Ciclo do Ensino Básico

    50 pontos!!!!

    Todos os alunos e pais de Leste dizem o mesmo: somos professores dedicados, atenciosos, mas os alunos e pais portugueses não nos valorizam nem respeitam.
    E ainda não tive aluno do Leste que não fosse dos melhores,em todos os aspectos: em termos académicos, no trato, em termos de valores humanos.

    alex says:

    Porque é que muitos professor não marcam TPC?

    Faça as contas ao número de horas que os alunos passam na escola, Alex. Depois faça a conta ao número de disciplinas. Depois verifique se os TPC são ou não em quantidade apropriada. O problema não são os "poucos TPC". São o excesso de horas, as aulas de 90 minutos, a não valorização da escola pelas famílias, e o caos que alguns alunos geram nas aulas, sem que haja meios de o evitar 8como se viu neste caso do professor agredido, professor que se tenta acabar com a barafunda, arrisca-se a levar pancada, processos disciplinares, avaliações negativas, etc.).

    Anónimo says:

    Isso acotece com todos alunos de leste. Há dois anos, o melhor aluno da minha escola, em Língua Portuguesa, foi um aluno Romeno que veio para cá já com 5 anos.

    Anónimo says:

    Só falam dos pais, que, obviamente, são os culpados de tudo.
    E as referências aos senhores professores que não ensinam e não se dão ao respeito?
    O pior cego é o que não quer ver!!!

    Anónimo says:

    Anónimo das 23:53 e 54

    Há um problemazito com os sinais!

    Talvez frequentar as novas oportunidades!

    zoltrix says:

    Sou pessoa de poucos comentários.
    Desta feita, calhou este seu post ( mais os comentários) tirarem-me do silêncio costumeiro. Sou professor, pois então, e venho aqui dizer apenas uma das muitíssimas experiências gratas que possuo com alunos vindos do "leste".
    Ora bem: primeiro dia de aulas, uma mãe à porta da escola com o filho pela mão. Confusão danada entre os alunos que entram, grande agitação ( normal) pois são reencontros... Os carros dos pais estacionam em cima de tudo, do passeio, os miúdos saem de repelão.
    A mãe, mais o filho, destoam desta confusão tão natural quanto bem vinda por todos nós, professores. Uma funcionária acaba por ir perguntar à senhora o que pretende, o que faz ali. A mãe responde em português ainda titubeante: sou da Moldávia e trago o meu filho. Gostava de falar com os professores dele.
    O rapaz, 12 anos mal feitos, leva na mão um ramo de flores....

    Anónimo says:

    Zoltrix

    Que lindo!
    Até chorei.
    Pela redacção tens 11 valores.

    Anónimo says:

    Lendo os comentários impõe-se uma clarificação.
    Os nossos professores não são apenas muito melhores que os moldavos, mas são dos melhores do Mundo, se não mesmo os melhores.
    Aliás, como os árbitros de futebol...

    A. Cruz says:

    Ramiro
    Já correste com o PINA, bem hajas, mas corre também com estes Anónimos que tanta azia nos provocam.
    Por favor, Ramiro.
    Yes, you can!

    Anónimo says:

    Cristina Ribas
    Não são alunos africanos, mas alunos portugueses de origem africana.
    Que tristeza esta confusão, para mais lançada por quem se intitula professora!
    O racismo sempre a aflorar!

    Anónimo das 18h06m

    vou prestar alguns esclarecimentos:
    1. muitos dos alunos da escola são africanos sim, porque não nasceram em Portugal!

    2. segundo o ministério e os estudos realizados oficialmente no final do ano lectivo, mesmo os que nasceram em Portugal, sendo filhos de pais africanos, são considerados estrangeiros, e portanto africanos.

    3. eles próprios se consideram africanos e não europeus e portugueses e têm muito orgulho na sua raça (em situações extremas esse orgulho é visível na constituição de gangs)! Embora nascidos em Portugal, alguns e um número algo significativo, têm uma grande influência da cultura africana, a começar pela língua, aquela que falam em casa. A dança e a música também fazem parte do seu quotidiano, tanto em casa como na escola, porque a escola respeita a sua diferença! E integra-a! Não há outra maneira! A raça a que pertencem vai muito para além do local de nascimento mas tem muito a ver com a cultura a que pertencem, a cultura que vivem, a cultura com que se identificam! A escola viabiliza a ACULTURAÇÃO! Muitas vezes uma experiência difícil.

    4. Para mim, é-me indiferente que sejam negros, brancos, amarelos (que também os há) ou de qualquer outra cor, porque são seres humanos, são crianças e jovens que tento educar e ensinar o melhor que posso e sei! E cada um deles é para mim um desafio! Cada um deles é uma pessoa que precisa de ser amada e respeitada! Que tem direito a crescer dessa forma!

    5. não pude deixar de sorrir quando li o seu comentário porque se há coisa de que na escola não sou acusada de entre as coisas a melhorar é de problema de racismo...

    Carmen, professora "básica" says:

    A minha melhor aluna (3º ano do ensino básico), com diferença, é moldava. O seu percurso escolar, desde o jardim-de-infância foi em Portugal. A mãe demonstra uma atitude relativamente à escola, muito diferente da maioria dos outros encarregados de educação: a aprendizagem e a escola são valorizados em casa. Ao filho/a, exige esforço e dedicação. E isso faz uma grande diferença.

    Safira,

    entendi o que penso ter querido dizer com cultura, num comentário a outro post. Eu sstava nesse momento, a pensar de uma forma muito restrita!

    Outro tipo de cultura mais rica, que estimula não só o futebol e as telenovelas, as revistas sobre vida alheia e conversas fúteis, cria outros espaços para educação!

    Era também isto?
    Obrigada pelo seu comentário que me ajudou a ir mais longe!

    Ana says:

    Uma aluna minha, moldava chegou a Portugal em Março de 2005, com 10 anos. Ficou em casa até ao início do ano lectivo e foi matriculada no quinto ano. Quando iniciámos as aulas ela falava bem o Português. Disse-me que tinha aprendido com a televisão e a ler livros que tinham ido buscar à bibioteca. No final desse ano lectivo foi considerada a melhor aluna da escola e todos os anos tem recebido um prémio.Continua uma menina cinco estrelas. Um exemplo para todos s nossos alunos, pela sua educação, empenho ,espirito crítico. Temos mais casos assim. Mas o contrário também existe na nossa escola. Um aluno ucraniano que nos põe os cabelos em pé pela sua má educação, arrogância, falta de empenho, agressividade, etc, apesar de todas as estratégias utilizadas pelos seus professores, pela psicóloga e até pelos pais.

    Anónimo says:

    Não vamos ficar "em pontas" a ver quem é melhor professor, se nós em Portugal ou os de Leste. Aqui começa o nosso espírito tacanho! São sistemas diferentes, em tudo, e não devemos ir por aí.
    Quanto à postura dos alunos e encarregados de educação também é muito diferente, ou não houvesse diferença de culturas. E
    é essa diferença de culturas que nos faz pensar que uns conseguem melhores resultados que os outros. A maior parte dos alunos que temos recebido na nossa escola têm agregados familiares cultos, isto é, quase todos os pais e mães têm cursos superiores e também têm a experiência das dificuldades que viveram nos seus países. Claro que não têm a arrogância da maior parte dos nossos "pais" com cursos superiores, são os piores, os intocáveis.
    Globalmente os alunos que Leste que temos recebido têm avaliações superiores aos portugueses, mesmo em língua portuguesa. Uma percentagem significativa dos quadros de excelência é composta por alunos de Leste. E os "pais" de Leste tentam colaborar com os professores ao contrário dos nossos, como aquele senhor da CONFAP que está sempre a atacar-nos.
    E dá gosto ver que ainda existe noutros países o já que se perdeu em Portugal: o respeito e a responsabilidade.

    Bárbara says:

    No primeiro dia de aulas nos países de Leste, os alunos levam ramos e cestas de flores para a professora do 1.º ciclo. Todos vão vestidos para a ocasião; as meninas de vestido e laços no cabelo, os rapazes todos janotas, de camisinha. Os pais acompanham-nos, não os despejam à porta da escola.

    Ramiro, por favor coloque fotografias disto!

    Fale do currículo do Ensino Básico e Secundário na Ucrânia! Explique que a Ucrânia é o segundo país da Europa com maior percentagem de licenciados!

    Está provado que o que produz sucesso escolar é a aproximação entre a cultura escolar e a cultura familiar.

    Anónimo says:

    Cristina Ribas
    Africanos, raça, aculturação, "são considerados estrangeiros, e portanto africanos", gangs, etc, etc...
    Um chorrilho de disparates, que revelam a cultura, ou a falta dela, de uma senhora que se diz professora.
    Lamentável!

    Bárbara says:

    Anónimo da 1:07

    O que é a cultura? Não estarás interessado numa lição de Antropologia?

    Ou preferes a Agricultura? Caso afirmativo, vai plantar e CULTIVAR batatas, para colmatar a tua falta de CULTURA.

    Forcado says:

    Ò anónimo da 1.07 marra aqui que não sou professor (tal como tu).
    Vai perguntar ao teu chefe quanto recebeu no caso Freeport e pelos licenciamentos dos mamarrachos.
    Deixa quem trabalha em paz..

    Anónimo says:

    Bárbara
    O teu nome faz jus à prosa, trocadilhos para mascarar o essencial.
    Já leste os dislates da tua colega antropóloga Cristina Ribas?
    Lê, se não atingires o significado, pede a um(a) colega que tenha o antigo 5º ano dos liceus e ele(a) explica-te.
    Depois responde.

    Anónimo says:

    Forcado

    Marra, marra, marra!
    Forcado ou toureado?

    Ion Iatco says:

    Ola e estudei na ESTESL e lisboa e quero agradeger a todos os professores de la pela competencia e paciencia e tb ao Sr. directo Prof. Manuel Correia. Aes cola tem condicoes de luxo e nao percebo porque e que a tanta juventude sem crer estudar- e pena. Eu intrei em 2002 e acabei com succes. Sou moldavo, Ion iatco. Abraco a todos