Se os professores não resistissem às tolices, as escolas públicas ainda estariam pior

1. Não é por haver algumas pessoas que se intitulam de cientistas da educação que a educação é uma ciência. Nunca foi. Não é. Nunca será. 
2. Em Portugal, nos últimos 30 anos, não houve uma verdadeira conversação em torno da educação, das políticas educativas e das pedagogias. Houve uma peça com muitos actores a repetirem o mesmo monólogo. Uma dúzia de gurus e duas centenas de citadores e comentadores. O mal que esta falta de conversação fez à educação pública portuguesa não tem medida. O pior de tudo foi que as mil uma propostas de reformas educativas apresentadas e nunca questionadas foram aceites pelos governantes como se de pura ciência se tratasse. Quanto mais citações dos gurus, maior a aparência de ciência essas propostas gozavam. E os quase trinta ministros da educação acreditaram que as propostas vindas da meia dúzia de gurus e citadas pelas duas centenas de comentadores eram pura ciência. E como bons positivistas acreditaram e caíram no logro de transformarem essas propostas em legislação para as escolas e em reformas curriculares. Em 30 anos, os políticos foram destruindo a qualidade da escola pública. Criaram uma enorme confusão. A escola pública tinha qualidade e os nossos diplomados ombreavam com os melhores do mundo. O único problema da escola pública era que não estava ao alcance de todos. Alguma qualidade que ainda persiste é devida ao bom senso, ao empenhamento e ao sacrifício dos professores. Felizmente, ainda há muitos professores que resistem às orientações tolas vindas do ministério da educação. Se assim não fosse, o desastre seria maior.
3. Em Portugal, não há o hábito de discordar. Os gurus rodearam-se de uma aura de credibilidade inquestionável e têm sido protegidos por legiões de panegiristas. O compadrio, o nepotismo e a protecção dos que dizem bem de nós e nos adulam continuam a ser o timbre das elites portuguesas. É através da adulação e do compadrio que se sobe na vida. Alguns admiram-se de eu polemizar. Não vejam nisso falta de respeito ou de consideração. O debate, a refutação dos argumentos e o apontar da inconsistência das conclusões (como eu fiz com os posts sobre o Relatório dito da OCDE) são as únicas formas de manter vivo o inquérito intelectual e sem esse inquérito persistimos no erro de confundir opiniões e ideologias com ciência.

24 Response to "Se os professores não resistissem às tolices, as escolas públicas ainda estariam pior"

  1. Anónimo says:

    No meu agrupamento houve e há tanto alarido com a avaliação do desempenho e ECD, mas TODOS entregaram os Objectivos Individuais.
    E esta hein!
    A professora mais reivindicativa e contestatária além de entregar os OI também pediu avaliação na componente científico-pedagógica e quer 3 aulas observadas. Se houvesse mais itens de avaliação a solicitar também as queria!
    Estou escandalizada com isto.

    Anónimo says:

    Ramiro,

    Não sei se esta moção já está na lista...


    ANTI-SIMPLEX EM AGRUPAMENTO VERTICAL DE SÃO JOÃO DA PESQUEIRA

    Os professores e educadores do Agrupamento Vertical de São João da Pesqueira aprovou por 90 votos contra 1 a moção abaixo transcrita, suspendendo com efeitos imediatos a partir do dia 22 de Janeiro todos os procedimentos no âmbito do modelo de avaliação de desempenho actualmente em vigor.

    www.mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/2009/01/anti-simplex-em-agrupamento-de-so-joo.html

    Essa já está.

    Anónimo says:

    > MUITO IMPORTANTE:
    > Os professores em greve há um mês no Chile conseguiram que o governo desistisse
    > do ridículo modelo de avaliação semelhante ao nosso. Já é oficial!
    >Este modelo absurdo já só existe em portugal (sim, este país com letra pequena).
    > Penso que está na hora de ponderarmos na necessidade de fazer greve por tempo
    > indeterminado e perdermos o amor a um mesito de ordenado (não acredito que aqui
    > seja necessário mais de uma semana ou duas, com os pais passados com os filhos
    > em casa... e as eleições à porta... o governo tem de ceder!)
    > Já vários colegas me disseram que não podem passar sem o vencimento
    >de um único mês, mas será que ponderam os milhares de contos que estamos e vamos perder? para >além dos cortes nas reformas? Não podem perder um mês de
    >ordenado? e se perderem o emprego? morrem no mês seguinte? Não! Está na altura de
    >fazer um pequeno sacrifício perante o que se avizinha! E um mês de ordenado é
    >um pequeno sacrifício perante o que estamos na eminência de perder!
    > Ponham os olhos no exemplo Chileno! Vamos ser a única classe
    >profissional, no único país do mundo a viver este horror de avaliação, divisão artificial e castração na >carreira?
    > Abram os olhos! a greve por tempo indeterminado é cada vez mais a
    >única saída para a queda completa deste modelo de avaliação.
    > Temos de espalhar esta ideia rapidamente, sobretudo agora que os
    > sindicatos vão dar a luta por estagnada de novo e o modelo saiu em Diário da República
    > obrigando a que as escolas façam a avaliação sob hipótese de despedimento dos
    > avaliadores que se neguem a avaliar e processos disciplinares aos elementos do
    > CE que não apliquem o modelo. E nem vale a pena que os colegas peçam para não
    > ser avaliados, pois isso implica que não progridem garantidamente e isso é só o
    > que interessa ao governo, pois querem lá saber da avaliação...
    > Colegas: ainda não avançamos nem ganhamos nada!
    > Temos de endurecer a luta. Passem a palavra para alertar os colegas.
    >Se nada fizermos agora, dentro de 10 dias, como ratos, teremos entregue os
    > objectivos individuais e estaremos a pedir para sermos avaliados um a um! com algumas
    > heróicas excepções que serão prejudicados caso a caso facilmente pelo governo.
    > Não podemos ceder agora!

    Anónimo says:

    Deixem-se de historias alguem ia fazer uma greve de um mês? Onde havia capacidade económica dos colegas para aguentarem isso, sejam razoaveis e haja bom senso. Só assim credibilizamos a nossa luta

    Anónimo says:

    Só disparates

    Anónimo says:

    Eu estaria disponível para tal. Perder um mês de salário é algo simbólico perante o problema que estamos a viver. Quem cruzar os braços vai perder muito mais, ou já se esqueceram de que, este modelo da avaliação é um modelo economicista e que vai permitir ao estado português economizar milhões de euros? E à custa de quem? E que farão a esse dinheiro? Oiçam as notícias e saibam a corrupção que paira por aí....
    Prof Setúbal

    Anónimo says:

    Para anónimo das 20:27
    O mesmo se passa no meu agrupamento, e creio que vou ser a única a não entregar os objectivos.
    Colegas que reivindicaram, moveram mundos e fundos contra este modelo de avaliação e agora....
    Só posso concluir que a tutela conseguiu desmobilizar os professores, mas eu continuo fiel aos meus princípios (mesmo sozinha) e NÃO ENTREGO OBJECTIVOS, nem quero ser avaliada por este modelo.

    Anónimo says:

    Na minha foi o mesmo: 52 profs de 90 pediram avaliação científico-pedagógica e todos entregaram OI.
    A delegada sindical do sindicato afecto à FENPROF também.

    Anónimo says:

    O que eu me iria rir se houvesse uma decisão no sentido de não ser aribuído M.Bom ou Excelente este ano!

    Anónimo says:

    Deixem-se de lamentos. Questionem. Porquê? è tudo incoerente, foi o medo? Quanto a isso ouçam Amália!
    Muitos Professores perceberam que esta luta era não digo perdida, mas cartuchos de pólvora seca!
    Não sejam ingénuos! Todos iríamos ser avaliados no final do ano lectivo: Todos! E Com Objectivos que iriam, irão ser definidos pelos CE. O 2 já previa encapotadamente isso! Mas desculpem a questão acintosa: leram o 2?

    Os Objectivos tornaram-se um bluff de manutenção de guerrilha nas escolas e muitos Profs, não só perceberam isso, como descobriram o jogo que se jogava nas suas costas!

    Muita gente estava cansada, saturada! Muitas salas de Professores deste país tornaram-se câmaras de asfixia, pautadas por agitadores semi-profissionais,que falavam alto, intimidavam, e o engraçado é que muitos deles nem eram sindicalistas-muitos estavam no 10º escalão e até perto da Reforma! Porque seria? Vontade de ajudar os mais novos, ou a segurança da almofadinha!?

    Isto significa que muitos Professores tornaram-se livres nas suas decisões e estarão prontos para outras lutas, que não sejam pura demagogia, e que sejam ir de encontro ao essencial, só isso!
    Há quem lhe chame cobardia , eu chamo inteligência! Por vezes os corajosos de hoje são os burros do passado e os comodistas do futuro!
    Como "adoro" a coerência desses colegas!

    Anónimo says:

    A delegada sindical do sindicato afecto à FENPROF também entregou os OI???

    Essa é muito grave!!!!
    Estou CONFUSAAAAAAAA!!!
    Será que li bem, ou bebi ao jantar e não dei por nada!
    ESTA AGORA!

    Anónimo says:

    Este problema nao pode ser um problema de agrupamentos tem que ser um problema nacional. A partir do momento que num agrupamento os professores entregam os objectivos é minha opiniao que todos deviam entregar. Porque isto vai criar situações de injustiças maiores do que a avaliaçao de todos os docentes, porque vao existir professores avaliados e professoores nao avaliados e a sofrerem as devidas penalizações. Se calhar estou errado mas gostava que pensassem nisto.

    O hábito de discordar é fundamental e até saudável!
    Não discordar por discordar mas porque se está habituado a pensar, a questionar! Essa é uma atitude enriquecedora. Estar informado hoje parece "pecado", parece atitude de desconfiança em relação aos outros. Esse é um aspecto da nossa sociedade que é urge alterar.

    Neste momento, é fundamental continuar a resistir, não pode ser de outra maneira!

    Anónimo says:

    Pode crer: a delegada sindical afecta à Fenprof entregou OI, só não requereu avaliação científico-pedagógica: Mas bem perto há uma delegada sindical do SPRC, sindicato dos professores da região centro - fenprof, que tanto entrgou OI como requereu 2 aulitas assistidas...
    Eles ´lá tratam da vidinha e nós damos a cara. Eu não entreguei, eu e mais 4, mas os que promoveram os manifestos e os abaixo-assinados foram ágeis...

    Anónimo says:

    ehehehehehehehe

    Anónimo says:

    Parabéns pela forma como escreve.
    Concordo com o colega em tudo o que diz, pena não sermos mais a sentir e a exorcisar essa forma de pensar. Penso que o medo que ainda reina em muitos dos professores,assim como dos portugueses em geral, têm a ver com quarenta anos de obscurantismo, e ausência de capacidade crítica.
    Penso que aos poucos, e isso tem sido demonstrado nos últimos tempos, a voz e a postura crítica têm feito sentir-se em maior escala.
    Devemos continuar assim, lutando por aquilo que achamos justo, uma escola mais digna tanto para alunos como professores.
    Já agora.. aqui no meu agrupamento tb fizemos reunião geral com todos os ciclos. Decidimos não entregar os Objectivos Individuais..ainda que tenhamos presente as sansões..

    Anónimo says:

    Parabéns pela forma como escreve.
    Concordo com o colega em tudo o que diz, pena não sermos mais a sentir e a exorcisar essa forma de pensar. Penso que o medo que ainda reina em muitos dos professores,assim como dos portugueses em geral, têm a ver com quarenta anos de obscurantismo, e ausência de capacidade crítica.
    Penso que aos poucos, e isso tem sido demonstrado nos últimos tempos, a voz e a postura crítica têm feito sentir-se em maior escala.
    Devemos continuar assim, lutando por aquilo que achamos justo, uma escola mais digna tanto para alunos como professores.
    Já agora.. aqui no meu agrupamento tb fizemos reunião geral com todos os ciclos. Decidimos não entregar os Objectivos Individuais..ainda que tenhamos presente as sansões..

    Anónimo says:

    MEUS DEUS!!!
    Srs delegados sindicais tenham tino(só para quem servir a carapuça), ponderem bem as vossas "fragilidades".
    Que dirá Mário Nogueira quando tiver conhecimento que cometeram tamanha gafe???

    Anónimo says:

    Posição Clara Do SPN - Fenprof

    ENTREGAR OS OBJECTIVOS INDIVIDUAIS SIGNIFICA:

    ajudar agora o ME a implementar o seu modelo de avaliação e a consolidar o seu ECD;

    aceitar que, no próximo ano lectivo, o modelo imposto pelo ME se aplicará na sua versão integral;

    conformar-se com a existência de titulares e de quotas;

    colaborar na degradação da escola e da profissão docente;

    desperdiçar toda a força acumulada nas grandiosas manifestações de 8 de Março e 8 de Novembro e nas históricas greves de 3 de Dezembro e 19 de Janeiro.

    NÃO ENTREGAR OS OBJECTIVOS INDIVIDUAIS SIGNIFICA:


    · rejeitar o modelo de avaliação do ME e continuar a contestação
    Mesmo correndo riscos, eles serão sempre insignificantes se comparados com os prejuízos provocados pela aplicação deste modelo, sobretudo tendo em conta que, neste momento, o risco será sempre muito limitado, porque:

    A entrega dos objectivos não tem carácter obrigatório, portanto, não dá lugar a qualquer sanção disciplinar.

    A não entrega dos objectivos não impede a continuação do processo de avaliação, já que a auto-avaliação, apesar de ser meramente consultiva, é considerada um dever, tenha-se ou não apresentado objectivos.

    Os parâmetros da ficha do Presidente podem ser pontuados com ou sem objectivos definidos.

    A avaliação não terá qualquer efeito nos concursos para o próximo ano lectivo.

    Mesmo que assim não fosse, os professores são mais de 140 mil… Alguém imagina possível a instauração de processos disciplinares ou mesmo a assunção da não contagem do tempo de serviço a dezenas de milhar de docentes?!

    Por isso, a questão central, neste momento, é a seguinte:

    VAMOS DEIXAR RUIR A UNIÃO E A FORÇA QUE TÃO DURAMENTE CONSTRUÍMOS?

    O SPN e a FENPROF apelam a todos os professores para mostrarem a este Governo intransigente e incompetente que a dignidade não tem preço.

    Nas escolas onde não for possível aprovar esta posição, isso não impede os colegas em minoria de afixar na sala dos professores uma Declaração de não entrega de objectivos. A contabilidade da não participação neste modelo far-se-á não só pelo número de escolas, mas também pelo de professores que, em todo o país, dele claramente se demarcaram.

    Cuidado porque há alguma desinformação. Há quem queira lançar a confusão para desmobilizar os professores.

    Anónimo says:

    Oxalá que assim fosse!

    Parece-me importante voltar ao tema deste post e reflectir sobre ele. Ou melhor, temas! Este post é bastante rico em matéria para reflexão. Parece-me muito imoportante explorar a questão da educação como não ciência. Pode ser fundamnetal no virar das políticas e no conduzir dos processos.

    Por outro lado, ter "hábito" de falar das "coisas". A conversação! Fundamental! Está directamente relacionada com outro aspecto que referi, que é o questionar. Posso chamar-lhe a arte de questionar!

    Anónimo says:

    Ramiro, importa que as pessoas estejam informadas. Só assim serão livres para tomar as suas decisões. Se é importante lutar, também é importante ter conhecimento do que a não entrega envolve.