Refutando as conclusões do Relatório dito da OCDE: A metodologia

Tive acesso ao texto do Relatório . Tentei colocá-lo na plataforma scribd mas não consegui ainda. Confirmo que um dos autores do relatório é Alexandre Ventura: professor da Universidade de Aveiro e Presidente do CCAP.
O documento é um simples relatório: não é uma investigação. Para além da equipa ter reunido com os dois secretários de estado, dirigentes da IGE, os coordenadores nacionais dos planos da formação de professores de Matemática, Português e Ciências, teve também encontros com os dirigentes de 3 associações de professores (pré-escolar, inglês e educação física), com 10 coordenadores de escolas do 1º CEB, com 4 especialistas de educação (João Formosinho, Isabel Alçada, Lucília Salgado e Rosa Martins, os primeiros três habitualmente favoráveis à política educativa do Governo), os directores regionais da educação, os directores dos serviços centrais do ME, 5 membros do conselho de escolas (Álvaro Santos incluído), 3 dirigentes da CONFAP (Albino incluído), 7 presidentes de câmaras municipais, 3 membros do Conselho Nacional da Educação e 4 membros de sindicatos de professores (2 da FNE e 2 da FENPROF). No relatório, é dito que houve visitas a algumas escolas e conversas com pais e professores. E é tudo. Não há dados provenientes de provas externas e nada no relatório permite estabelecer uma relação de causa e efeito entre as medidas tomadas pelo Governo e qualquer hipotética melhoria dos resultados escolares ou da qualidade das aprendizagens. Não há nenhuma amostra aleatória ou representativa. Nos próximos dias, e com mais tempo, continuarei a análise do Relatório com o objectivo de desmontar a manobra de propaganda que a ele anda associada.
Faça aqui o download do Relatório.
Imagem: foto de instalação artística de Christo, no Reichtag, Berlim

38 Response to "Refutando as conclusões do Relatório dito da OCDE: A metodologia"

  1. Anónimo says:

    Comentário de um Anónimo que achei que mereceia não ficar fechado na caixa dos comentários.
    Anónimo disse...


    Não sei se me ria, se de riso chore com tanta ingenuidade política. Os sindicatos reféns dos movimentos e estes reféns dos sindicatos.

    Os movimentos o que são? O que valem? Quem é o Ramiro, o Ilídio, o Guinote, o Machaqueiro?

    Será que as direcções sindicais nunca se questionaram sobre isto e não perceberam que eles valem o que valem em termos de "ajuntamento de classe"?

    Reflictam e deixem-se de ingenuidades. As palavras de ódio do Machaqueiro aos sindicatos ( querem que as relembrem?), o apelo ao rasgar dos cartões sindicais do Ramiro, esta iniciativa do Guinote, o que são, senão formas umas mais primitivas, outras mais sofisticadas de dividir para se promoverem, de conseguirem a destabilização, da procura desesperada de um cantinho de encosto, de visibilidade mediática para...até raivas e frustrações, de ressabiamentos escondidos.



    Achei sempre piada às APEDE, às PROMOVA, aos MUP e a outros que criando movimentos fruto de uma certa im+preparação política docente, de um certo deixar andar da classe que foi sempre seu apanágio, e mesmo de um certo atraso tecnlógico, procuraram dessas premissas tirar dividendos.



    E o que aconteceu é que os sindicatos assustaram-se, pensaram ver uma floresta onde havia apenas um Jardim, e foram atrás do estilo inorgánico, planfletário e não raro ordinário destes movimentos, assentes em blogues que a partir de determinada altura, os seus promotores perceberam que cativariam assistência e vontade pelo simples " Os Sindicatos são isto, os sindicatos nada fazem, os sindicatos estão comprados).


    E o curioso é que muitos destes pseudo catalizadores de descontentamento, como acabaram por confessar nunca fizeram uma greve, nem mexeram uma palha pela dignidade docente.


    Por isso, compreendi o memorando como uma necessidade de paragem , de consenso, de estudo de novas estratégias de luta e negociação.


    O trabalho de sapa, de quase terrorismo psicológico começou nesses blogues e para surpresa minha os sindicatos endureceram as formas de luta e todas as formas de diálogo foram cortadas!


    Precisamente na altura em que se atiçou o ataque aos sindicatos!


    Um erro estratégico inacreditável, um ver, não sentido, que os movimentos valiam e valem o que valem e sobretudo que escondem um cunho anti-sindicalista bem marcado.


    Para mim um dos maiores erros da Plataforma e da FENPROF em particular: não desmascarar estes movimentos!


    O que se passou em 15, a iniciativa do Guinote (claramente um ataque aos sindicatos - e vejam como esta figura vai ganhando espaço e visibilidade), a manifestação de Sábado ( o ridículo de pedir a demissão do Governo nesta fase de luta, pelo senhor Ilídio, embora floreie por palavras a diferença entre pedir e ponderar), a forma como qualquer proposta de ADD da FENPROF é achincalhado no blogue do PG, e se dúvidas houvesse a ameaça e chantagem pura do Ramiro no seu Blogue, da criação de um novo sindicato...ou ordem, deveria fazer pensar a FENPROF! Mas parece que não faz!




    Porque...parece que há outros valores que a preocupam internamente e,o que passou no SPN é prova disso.




    Tenho pena porque: ou os sindicatos retomam o a sua liderança nesta luta e sobretudo a sua força negocial, ou se separam inequivocamente destes movimentos que valerão 1500-2000 docentes, ou muito, mas mesmo muito irão perder!


    ABRAM OS OLHOS!


    É nisto que jogam estes movimentos no desgaste, no encosto à Plataforma quando lhes interessa, e quando começam a perder visibilidade, o ataque, as iniciativas procurando desprestigiar os sindicatos!




    Exagero? Incrível como existe tanta lentidão a perceber as coisas!




    Para Paulo Guinote, «os sindicatos têm sido muito lentos na análise jurídica a estas situações» e, numa altura, em que se acumulam dúvidas sobre a legalidade de alguns aspectos do Estatuto da Carreira Docente e a articulação da versão simplificada da avaliação com o modelo original, este professor acredita que um parecer jurídico pode ser uma arma mais eficaz do que greves e manifestações.




    «Vamos ver até que ponto a legislação produzida pelo Ministério está de acordo com a Lei de Base da Educação», anuncia, acrescentando que o documento que Garcia Pereira irá produzir «pode depois ser usado em acções judiciais quer contra o Ministério, quer ao nível das escolas».


    «Pedimos o parecer a Garcia Pereira, por ser um especialista em questões laborais e pelo seu carácter combativo», justifica Guinote, que conta ter o documento nas suas mãos dentro de alguns dias.




    Leram Bem? Os sindicatos isto, o carácter combativo do Garcia Pereira .


    Não conseguem descodificar? Nem se admirem se no seguimento vier o Nabais e o Martins!


    OU estas pérolas de alguém que nem sequer é Educador ou Professor do básico e Secundário: "“Os dirigentes dos movimentos independentes têm autoridade e legitimidade para irem mais além. Se os sindicatos voltarem a trair, talvez esteja na altura de os movimentos se unirem na construção de uma alternativa. Vamos esperar para ver o que acontece com as negociações do ECD. Até agora, a Plataforma Sindical tem-se portado bem, graças sobretudo à liderança determinada de Mário Nogueira. Mas, se houver recuo ou cedência nos princípios, estará na altura de os movimentos fazerem aquilo que tem de ser feito e aquilo por que muitos professores esperam: uma alternativa credível. E a alternativa tem um nome: sindicato ou ordem.”



    “... destas que eu prefiro as pequenas e médias manifestações, convocadas pelos movimentos independentes, às marchas organizadas pelos sindicatos. Nas concentrações e manifestações promovidas pelos movimentos independentes, há mais espontaneidade, criatividade e alegria. Sente-se no ar uma onda de liberdade. Coisa que dificilmente eu consigo vislumbrar nas grandes marchas organizadas pelos sindicatos. Não sei, com rigor, a que se deve essa diferença. A verdade é que eu não confio nos dirigentes sindicais, mas tenho imenso respeito e admiração pelos dirigentes dos movimentos independentes.” Leram bem? Bastonariozinho, ou bastonadazinha?


    O Senhor MN que seja menos mediático, explosivo e mais pragmático!


    A inteligência também é precisa no movimento sindical

    Maria Ferreira says:

    Uma equipa muito bem formada embora haja elementos do sindicato. Já sabemos que não é investigação, o que é pena. Um estudo seria bom. Mas aguardemos pela publicação do relatório no scribd e por mais conclusões e reflexões.

    É pena que os Anónimos não dêem a cara quando promovem a divisão...
    Usar o anonimato com fins menos dignos não é bonito, é feio!
    Criticar os sindicatos vi o Ramiro Marques criticar como aliás muitos professores, mas também o vi unir, unir a classe quando foi preciso! E unir em torno dos sindicatos também, que são quem nos representa nesta luta!
    E união é a palavra de ordem. Neste momento não precisamos de vozes dissonantes!

    Ena pá, sou mesmo importante! Não fazia ideia!

    Anónimo says:

    Já que falou no caso Freeport esqueceu-se de elaborar um post sobre os quatro dirigentes do Sindicato dos Professores do Norte (SPN) que se demitiram do PCP, acusando o partido de se imiscuir na vida interna da estrutura sindical.

    Foi lapso ou foi parcialidade?

    Anicas says:

    Não é preciso tanto trabalho. Está mais do que visto que eles andam a ziguezaguear, a ver se ainda vão a tempo de não perder a corrida. O que é certo que no seu discurso de agradecimento às entidades que promoveram o relatório, Sócrates agradeceu a prestação de Maria de Lurdes Rodrigues, num tom de "crónica de uma morte anunciada": utilizou o pretérito perfeito do indicativo, para se referir a toda a actividade da Ministra da Educação. Está morta e bem morta, até no discurso de Sócrates.

    Uns acusam-me de ser afecto ao PC e à FENPROF e outros de ser inimigo do PC e da FENPROF. Fogo! Que grande confusão! Realmente, eu não pertenço nem simpatizo com nenhum partido ou sindicato. Mas será que é proibido ser independente? Totalmente independente? A luta dos professores tem donos? Ou só os que são dirigentes sindicais e dirigentes dos partidos é que têm direito à palavra? Isso foi há muito tempo na União Soviética e deu mau resultado.

    Anónimo says:

    Há ratazanas ministeriais neste blog!!!

    Isabel says:

    O relatório encontra-se disponível no Ministério da Educação - Portal da Educação - "Avaliação internacional da política educativa para o 1.º ciclo elogia as melhorias introduzidas entre 2005 e 2008" - no finas da página clicar em "estudo"

    Isabel says:

    Deve ler-se. "No final da página"

    Talvez, Ramiro, talvez eles temam os verdadeiros independentes...

    Anónimo says:

    Obrigado Ramiro por ajudar a desmascarar esta palhaçada!

    AB says:

    Claro que é importante, Ramiro. É muito importante para tantos de nós que procuram neste espaço, a informação, os conselhos, o apoio de que necessitam para levarem por diante esta marcha. Se não fosse importante, esses espiões não se davam ao trabalho de o atacar. Continue, por favor, tem o meu total apoio. Muito Obrigada.

    Obrigado, Cristina. Deus lhes perdoe porque eles não entendem nada. Só vêem a realidade com os olhos dos dirigentes dos partidos e dos sindicatos. Eu já perdoei.

    Obrigado, AB também. Claro que continuo. Será que os que me atacam não percebem que eu tenho 54 anos, a vida deu-me tudo o que eu desejei e muito mais do que eu merecia e que não ambiciono a mais nada senão poder viver em liberdade e com saúde? Será que não entendem que há pessoas que não aspiram a ter mais nada do que aquilo que ja têm? Volto a afirmar: não pertenço a nenhum partido nem sindicato e nunca irei pertencer. Não porque não sejam necessários e importantes; simplesmente porque não quero.

    Anónimo says:

    Excelente trabalho Ramiro. Esta entrada é muito interessante.

    Obrigado.

    Abraço.

    Paulo Prudêncio (o anónimo deriva de não estar registado no google/blogger)

    AB says:

    Estes lacaios andam muito agitados e nervosos. Tenho reparado que nos últimos dias têm feito por aqui algumas rondas bem agressivas. Devem estar a ser pressionados pelos patrões, têm que apresentar trabalho.

    Deolinda says:

    Pelos nomes dos autores do estudo, percebo que estiveram a fazer a auto-avaliação (p. ex., Isabel Alçada, do PNL), colocando-se no excelente e sendo bem pagos para o fazerem. Enobreceram-se e tentaram exaltar o trabalho da tutela. Aqui há conotações políticas mas, de qualquer modo, todos os trabalhos encomendados e pagos apresentam resultados tendenciosos, porque favoráveis a quem os solicita. É assim, é a investigação orientada.
    Este "estudo" deve ter estado à espera de uma oportunidade para ver o sol, abafando os ecos de corrupção e compadrio.
    Também reparei no pretérito perfeito utilizado por Sócrates e pensei que talvez ele estivesse a dar-lhe a possibilidade de "sair em grande", aos olhos da opinião pública. Mas não podemos armar-nos em adivinhos que o fulano tem espírito de contradição...

    Alex. says:

    Os relatórios podem elogiar ou denegrir o que quiserem... a verdade é que, como mãe, acompanho os pequenotes a irem para a escola a tempo inteiro "nine to five", sendo que só alguns têm "vaga" para almoço, senão recorrem a ATLs caríssimos, cuja única função é o transporte das crianças. E os recreios das escolas, autênticos pântanos; e as casas de banho; e a falta de aquecimento; já agora uma salita para atendimento aos E.de Ed? Etc, etc, etc. Estas verdades os relatórios mostram? E são só exemplos! Haveria uma enorme lista a contrariar as inverdades que os politiqueiros querem fazer passar! Era por aqui que o verdadeiro investimento deveria começar.

    Anónimo says:

    Olá Ramiro!

    Recebi este mesmo comentário anónimo por e-mail.

    Acho abominável, cá pra mim foi escrito por um sindicalista. Ja não bastava o ME dividir paera reinar, agora chegou a vez destes sindicalistas?

    Temos que estar atentos e unidos mais que nunca...

    Um abraço,

    Safira

    Não entendem, não, Ramiro!
    E ainda não entenderam que não entendem! E não sabem o que perdem! Que Deus lhes perdoe e que Deus os ajude! A ver!
    Viver as coisas simples da vida, lutar por aquilo em que se acredita, estar integrado num grupo que luta por uma causa, é muito bom e tem mais força do que aquilo que se possa imaginar. E isso é de temer, sim! Essa é a verdadeira força!

    Anónimo says:

    Fui procurar o original e ... a OCDE não lista tal documento.
    Tem estudos do ensino superior, da Escola da Ponte, etc, mas nada sobre uma avaliação do ensino básico português.
    Será um relatório de uma visita de estudo?
    MJP

    Safira! Ena pá! Estão a dar-me mais importância do que aquela que eu mereço. Uma campanha contra mim através de emails e de sms? Fogo! E julgam que isso me mete medo? Eles não vêem que isso só aumenta a audiência do blog? Não acredito que sejam sindicalstas a promover essa campanha. Devem ser - isso sim! - uns tontos que por aí andam. Volto a referir: os sindicatos são muito necessários e importantes.

    Anónimo says:

    "Obrigado, Paulo Prudêncio. Andam muito nervosos. Agora, deram em vigiar-me. Não vale a pena porque os serviços secretos já controlam o meu telemóvel. Podem controlar à vontade!"

    Coisas de garotos.

    Abraço e força aí.

    Paulo Prudêncio.

    Safira says:

    Ramiro,

    Entretanto recebi um e-mail do Paulo Guinote a dizer-me de onde partiu este comentário, ele investigou e descobriu em Bilros e Berloques.

    Mas não ligue não, continue o seu trabalho que muito tem dignificado os professores.

    Gostei de o conhecer, um abraço!

    Safira

    Anónimo says:

    Por isso o Ventura estava logo na primeira fila!!!

    Anónimo says:

    Este relatório encomendado e promovido por tantas entidades e personalidades pagas pela tutela faz-me lembrar a "escola do elogio mútuo"! Viva! Alvíssaras a quem não consegue independente e imparcial! Viva!

    Este relatório além de pretender fazer publicidade enganosa, pretende também dar força às próximas reformas educativas: fim dos chumbos no 1º ciclo e colocar os professores de 2º/3º/secundário a dar as AEC, quando passarem de QE/QZP a QA. Vejam lá aqui:
    http://www.min-edu.pt/np3/3167.html

    "a eliminação da retenção no 1.º ciclo "

    "uma utilização mais flexível dos professores existentes nos agrupamentos na realização destas actividades."

    Tino says:

    Não percebo para quê ouvir tanta gente. Para isto, bastava ter ouvido um secretário de estado ou pedir à Fernanda Câncio para escrevinhar um textozeco no DN...

    Isto é uma barbaridade, o que está escrito na página do ministério!
    Barbaridade completa!
    Só acredita que a educação é este mundo encantado quem anda muito distraído...

    quink644 says:

    http://porquemedizem.blogspot.com/2009/01/prmio-dardos.html#links

    Anónimo says:

    E vergonhoso como a OCDE deixa estas coisas nas mãos desses portugueses... Ainda perde a credibilidade toda...

    Anónimo says:

    Este é um relatório não é um estudo e não é da OCDE. Segundo se diz é feito com base na metodologia da OCDE... andam a usar o seu nome, o que é ainda mais grave... para justificar as enormidades que andam a fazer... para fazerem a sua propaganda, ou melhor para fingirem que está tudo bem...

    Anónimo says:

    in Público:

    "Junta médica tinha declarado docente permanentemente incapaz
    Caixa Geral de Aposentações recusa reforma a professora com cancro na língua
    17.10.2007 - 18h16 Lusa


    A Caixa Geral de Aposentações (CGA) recusou a reforma por invalidez a uma professora de 50 anos a quem foi retirada parte da língua devido a um cancro, anulando uma decisão da junta médica que a tinha declarado permanentemente incapaz.

    Em declarações à Lusa, Conceição Marques, professora do primeiro ciclo na escola básica da Regedoura, em Ovar, explicou que, em 2003, foi-lhe diagnosticado um cancro na língua, tendo sido submetida, em Abril do mesmo ano, a uma cirurgia para retirar uma parte substancial daquele órgão, o que a deixou com grande dificuldade em falar.

    Na altura, foi-lhe dada uma baixa médica de 36 meses e, no final desse período, a Direcção Regional de Educação do Centro indicou-lhe que deveria pedir a aposentação por invalidez, um processo que se arrasta desde Novembro de 2005.

    "Tenho muitas dores e uma grande dificuldade em falar, sobretudo depois de algumas horas a dar aulas. Às vezes, durante as aulas, fico com lesões na língua, que começa a sangrar, e tenho de pedir a alguma colega ou funcionária da escola para ficar com as crianças", contou a docente.

    CGA anula decisão de junta médica
    Em Agosto do ano passado, Conceição Marques, que lecciona há 29 anos, foi chamada à primeira junta médica, que a declarou permanentemente incapaz para o exercício das funções, tendo-lhe sido atribuída a aposentação por invalidez.

    No entanto, essa decisão acabou por ser anulada pela própria CGA, que alegou que tinha havido um erro no preenchimento dos relatórios por parte da junta médica.

    Perante o incidente, a professora pediu uma junta médica de revisão, para a qual foi chamada já em Agosto deste ano. Na sequência da mesma, a CGA notificou-a para ir a uma consulta de otorrinolaringologia numa clínica do Porto, marcada para ontem, mas, quando lá chegou, disseram-lhe que não havia qualquer marcação e que a consulta não poderia ser realizada por ausência do médico.

    "Não aguento mais dar aulas"
    Conceição Marques tem agora uma nova consulta agendada para 23 de Outubro, mas, perante o arrastar da situação e os vários incidentes do processo, lamenta que a Caixa Geral de Aposentações "ande a brincar" com a sua vida.

    "Não aguento mais dar aulas. Estou física e psicologicamente arrasada. Se eu morrer fico mais barata à CGA", afirmou a docente.

    A indignação de Conceição Marques é ainda maior porque nunca tinha requerido baixas médicas ou a reforma, mesmo quando, antes deste processo, lhe foram diagnosticados outros dois cancros.

    Em Julho de 1997, um cancro da mama obrigou-a a fazer uma mastectomia radical, retirando todo o seio direito, e quatro meses depois foi-lhe diagnosticado um outro tumor maligno no útero, o que levou à extracção daquele órgão e dos ovários.

    "Mantive sempre a minha vida profissional sem alteração. Mesmo nos dias da quimioterapia, nunca faltei e nunca pus baixa médica", assegura a professora.

    Hoje, no entanto, a situação é diferente. Conceição Marques afirma "não aguentar mais" e lamenta "não ser capaz" de dar aos seus 21 alunos do primeiro ano "tudo aquilo que merecem, inclusivamente estabilidade emocional".

    "Não compreendo o que me estão a fazer. Não se faz a mim, mas também não se faz a estas crianças", considerou Conceição Marques.

    Sindicato "exige que a tutela analise os casos"
    A situação indignou o Sindicato dos Professores da Zona Norte, que "exige que a tutela analise os casos que envolvem a aposentação de docentes, concretamente no que toca à apreciação e decisão das juntas médicas".

    "Já após o conhecimento de inúmeros casos de clara injustiça, onde docentes são obrigados a trabalhar em clara inferioridade física e psicológica, existem hoje situações que não foram alteradas e que, pelo contrário, se mantêm num impasse e seguem até contornos pouco claros", refere o sindicato, em comunicado.

    A Lusa contactou o Ministério das Finanças, responsável pela Caixa Geral de Aposentações, mas não obteve resposta até ao momento. (...)"

    DIZPARO! says:

    Força Ramiro!!!

    Anónimo says:

    Força Ramiro!

    Em@

    Anónimo says:

    Esta imagem é magnífica, Christo é magnífico!

    AB says:

    Estas situações de professores a terem que continuar a exercer com graves doenças, não vem mencionado no relatório. Deve ter sido esquecimento! Temos que os alertar para isso!