Professores da Escola Secundária de Santa Maria da Feira aprovaram recusa de entrega de O.I. e reafirmaram suspensão da avaliação de desempenho
Os professores da Escola Secundária/3 de Santa Maria da Feira, reunidos em plenário no dia 14 de Janeiro de 2009, perante as inexplicáveis pressões dos responsáveis do ME,
Considerando que:
1. O Decreto-Regulamentar n.º 1-A/2009, de 5 de Janeiro, não traz qualquer alteração substancial ao modelo de avaliação do desempenho do pessoal docente, consubstanciado no Dec-Reg n.º 2/2008, de 10 de Janeiro, e simplificado pelo Dec-Reg n.º 11/2008, de 23 de Maio, configurando apenas o mero reordenamento dos procedimentos no horizonte do corrente ano;
2. Previsto pelo ECD e regulamentado pelos diplomas referidos em 1., o modelo se revelou – e continua a revelar, apesar de os responsáveis do Ministério da Educação afirmarem o contrário – de matriz burocrática, de feição parcial e injusta, de exequibilidade difícil, de efeitos inócuos, se não perturbantes, sobre a dinâmica de ensino/aprendizagem, de consequências perversas para a estabilidade do exercício da actividade docente e de cariz atentatório da boa consciência profissional dos professores;
DECIDEM, na sequência das posições assumidas em 3 de Novembro de 2008 e reafirmadas em 11 do mesmo mês e ano – e em coerência com as mesmas –
A. RENOVAR, MANTER e REFORÇAR a sua atitude de suspensão do processo de avaliação resultante do modelo vigente;
B. Mostrar a total indisponibilidade para participar em acções referentes ao predito processo, designadamente com a entrega e negociação dos objectivos individuais;
C. Reiterar a inteira solidariedade com a posição assumida, em 29 de Outubro de 2008, pelos Coordenadores dos Departamentos Curriculares;
D. Apoiar as tomadas de posição dos Conselhos Executivos em prol da suspensão deste modelo, cuja descaracterização ou irónica simplificação o quer dar como aceitável;
E. Dar conhecimento desta resolução à ANMP (Associação Nacional dos Municípios) e à ANAFRE (Associação Nacional das Freguesias), dadas as novas e crescentes responsabilidades das autarquias na organização e funcionamento das escolas.
A DECISÃO QUE PAULO GUINOTE TOMOU HOJE na sua Escola!
Sendo quem é , acho que devemos ler com atenção as suas palavras e seguir-lhe o exemplo.
"Porque não entregarei os meus objectivos individuais?
Hoje na minha escola, EB 2/3 Mouzinho da Silveira, na sequência de uma Reunião Geral de Professores, foi decidida uma votação (por voto secreto e não de braço no ar) em que 60 dos 79 votantes se pronunciaram pela não entrega dos Objectivos Individuais (4 a favor, 15 votos brancos ou declarando não saber ainda a decisão a tomar), após debate sobre as várias vias de contestação ao modelo de avaliação do desempenho docente.
Não foi elaborada moção, por se ter chegado à conclusão consensual que este é um momento para tomadas de posição individuais, avaliando cada um(a) as suas razões para os seus actos.
Achei bem.
Deixo apenas aqui os fundamentos do meu voto contra a entrega dos OI e porque prefiro isso a adoptar uma das outras duas vias em presença (aceitar o simplex ou pedir a aplicação extensiva do modelo).
Não aceito o simplex por ele se ter tornado um simulacro de avaliação, mero pretexto eleitoralista e demagógico, de onde está ausente a componente essencial do trabalho de um docente.
Não acho, neste momento, válida a opção da aplicação extensiva do modelo, com tudo a que teria direito no sentido da implosão do modelo, porque isso significaria aderir a um processo em que o meu desempenho neste pseudo-”ciclo de avaliação” se resumiria à análise do meu trabalho em menos de seis meses, em duas aulas e um porta-folhas mais ou menos volumoso. Ora, em minha opinião, não é assim que se consegue aferir da excelência - ou outra coisa quaquer - do trabalho de um docente que tem orgulho no que faz.
Por isto, e por outras razões que vos poupo de repetir, decidi não entregar os meus Objectivos Individuais, independentemente das consequências que isso acarrete, embora garanta que resistirei por todos os meios contra qualquer tentativa de penalização disciplinar que agrave a não progressão na carreira. mesmo se sei que quem vai à guerra, dá e leva e essas coisas todas. Mas não há “lutas” (não gosto da terminologia guerreira, mas…) sem riscos. E ninguém pode ir para a aguerra apenas depois de ter a garantia que nimnguém dispara contra ele8a) ou que o fizer é de mansinho na direcção do dedo mindinho."
Paulo Guinote
Divulguem!!!
Ramiro:
Penso que a posição do Paulo Guinote merece um post.
Ramiro:os professores vão tomando ,e muito bem, posições em relação à suspensão da avaliação.Mas os PCE, nomeadamente os do Sul nem à reunião de Santarém vão, teremos que ser nós professores a indicar-lhes o caminho?
Os PCEs do Sul são uma vergonha.
PCE do Sul, vejam-se ao espelho.E o que é que este, vos diz?
Que sois ... vá ,façam lá um exame de consciência.Escrevi consciência,enganei-me porque não a têm.
Varrendo todas as excrescências verbais com que ambos os beligerantes nos tentam encharcar, cinjo-me ao objectivo, ao factual, e concluo o seguinte:
(i)- Este ano todos seremos avaliados - a não entrega dos OI é um mero distractor, pois todos somos obrigados a fazer uma autoavaliação e PCE é obrigado a preencher a respectiva ficha de avaliação.
(ii)- Desde o anúncio do simplex2 que validei a plena concordância entre a solução apresentada para este ano pela plataforma e a solução do ministério.
Diz a plataforma:
- autoavaliação no final do ano, possibilidade de anexar porta-folhas, avaliação do PCE (assiduidade, formação, actividades, ...) e estudar novo modelo para o futuro -.
Diz a administração central
- obrigatoriedade da ficha de autoavaliação, avaliação do PCE e estudar novo modelo em Junho.
Importa dizer que o simplex2 tem mais duas indicações:
- formulação dos OI - no actual contexto, sem os parâmetros que implicam os resultados dos alunos, estes OI mais não são do que um multiplicar de sinónimos sobre as funções de cada um; como disse, a sua não entrega não implica que não queremos ser avaliados - neste ano todos o seremos. Os OI são coreografia para os 'inginheiros' de novos processos dilatórios.
- Quem quiser MB ou EXC deve solicitar avaliação científico-pedagógica. Ora aqui é que a administração central procurou a tábua de salvação, tábua esta que, na minha opinião, poderia ser a tábua do naufrágio. Como? Simples: ninguém solicita avaliação científico-pedagógica. Resultado: todos são avaliados com BOM. Discursos finais, mesmo antes das próximas eleições:
- Ministério - Era nosso desígnio avaliar os profs e fizémo-lo.
- Professores + Sindicatos - Com esta avaliação se demonstrou que o modelo da administração mais não fez, afinal, aquilo que alguém disse não ter sido a avaliação durante trinta anos. E mais, falhou totalmente no objectivo-mor que era encontrar o mérito e a excelência.
Por que razão esta solução não interessa aos sindicatos?
No mais, fazer hoje uma greve porque em Setembro poderão aplicar-me com um modelo que já sofreu duas recauchutagens... parece-me pouco provável essa visão setembrina - basta que nas negociações que entretanto vão decorrer - não estas, as que virão! - os nossos representantes levem de facto uma proposta de modelo - para quando trabalho nas escolas na procura desse modelo!
Bem hajam pela paciência de me lerem.
Afonso
E QUE TAL SE NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES RECAUCHUTÁSSEMOS O GOVERNO, HEIN???
Ramiro, onde estão os 139 PCEs que estiveram em Santarém? O Ramiro até escreveu num comentário lá para trás que "bem gostava de publicar a lista das escolas que estiveram na reunião de Santarém, no dia 10/1, mas não ma dão." Então têm espinha e mostram-se ou ganharam eles medo? Porque não lhe dão a lista? Abandonam-no a si? Ou será que querem esconder alguma coisa?
Não acha que devíamos todos saber quem são para termos todos mais força?
12 de Janeiro de 2009 20:18
Os 139 PCE deram a cara , agora os outros, porque não foram? será que se esqueceram que podem voltar a desempenhar funções docentes?É com esses deslumbrados pelo poder, que nos devemos também preocupar.
Anónimo das 22:35 ,escreve muito bem mas esqueceu-se de um pormenor.É que o simplex segundo a Srª ministra ´é apenas para este ano ,depois o processo voltaria ao início.
OBS: o escrever bem não é ironia, mas não veja beligerantes ,onde eles não existem.
Deixem disso, todos à manif dia 24!