A situação a que chegámos é talvez o culminar da "tomada de assalto" das escolas pela burocracia e pelas elites que fomos criando em muitos anos de políticas educativas atípicas para a própria condição humana. Ela reflecte bem o estado geral da educação em Portugal, e não augura nada de bom se não ponderarmos o rumo em que estamos lançados. Várias ameaças pairam sobre a educação nacional neste momento, sobre as quais tecemos as seguintes considerações:
a) Avaliação dos professores
Afirmamos a necessidade de um sistema de avaliação de desempenho, tanto para os professores como para as escolas enquanto instituições colectivas. A avaliação não é uma questão laboral mas sim uma questão educativa de fundo e uma indispensável ferramenta estratégica para a melhoria de competências e práticas pedagógicas e científicas, e para garantia da qualidade das aprendizagens.
Em consciência, não podemos concordar com sistemas de avaliação "fast-food", criados à luz de critérios economicistas, sem quadros independentes, formados e especializados na problemática educativa, e sem critérios e objectivos de longo prazo devidamente estabelecidos. É imperativo saber o que queremos da escola moderna e dos novos professores para saber o que vamos avaliar.
Consideramos prejudicial aos interesses dos nossos filhos e do futuro do país, um sistema de avaliação que visa pressionar o professor a facilitar a avaliação dos alunos. Os nossos filhos merecem uma preparação efectiva e não meramente estatística.As estatísticas de sucesso podem servir para abrilhantar relatórios, mas não servem os interesses dos nossos filhos nem o futuro do país.
b) O estatuto do aluno - em particular o novo regime de faltas
Não podemos concordar com o abandono de valores culturais essenciais para a formação do carácter individual e colectivo de uma sociedade de sucesso. Rigor, esforço, dedicação, dever, responsabilidade e disciplina estão cada vez mais longe da escola.
Consideramos uma grave subversão dos valores que a escola transmite quando se trata por igual situações que são antagónicas, premiando a irresponsabilidade e prejudicando o empenho. Não há sensação de justiça quando se equipara uma falta por doença ou motivo justificativo a uma simples "balda" ou "gazeta".
Acreditamos numa escola humanista, tolerante e geradora de solidariedade que seja capaz de dar todas as oportunidades a todos os alunos. Mas a escola nunca o será verdadeiramente se não for capaz de premiar a competência, reconhecer o esforço, e censurar o desleixo.
Apelando à serenidade e a meios de expressão em que prevaleça o respeito pela ordem pública e pela diferença de opinião, prestamos a nossa homenagem, admiração e solidariedade ao movimento estudantil e às associações de estudantes onde, afinal, o espírito crítico ainda sobrevive. É para nós um desejo que as novas gerações possam ser mais pró-activas (e menos passivas) no uso e reivindicação do seus direitos, liberdades e garantias, numa cultura de intervenção cívica própria das sociedades mais desenvolvidas.
Lamentamos profundamente e recusamos quaisquer atestados de menoridade ou de incapacidade crítica, implícitos nas insinuações de que os nossos filhos estão a ser manipulados. Aos que as fazem, lembramos as palavras de Epicleto: "Não devemos acreditar na maioria que diz que apenas as pessoas livres podem ser educadas, mas sim acreditar nos filósofos que dizem que só as pessoas educadas são livres".
c) Apelamos a um debate nacional, e a uma reflexão profunda
Em tempo de mudança, de uma Sociedade da Informação que se quer transformar em Sociedade do Conhecimento, da velha pessoa "reactiva" para a nova pessoa "pró-activa", que seja um verdadeiro agente de transformação, capaz de construir conhecimento, que aluno é que queremos?
Em tempo de mudança, dos velhos sistemas analógicos para a era digital, em que jovens teclam tão rápido num telemóvel ou num computador e em que nos habituámos a ver o mundo em mudança rápida e permanente até ficar bem diferente poucos anos depois de se ter iniciado o percurso escolar; que professor é que queremos?
Em tempo de mudança, o que é mais importante: traçar um perfil novo para o professor, o educando e as aprendizagens e acompanhar com uma avaliação honesta, sensata e rigorosa, ou avaliar sem se saber o que se está a avaliar porque não se sabe o que se quer? Que escola é que queremos?
Queremos a escola que Kant nos descreve, quando afirma "É por isso que se mandam as crianças à escola: não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que depois não pensem mesmo que têm de pôr em prática as suas ideias"?
Ou acreditamos em Tucídides, quando afirma "Não pensem que um ser humano possa ser muito diferente de outro. A verdade é que fica com vantagem quem tiver sido formado na escola mais rude"?
d) Afinal, o que é que queremos construir?! Afinal, o que é que queremos avaliar?! Resignamo-nos à mediocridade, à falta de meios, à falta de ambição?
A maior derrota é perder a capacidade de reflectir. Perder a oportunidade de parar para pensar, para dialogar. Essa perda afecta o homem e a sociedade no seu último elo: a sociabilidade.
Ao longo dos últimos anos temos vindo a assistir ao desaparecimento das ciências sociais e humanas dos currículos educativos. À luz daquilo em que se transformou a política - discursos e estatísticas - esta acabou por transformar a educação em Português e Matemática.
Como afirmou o reconhecido académico António Damásio, "(...) o ensino das Artes e das Humanidades é tão necessário quanto o ensino da Matemática e das Ciências,(...) Ciência e Matemática, por si, são insuficientes para formar cidadãos".
Não admira pois que alguns titulares de órgãos de soberania tenham "fracos índices de cultura social". São já fruto de políticas educativas avessas à própria condição de cidadania. Não mudemos nada, e imaginem como serão aqueles que nos governarão amanhã.
Resta-nos a esperança de que com o novo modelo de gestão, as escolas passem a responder perante a comunidade e não perante o sistema. Resta-nos a convicção de que com o reforço do peso dos pais e outros elementos da comunidade na gestão das escolas possamos, em conjunto com os professores e os nossos filhos, mudar um destino fatal.
Assim, e pelo exposto, os Pais e Encarregados de Educação abaixo assinado, requerem a Sua Ex.a a Ministra da Educação:
- A suspensão do Decreto-Regulamentar 2/2008 de 10 de Janeiro, que regulamenta o regime de avaliação de desempenho do pessoal docente do pré-escolar e dos ensinos básico e secundário;
- A urgente abertura de um processo negocial, que promova um amplo debate nacional e uma reflexão séria sobre os objectivos nacionais a atingir através das políticas educativas;
- A abertura de um processo de revisão da lei 3/2008 de 18 de janeiro, que aprova o Estatuto do Aluno dos Ensinos Básico e Secundário, de forma a consagrar princípios de justiça e uma cultura de empenho, rigor, esforço e exigência na vida escolar dos nossos filhos e futuros pais, líderes e garantes deste país.
Os abaixo-assinado:
Quem deu início a este movimento? Não foi o excelentíssimo albino, com certeza!
Apoio incondicionalmente o subscrito e gostaria de enfatizar um ponto: o ensino das Artes e Humanidades é fulcral para a valorização integral do educando. Numa época em que só se fala em planos tecnológicos eis uma lufada de ar fresco.
Claro que não foi o senhor Albino nem a CONFAP. Estes pais têm uma concepção de escola radicalmente diferente do senhor Albino.
Li com atenção todo o texto. Saúdo todos os responsáveis por esta iniciativa e todos os pais conscientes que a assinarem, a bem dos seus filhos e, por consequência, dos professores, da escola e do futuro deste país. A exposição é longa e clara. Foca aspectos essenciais e necessários que qualquer país civilizado se orgulha de ter na educação dos seus jovens cidadãos. São precisamente estes os aspectos que fizeram os professores encher as ruas de Lisboa e esvaziar as escolas em greve. Pais deste País: nós não lutamos por dinheiro, mas por respeito e dignidade. Há muito que nos sentimos muito ofendidos e humilhados por quem tem o dever de ser o primeiro a reconhecer o nosso valor. Mas nem assim deixámos de querer o melhor para os vossos filhos. Nós sabemos o valor que eles têm e é, em nome deles, o nosso trabalho e o nosso esforço e eles sabem isso A escola só será o que deve ser quando os grandes interessados: pais, alunos e professores se derem as mãos e colaborarem juntos. Para vós o meu agradecimento.
Ramiro
A opinião pública julga, erroneamente a meu ver, que os pais e encarregados de educação são representados por esse senhor albino.
Seria benéfico, principalmente para os EE, que se divulgasse o mais possível, movimentos como este.
Por mim farei a minha parte.
Neste momento no Rádio Clube Português, o Procurador Geral da República diz que atempadamente enviou equipas às escolas verificar que os gangues que se formam no espaço escolar integram alunos a partir dos 14 anos em média, armados com armas de fogo (apurou marcas, preços e origem).
Chamou a atenção para que os Conselhos Executivos branqueiam a violência e a criminalidade. A Ministra da Educação fartou-se de estrebuchar (claro!), mas o PGR já recebeu mais de 200 queixas de professores que denunciam violência impune nas escolas.
Relativamente à Escola do Cerco, o caso da pistola está em investigação e se se provar que execedeu o âmbito da indiscplina escolar, o Ministério Público vai actuar, independentemente da "penalização" que a escola atribuiu.
Quem são estes pais? Saberão eles que interesses estão por detrás da contestação ao modelo simplificado? Vamos lá fazer a avaliação e deixarmo-nos de música.
o anónimo das 13:06 provavelmente nunca foi avaliado.
é um delegado de propaganda médica ao serviço do ME?
E quem é você, anónimo das 13.06?
Há Pais acordados. Obrigada e que muitos se juntem a nós pela defesa da escola pública.
Ramiro, obrigada pelo blog.
Vinte escolas suspenderam avaliação em dois dias
PEDRO VILELA MARQUES
www.dn.sapo.pt/2009/01/10/sociedade/vinte_escolas_suspenderam_avaliacao_.html
Os pais percebem que a contestação resulta do sonho de voltar à lástima. Para além desta, há a contestação animada pelo lobbie do superior que quer comer o bolo da avaliação. Não sejam básicos, abram os olhos!
Corrupção Freeport:
Em Portugal o caso está parado, claro, mas os Ingleses apertam o cerco a Sócrates
Ingleses suspeitam de corrupção de ex-ministro de Guterres no caso Freeport
Note-se a preocupação de não mencionar o nome de José Sócrates.
Toda a gente sabe que era ele o ministro do Ambiente da altura.
O Freeport, construído numa Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo, foi viabilizado num dos últimos Conselhos de Ministros do Governo de António Guterres, durante o mês de Março de 2002. Nessa altura, de acordo com as autoridades inglesas, saíram da sede da empresa em Londres grandes quantias de dinheiro que foram transferidas para Portugal através de "offshores" na Suíça e Gibraltar, alegadamente para o pagamento de "luvas".
O processo relativo ao espaço comercial do Freeport de Alcochete está relacionado com suspeitas de corrupção na alteração à Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo (ZPET) decidida três dias antes das eleições legislativas de 2002, através de um decreto-lei, e que terá sido mudada para possibilitar a construção da infra-estrutura que já tinha sido anteriormente chumbada por colidir com os interesses ambientais acordados entre Portugal e a União Europeia.
O caso tornou-se público em Fevereiro de 2005, quando uma notícia do jornal "O Independente", a escassos dias das eleições legislativas, divulgou um documento da Polícia Judiciária que mencionava José Sócrates, então líder da oposição, como um dos suspeitos, por alegadamente ter sido um dos subscritores daquele decreto-lei quando era ministro do Ambiente. Posteriormente, a Polícia Judiciária e a Procuradoria-Geral da República negaram qualquer envolvimento do então candidato a primeiro-ministro no caso Freeport.
Em Setembro passado, o processo do Freeport passou do Tribunal do Montijo para o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), liderado pela procuradora-geral adjunta Cândida Almeida.
www.joaotilly.weblog.com.pt/
Eles têm interesses, nós temos uma causa
A escola deles destina-se (Maria de Lurdes Rodrigues dixit) a "qualificar". A escola deles serve para que os jovens das classes baixa e média baixa adquiram as competências instrumentais que o mercado requer para o País ser "competitivo". Na escola deles, as Ciências, as Artes, as Letras, a Filosofia são luxos para quem os possa pagar. A escola deles é tecno-burocrática, está ao serviço da oligarquia e é, no sentido mais literal do termo, profundamente reaccionária.
A nossa escola destina-se a ensinar e a aprender. A nossa escola é civilizadora. Na nossa escola, todos, mas mesmo todos, têm de ter acesso ao melhor que a nossa civilização tem para dar. Pode ser que a maioria não não queira chegar lá - mas todos têm que ter essa possibilidade. Na nossa escola, as Ciências, as Artes, as Letras, a Filosofia são um património irrenunciável de todos. A nossa escola está ao serviço da República. A nossa escola permite a formação de elites, mas, ao contrário da deles, não aprisiona as pessoas em castas.
Contra as OCDE's, contra os Sócrates, contra as Marias de Lurdes Rodrigues, contra as burocracias ministeriais, a nossa escola é um ideal pelo qual vale a pena lutar: com sacrifício, com esforço, com perseverança, com inteligência e com coragem. Durante décadas, se for preciso. Recorrendo até à desobediência civil, porque mesmo a legitimidade conferida pelo voto fica invalidada quando a governação se faz, conscientemente e como é actualmente o caso, em detrimento da República.
Muito antes de ser uma organização do Estado, já a Escola era uma instituição da Sociedade. Defendê-la-emos por todos os meios ao nosso alcance, se necessário contra o próprio Estado. E se os inimigos da Escola Pública e Republicana jogarem sujo, também nós seremos capazes de o fazer.
www.legoergosum.blogspot.com/2008/12/eles-tm-interesses-ns-temos-uma-causa.html
Os bons pais e os bons professores
Uma leitora deste blogue achou de muito mau gosto eu escrever que os melhores pais estão com os professores. Compreendo e lamento a indignação da senhora, mas mantenho o que afirmei.
Há décadas que os governos europeus, incluindo o português, andam a fazer tudo o que podem para transformar a Escola Pública numa fábrica de mão-de-obra barata. Quem está por dentro do sistema, como os professores, está farto de saber isto. Quem está por fora talvez não o saiba, até porque estas políticas não são daquelas que se façam às claras.
Mas se algum pai sabe disto e se conforma, não pode ser um bom pai. Um bom pai não aceita ver os filhos condenados a uma vida inteira de pobreza e escravidão.
Associação de Pais da melhor Escola Pública do ranking
Eu já desconfiava, mas a prova está aqui:
OS MELHORES PROFESSORES ESTÃO CONTRA O MINISTÉRIO.
OS MELHORES PAIS ESTÃO COM OS PROFESSORES.
Escola Pública ou Escola Republicana?
Foi com enorme satisfação que vi, nas manifestações e nas greves dos professores, a profusão de cartazes reivindicando a defesa da Escola Pública. E foi com igual satisfação que vi alguns analistas políticos mais perspicazes começarem a aperceber-se que o conflito entre os professores e o Ministério é cada vez menos de ordem laboral e cada vez mais de ordem política.
Nos próximos meses assistiremos a negociações entre o Ministério e os Sindicatos. O que vai estar em cima da mesa vai ser o Estatuto da Carreira Docente, o Modelo de Avaliação e mais um ou outro afloramento do iceberg que calhe estar na ordem do dia. Sobre estes assuntos, cada uma das partes fará muitas cedências, poucas cedências ou nenhumas cedências conforme o poder negocial que tenha na altura. Nada disto é importante.
O que não estará em cima da mesa é a parte submersa do iceberg. E os professores sabem disso. E porque os professores sabem disso, tanto o Ministério, como os sindicatos estão em pânico. Sentados à volta da mesa, não se ouvirão uns aos outros: terão os ouvidos apurados só para os primeiros sinais de que o Comendador de Pedra se prepara para entrar na sala.
Os gatos saíram do saco e ninguém os vai conseguir meter lá outra vez. Os professores portugueses politizaram-se e ninguém os vai despolitizar. Perceberam que estão frente a frente duas concepções de escolas incompatíveis nos seus pressupostos, na sua concepção do humano e acima de tudo nos interesses que servem. De um lado, aquilo que apareceu referido nos cartazes como a Escola Pública e a que os nossos colegas franceses chamam, talvez com mais propriedade, a Escola Republicana, que se define pelo acesso de todos ao melhor que a nossa civilização oferece. Do outro lado, o inimigo: a escola tecno-burocrata, para a qual não há «civilizações», mas sim «economias», e cujo projecto consiste em ensinar uma pequena elite económica, ficando reservado a todos os outros aquilo a que Maria de Lurdes Rodrigues chama «qualificação».
A luta entre os professores o Ministério da Educação é um conflito de culturas e civilizações. Se permitirmos que o Ministério vença, os nossos netos serão selvagens.
www.legoergosum.blogspot.com/2008/12/escola-pblica-ou-escola-republicana.html
Na lista dos signatários há de tudo, desde dirigentes de partidos da oposição até professores com centros de explicações. Claro que serão também pais e EE...
Ui! Essa dos Centros de Explicações tem mais que se lhe diga. Esse é outro Mundo que mereceria ser devidamente investigado.
Ramiro,
Não quero estar sempre a falar do mesmo, mas tenho de me fazer justiça também.
Há séculos que ando a falar da greve de cinco dias, acompanhada de reuniões com as associações de pais, para os envolver activamente na nossa luta. De Chaves, veio logo o sinal, mas os professores deste país não souberam dar o devido crédito a essas ideias. Estamos a menosprezar um aliado importantíssimo: aquele que este ME quis voltar contra nós.
Certas associações de professores, formadas recentemente, copiam os sindicatos nos seus vícios e preconceitos principais: tudo o que não seja da sua lavra é utópico, inconsequente ou tão ingénuo que não merece atenção; outros há que pensam que os colegas que escrevem, dando o seu melhor para esta luta, o fazem apenas para se promoverem e não publicam nada (como se isso lhes saísse caro).
É ESTA MESQUINHEZ QUE GERA O ENFRAQUECIMENTO DA NOSSA LUTA, MOLA QUE IMPULSIONA O AUTORITARISMO DA MINISTRA.
P.S.- Como é óbvio, nada disto se aplica ao Ramiro. Já toda a gente sabe o que eu, até morrer, pensarei a seu respeito!
Li o texto e concordo com ele mas parece-me que para que esta petição se torne válida falta-lhe o nº do BI, de quem a assina, e o arquivo de identificação.
Há tempos assinei uma moção que foi considerada inválida porque lhe faltavam estes elementos, teve de ser feita nova moção com todos os dados para a tornar válida.
Claro que a Maria Antónia tem razão! Sem o número do B.I., a petição não vale NADA. Façam as coisas bem feitas, por favor.
O que eu acho piada, e só falo da realidade que conheço, os profs agora quererem tanto a ajuda dos pais, acho muita piada.
Luís,
o seu comentário faz todo o sentido!
Se lutássemos por um sentido de classe não teríamos que envolver os pais e encarregados de educação, mas a nossa luta é por valores educativos e por valores sociais, como aliás, está bem expresso nesta petição.
Assim sendo, os pais e encarregados de educação são os primeiros a ter interesse em intervir a favor dos seus filhos e educandos.
É um "volte de face" o que se está a passar e ainda bem, porque se está finalmente a perceber e a passar para fora, que esta é muito mais que uma luta de uma classe, esta é uma luta de cidadãos em prol da EDUCAÇÃO, DA DEMOCRACIA, DA CIDADANIA!
Anónimo
11 de Janeiro de 2009 17:20
Se há coisa que sempre fiz, ao longo da minha carreira, foi esclarecer e envolver pais e encarregados de educação em todos os aspectos da vida escolar dos seus/nossos educandos e de toda a comunidade educativa.
Como não tenho o "tempo de antena" que tem o ME, procuro, em todos os encontros com os pais e encarregados de educação, trabalhar os assuntos relacionados com as aprendizagens de seus educandos (planificações do trabalho, passos a dar para melhor compreensão das matérias, utilização de métodos e de estratégias e avaliação do trabalho realizado) e, sempre que possível, procuro ler com eles, falar e debater a imensa legislação que vai saindo e que a todos diz respeito.
Os pais dos meus alunos para além de preocupados estão suficientemente esclarecidos e dispostos a lutarem, com toda a comunidade escolar, em prol da Educação e da Democracia.
Ramiro,
Quem deu origem a esta petição?
# Anónimo 11 de Janeiro de 2009 13:06
Deixar-mo-nos de música? O anónimo não está a gostar do andamento?
Então, caro anónimo, remeta-se à sua ignorância!
Estará com medo dos PAIS QUE TÊM OS OLHOS ABERTOS?
Se calhar o seu problema é esse...
# Anónimo 11 de Janeiro de 2009 17:20
Continuar a demonstrar MEDO DOS PAPÁS BEM INFORMADOS!
Tenha calma... não se enerve...
Até pode nem ser avaliado pelos papás dos seus alunos, não é?
Relaxe e não venha para aqui escrever baboseiras que apenas demonstram o seu MEDO!
Vinte escolas suspenderam avaliação em dois dias
PEDRO VILELA MARQUES
Só em dois dias, 20 escolas de todo o País aprovaram a suspensão da avaliação do desempenho. As moções foram decididas entre terça e quarta-feira , logo a seguir à publicação do decreto de simplificação da avaliação, que impõe prazos para a calendarização do processo.
Segundo os representantes dos professores, esta segunda vaga de suspensões vai engrossar nos próximos dias, o que mostra que os docentes não desarmam face às ameaças do Governo de abertura de processos disciplinares.
Para o secretário-geral do Sindicato Nacional e Democrático dos Professores (Sindep), as duas dezenas de escolas de todo o País que decretaram a suspensão do processo, ao arrepio daquilo que são os prazos legais do Governo, são já muito significativas. “Estamos a falar de moções aprovadas em apenas dois dias, e que ainda assim representam só o começo da resistência, que vai tomar ainda maiores dimensões”, garante ao DN Carlos Chagas.
“Os professores sentem que têm o direito à indignação através dos meios legais”, diz João Dias da Silva, da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação, que reconhece que a ameaça de processos disciplinares gerou “algum medo nas escolas, embora não existam razões para isso” (ver caixa).
Já José Grilo Santos, presidente do Agrupamento de Escola de Sequeira, na Guarda, o primeiro nesta fase a decretar a suspensão da avaliação, reconhece que os conselhos executivos pouco têm a fazer se os professores não quiserem aplicar o actual modelo. Mas “no caso das escolas do nosso agrupamento, todos os professores aprovaram a suspensão, mostrando uma enorme firmeza”.
Apesar de já considerarem este números relevantes, os sindicatos esperam que a lista das escolas a pedir a suspensão aumente de forma significativa a partir de terça feira, dia de reflexão nas escolas. “Essa será uma data decisiva, porque os professores vão poder reunir nas escolas e votar novas moções”, frisa o secretário-geral do Sindep. “Até final do mês, altura em que acaba o prazo para entregar os objectivos individuais, ainda temos tempo para informar os professores e organizar a luta”, considera Carlos Chagas.
Já Mário Machaqueiro, da Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino, defende que “a dispersão geográfica das escolas que aprovaram a suspensão - lista que inclui a Infanta Dona Maria, em Coimbra, o Agrupamento de Sequeira, na Guarda, a Secundária D. Sancho, em Famalicão ou o Agrupamento de Escolas de Santo Onofre, nas Caldas da Rainha - é muito importante”. Para o professor revela “que o movimento está em crescendo, depois da primeira vaga de suspensões, anterior à simplificação do modelo”.
Ilídio Trindade, do Movimento Mobilização e Unidade dos Professores, confirma que o dia 13 será decisivo na luta contra a avaliação, mas defende que a partir de agora é preciso começar também a fazer a contabilização professor a professor, e não apenas das escolas que aprovam a suspensão: “É que, mesmo se tivéssemos o caso de todas as escolas apresentarem os objectivos individuais, haveria ainda assim muitos professores que não o fariam e continuavam a resistir. Poderiam até ser a maioria. E é preciso fazer essa contabilidade”. Este número seria recolhido em conjunto com os sindicatos e através de informações dadas directamente por aqueles que se recusem a ser avaliados.
www.dn.sapo.pt/2009/01/10/sociedade/vinte_escolas_suspenderam_avaliacao_.html
Penso que estaremos todos de acordo de que a defesa de uma melhor escola pública não se compadece com a ideia de que os professores devem estar contra os pais ou estes contra aqueles.
Uns e outros têm o seu papel na valorização de uma escola de qualidade que se pretende ter na nossa sociedade.
Naturalmente que nem sempre os pontos de vista e a forma de ver a educação em Portugal são consensuais, mas o importante é que tenhamos consciência, professores e pais, de que juntos podemos fazer uma escola pública melhor.
Já o disse noutro "post" deste blogue que os professores podem contar com o apoio dos pais (à excepção dos que pertencem à Confap, pelas razões que se conhecem!!), desde que os alunos não sejam prejudicados nas suas aprendizagens e no aproveitamento final.
Como já li aqui, concordo que nem todos os pais são esclarecidos,mas caberá aos professores essa tarefa de, no que respeita ao processo de avaliação,informarem e formarem da melhor forma os encarregados de educação. Só assim, os pais estarão em condições de entenderem as razões que assistem aos professores!
Como dirigente associativo numa escola e numa federação de pais, sei que, em muitas escolas, os pais e os professores estão de costas voltadas, mas não se devem imputar responsabilidades aos primeiros.
Provavelmente em cada escola, um encarregado de educação pode ter uma ou outra razão de queixa deste ou daquele professor, mas não é isso que está agora em causa.
Provavelmente, os pais e encarregados de educação mais esclarecidos (porque os outros nem aparecem!!) podem ter razões de queixa dos professores quando se tratou da aprovação do Estatuto do Aluno ou da legislação sobre a Autonomia e Gestão Escolar...mas não é isso que está agora em causa!
Agora, o que os pais e encarregados de educação não podem aceitar é que uma determinada política educativa contribua para desmotivar ainda mais os professores, quando nós necessitamos de professores empenhados em dar o seu melhor no ensino dos nossos filhos.
Para concluir, apenas uma referência sobre a petição à ME. Tive conhecimento desta petição através do site da CNIPE-Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação, onde pode ser consultada e saber quem é o seu autor. Basta ir ao Menu Principal, clicar no campo "Políticas Educativas" e voltar a clicar em "Petição à Ministra".
Sobre a questão do BI, e como de facto não está previsto nenhum campo para escrever o número, sugiro agora que se aproveite então o espaço dedicado na assinatura ao "comentário" ou o espaço opcional que fica por baixo, para colocar o nº do BI.
Desta forma ficará, à partida, resolvido o problema da validade da petição.