O Relatório recomenda, claramente, a entrega das escolas e dos professores aos municípios

Uma extrapolação deste princípio de delegação poderia ser a reserva de um orçamento para o conselho executivo de um agrupamento de escolas com o qual o mesmo pudesse suportar todos os custos correntes ou operacionais. Num sistema totalmente autónomo, o orçamento do agrupamento incluiria todas as despesas, de encargos com o pessoal, a outros recursos, tais como materiais educativos, custos de manutenção, electricidade, etc. A utilização devida destes fundos seria submetida a auditoria pelo município, que assumiria a responsabilidade pela oferta eficiente e eficaz da educação na sua área.
Fonte: Relatório "Política de valorização do 1º Ciclo", p. 82
Comentário
Quem está no terreno e observa o modo desastroso com as AEC estão a ser conduzidas em muitos municípios, compreende bem o quanto esta recomendação, se for aceite, conduzirá à desgraça das escolas e dos professores. Desde logo, as crianças e os professores ficariam sujeitos ao livre arbítrio do Presidente da Câmara. Já imaginaram as desigualdades territoriais e sociais que a entrega das escola aos municípios provocaria? E o grau de submissão dos professores aos políticos locais? Escolas de municípios pobres ficariam em enorme desvantagem em relação às escolas situadas em municípios ricos. A ser aceite esta recomendação, estaríamos a cavar o fosso entre as escolas dos meninos pobres e as escolas dos meninos ricos. E as diferenças seriam facilmente escondidas caso uma outra recomendação do Relatório fosse seguida: o fim das reprovações. A grande mentira poderá, enfim, ser construída em todo o seu esplendor sem que o Povo dê conta dela.

25 Response to "O Relatório recomenda, claramente, a entrega das escolas e dos professores aos municípios"

  1. Anónimo says:

    Olha! O Ramiro acordou! Finalmente acordou! Em boa hora seja desperto, caro Ramiro!
    Então percebeu agora a gravidade de algo, que se sabia vai para meses e meses? E centrou toda a sua verbe nos amendoins da ADD, no papelucho dos OI ?

    Já agora... não acha que o modelo de Gestão que se avizinha generalizado, não estará relacionado com a Municipalização? Então porque só de forma tíbia o criticou? Porquê não um dos primeiros passos da luta docente: NÃO A ESTE MODELO DE GESTÃO!? ( aliás ilegal e em contradição com pontos da LBSE). Explique-me lá para eu perceber? Já agora, porque razão os tão coerentes colegas da não entrega dos objectivos,muitos deles estão de rabo afoito e estarão no CG? Porque não se apelou na luta a um boicote à ocupação destes cargos ? Orque razão CE tão amigos dos colegas, tão solidários se preparam para Directorizar sem problemas de consciência ou coerência? Vá lá Ramiro, você é um homem de análise e de juízos rápidos sobre condutas, explique-me estas!?

    E a monodocência, com a previsível colocação de milhares (30 a 40 mil) docentes ( de forma assumida, ou fingida) nos quadros de supranumerários e como tal "AECaizados)? ( ou acha que eles foram criados para o Ministério da "Ingrícula"?)

    Pois é caro Ramiro, tanto tiro ao lado tanta pomba depenada devido à ADD! Foi esta treta que passou para fora, muita por blogues de pessoas que de estratégia de luta política a médio prazo nada percebem! E lamento dizê-lo ( e podem-me insultar à vontade) alimentado por muitos colegas que não queriam ser avaliados!

    Já agora...acha que o país vai viver sempre em minoria, em acordos de ocasião PS-Bloco, ou CDS, ou no caso de uma maioria ou um "Centrão" que estas ideias não são comuns e não estarão agendadas secretamente pelos partidos de vocação (des) governativa?

    Entende o que escrevo? A ADD e então a actual nem se fala, tornou-se uma birrinha de docentes meio mimados ( passe a metáfora) e sobretudo terrivelmente ineficaz na captura da simpatia da opinião pública e do nosso prestígio.
    O que se avizinha é verdadeiramente aterrador para a nossa classe, mas não há problema...Não aos objectivos, embora sim à autoavaliação!! Somos mesmo coerentes sim senhor!
    Olhe e já agora...para quando o Ramiro relançar o debate ( sei que já o fez, honra lhe seja feita) sobre como queremos ser avaliados? è que não se quer pelo CP, não se quer Portfólio, não se quer a Prova Pública ( eu quero!), o que se quer? O não querer?

    Já agora os doutos que aqui escrevem e que "ratirizam" tudo o que crítica oposta, façam o favor respondam-me a estas interrogações, vá lá, não se intimidem! Sou um colega angustiado, temeroso, mas não com a estupidez ( que nos vai perder, se já não nos perdeu) do entrego? Não entrego? Semi-entrego? Entrego e Retiro, Digo que entrego e não entrego? Somos tão primários!! O mesmo primarismo que pauta muitas reuniões do CP, por exemplo, onde se passam horas a discutir se um estore deve ser de lona, ou colorido, se os telemóveis devem estar na mesa do fundo ou da do Professor, e por aí fora!

    Ás vezes custa mesmo pertencer a esta classe tão parca de visão futuro, tão acomodada no horariozinho, afoitadinha ao toque!
    Talvez por isso iremos andar a toque de caixa! a ADD como leitmotiv da nossa luta! Que tristeza! E ainda por cima com uma só proposta oficial e tragicamente tardia( antes nem isso!).

    Anónimo says:

    Simplesmente INACREDITÁVEL"! É bom que esta "gente" seja desmascarada de uma vez por todas!

    Anónimo says:

    “O estudo não é da OCDE. É desenvolvido por um grupo de peritos "liderado por Peter Matthews" e segue os critérios ("metodologia e abordagem") da OCDE”, diz Ramiro no post “O Relatório dito da OCDE foi encomendado e pago pelo Governo. Mais uma manobra do propagandista mor da República!” de Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009. E nos outros, mais os comentários que o secundam, denigrem a credibilidade, a justeza da escola desta equipa.

    Só para terem uma ideia do estatuto de Peter Matthews na OCDE:

    http://www.oecd.org/searchResult/0,3400,en_2649_201185_1_1_1_1_1,00.html

    14-Nov-2007
    International Conference on School Leadership Development Strategies- Documentation- 4 MATTHEWS Victoria (Australia) System wide leadership - OECD Case study - Peter Matthews, Hunter Moorman, Deborah Nusche


    29-Apr-2008
    Agenda: Final Conference on Improving School Leadership, 14-15 April, Copenhagen, Denmark
    Improving School Leadership: Case Studies and Concepts for Systemic Action Beatriz Pont, OECD Peter Matthews, Institute of Education, University of London Christopher Day, School of Education, University of Nottingham


    22-Sep-2004
    This Country Note for Germany forms part of the OECD activity Attracting, Developing and Retaining Effective Teachers. This is a collaborative project to assist teacher policy development for improving ...
    Attracting, Developing and Retaining Effective Teachers - Country Note for Germany
    Gábor Halász, Paulo Santiago, Mats Ekholm, Peter Matthews and Phillip McKenzie
    September 2004


    OECD Recommends Reorientation of Teacher Policy in Germany
    Members of the review team included Dr Paulo Santiago (OECD); Dr Gábor Halász (Director General, National Institute of Public Education, Hungary); Dr Mats Ekholm (Director General, National Agency for School Improvement, Sweden); Dr Peter Matthews (Head of Inspection Quality, Office for Standards in Education, United Kingdom); and Dr Phillip McKenzie (OECD).


    School leadership development strategies: Building leadership capacity in Victoria, Australia
    A case study report for the OECD activity Improving school leadership
    by: Peter Matthews (Rapporteur) Hunter Moorman Deborah Nusche December 2007


    14-Nov-2007
    International Conference on School Leadership Development Strategies- Documentation- OECD ISL Leadership Development Conference programme Dublin 7-8 November

    Integrating leadership development in the broader policy context Many countries have introduced new school leadership preparation and professional development programmes, but have not integrated them into the broader educational policy frameworks. This session aims to provide examples of coherent approaches that combine training for school leaders within broader leadership and school improvement agendas. Chair: Paddy Flood, LDS (Republic of Ireland) Presentation: "The Victorian School Leadership Strategy", Peter Matthews (Rapporteur of the OECD case study visit to Victoria, Australia), Visiting Professor, Institute of Education, University of London Country roundtable: England: Laura Cunningham, Head of School Leadership Policy Team, Department for Children, Families and Schools Geoff Southward, Deputy Chief Executive, National College for School Leadership (NCSL) New Zealand: Darren Gammie, Team Leader, Effective Leadership, Ministry of Education Norway: Per Tronsmo, Director, The Norwegian Directorate for Education and Training Slovenia: Andrej Koren, Director, National School for Leadership in Education


    E um livro:
    http://lysander.sourceoecd.org/vl=2223198/cl=20/nw=1/rpsv/ij/oecdthemes/99980223/v2008n8/s1/p1l
    Enseignement et compétences
    2008, vol. 2008, no. 8, pp. 1 - 279
    Improving School Leadership: Volume 2: Case Studies on System Leadership (Edition complète - ISBN 9264033084 - Fr. à paraître)
    Code OCDE: 912008031E1
    Abstract
    This book explores what specialists are saying about system leadership for school improvement. Case studies examine innovative approaches to sharing leadership across schools in Belgium (Flanders), Finland and the United Kingdom (England) and leadership development programmes for system improvement in Australia and Austria. As these are emerging practices, the book provides a first international comparison and assessment of the state of the art of system leadership.

    -Executive Summary-Chapter 1. Introduction-Chapter 2. Realising the Potential of System Leadership by David Hopkins-Chapter 3. Leadership as the Practice of Improvement by Richard F. Elmore-Chapter 4. The Finnish Approach to System Leadership by Andrew Hargreaves, Gabor Halasz and Beatriz Pont-Chapter 5. The English Approach to System Leadership by Stephan Huber, Hunter Moorman and Beatriz Pont-Chapter 6 The Flemish (Belgian) Approach to Systems Leadership by Christopher Day, Jorunn Moller, Deborah Nusche and Beatriz Pont-Chapter 7. Building Leadership Capacity for System Improvement in Victoria, Australia by Peter Matthews, Hunter Moorman, and Deborah Nusche-Chapter 8. Building Leadership Capacity for System Improvement in Austria by Louise Stoll, Hunter Moorman, and Sibylle Rahm-Chapter 9. Approaches to System Leadership Lessons Learned and Policy Pointers by Beatriz Pont and David Hopkins

    Julgo que chega para contrapor a ideia feita e divulgada de que é um estudo sui generis, feito num dia que apenas serve os intuitos do momento.

    Anónimo says:

    Concordo com tudo o que diz este anónimo. Aqui há muito tempo tb eu alertei que a avaliação era um mal menor, que havia efectivamente aspectos muito mais importantes. Mas a avaliação tornou-se para muitos uma para uma doença parecendo que nao existe mais nada pior. E já agora como diz o colega anterior muitos colegas não querem efectivamente ser avaliados e chamem-me o que quiserem. Ninguém discute o problema dos concursos, ninguém discute e toma medidas de força quanto à integração nas autarquias, quero ver se depois tb dizem que nao entregam os objectivos até me vou rir. Relativamente ao professores titulares, já alguem apareceu aqui a pedir a demissão de professor titular? Não sei se isso é possivel mas já alguem o fez? Ja alguem propos um boicote ao concurso para professor titular?
    Quem nao deve nao teme por isso nao tenho problema nenhum em ser avaliado tenho problemas sim se for obrigado a ir para longe, em ser colocado numa autarquia onde impere por exemplo o compadrio.

    Anónimo says:

    Atenção refiro-me ao anónimo das 17.23

    Nunca coloquei em causa o currículo dos autores nem disse que o relatório foi feito num dia. Contestei a metodologia, a ausência de uma amostra representativa e o facto de se basear em fontes documentais pouco diversificadas.

    Anónimo says:

    O que me interessa a mim se o relatório é da ocde ou de outro lado qualquer?

    Não é da OCDE. Foi uma encomenda do ME a um grupo de peritos. O Relatório segue uma metodologia habitual nos relatórios da OCDE.

    Anónimo says:

    Já se está a desvendar o véu!!!

    Venha a cunha e o compadrio com as autarquias!!!

    Não voto PS nem para a câmara!!!

    Anónimo says:

    Vi hoje no site da DREA uma grande novidade:

    a aplicação da DGRHE!!!

    e os sindicatos não dizem nada!!!

    Anónimo says:

    Caro colega das 18.15. Repare no silêncio envergonhado sobre o que escrevemos! Tão rápidos aqui quando se falava da ADD e agora com isto, o silêncio.

    Caro Ramiro, então não responde? Ou vai outra vez pelo "recaldado, raiva "do anónimo das 17.23" ?
    Diga lá porque se encarniçou na ADD, você que até parece um homem bem informado! Descobriu agora o logro? Era assim tão importante esta treta?

    A do ME era péssima, o simplex era uma mistelada? Claro! Diga lá que é para aprendermos, para a História da educação em Portugal, quando é que surgiu um Projecto credível, lógico coerente de Sindicatos, Associações de Professores, ou outros, antes deste nó górdio avaliativo em que estamos metidos? Já agora reparou que a do CDS era praticamente a mesma coisa do simplex, com Objectivos, Auto-Avaliação e C Pedagógico. Mas...os Coordenadores vão ser eleitos pelo DE, como assegurar a isenção? Ah! Os avaliadores-titulares eram incompetentes, mas se calhar comissários designados por DE, já é mais justo! ( tenha calma que até só pela carreira única, bem... com uma divisão: ponham-me esses colegas ambiciosos e desejosos de Execução Directiva e do carcanhol, noutra carreira separada, sem será a de Professor! Muitos odeiam detestam dar aulas. Faça contas, 4x1400 agrupamentos e deixem-me ser Professor!

    Pois é Ramiro...ninguém está a atacar o seu blogue nem a sua pessoa, mas sim a sua ingenuidade política, o seu estilo "uma mão cheia de tudo e outra coisa de nada" , só isso! Mas, deixe lá que há outros que só ao fim de um ano e meio, descobriram que uma forma de luta era a Jurídica.

    Conhece outra, para futuros DE prepotentes, Coordenadores comprados, conluios de podridão escola-autarquias? E sabe...os professores que se deixem de lamurias e lideranças, que se mexam, e não precisem dos Profavaliação, de outros blogues, ou mesmo dos sindicatos. Ajam! Existem tantos advogados neste país!
    Isso, isso é que é coerência!
    Sabe Ramiro, uma frase do Michaux aplica-se às mil a determinadas formas de luta: " o que basta às ideias vulgares não basta às ideias vitais".
    De ideias vulgares anda a classe docente cheia!

    Anónimo says:

    Correcções: até sou a favor ( carreira única)
    às mil maravilhas...
    Carcanhol...sem ser a de ...

    Obrigado, anónimo das 19:17. Já respondi a tudo isso em vários dos 3080 posts que publiquei no ProfAvaliação em 12 meses. Cerca de 250 posts por mês. Obrigado pela sua colaboração. A sério.

    Ó 1º anónimo, então a luta não se faz por partes, por pequenos passinhos? Se não tivéssemos resistidodo à ADD, tínhamos sido comidos por lorpas e, em vez de sugestões para...tudo teria sido já imposto, tal era a fúria legislativa do ME. Temos resistido (mesmo que alguns vão titubiando) e ninguém nos vai silenciar nas próximas investidas do ME. Uma coisa de cada vez.
    Quanto a ti, desculpa lá, mas, não sendo rato, vestiste, também (e tão bem), a pele deles. Não havia necessidade de dar o flanco ao inimigo. Aliás, é pouco crível que tenhas participado em pedagógicos como caricaturizas, sem ter contribuído para desbloquear a situação, arranjando caminhos mais eficazes. Em vez de, altiva e arrogantemente criticares os colegas, mostrando-te contra, mostra-te com. Intervém. Tens capacidades de liderança? Usa-as! Não sejas espectador , do género :(

    Anónimo says:

    anónimo das 10.35
    A aplicação já está disponível " à bués"!

    Anónimo says:

    Por favor... escrevam com corrector ortográfico... 'há bués'!!
    Como queremos que a opinião pública nos apoie se nem sabemos escrever??
    Não me parece que estejamos a contribuir para a valorização da classe... não me parece mesmo...

    Anónimo says:

    Cara Deolinda Rosa...Não a conheço por isso, trato-a por você!

    Sabe uma coisa...só para ser simpático consigo:

    de passinho a passinho é papado o professor como passarinho!

    Asneira o que diz e da grossa!

    A- Ter um Projecto de Avaliação Docente preparado de antemão e sobrepo-lo ao do ME, passá-lo para a população!

    B- Termos antecipado o que de mau tinha o Estatuto - Não o fizemos e não minta por favor

    C- Não ter candidatos a titular! Os Sindicatos até aconselharam a...

    D- Não ter deixado sermos representados pelo camarada MN, sem carisma ( bem o de ambição), aliás algum dia se há-de fazer a história de algumas eleições sindicais na FENPROF

    E- Logo no inicio, ameaça de demissão de todos ou boa parte dos CE.Agora os 139 parecem-me o Grupo de Jiang Qing.

    F- Termos lutado com menos fantochada folclórica, termos acampado menos, e mais armas entre elas as jurídicas e sobretudo a da inteligência e cultura!

    Chega-lhe cara Deolinda Rosa?
    Quanto ao CP? Quer que lhe diga uma coisa que a vai irritar! Verdadeiramente em muitas escolas nunca existiu, simulacro que foi de si mesmo, ainda por cima quando aos poucos legislativamente foi esvaziado do Peda, para o tornar numa coisa pouco lógica! Engana-se , acho que você nunca lá esteve, porque eu sei que cvocê sabe que eu sei que foi era muitas vezes assim!

    Anónimo says:

    Boa

    Anónimo says:

    Um rilatoirio feitio à midida da corja que governa-(se) à custa do papalvo do povinho.

    Mas, vai ser difícil passar esta mensagem aos otários do povo ... já que agora estamos perto do Freeport(ugal)...
    Só por isso!

    É um erro a entrega dos escolas e dos professores aos municípios, que não têm experiência na gestão de escolas, nem têm que ter, nem têm formação para gerir escolas. A gestão das escolas tem que estar entregue aos professores, embora seja indispensável que sempre com a colaboração da comunidade educativa!

    No que respeita à luta dos professores, concordo que houve algumas falhas e que continua a haver mas não sou pessimista, muito pelo contrário.

    Temos que ter em conta que, até agora, os professores têm história de ser uma classe pouco interventiva e esse é o ponto de partida. Com o contributo de blogs como o Profavaliação, em que uma grande diversidade de temas têm sido não só informados mas também debatidos e em que toda a legislação que tem vindo a ser publicada tem tem sido amplamente reflectida, questionada, debatida sobre vantagens e desvantagens da sua implementação, tem-se ajudado a criar um espírito crítico que tem levado à intervenção de alguns professores. Intervenção que, em minha opinião, não é a desejável, decerto, mas tendo em conta o ponto de partida e a pressão contínua exercida pelo ministério, tem sido muito boa! Há por um lado um sentido de classe que se está a formar, acredito, e, por outro, um sentido cívico que está a nascer, que tem levado os professores a intervir. Muito há ainda a fazer neste campo, com certeza, mas com este sentido construtivo, com esta persistência e paciência que vamos a bom porto!
    A luta continua! E continua porque, segundo já foi muitas vezes dito neste Blog, a avaliação de desemepenho, está longde de ser o cerne do problema! como outras vezes já foi dito, a avaliação de desempenho é o resultado de políticas errdadas e da falta de democracia e liberdade que urge repôr!

    Anónimo says:

    Quem sabe quem é a nova assessora da ministra, formada em sociologia?
    E quem sabe quem é a outra assessora, formada em algo, que vai ganhar 2440 euros?

    Deolinda says:

    Ao anónimo:
    Embora não "acomodada", ando "afoitadinha a toques" (os da escola, os das refeições, o da missa, o dos transportes,...), daí que lhe tenha perdido algum do merecido respeito, quando falou sobranceiramente da classe docente, embora o "tu" se deva, essencialmente, ao hábito. Mas peço desculpa.
    Não vou reflectir sobre cada questão levantada: é óbvio que concordo com muito do que apresentou. Só gostava de lembrar que os professores não são santos, mas também não vale a pena diabolizá-los. Em rigor, a classe docente nem é, em sentido restrito, uma classe, mas um grupo social heterogenio, em que se encontram diferentes classes sociais, sendo certo que, cerca de 80% são docentes do sexo feminino, digamos que, mulheres de médicos, de engenheiros (com diploma...)de empresários, de professores,...Bem, éramos um grupo dividido e o grande mérito/demérito deste governo foi fazer a união na desunião, a unidade na multiplicidade, gerando um movimento que, para seu mal, não consegue controlar. Gerou revolta, por ter humilhado, provocado, mentido.
    Agora, estamos contra o modelo de avaliação. Retroactivamente, contra o ECD e a divisão da carreira docente. No futuro, será contra a instituição do professor generalista, a constituição de mega agrupamentos, a municipalização do ensino.
    Os professores estão em guerra. Não foram eles a começá-la e as guerras em legítima defesa estão legitimadas...
    O passado? Isso pouco importa ( lembro-lhe a sabedoria popular: não vale a pena chorar sobre leite derramado). No presente, as coisas não estão fáceis e todos somos poucos para enfrentar políticos pouco sérios e governantes fúteis e incultos.
    Se é colega, ainda está a tempo de lutar contra um poder que ofende a consciência e a ética dos professores!

    Anónimo says:

    Colega Deolinda e quem lhe disse que não estamos na luta!

    O que digo é que esta questão dos Objectivos é ridícula. Cada colega teve as suas razões para entregar ou não. Acha que vale a pena estar a apelidar de falta de coerência por isto ou aquilo quem quis entregar os Objectivos. Existem (n) razões para os terem entregue, como certamente outros tiveram para os não entregar e se calhar tão incoerentes como os outros colegas.

    Repito, esta questão rídicula, esconde a importância de outras discussões e dá oportunidade para a chicana política e os políticos pouco sérios como afirma e mesmo a uma afronta com a opinião pública.
    É pouco inteligente repito, toda esta campanha dos objectivos, só isso!
    Mais afrontar colegas que resolveram entregar, só vai fazer que eles mandem às malvas futuras necessidades de lutas. É que foram a maioria e a maioria tem de ser respeitada! Ou a maioria só interessa quando é a dos 120 mil?
    O que aí bem será trágico e se reflectir será o desemprego para milhares de nossos colegas, ou para mim , ou para si. Os colegas de Francês e os das áreas artísticas serão os primeiros,e na generalidade os colegas do 2º Ciclo. Muitos Professores vão dar AECs, muitos vão estar ao serviço do agrupamento, da Autarquia, muitos vão ser espezinhados por Directores Executivos, agora sorridentes, discursantes, bem falantes. As eleições nas escolas foram-se e se a bufaria já existia, agora vai ser bufarinhada! Quer apostar?
    E vou-me lá preocupar com papel e quejandos que tais, só para os sindicatos se redimirem da borrada, da inoperância, do deixarem-se ultrapassar pela montagem muito bem feita de um edifício tenebroso feita pelo poder?

    Mas cara Deolinda? Vê futuro? Que governo não cavalgará isto? As coligações dão sempre lugar a maiorias, sempre!

    Claro que estaremos mais atentos e espero mais lúcidos na formas de luta, mas não se iluda: a classe docente em vários países europeus, está a ser achincalhada, funcionalizada! Vamos lutar, mas se calhar, esperando onda mais gigantesca que reponha a dignidade e a justiça, não só nos professores, mas na humanidade! Esta Europa "fede"!

    Deolinda says:

    Anónimo,
    Vou ser rápida, pois a preparação das aulas não terminou e a Dona Margarida anda por aí a espreitar (o meu PCE, confidenciou-me que ela "tem um pó" a estes bloguistas...).
    Eu não julgo os colegas que, por variadas razões, entregaram os OIs, mas lamento que o tenham feito. Eu não entreguei e vejo-me, a curto prazo, nos supranumerários. Como eu, milhares de cidadãos, nessa Europa que "fede".
    Mas o conflito instalou-se e ninguém gosta de perder. Os governantes não têm bom senso e os professores têm o dever de lutar.
    E sim, vejo futuro. Quando o poder não sabe ser poder, quando a tirania, disfarçada de democracia, usurpa os anseios das pessoas, todos os cenários são possíveis. Na pior das hipóteses, o poder cairá nas ruas.
    Aqui e fora de portas os governantes actuais continuam num continuado desgoverno...